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quarta-feira, 28 de julho de 2010

A SAINTE CHAPELLE: Elevação e intimidade

Cripta da Sainte-Chapelle
Há muitos anos, quando visitei a Sainte Chapelle (Capela Santa) pela primeira vez, pensei que esta parte baixa fosse a capela principal.

Julguei-a tão bonita que, ao vê-la, soltei uma exclamação; a qual, em mim, tem muito significado, porque não sou muito exclamativo. Fiquei encantado!
Pórtico principal da Sainte-Chapelle

Entretanto, disseram-me para subir logo, porque o fluxo dos visitantes estava aumentando, e a Sainte Chapelle ficava em cima, sendo aquele andar inferior destinado aos servidores.

Como os habitantes do palácio eram muito numerosos, e o Rei gostava de assistir ao Santo Sacrifício com todos juntos, celebrava-se uma Missa embaixo e outra em cima.

Como a parte superior não comportava todos, os servidores permaneciam embaixo. Em cima, acomodava-se o Soberano com sua corte.

Chamo atenção, em primeiro lugar, para o seguinte aspecto: há algo nas proporções desta parte baixa da capela, inteiramente diverso do que nos habituamos a ver nessa matéria em igrejas.

Há uma proporção especial para quem ora: sentir-se num ambiente muito elevado, mas ao mesmo tempo muito íntimo.

A pessoa sente-se como que recebida por Deus em seu gabinete pessoal, na sua sala mais interna. Numa perspectiva que concilia a elevação com a intimidade.

Interior da Sainte-Chapelle
Como se consegue isso?

Da seguinte maneira: as colunas são muito esguias, são tênues; não são colunas fortes, atarracadas; mas todas elas abrem-se como se fossem palmeiras cujas folhas se unem no teto.

E se abrem de modo tão harmonioso, tão gradual, tão perfeito, que a pessoa tem uma certa impressão de que elas ficam lá no alto, no teto, no ponto onde se unem, mas que, ao mesmo tempo, esse ponto muito alto está ao alcance da pessoa.

Por onde, fica-se misteriosamente elevado. Na intimidade, tem-se a impressão de grande elevação; e na elevação, tem-se a impressão de grande intimidade.

O homem mede toda a grandeza de Deus, mas, concomitantemente, sente-se elevado até o Criador. Afetuosa e carinhosamente elevado até Deus.

Altar para a Coroa de Espinhos
As ogivas exercem o seu incomparável fascínio sobre os espíritos.

Vemos como a ogiva é um ornamento belo, e como o jogo de ogivas é mais bonito do que cada ogiva em particular.

A Sagrada Escritura diz que Deus, quando criou o universo, repousou no sétimo dia, considerando a obra que tinha feito.

E tornou-se-Lhe patente que cada coisa era bela, mas que o conjunto era mais formoso do que cada parte.

Na Sainte Chapelle encontramos isso. Todas essas colunas são bonitas, as pinturas acentuam tal beleza, os vitrais etc. Mas o conjunto é muito mais belo.


Vista posterior da Sainte-Chapelle

Nota:

Sainte Chapelle de Paris, construída junto ao Palais de la Cité, hoje Palais de Justice, pelo arquiteto Pierre de Montereau, ou de Montreuil, durante o reinado de São Luís IX, século XIII, para conter as preciosas relíquias trazidas, de Constantinopla, pelo santo monarca. Dividida em 2 andares: capela alta, destinada a receber as relíquias; capela baixa, reservada para acolher as sepulturas de dignitários eclesiásticos.

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Extratos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 12 de abril de 1989. Sem revisão do autor.


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quarta-feira, 7 de julho de 2010

REIMS: catedral da França monárquica para coroar o representante temporal de Deus na Terra





Após os horrores revolucionários da Revolução Francesa e as não menos revolucionárias nem menos sangüentas guerras de Napoleão, os príncipes legítimos da casa de Bourbon, retornaram a Paris.

O primeiro em entrar na antiga capital do reino, foi o Conde de Artois ‒ futuro Carlos X ‒ irmão caçula do decapitado rei Luis XVI.

A entrada do Conde de Artois em Paris foi um episódio de fábula.

Se não fosse o caráter pagão das “Mil e uma Noites”, a gente diria uma fábula das “Mil e uma Noites”.

Ele era um príncipe feito mais de cristal do que de carne, tendo todas as graças e os charmes da delicadeza francesa, tendo todas as finuras, os raffinements, as cortesias da elegância francesa.

Tendo, ao mesmo tempo, uma atitude paternalíssima em relação ao povo.

Entrada do conde de Artois em Paris
E o povo notou essa paternalidade e ficou encantado, chegou a abraçar os cavalos dele, não sem algum perigo do cavalo de repente dar um coice.

E o Conde de Artois avançava sem se perturbar, enquanto o povo abria caminho.

O povo da Áustria fica simplesmente derretido e emocionado quando um arquiduque da casa imperial volta, depois de uma longa perseguição. É a volta de um pai inocente.

No caso da França não. O príncipe é o sonho que todo o mundo gostaria de ter, que gostaria de viver, com o qual se pensava quando os canhões brutais soavam perto de Paris anunciando as violentas vitórias de Napoleão.

No fundo os corações do povo de Paris pensavam no toque dos sinos da Catedral de Reims quando era coroado um rei da França.
Nossa Senhora, Reims

Eles batiam pensando na cerimônia da coroação, uma das mais belas cerimônias da Cristandade.

A catedral de Reims é a catedral feita pela França monárquica para prestar culto ao representante temporal de Deus na Terra.



(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 31/3/95. Sem revisão do autor)


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