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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Tour Saint-Jacques, de PARIS

A Torre de São Tiago (Tour Saint-Jacques) é, há séculos, ponto de chegada e partida dos romeiros para Santiago de Compostela.

Compostela fica a 1551 quilômetros de Paris, e a peregrinação a pé, hoje, consome mais de dois meses.

A Torre é tudo o que fica da venerada igreja de Saint-Jacques-de-la-Boucherie.

A Chronique de Turpin (século XI) diz que o templo foi fundado por Carlos Magno.

A Torre de 52 metros era o sinal para aos peregrinos.

Veja vídeo
A torre dos romeiros de Paris:
Tour Saint-Jacques
Eles vinham do norte da Europa e seguiam para o sul pelo “caminho francês”.

O “caminho francês” passa por santuários do centro da França, antes de atravessar os Pirineus e entrar na Espanha.

A Torre foi construída em gótico flamboyant nos anos 1509-1523 sob o reinado do rei Francisco I.

Até hoje peregrinos percorrem a pé o “caminho de Compostela” e recebem atestado oficial de romeiros que favorece a expedição.

Na igreja venerava-se uma relíquia do Santo Apóstolo.

Mas, o ódio anti-cristão da Revolução Francesa demoliu a igreja em 1797.

Estátua do Apóstolo no topo da torre
A amada igreja foi posta abaixo e os restos foram vendidos como material de demolição.

A Torre acabou não sendo destruída, mas, ficou abandonada.

Dentro dela foi instalada uma fundição de chumbo, símbolo do ateísmo laicista que demoliu o templo.

A estátua do Apóstolo foi abatida pelos revolucionários de 1789; os mesmos revolucionários demoliam tronos e altares, destronavam reis e decapitavam imagens de santos.

O crime foi perpetrado em nome dos valores revolucionários da celerada trilogia “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

O século XIX tentou recuperar os monumentos góticos selvagemmente abandonados ou amputados pelo “espírito das Luzes” laicista e igualitário!


A estátua de Santiago o Maior que coroa a torre é uma reprodução fidedigna feita nessa restauração.

A Tour Saint-Jacques é o mais alto e o mais requintado monumento no famoso caminho de peregrinação.

Pela Tour Saint-Jacques passaram milhões de peregrinos como atestam o “Codex Calixtinus” do século XII até uma placa moderna afixada pelo governo da Espanha.

As ondas revolucionárias não conseguiram abatê-la.

Ela paira majestosa mostrando às multidões paganizadas a verdadeira beleza e toda a grandeza e requinte da piedade católica não deformada.


Video: A torre dos romeiros de Paris: Tour Saint-Jacques

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A catedral e “a arquitetura da felicidade” (2)

Continuação do post anterior



“O ruído contínuo de fora dava lugar ao silêncio e à emoção inspirada pelo sublime.

As crianças permaneciam coladas aos pais e olhavam em volta com ar de encantada reverência.

“Os visitantes instintivamente falavam baixo como se estivessem coletivamente imersos num sonho do qual não gostariam de sair.

O anonimato reinante na rua era aqui assumido por uma peculiar espécie de intimidade.



“Tudo o que é sério na natureza humana parecia chamado à superfície: pensamentos sobre a limitação e o infinitamente grande, sobre contingência e sublimidade.


“Uma escultura em pedra punha em relevo tudo o que desaparecia e destinado à insensibilidade e reacendia na alma o desejo de viver de acordo com essas perfeições.

“Após alguns minutos na catedral, toda uma série de idéias que, lá fora seriam inconcebíveis, assumia ares de razoabilidade.

“Sob a influência dos mármores, dos mosaicos, da obscuridade e do incenso, parecia inteiramente provável que Jesus fosse o Filho de Deus e que tivesse andado sobre o mar da Galiléia.

“Em presença de imagens de alabastro da Virgem Maria postas diante de um encadeamento rítmico de mármores vermelhos, verdes e azuis, já não era mais surpreendente que um anjo pudesse a qualquer instante descer através das camadas densas dos cúmulos londrinos, entrar por uma das janelas da nave, soar um trompete dourado e anunciar, em latim, um próximo acontecimento celeste.

“Conceitos que pareceriam próprios a um demente a 40 m de distância daquele local, em companhia de um grupo de adolescentes finlandeses e cubas espumantes de óleo de fritura – esses conceitos agora adquiriam, em virtude de um trabalho de arquitetura – um sentido supremo e majestoso”.

(Fonte: Alain de Botton, “The Architecture of Happiness”, Pantheon Books, New York, 2006, 280 p., p. 108 ss.)

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