Eles conquistaram as graças do povo. Um fato crucial para essa devoção popular foi a criação da liturgia dos mortos. Dia dos finados. Assumiam assim as funções eucarísticas.
Um “mistério magnífico” que trouxe grandes benefícios às almas dos fiéis defuntos. Os monges de Cluny eram guerreiros de luz que combatiam as trevas. Ao cantarem ininterruptamente, resgatavam as almas penadas, os perdidos, os errantes que estavam condenados ao abismo infernal.
Por volta de 1030 Cluny organizou a liturgia da comemoração dos defuntos - a data foi fixada em 02 de novembro. Era sua vocação. Pierre, o Venerável, oitavo abade de Cluny (1122-1156) escreveu uma coletânea de relatos de milagres (De miraculis): visões ‒ celestiais e diabólicas (sim, o diabo tentava a abadia, daí sua santidade) ‒, sonhos e aparições de mortos.
Sobre os prédios de Cluny (celeiro, torres, fachada, etc.) ver também:
A obra possui dez relatos de aparições de mortos. Especialmente através de sonhos: os monges cluniacenses recebiam regularmente a visita de mortos em seus sonhos. Anunciações, avisos, premonições. A tradição de Cluny obrigava que o visitado avisasse à comunidade para que fossem celebradas missas salutares em honra ao morto onírico visitante (SCHMITT, 1999: 90-97).
Assim, além do contato e do auxílio aos mortos, o mosteiro, com seu canto e suas missas ininterruptas, libertavam almas perdidas para o demônio. Mais uma vez Raul Glaber nos conta:
Sabe que esse mosteiro não tem outro que se lhe iguale no mundo romano, sobretudo para libertar as almas que caíram no poder do demônio. Imola-se nesse lugar tão freqüentemente o sacrifício vivificante, que quase não passa um dia sem que, por tal mediação, não sejam arrancadas almas ao poder dos malignos demônios.
Com efeito, neste mosteiro, nós próprios fomos testemunhas disso, um uso tornado possível pelo grande número dos seus monges, determinava que se celebrasse sem interrupção missas desde a primeira hora do dia até a hora do repouso; e punha-se nisso tanta dignidade, tanta piedade, tanta veneração, que se acreditava ver mais anjos do que homens (citado em DUBY, 1986: 217).

EXEMPLOS DE VIDA DOS ABADES SANTOS DE CLUNY
Santo Odilon, um abade de Cluny que modelou a Cristandade
Santo Odilon: leão pela causa da Igreja e escravo de Nossa Senhora
Santo Odon: resplandecente abade de Cluny
Anjos, eles eram anjos de verdade que desceram dos céus para cantarem próximo de nós. Esses monges de negro, com suas vozes, entoadas em uníssono perfeito, salvariam o mundo da perdição e os homens estariam livres dos horrores do fim dos tempos.
Cluny veio para preparar o mundo para o Apocalipse, amenizar o sofrimento dos espíritos inquietos.
Desejaria receber as novas postagens de 'Catedrais Medievais' em meu Email gratuitamente
GLÓRIA
CASTELOS
CATEDRAIS
CIDADE
CONTOS
CRUZADAS
HERÓIS
ORAÇÕES
SIMBOLOS


0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo comentário! Escreva sempre. Este blog se reserva o direito de moderação dos comentários de acordo com sua idoneidade e teor. Este blog não faz seus necessariamente os comentários e opiniões dos comentaristas. Não serão publicados comentários que contenham linguagem vulgar ou desrespeitosa.