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quarta-feira, 11 de maio de 2011

A catedral gótica, musica solidificada


Alcobaça, Portugal

Continuação do post anterior

O principio básico do sistema é a decomposição dos elementos construtivos em ativos e passivos. São considerados elementos ativos as nervuras das abobadas, os pilares, os arcobotantes e os contrafortes.

Os passivos são as muralhas, as paredes de vedação, o recheio das abobadas, que, por não exercerem nenhuma função ativa, podem simplificar-se e até mesmo suprimir-se.

Conseqüência desse principio vem a ser uma estrutura elástica, isto é, uma combinação de elementos construtivos que atuam uns sobre os outros em intima correlação, mas com certa liberdade de movimento. Ao contrario, por exemplo, da construção românica, na qual todo o edifício é um imenso bloco monolítico.

No estilo gótico, aquilo que delimita o espaço, ou seja, as muralhas e as paredes solidas e maciças, fica como que anulado, e as funções construtivas e estéticas recaem sobre as ossaturas do edifício, sobre os elementos estáticos ativos da estrutura.

Esta fundamental mudança na maneira de conceber o conjunto arquitetônico havia de produzir seu efeito natural na configuração externa.


Se observarmos uma catedral do alto gótico por dentro, teremos a impressão de musica solidificada. Parece inconcebível como podem descansar as abobadas sobre os pilares tão frágeis.

Catedral de Beauvais, França
O edifício inteiro dá a impressão de haver ficado livre de todo peso material, de toda contenção terrestre. Os pilares se erguem altos e flexíveis para, através das nervuras, se confundirem com as abobadas num vôo vertiginoso.

E essas nervuras, que por todos os lados se levantam do solo e aderem aos pilares como forças vivas, estruturam a abobada sem provocar a sensação de esforço e de fadiga.

Tudo nessas igrejas lembram a sensibilidade da alma medieval.

“A mística e a escolástica, as duas grandes potencias vitais da Idade Média... permanecem ale intimamente unidas, profundamente compenetradas. Se o espaço interior é místico, o exterior é todo escolástico. Une-os o mesmo afã de transcendentalismo, que se serve de diferentes meios expressivos. A mística do espaço interior é uma escolástica vertida ao intimo, desviada no sentido da sensação orgânica”.

Continua no próximo post

(Fonte: Catolicismo, Junho de 1960, Nº 114)


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