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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Catedral gótica: síntese da fé em movimento


Catedral de Toledo, Espanha
Continuação do post anterior

 “A catedral gótica, diz Charles Morey, é de fato o equivalente arquitetônico da síntese escolástica; como esta ultima resolveu pela dialética os problemas impostos pela fé, assim também os arquitetos do século XIII atingiram uma unidade integrada num conjunto de infindáveis detalhes, apesar de sua procura de espaço indeterminado.

É o espaço gótico, na arquitetura gótica, que finalmente determina seu efeito. O movimento e subtil comunicação com o espaço exterior, que dá a impressão de ligar o observador com o infinito, são potentes fatores na levitação espiritual que um interior gótico pode proporcionar; mas que ele proporciona em completa medida somente quando reforçado por sua panóplia de vitrais”[1].

O espaço gótico deixa de comensurável, de regularidade geométrica, como nos antigos interiores bizantinos, para apresentar irregular em volume e expansão.


Não se isola da amplidão exterior, mas a ela se une pelo faiscar das luzes através do clerestorio, perdendo-se o olhar pelas sombras das abobadas, pelo caprichoso emaranhar dos arcos ogivais. Em suma, é um espaço de movimento.

Catedral de Le Mans, arcobotantes
E ao mesmo tempo que o interior é místico, há perfeita ordenação racional na construção e na composição arquitetônica.

Em seu aspecto técnico, reduz-se o estilo gótico ao sistema de abobadas nervuradas por meio de arcos ogivais cruzados.

Não se deve, porém, confundir a história da arte gótica com a da abobada ogival, embora a ogiva seja uma característica essencial da nova arte que haveria de conquistar toda a Europa cristã.

Outro elemento típico do gótico é o arcobotante, que segundo a concepção dos arquitetos medievais se destinava a exercer a função técnica de transmissão do empuxo das abobadas da nave central para os contrafortes.

O sistema gótico de arcobotante não era novo, porém, no sentido construtivo. A novidade consistiu em havê-los feito visíveis em lugar de mantê-los ocultos sob as coberturas ou disfarçados nas muralhas.

Tal visibilidade é a franca afirmação estética de uma necessidade construtiva, que a sinceridade gótica transformou em expressão artística.

Continua no próximo post

(Fonte: Catolicismo, Junho de 1960, Nº 114)



[1] Charles Rufus Morey, “Mediaeval Art”, Ed. W.W. Norton e Co., Inc., Nova York, 1942, pp. 265 a 266.
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Um comentário:

  1. Bom Dia! Fico sem entender como certos católicos deixam a essa maravilhosa religião-verdadeira- e passam para seitas que sequer não poderiam ser chamadas de seitas pois, nem cultura e nem origem de religiosidade possuem.

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