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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os espíritos que engendraram o gótico


Catedral de Notre Dame de Paris, detalhe da fachada

Continuação do post anterior

Os espíritos que engendraram o gótico não se consumiam no desejo puramente estético de descobrir uma nova forma de expressão. Cumpre que constantemente tenhamos em mente a força e a vida que inspiraram esse estilo arquitetônico.

Esse imponderável elemento espiritual é que explica a arte gótica como manifestação da alma medieval. Não nos esqueçamos daquilo que mais importa: o gótico é fruto de uma época em que se reconhecia o valor de cada alma resgatada pelo Sangue do Divino Salvador.

E, até nos menores detalhes dos ornatos, esta verdade transparece. Ruskin estabeleceu a diferença que há entre os ornatos servis – gregos, ninivitas, egípcios – e os devidos ao artífice medieval.

Nem o artífice grego, por exemplo, “nem aqueles para os quais ele trabalhava podia suportar a aparência de imperfeição em qualquer coisa e, portanto, qualquer ornato... era composto de meras formas geométricas – bolas, sulcos e folhagens perfeitamente simétricas...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Suma Teológica traduzida em linguagem artistica

Catedral de Halbertstadt
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E a decoração também assume aspecto novo e característico, do mesmo modo que a estrutura. Assim é que a escultura puramente ornamental toma um papel cada vez maior de elemento revelador da verdade.

A estatuaria, afastando-se da excessiva estilização da arte romana e oriental, passa a ser não apenas decorativa, mas também meio de expressão espiritual e até de formação catequética. São temas que se apresentam à meditação dos observadores, são lições que não faltam muitas vezes um tom ingênuo e mesmo grotesco.

Por exemplo: a inconstância é figurada por um monge que abandona seu habito à porta do convento. Os ornatos são tirados de motivos simples da vida quotidiana, da fauna e da flora que cercava o homem medieval.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A catedral gótica, musica solidificada


Alcobaça, Portugal

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O principio básico do sistema é a decomposição dos elementos construtivos em ativos e passivos. São considerados elementos ativos as nervuras das abobadas, os pilares, os arcobotantes e os contrafortes.

Os passivos são as muralhas, as paredes de vedação, o recheio das abobadas, que, por não exercerem nenhuma função ativa, podem simplificar-se e até mesmo suprimir-se.

Conseqüência desse principio vem a ser uma estrutura elástica, isto é, uma combinação de elementos construtivos que atuam uns sobre os outros em intima correlação, mas com certa liberdade de movimento. Ao contrario, por exemplo, da construção românica, na qual todo o edifício é um imenso bloco monolítico.

No estilo gótico, aquilo que delimita o espaço, ou seja, as muralhas e as paredes solidas e maciças, fica como que anulado, e as funções construtivas e estéticas recaem sobre as ossaturas do edifício, sobre os elementos estáticos ativos da estrutura.

Esta fundamental mudança na maneira de conceber o conjunto arquitetônico havia de produzir seu efeito natural na configuração externa.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Catedral gótica: síntese da fé em movimento


Catedral de Toledo, Espanha
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 “A catedral gótica, diz Charles Morey, é de fato o equivalente arquitetônico da síntese escolástica; como esta ultima resolveu pela dialética os problemas impostos pela fé, assim também os arquitetos do século XIII atingiram uma unidade integrada num conjunto de infindáveis detalhes, apesar de sua procura de espaço indeterminado.

É o espaço gótico, na arquitetura gótica, que finalmente determina seu efeito. O movimento e subtil comunicação com o espaço exterior, que dá a impressão de ligar o observador com o infinito, são potentes fatores na levitação espiritual que um interior gótico pode proporcionar; mas que ele proporciona em completa medida somente quando reforçado por sua panóplia de vitrais”[1].

O espaço gótico deixa de comensurável, de regularidade geométrica, como nos antigos interiores bizantinos, para apresentar irregular em volume e expansão.

domingo, 1 de maio de 2011

Origem do gótico


Igreja de St-Germer-de-Fly
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O gótico surge como fruto de um movimento iniciado na “Ile de France”, verdadeiro núcleo geográfico dessa arquitetura e também da escolástica. Dali se irradia, tomando características locais, mas mantendo sempre seus elementos fundamentais.

Um circulo de cinqüenta léguas, ou aproximadamente 330 quilômetros, traçado de Paris como centro, abarca senão todas as igrejas ogivais do primeiro período, pelo menos aquelas em que a arte gótica primitiva se manifesta com toda a exuberância e em todo o seu esplendor.

“É ali que, segundo todos aceitam, começa a alta escolástica por volta do século XII, justamente quando o sistema do alto gótico lograva seus primeiros triunfos em Chartres e Soissons; e ali é que se chegou a uma fase decisiva ou clássica em ambos os campos durante o reinado de São Luiz (1226 – 1270).