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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Notre Dame de PARIS: plenitude e autenticidade do Cristianismo





Solene e maternal, a catedral Notre Dame irradia sua influência para toda Paris a partir da Île de la Cité, como uma grande dama a partir do palácio, no centro do seu feudo.

Ela é a representação do Cristianismo na sua plenitude e autenticidade: desde o império universal de Nosso Senhor Jesus Cristo até os sofrimentos dos precitos no inferno.

Nela, o peregrino percebe a luta entre o bem e o mal, o contraste entre o sagrado e o profano, a desigualdade entre o eterno e o passageiro.


Notre Dame é, sem dúvida, arte no sentido mais nobre do termo. É arquitetura da mais alta classe, um “lugar sagrado” que espelha as realidades eternas.


Mas ela é, antes de tudo, a casa onde Deus habita na Terra. Assim a Idade Média via Deus.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A catedral: “Bíblia dos pobres” para o “santo povo de Deus”

A arte na Idade Média era essencialmente didática. Tudo o que era necessário o homem conhecer – a história do mundo desde a Criação, os dogmas da religião, os exemplos dos santos, a hierarquia das virtudes, o alcance das ciências, artes e ofícios ‒ todas estas coisas eram ensinadas nas janelas da igreja ou nas estátuas dos pórticos.


Catedral de Chartres: o anjo (acima à esquerda) segura Abraão no momento que ia sacrificar Isaac (embaixo, direita)


O nome de Biblia PauperumBíblia dos pobres – que os impressores do século XV deram a um de seus primeiros livros pode ser bem atribuído às catedrais e igrejas.

Nelas, o simples, o ignorante, todos aqueles que pertenciam à chamada “sancta plebs Dei” ‒ a santa plebe de Deus ‒ aprendiam com seus olhos quase tudo o que sabiam sobre sua fé.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Notre Dame de Paris, catedral perfeita onde a face da Igreja Católica Apostólica e Romana se reflete com toda a sua santidade

As fotografias que eu via da catedral de Notre Dame quando eu era menininho determinavam um impulso da alma para ela, que era uma coisa indescritível.

Eu dizia: “Aquilo é, aquilo deve ser!

“Assim é a igreja das igrejas, a igreja perfeita.

“Onde a face da Igreja Católica Apostólica e Romana se reflete com toda a perfeição de sua santidade”.

Imaginemos que os homens, que são os reis da criação e, portanto, o teto da criação visível nessa terra — os anjos que são invisíveis e não são dessa terra —, se os homens atingissem toda a santidade para a qual eles são chamados.

E de posse dessa santidade, eles pudessem, sem ser coarctados pelo poder das trevas, construir livremente, organizar, arranjar, etc., etc., como o interior de suas almas lhes fala.

O que é que eles fariam?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Do alto da catedral: o sorriso e a benção de Nossa Senhora para a Cristandade medieval


Em Notre Dame é muito agradável, ao menos para os meus olhos, o contraste entre a altura da Catedral e a largura.

Ela é esguia, muito mais alta do que larga. De maneira que tendo uma boa largura — não pode de nenhum modo ser chamada de um edifício frágil — ela é graciosa, leve, mas tem um quê de fortaleza que é absolutamente incontestável.

Ela nos fala da plenitude do espírito da Idade Média. Espírito hierático, sacral, hierárquico, ordenado, todo voltado para o que há de mais alto, em que a maior seriedade se combina bem com a graça mais leve e com a delicadeza mais extrema.

Os mais belos aspectos da alma católica aparecem a todo propósito em todos os ângulos da Catedral.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A lógica de Notre Dame e o arrebato do estilo bizantino

Notre Dame é irrepreensível, ordenada, perfeita, lindíssima, tudo lógico, mas um lógico com poesia.

São as lógicas não do filosofastro, mas as lógicas da mãe de família, do pai, da vida, é essa lógica, verdadeira.

Então é disso que às vezes a arquitetura apresenta.

Mas às vezes a arquitetura borbulha, e apresenta coisas meio inesperadas.

E é o próprio movimento da alma religiosa, nos seus entusiasmos, êxtases, impulsos, generosidade, nos lances a la Santa Teresa de Jesus por exemplo, que deixam a alma desconcertada diante de sua grandeza, a la Santo Inácio de Loyola, etc.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

As Catedrais de Colônia e Notre-Dame se completam para dar uma idéia do próprio Deus

Notre Dame de Paris ou a Cateral de Colônia?

Fica-se mal à vontade discutindo qual catedral merece o primado. Porque a gente vê que Deus queria que houvesse uma e outra, para se somarem e darem cada uma idéia especial d’Ele.

E aí, do fundo de nossas almas, sobe uma coisa que é uma super luz, mas ao mesmo tempo é penumbra ou obscuridade sem ser treva.

É a idéia de todas as catedrais góticas do mundo, as que foram construídas e as que não foram construídas, todas elas dão uma idéia de conjunto de Deus.

Entretanto, Deus ainda é infinitamente mais do que isso.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A catedral medieval nos faz sentir no seio da Jerusalém celeste

Amiens, nave central“Penetremos na catedral. A sublimidade das grandes linhas verticais atua logo de início sobre a alma.

“É impossível entrar na grande nave de Amiens sem se sentir purificado. Unicamente por sua beleza, ela age como um sacramento. Ali também encontramos um espelho do mundo.

“Assim como a planície, como a floresta, ela tem sua atmosfera, seu perfume, sua luz, seu claro-obscuro, suas sombras. [...]

“Mas é um mundo transfigurado, no qual a luz é mais brilhante que a da realidade, e no qual as sombras são mais misteriosas.

“Sentimo-nos no seio da Jerusalém celeste, da cidade futura. Saboreamos a paz profunda; o ruído da vida quebra-se nos muros do santuário e torna-se um rumor longínquo: eis aí a arca indestrutível, contra a qual as tempestades não prevalecerão.

“Nenhum lugar no mundo pôde comunicar aos homens um sentimento de segurança mais profundo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Jesus Cristo é o centro da História, proclama a catedral gótica

catedral de Toledo
A belíssima página que a seguir transcrevemos –– de Émile Male, um historiador francês de grande envergadura, especializado em história da arte — apresenta-se como um bálsamo para as feridas que em nossas almas abriu esta época na qual vivemos. Ele nos fala da catedral medieval, especialmente a do século XIII, na França. Temos a impressão de estar lendo um poema que faz voar nosso espírito para longe das maldições deste século: os horrores da luta de classes, o desvario a que se chegou a propósito dos chamados direitos humanos, as invejas, os escândalos que se atropelam uns aos outros, as perversões morais, o terrorismo, a contínua insegurança e tudo o mais.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

VENEZA: o Campanário da catedral São Marcos, obra prima medieval, reconstruída por São Pio X


Um dos marcos da cidade de Veneza, Il Campanile di San Marco (O Campanário de São Marcos), afetuosamente chamado de "El Parón de Casa" (o Senhor da Casa) pelos Venezianos.

É uma imponente torre que marcava as horas da cidade. Atualmente pode-se subir e contemplar a cidade de Veneza.

A construção do Campanile original iniciou-se no século IX, perdurando até o século XII. Tem 98,5 mts. De altura e é o prédio mais alto de Veneza.

O aspecto atual do Campanile é uma réplica exata do original. Ele colapsou em 14 de Julho de 1902, não fazendo qualquer vitima.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

As catedrais de Notre-Dame e São Pedro comparadas por uma grã-duquesa russa

Notre-Dame, nave central
No século XVIII, a grã-duquesa da Rússia Maria Feodorovna fez sua viagem de bodas na Europa Ocidental com seu esposo, o futuro imperador Paulo I da Rússia. O casal viajava de “incógnito” ‒ quer dizer, não oficialmente ‒ e usava os nomes de Conde e Condessa du Nord. A baronesa de Oberkirch, nobre francesa que escreveu Memórias famosas, ia junto como dama de companhia.

A grã-duquesa russa ‒ que era cismática ‒ comparou a Basílica de São Pedro e a catedral de Notre-Dame. A baronesa de Oberkirch recolheu o comentário:

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O gótico é fruto de séculos de pregação dos santos

Asís

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Quando há uma sociedade que vive em uníssono, e que deseja muito uma mesma coisa, aparecem os artistas que, imbuídos do mesmo desejo, fazem o que a sociedade quer.

A obra de arte é uma consonância de um homem, ou de alguns homens, dotados de um talento especial para fazer o que a sociedade deseja.

Então, quem fez o gótico?

A prática da religião assídua, séria, reta, por séculos, levou as almas a desejarem o gótico.

Em certo momento, quando o artista primeiro, que não se sabe qual é, começou a desenhar o gótico, todo o mundo disse: “É mesmo!”

E o gótico se espalhou pelo mundo inteiro. É que ele era o desejado.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O espírito épico deu alma às catedrais medievais

Beauvais, catedral São Pedro
O espírito épico é como um prisma que permite interpretar a Idade Média.

Os historiadores hodiernos, entretanto não sabem discerni-lo. E nos seus relatos esse espírito épico está volatilizado.

Entretanto, este é verdadeiramente o prisma para estudar a Idade Média.

Cada vez mais nós estamos caindo em estudos de caráter puramente historicista, e econômico, e político. Mas desprovidos de alma.

O resultado é que o aluno sente confusamente que o historiador no pegou o fundo da coisa, não entendeu a alma da Idade Média. Então, o estudo fica cassetérrimo.

Os medievais trabalhavam com espírito épico. Esse espírito está presente até na hora de fazer um campanário ou uma catedral.

Eles, então, faziam uma obra para lá de arrojada em relação aos meios do tempo.

Não só arrojada como proporções, mas arrojada como qualidade.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Se a catedral de Notre Dame falasse, o quê diria?


Como seria a catedral de Notre Dame se ela pudesse ter sentimentos e falar?

Ela sem dúvida não seria do tipo de pessoa que ri a toda hora. Mas seria do tipo de homem que tem dentro da alma, uma forma de grandeza e de bem-estar que pode coexistir com os maiores tormentos e as maiores angústias.

É um estado de elevação, de sublimidade, de afabilidade, de benignidade. Com esse estado ele se sente capaz de todas as grandezas; desde as maiores até as menores.

Contra o mal, o feio e o ruim ele se sente capaz de todas as intransigências; das maiores às mais miúdas.

Mas, também, de todas as paciências, bondades, flexibilidades, adaptabilidades ao que não é mal. Porque, ao mal, ele resiste sempre, luta sempre, não dá nem tréguas nem quartel. Mas é capaz de todas as formas de afabilidade, de transigência, de bondade muda, para aquele que não é mau.

Por detrás desse estado de espírito encontra-se a verdadeira alegria. Que não é a vontade de rir, mas é sentir-se em harmonia com Deus Nosso Senhor. Sentir-se na estatura própria à sua alma, e na realização da tarefa própria à sua alma.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Hierarquia de trabalhos e sacralidade na catedral de BURGOS


Na catedral de Burgos se percebe bem o valor conjunto de três trabalhos humanos:

‒ o trabalho manual de quem esculpiu isso,

‒ o trabalho artístico de quem desenhou,

‒ o trabalho diretivo de quem resolveu fazer a catedral, encomendou os desenhos.

Qual dos três trabalhos é o mais nobre?

A catedral foi construída pelo rei de Castela São Fernando III. Quer dizer, foi um grande Santo exercendo sua capacidade ordenativa.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

As torres inconclusas de Notre Dame

Por mais que se tente completar as torres de Notre-Dame — talvez um grande arquiteto consiga — não se chega a nenhuma solução satisfatória.

Isso quer dizer que, à maneira de negação, tem-se uma certa noção da torre que se poria lá. Mas não é nenhuma das que cogitamos.

O que tem a catedral de Notre-Dame que a mim me delicia, me subjuga e me assume, é que aquilo, como está, é tão bonito, que se diria que não se pode pôr nada mais além daquilo.

Ora, era para pôr! Logo, o acréscimo tem que ser um bonito na linha gótica.

Tem que ser a culminância perfeita que daria toda a beleza da catedral.

Quem o fizer merece um prêmio.

Olhando para as torres inconclusas percebe-se que seria possível haver uma culminância suprema, mas que não é como nenhuma das torres que habitualmente se poriam.

Olhando para as torres nós podemos apanhar apenas uma insinuação de como elas deveriam ser, se bem feitas.

Agindo assim, nós temos algo à maneira de um conhecimento metafísico.

E nós conhecemos essas torres ideais que não foram feitas mais à maneira de negação, dizendo: “Não, não seria esta; não seria aquela, não seria aquela outra”.

E assim nós nos formamos uma idéia de como elas seriam.

E isso nos entusiasma.

Esse entusiasmo pelo que conhecemos apenas negativamente nos dá algo da centelha do absoluto refletindo nas torres inacabadas da catedral de Paris.

O arquiteto Viollet-le-Duc em ponto pequeno, percebeu algo desse absoluto na hora de restaurar a agulha da catedral e cuja altura aumentou.


Não se atreveu, porém a completar as torres da fachada.

Nota: Eugène Viollet-le-Duc (18141879), arquiteto francês, restaurou um grande número de monumentos da Idade Média.



Fonte: “A inocência primeva e a contemplação sacral do universo no pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira”, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, São Paulo, 2008.

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