quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A Luz de Cristo que brilha suavemente nas catedrais traz uma saudade e um apelo


Entrando no recinto sagrado de uma catedral como as que legou a Idade Média, o povo excercia, sem sabê-lo, um magnífico ato coletivo de discernimento dos espíritos!

Assim como quando acabou o Dilúvio um arco-íris pousou sobre a terra, assim também, quando o aperfeiçoamento da Igreja e da obra de Nosso Senhor Jesus Cristo na terra chegou a um determinado grau, as almas humanas teriam recebido esse discernimento.

Era um enorme discernimento coletivo dos espíritos como se uma luz do Divino Espírito Santo se tornasse sensível à mente dos homens.

E eles discerniam belezas na Igreja Católica que eles traduziram por esses modos maravilhosos que o estilo gótico excogitou.

Esse discernimento manifestava-se não só na arte eclesiástica. Ele vivia palpitante em mil outros aspectos da vida real!

Na corporação de ofício, na aldeia de marzipã, na inocência dos camponeses que nos aparecem nas iluminuras ou nos vitrais, na paz com dos gizantes, com as mãos postas, numa tranqüilidade que é desconcertante para nós, homens de hoje.


Em tudo isso, o homem fazia transparecer mais e melhor a Deus Nosso Senhor que se fizera luz através da Igreja Católica.

Epifania! Nosso Senhor se mostra em Belém a todos os povos mostrando-se para esses três reis pagãos que eram os Reis Magos. Naquele momento o “Lumen Christi” ‒ a Luz de Cristo” ‒ brilhou para os pastores e os reis que viram o Menino Deus.

Em Belém teria começado uma ação cujo ápice histórico se teria conseguido no momento em que sobrenaturalmente sensível a todos os homens na época em que o “Evangelho penetrava todas as instituições, como S.S. Leão XIII qualificou a Idade Média.

Não se tratava de uma visão, mas de algo que participa ligeiramente de uma visão geral. Era uma Epifania de Nosso Senhor Jesus Cristo a todos os povos da Europa medieval amada, batizada e civilizada.

Veio depois o trabalho maldito da extirpação. Essa “Luz de Cristo” que resplandecia suavemente na idade Média foi sendo extirpado ponto por ponto, de fora para dentro.

Primeiro veio a Renascença, depois o Protestantismo, a Revolução Francesa e a comunista. De início propôs aos homens as belezas do apenas clássico, do barroco, depois do romântico, com estados de espíritos e modos de ser culturais e morais, cada vez mais vazios daquela Luz de Belém.

E os homens foram aos poucos, aceitando. Afinal aparece a luz sinistra do socialismo e do comunismo bradando “morra a beleza, morra Deus”.

Mas ainda fica ‒ em uns mais, em outros menos ‒ uma coluna de fogo dentro da alma que os torna sensíveis a esse “Lumen Christi” que resplandece nas catedrais medievais.

Então, nós vemos almas indiferentes ao gótico e simpáticas ao socialismo.

Porém, encontramos outras que conservam alguma grandeza e se voltam para a Luz de Cristo que emana daquelas catedrais, admiram-no, amam-no, tem saudade dele.

No fundo é uma saudade de Deus. E de Deus glorificado nesta terra.

(Fuente: Plinio Corrêa de Oliveira, 03/01/1981. Texto sem revisão do autor).

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