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domingo, 1 de maio de 2011

Origem do gótico


Igreja de St-Germer-de-Fly
Continuação do post anterior

O gótico surge como fruto de um movimento iniciado na “Ile de France”, verdadeiro núcleo geográfico dessa arquitetura e também da escolástica. Dali se irradia, tomando características locais, mas mantendo sempre seus elementos fundamentais.

Um circulo de cinqüenta léguas, ou aproximadamente 330 quilômetros, traçado de Paris como centro, abarca senão todas as igrejas ogivais do primeiro período, pelo menos aquelas em que a arte gótica primitiva se manifesta com toda a exuberância e em todo o seu esplendor.

“É ali que, segundo todos aceitam, começa a alta escolástica por volta do século XII, justamente quando o sistema do alto gótico lograva seus primeiros triunfos em Chartres e Soissons; e ali é que se chegou a uma fase decisiva ou clássica em ambos os campos durante o reinado de São Luiz (1226 – 1270).


Foi no dito período que floresceram, entre os filósofos da alta escolástica, figuras como as de Alexandre de Hales, Alberto Magno, Guilherme de Auvergne, São Boaventura e São Tomás de Aquino, assim como arquitetos do alto gótico entre os quais se contavam Jean de Loup, Jean de Orbais, Robert de Luzarches, Jean de Challes, Hugues Libergier e Pierre de Montereau; e os rasgos distintivos da alta escolástica – para diferenciá-la da primitiva – são notavelmente semelhantes aos que caracterizam a arte do alto gótico, diferenciando-o do gótico primitivo”[1].

Igreja abacial de Saint-Denis, Paris
Da França, em 1175, o novo estilo, passa para a Inglaterra com o mestre Guilherme de Sens, incumbido da reconstrução da catedral de Canterbury. Na Alemanha a influencia gótica far-se-ia sentir mais tarde.

No século XII ali ainda floresce a arquitetura românica. E só  século XIII o estilo ogival atingiria a Itália e outros países da Europa meridional.


No inicio o gótico era um estilo arquitetônico essencialmente religioso. A casa permanecia românica, mais é que ele se espraia pelos palácios e pelos edifícios públicos, em sua incrível plasticidade.

Não é sem razão que Ruskin considera “de certo ponto de vista, o gótico não somente é melhor, mas a única arquitetura racional”[2], aquela que pode adaptar-se mais facilmente a todos os fins, dos mais nobres aos mais triviais.

Esse era o juízo de um homem que não era católico, antes pelo contrario, e que cometeu grandes injustiças contra a verdadeira Igreja em mais de um lugar de sua vasta obra de critico de arte.

Dobra-se, porém, reverente diante desse estilo arquitetônico gerado nas entranhas da Cristandade, numa época em que a unidade católica atingia seu apogeu.

O que caracteriza a primeira fase da arte gótica é o impulso para as alturas, a ascensão para o céu, não somente através de suas torres vertiginosas, mas, sobretudo no arrojo vertical de seus interiores, com a criação de um novo sentimento de espaço e a preponderância dos vãos sobre os maciços das muralhas e das paredes de pedra.

Continua no próximo post

(Fonte: Catolicismo, Junho de 1960, Nº 114)



[1] Erwin Panofsky, “Arquitetura gótica e escolástica”, Versão castelhana, Ed. Infinito, Buenos Aires, 1959, p. 12.
[2] John Ruskin, “The Stones of Venice”, Ed. Allen e Unwin, Londres, 1925, Vol. II.  
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