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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Se a catedral de Notre Dame falasse, o quê diria?


Como seria a catedral de Notre Dame se ela pudesse ter sentimentos e falar?

Ela sem dúvida não seria do tipo de pessoa que ri a toda hora. Mas seria do tipo de homem que tem dentro da alma, uma forma de grandeza e de bem-estar que pode coexistir com os maiores tormentos e as maiores angústias.

É um estado de elevação, de sublimidade, de afabilidade, de benignidade. Com esse estado ele se sente capaz de todas as grandezas; desde as maiores até as menores.

Contra o mal, o feio e o ruim ele se sente capaz de todas as intransigências; das maiores às mais miúdas.

Mas, também, de todas as paciências, bondades, flexibilidades, adaptabilidades ao que não é mal. Porque, ao mal, ele resiste sempre, luta sempre, não dá nem tréguas nem quartel. Mas é capaz de todas as formas de afabilidade, de transigência, de bondade muda, para aquele que não é mau.

Por detrás desse estado de espírito encontra-se a verdadeira alegria. Que não é a vontade de rir, mas é sentir-se em harmonia com Deus Nosso Senhor. Sentir-se na estatura própria à sua alma, e na realização da tarefa própria à sua alma.



Notre Dame é feita de seriedade, gravidade, afabilidade e serenidade. Ela sorri, mas sorri pouco. Choura, mas, também, chora pouco. Ela tem a estabilidade da alma verdadeiramente católica.

Esse estado de espírito só a visão sobrenatural dá. Ele transforma a alma num verdadeiro sacrário.

Esse estado de espírito atrai veneração e ternura. Ele enleva os homens.

Mas é, precisamente, esse estado de espírito que o mundo revolucionário e igualitário contemporâneo abomina. Ele odeia, evita a companhia de quem é assim, se desagrada em olhar quem é assim. Porque ele deve prefere uma desordem permanente. Ele quer qualquer coisa menos isso.

Se for para ser chorão, ele chora; se for para ser mole, ele é mole. Se for para ser violento, ele é violento; se for ser palhaço, ele é. Moles, chorões, violentos, palhaços, por mais diferentes que sejam, acabam se adaptando entre si.

Se a Catedral de Notre Dame tivesse pensamento e pudesse pensar e sentir por si própria, ela sentiria seu ambiente todo recolhido, sobrenatural, com aquela luz tanizada por vitrais, com aquela sacalidade entre as várias naves que sobem, com aquela retidão, aquela esguia que vai para cima, com a força daquelas colunas, com a resistência daquele granito.

Aquela catedral sentiria, em si, esse bem-estar.

É porque habita nela um espírito temperante. Quer dizer, a súmula de tudo quanto é de bom espírito.

Isso dá uma estabilidade altaneira, mas tranqüila, que não tem medo das convulsões e que é toda voltada para a eternidade.

Esse é o perfil moral e psicológico da catedral de Notre Dame.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 20/6/67. Sem revisão do autor.)

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Um comentário:

  1. Parabéns pessoal! A catedral é de uma beleza indescritível.O texto, é perfeito.Abraços ternos.Beli Martins.Brasil

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