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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O gótico e a luz primordial da Inglaterra: apostolado de Pugin

Westminster Parlamento
A grandeza imperial da Inglaterra do século XIX consistiu em absorver o império colonial de Portugal e da Espanha e de os reduzir a nada.

Essa já não era a Inglaterra do Parlamento cheio de espírito gótico. Essa não era a Inglaterra de Westminster. É uma outra Inglaterra: a do dinheiro.

Nas obras de arquitetura aparecem a luz primordial e o pecado capital dos povos, e mostram como os dois coexistem no dia de hoje.

Dentro da Inglaterra do dinheiro há uma nostalgia da Inglaterra medieval. Eles acham que não é preciso romper inteiramente com a Inglaterra gótica.

E Augustus Welby Pugin teve alma para compreender esse problema e soube representar a luz primordial na arquitetura. Ele falou para um filão que ainda está vivo na Inglaterra de hoje.

Ele compreendeu a alma inglesa, ele compreendeu sua a luz primordial. Ele viu os pontos de sensibilidade em que essas almas são trabalháveis para o bem.

Isso exige um espírito profundamente católico.

Westminster HallEle soube tocar, por meios simbólicos, a alma de seu país. Ele soube realizar monumentos que muitos, até protestantes, admiraram.

Ele tanto soube tocar, que ele foi odiado. E um indivíduo nunca pode ter a certeza de que ele está acertando, enquanto ele não ouviu o gemido do adversário.

Enquanto o adversário não soltou uma imprecação, ou não gemeu, ele pode estar duvidando do seu próprio acerto.

Ele foi odiado por alguns protestantes, ele foi odiado por muitos católicos, sobretudo pelos católicos liberais, ou antepassados dos progressistas.

St Giles, Cheadle, arquitectura de Pugin ©Fr Lawrence OPSeria uma glória que genuínos católicos ingleses, algum dia, mandem construir uma coisa que esse homem sonhou e que ele não chegou a realizar. Seria a mais alta homenagem a um homem tão católico.

Os homens que não procuram realizar coisas sonhadas pela fé, esses não são homens.

Assim foi a alma dos construtores das catedrais da Idade Média.

Mas o espírito deles não ficou restringido à era medieval.

Elaevive na Igreja Católica que inspira, a través dos séculos, ousadias mais medievais das que tentaram os próprios medievais.

Plinio Corrêa de Oliveira. Testo sem revisão do autor.


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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O gótico e a conjugação da força com a delicadeza em Londres

Catedral de Lincoln
Catedral de Lincoln
Augustus Welby Pugin foi filho de um arquiteto francês de origem nobre, emigrado durante a Revolução de 1789.

Nasceu em Londres, a 1º de Março de 1812. Porém, foi educado pela mãe num rígido calvinismo.

Em 1834, aos 19 anos de idade, ele descobriu a arte medieval e se tornou católico.
“Fiquei perfeitamente convencido de que a Igreja Católica, Apostólica, Romana é a única verdadeira. Aprendi as verdades da Igreja Católica nas criptas das velhas igrejas e catedrais européias.

Procurei verdades na moderna igreja da Inglaterra (protestante anglicana) e vim a descobrir que ela, desde que se separou do centro da unidade católica, tinha pouca verdade e nenhuma vida. Dessa maneira, e sem que tivesse conhecido um só sacerdote, ajudado apenas pela graça e misericórdia de Deus, resolvi entrar na sua Igreja”.
Pugin exerceu um apostolado especial: ele reanimou a alma inglesa, ressequida pelo protestantismo. Para isso ele criou obras em estilo gótico medieval renovado. Hoje elas atraem e empolgam milhões de turistas. Por exemplo, o Parlamento de Londres e a celebérrima torre do Big-Ben.

Parlamento de Londres arquitetado por Augustus Welby Pugin
Nas igrejas que que construía, ele fez questão que as cerimônias sagradas fossem cheias de pompa e que só usassem a música gregoriana.

St Giles, Cheadle, arquitectura de Augustus Welby PuginUma testemunha que assistiu a missa inaugural da capela do seminário de Oscott afirmou se sentir num ambiente de sonho quando a luz do sol começou a jorrar através dos vitrais, fazendo as paredes resplandecerem em ouro e púrpura.

Na primeira missa de uma igreja em Derby, o lorde que construiu o templo, por conselho de Pugin, negou-se a permitir que usassem magníficos paramentos de ouro que ele doara, a não ser que se dispensasse um enorme coro polifônico, que incluía orquestra e mulheres, e só se cantasse o gregoriano.

A fachada do Parlamento inglês produz uma impressão parecida com a que dá a Sainte Chapelle de Paris.

Tem-se a sensação de que a Igreja Católica deixou algumas das melhores marcas de sua própria alma. De tal maneira aquilo é acertadamente católico.

Retamente católico, acertadamente católico, por causa do que? O que tinha aquilo de especial?

Não era, por exemplo, o que tem de especial a catedral de Colônia.

A catedral de Colônia é uma explosão de pedra, de uma grandeza extraordinária.

Lá a razão não está tão presente quanto a imaginação germânica no que ela tem de categórico.

Parlamento de Westminster e Big-BenNão é uma imaginação suave, poética, doce, mas é a imaginação de uma pessoa que quer uma epopéia grandiosa e marcar todos os séculos com uma nota de grandeza que fosse mais do céu do que da terra.

A nota saliente da catedral de Colônia é o fantástico que o espírito possante realiza.

Na catedral de Notre Dame de Paris nós encontramos a conjugação da fantasia com a razão. A fantasia imaginou algo extraordinário.

Depois a razão colocou tudo em ordem, introduziu simetrias, bons sensos, harmonias quase clássicas, sem tirar nada do medieval extraordinário.

Big-Ben, de Augustus Welby PuginA fachada do Parlamento e o Big-Ben representam a conjugação da força e da delicadeza. Há muita delicadeza naquela fachada.

Ela é toda feita de linhas longas que se repetem e de um grande amplitude de horizonte.

Ela não tem o élan de Colônia, nem a harmonia superlativa de Paris.

Ela uma grande dignidade, elevação, nobreza, com alguma coisa de sereno, de senhor de si e de afável, e ao mesmo tempo de sacral e de sério.

Ela reúne extremos opostos. E toda obra de arte quando reúne extremos opostos e até aparentemente contraditórios, realiza algo de supremo.

A idéia de grandeza estável, da grandeza que se senta sobre seu próprio poder e se põe a meditar.

O Big-Ben é uma maravilha que merece ser justaposta a esse edifício.

A ter uma torre, deveria ser daquele jeito: tão coerente, tão lógica, tão bela, mas com essa doçura, essa suavidade dos ingleses que o gênio católico colocou ali pela mão de Pugin, que soube comunicar um sopro católico àquilo tudo.

Como isso é diferente da imagem da Inglaterra protestante! Essa Inglaterra não é a Inglaterra do Palácio nem do Big-Ben.

É uma Inglaterra que o protestantismo deformou com o senso monetário.

No espírito inglês de antes do protestantismo havia ausência desse espírito monetário.

É uma Inglaterra feita para conquistas de ordem cultural e muito menos uma Inglaterra feita para conquistas de ordem material.

Plinio Corrêa de Oliveira. Texto sem revisão do autor.


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