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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A catedral de FLORENÇA: proporções e harmonia

Batistério, Catedral e Campanile de Florença
Batistério, Catedral e Campanile de Florença
Este é o famoso Duomo de Florença, a catedral de Florença.

Ela é toda feita de mármore branco e preto.

A mesma coisa que nós encontramos nas fachadas laterais da Basílica de Orvieto.

Vê-se a oposição de estilos.

Florença, muito mais importante e rica do que Orvieto, ousou fazer para si uma catedral que não tem um mosaico na frente.

A superioridade dos habitantes de Florença, segundo o modo de entender deles, está em que, cores bonitas, mosaicos, etc., seriam enfeites fáceis, para imaginações débeis.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A luz fugidia dos vitrais falando de Deus como nenhuma outra coisa consegue

Luz de um vitral batendo na pedra do chão
A luz da graça que desceu no começo da construção da Cristandade foi se definindo à medida em que ia tomando conta a Civilização Cristã nascente.

E os artistas e o povo iam se enchendo cada vez mais dessa luz.

Por isso se podia dizer de muito católico medieval aquilo que por excelência se diz dos santos: “Ele é luz”.

Poderia se dizer: “A luz se chama fulano”.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O gótico é o fruto de séculos de pregação dos santos

Catedral de Bourges, França
Catedral de Bourges, França
Sobre a origem dos vários estilos de arte, eu tenho a seguinte impressão:

Quando há uma sociedade – eu chamo ‘sociedade’ o corpo social inteiro – que vive em uníssono, e que deseja muito uma mesma coisa, aparecem os artistas que, imbuídos do mesmo desejo, fazem o que a sociedade quer.

E a obra de arte é uma consonância de alguns homens dotados de um talento especial para transformar em obra de arte o que a sociedade deseja.

Então, o que é que fez o gótico?

Quem o fez?

Houve sem dúvida artistas.

Mas, sobretudo, a prática da religião assídua, séria, reta, durante séculos, levou as almas a desejarem o gótico.

Em certo momento houve primeiro o artista, que não se sabe às vezes quem foi, que começou a desenhar o gótico.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Catedral de Colônia: encontro entre o inimaginável e o sonhado

Sempre que eu vejo a catedral de Colônia, no mais fundo de minha alma há um encontro de duas impressões contraditórias.

De um lado, a impressão de que é uma igreja tão bela que, se eu não a conhecesse, não seria capaz de sonhá-la. E que ela, portanto, supera qualquer sonho que eu tivesse.

De outro lado, olhando para ela, algo de mim diz no fundo de minha alma:

"Isso deveria mesmo existir! Isso deveria de fato ser assim! Essa fachada inimaginável é, paradoxalmente para mim, ao mesmo tempo uma fachada conhecida – e uma velha conhecida – como se eu durante toda a minha vida tivesse sonhado com ela!".

E então, o inimaginável e o sonhado se encontram na aparente contradição. E esse encontro satisfaz profundamente a minha alma.

Eu tenho uma impressão interna de ordenação, de elevação, de apaziguamento e de força, um convite à combatividade que vem do fundo da minha alma e que me faz bem.

Há qualquer coisa em nós que deseja outra coisa que não somos capazes de imaginar. E quando esse fundo vê certas coisas para as quais foi feito, ele como que encontra um velho conhecido.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Louvar a Nossa Senhora e adorar a Deus amando suas catedrais

Eu não posso me esquecer de uma das viagens que fiz a Paris. Eu cheguei à noitinha, jantei e fui imediatamente ver a catedral de Notre- Dame.

Era uma noite de verão não extraordinariamente bonita, comum.

A catedral estava iluminada, e o automóvel em que eu vinha passava da rive gauche para a ilha, e eu via a Catedral de lado, numa focalização completamente fortuita.

Desde logo, naquele ângulo que eu diria tomado ao acaso – se acaso existisse, em algum sentido existe –, eu a olhei e achei tão bela que eu fiquei com vontade de dizer ao automóvel:

“Pára, que eu quero ficar aqui!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Catedral de COLÔNIA e a sensação de tocar o Céu

A catedral de Colônia!

Ela é muito bonita.

Mas se fossem me perguntar, desenhisticamente falando, se ela é tão bonita quanto Notre-Dame, eu diria: “Indiscutivelmente é Notre- Dame.”

Entretanto, tudo bem pesado, eu digo: “É discutível que seja Notre Dame.”

Por causa de um ponto só. Mas esse ponto supera Notre-Dame de tal maneira, que a gente fica sem saber o que dizer. E é o seguinte.

As torres da catedral de Colônia se levantam do chão com um empuxe, e se lançam para o ar tão inesperadamente, que parecem perguntar à gente: “Quereis voar?!”

Essas torres como que proclamam uma vitória formidável do espírito humano sobre a lei da gravidade!

A lei da gravidade é a lei que atrai o homem para baixo, que torna pesados os seus movimentos, que torna difícil a vida.

Essa lei diante da força ascensional da catedral de Colônia fica como que esmagada.

A catedral de tal maneira se perde pelos céus, num movimento audacioso de alma, desejando o inimaginável mais belo do que tudo quanto em Notre-Dame foi imaginado e realizado.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A galáxia das catedrais que poderiam ter existido – uma pálida amostra da beleza de Deus

Catedral de York, Inglaterra
Catedral de York, Inglaterra
Contemplando maravilhada e desinteressadamente uma catedral gótica, do fundo de nossas almas sobe uma coisa que é luz, superluz.

Mas, ao mesmo tempo, é penumbra ou obscuridade sem ser treva.

É a ideia de todas as catedrais góticas do mundo – as que foram construídas e as que não foram – dando uma ideia de conjunto de Deus que, entretanto, ainda é infinitamente mais do que esse cojunto.

Essa contemplação nos leva para o espírito que inspirou todas essas catedrais.

E aí, realmente, nós vivemos mais no Céu do que na Terra.

Aí o nosso desejo de uma outra vida, de conhecer um Outro – tão interno em mim, que é mais eu do que eu mesmo sou eu, mas tão superior a mim que eu não sou nem sequer um grão de poeira em comparação com Ele –, esse desejo se realiza.

A alma diz: “Ah, eu compreendo, o Céu deve ser assim!”

Por que o Céu?

Porque o homem sabe perfeitamente que um caco de vidro é um caco de vidro. Ele sabe que o sol não é senão o sol.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Admiração das catedrais: escola de sabedoria e santidade

Catedral de Salisbury, Inglaterra
Catedral de Salisbury, Inglaterra
Quando nós vemos a Catedral de pedra e o povo que passa, entra e sai, podemos dizer: “Como os homens gostam dela!”

Podemos dizer também: “Deus, no mais alto do Céu, como gosta dela!”

Mais do que isso, Deus no mais alto do Céu gostou, e Nossa Senhora gostou do nosso encanto por aquela Catedral.

Porque mais belo do que a Catedral é o amor que o homem tem à Catedral.

Porque o homem é a obra-prima de Deus nesse universo visível.

E todos os movimentos de alma, para amar aquilo que o Espírito Santo sugeriu para a glória de Deus, são mais belos do que as coisas materiais que o homem faz.

E quando nós sorrimos para a Catedral, Deus e Nossa Senhora sorriem para nós.

E assim é o tesouro de belezas que há no fundo da alma do inocente.

É uma forma de luz.

“Quem não sabe o que procura, não sabe o que encontra”.

Esse ditado, tão verdadeiro, tem a sua limitação.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O mistério de Dijon: o campanário foi feito pelas fadas ou pelos anjos?

Dijon, a cidade dos cem campanários: a catedral no fundo, São Filiberto na esquerda

Catedrais e igrejas têm também histórias, fatos e lendas para contar.

Entre muitas, está a história do campanário da igreja de São Filiberto, muito próxima da catedral Notre Dame de Dijon, capital da Borgonha, na França.

  “Dijon é a cidade dos cem campanários!”

Esta exclamação histórica foi pronunciada no topo da fortaleza de Talant pelo rei Francisco I assim que ele descobriu a seus pés o espetáculo inesquecível da capital da Borgonha – França – emergindo da bruma matinal.

Foi numa manhã de 1515. Grande mecenas das artes durante o Renascimento, Francisco I partia com um exército rumo à Itália.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Notre-Dame: os mais belos aspectos da alma católica são perceptíveis na catedral

Na catedral de Notre-Dame em Paris, bela em cada um de seus pormenores, consideremos inicialmente as três portas do primeiro pavimento, encimadas por lindíssimas ogivas.

Em cada portal aparecem vários episódios da História Sagrada, esculpidos de um e outro lado da ogiva.

Acima das portas ogivais, uma fileira de estátuas. Não satisfeita em decapitar Luís XVI, a Revolução Francesa — cuja infâmia supera qualquer outro acontecimento histórico, exceto a traição de Judas — incitou alguns vândalos a subirem até essas esculturas e degolá-las.

Imaginemos que não existisse a parte superior do edifício, mas apenas o andar térreo coroado por essa espécie de balaústre acima das estátuas dos reis. Mesmo despojada dessa forma, ela seria uma edificação linda.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Notre Dame triunfa em Paris por cima de todas as oposições

Notre Dame de Paris, vista aérea. A restauração ainda continua
Notre Dame de Paris, vista aérea. A restauração ainda continua


Continuação do post anterior

A restauração criadora de Viollet-le-Duc

“Deus escreve certo sobre linhas tortas”. É a única explicação para o despertar do interesse pelas catedrais góticas num século XIX já infectado pelos preconceitos positivistas.

Para ser breve, recorro uma vez mais a Irina de Chikoff,(15): Eugênio Viollet-le-Duc tinha 17 anos quando em 1831 Victor Hugo publicou Notre-Dame de Paris, verdadeiro manifesto a favor da arquitetura medieval desprezada durante séculos.

É surpreendente, pois Victor Hugo é o revolucionário que escreveu também Quatrevingt-treize.

Recém-casado, Viollet-le-Duc visitou Chartres e o Monte Saint-Michel em 1835. Foi para ele uma revelação, deixando-o convencido de que a arquitetura medieval era o estilo que melhor se adaptava ao gênio de seu país.

Pouco depois ele aceitava o convite de um amigo para fazer o levantamento dos principais monumentos medievais da França.

Tratava-se de Prosper Merimée, nomeado secretário da Comissão dos monumentos históricos pelo rei Luís Filipe.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O tufão satânico contra a catedral de sonho

Notre Dame viveu momentos trágicos
Notre Dame viveu momentos trágicos

Continuação do post anterior


As profanações e o saque da catedral

Impressionou-me ter ouvido certa vez um professor afirmar que, infelizmente influenciado por certas ideias revolucionárias, Luís XVI já teria aprovado a demolição da catedral de Notre Dame para erguer em seu lugar um templo em estilo grego, a exemplo da igreja de La Madeleine, em Paris.

Felizmente esse terrível desígnio não se realizou.

Como se sabe, no dia 21 de janeiro de 1793, a Revolução cortou a cabeça de Luís XVI na praça da Concórdia.

O monarca, aliás, se houve no momento da morte com um valor e uma resignação cristã exemplares. Impedindo inicialmente que o carrasco lhe amarrasse as mãos, olhou interrogativo para o sacerdote que o assistia junto ao cadafalso.

O Pe. Edgeworth lhe disse então que se deixasse atar, pois assim mostraria mais um sinal de semelhança com Nosso Senhor Jesus Cristo, injustamente condenado.

Em uma atitude digna de um mártir, o rei cessou de imediato qualquer resistência.

domingo, 25 de agosto de 2013

YORK: exemplo do desponsório dos medievais com a sublimidade total de Deus

York: fachada principal
York: fachada principal
Os primeiros cristãos que saíram das catacumbas depois do Edito de Constantino não fizeram uma nova civilização.

Eles simplesmente cristianizaram o Império Romano, aproveitando o que tinha de bom e tirando o que tinha de ruim.

E começaram a viver num contexto cultural católico que entretanto, não era uma nova civilização.

Na Idade Média, a Igreja inspirou um passo a mais. Ela inspirou toda uma nova civilização.

Tudo quanto previamente foi animado pelos católicos foi preservado pela Idade Média. Foi ciosamente recolhido como tesouro precioso.

Mas, foi acrescido algo inteiramente novo. Nasceu assim a grande tradição medieval.

O que foi esse “a mais” que puseram os medievais?

Os católicos medievais fizeram um peculiar desponsório de alma com o sublime.

Em primeiro lugar, eles como que foram especialmente chamados para considerar e ver a sublimidade de Deus.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A catedral-mãe e o voto de Luís XIII

Altar do voto de Luís XIII
Altar do voto de Luís XIII
Continuação do post anterior

Os limites deste artigo nos levam a saltar para o reinado de Luís XIII, no século XVII. O soberano, casado com a princesa espanhola Ana d’Áustria, aproximava-se da maturidade sem filhos, com graves problemas de saúde e uma guerra difícil contra os calvinistas, entrincheirados em La Rochelle.

O rei recorreu então à Santíssima Virgem: fez-lhe o voto de construir uma igreja, se fosse atendido. Em 1628, depois de 13 meses de cerco, os calvinistas renderam-se.

Em agradecimento, o soberano fundou a igreja de Nossa Senhora das Vitórias, em Paris. Em 1630, ele se viu curado de uma grave disenteria. Mas nenhum sinal de um herdeiro!

Ao longo de uma década, o voto de Luís XIII sofreu alterações em sua formulação, sendo finalmente apresentado ao Parlamento em 1637. Ele instituía uma celebração anual em todas as igrejas do reino, a 15 de agosto, com procissão solene em honra da Assunção da Virgem.

No mesmo ano, um religioso agostiniano teve uma visão da Mãe de Deus segurando em seus braços o herdeiro do trono que, disse Ela, Deus queria dar à França.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A Catedral da beleza perfeita nas tempestades da História

Notre Dame de Paris.
Fundo: Grande Cruz das Três Ordens Militares (Cristo, Santiago, Avis)


Continuação do post anterior

A França possui ainda hoje um número elevado de catedrais, abadias, igrejas e capelas góticas. Alguns desses monumentos são merecidamente célebres, como as catedrais de Reims, Chartres, Amiens, Bourges, Estrasburgo, para citar apenas estas.

Mas existem inúmeras outras igrejas como que perdidas em longínquas províncias ou em cidades modernizadas.

Sem dúvida, cada catedral possui sua beleza específica, algumas de valor excepcional. Mas nenhuma terá inspirado tanto os poetas, artistas e escritores quanto Notre-Dame de Paris.

Bastaria o privilégio insigne de abrigar as relíquias da Paixão. Também tem seu peso o fato de ser a Sé da capital do reino, do império e da república.

Mas possui ainda outros trunfos que fazem dela a rainha das catedrais. A respeito de Notre Dame de Paris, exclamou Plinio Corrêa de Oliveira: “Igreja de uma beleza perfeita, alegria do mundo inteiro”.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A busca da perfeição em Notre Dame de Paris

O arcebispo, o abade e o rei começaram a sonhar a futura catedral
Continuação do post anterior

É o momento de nos ocuparmos da história da construção da catedral de Nossa Senhora (Notre-Dame) de Paris.

A Paris de 1160 devia ter pouco mais de 20 mil habitantes quando Maurício de Sully, com o favorecimento do rei Luís VII, foi escolhido para ocupar sua Sé episcopal.

O rei fora educado na infância pelo Abade Suger, o qual, como vimos, concluiu com sucesso a primeira basílica em estilo ogival.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A luz da Idade Média na Rainha das Catedrais

Continuação do post anterior


A arte gótica caracteriza-se por abóbadas formadas por ogivas cruzadas, sustentadas por contrafortes de arcos-botantes.

Sobretudo a partir da segunda metade do século XII, com a criação das universidades e o aparecimento de luminares como São Tomás de Aquino e São Boaventura, novas aspirações se manifestaram nos campos da cultura, das ciências e das artes.

Na arquitetura, a tendência era para que as linhas se lançassem rumo ao céu, e no interior penetrasse a luz em abundância. Era precisamente isso que o estilo gótico permitia, ao diminuir o peso sobre as colunas e distribuí-lo por todo o edifício.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Notre-Dame de Paris: 850 anos da Rainha das Catedrais (1163 — 2013)


A mais célebre catedral do mundo, dedicada a Nossa Senhora na capital francesa, comemora 850 anos de existência.

Jóia do estilo gótico, ela é um testemunho vivo do alto grau de civilização de uma época denegrida durante séculos por toda espécie de inimigos da Religião católica, inclusive os modernistas.

Se pudessem, estes teriam derrubado todas as antigas igrejas e catedrais românicas, góticas, barrocas ou clássicas, para erguer em seus lugares templos do absurdo, do monstruoso e do esotérico.

Exemplos disso são a catedral do Rio de Janeiro, no estilo brutal ao gosto divulgado por Le Corbusier, a catedral de Brasília, projetada pelo comunista de carteirinha Oscar Niemeyer.

Ou ainda o projeto da nova catedral de Belo Horizonte, também do mesmo arquiteto e uma afronta ao Estado que deu tão belos exemplos de sua religiosidade através da arte barroca.

O modernismo que se infiltrou na Religião católica rompeu com a tradição, à semelhança do movimento artístico.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O verdadeiro nome da arquitetura gótica é ‘arquitetura cristã

Catedral de Reims, França
Catedral de Reims, França

Se houvesse uma qualificação para se dar ao estudo que daremos prosseguimento, poderíamos dizer que ela se relaciona à filosofia da arquitetura.

Daniel Ramée, Viollet-Leduc e alguns outros autores especialistas mostraram como se desanuvia o fim moral e o alcance intelectual dos procedimentos técnicos, que são os meios materiais mais importantes e úteis das artes.

Contudo, ao estudarmos as condições que constituem os méritos do estilo gótico, precisamos ir além da beleza estética.

As descrições entusiásticas de nossos antigos monumentos, das visões engenhosas ou poéticas, a justa admiração das obras-primas do espírito humano são de fundo comum, estão abertas a todos aqueles que pensam, e, mesmo àqueles que se contentam em sentir vagamente tais obras; esta distinção essencial é perfeitamente enunciada na obra de Eugène Loudun:

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Vias para uma restauração na arquitetura católica. “Feias como o pecado” X antecâmaras do Céu – 7

Altar da igreja da Imaculada Conceição, Londres. Desenho de
A.W.Pugin, arquiteto inglês que impulsionou a retomada do gótico
continuação do post anterior

Dr. Rose não fica na crítica. Ele propõe normas de ação positivas aplicadas em paróquias dos EUA.

Lá, o desprezo pelas cafajestices arquitetônicas alimentou a tendência para que as igrejas voltem a ser como eram.

Rose refere o caso da igreja de São Patrício em Forest City, Missouri. Ela foi modernizada por dentro com painéis de compensado.

A Via Sacra, o velho altar, imagens e objetos sagrados desapareceram. Em 1999, o pároco, Pe. Joseph Hughes, iniciou a restauração.

Objetos como a lâmpada do Santíssimo, o tabernáculo e os candelabros, piedosamente guardados pelos fiéis, foram reaproveitados.

Onde o altar principal foi poupado, diz Rose, deve-se reinstalar o Santíssimo Sacramento no tabernáculo, removendo as modernidades acrescentadas, elaboradas em geral com materiais de segunda classe e já caducos.

Restaurado o ponto monárquico, não é difícil devolver a hierarquia, a sacralidade e a beleza à igreja.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Interior decapitado, sem ponto monárquico. “Feias como o pecado” X antecâmaras do Céu – 6

Altar-mor do santuário de Compostela
continuação do post anterior

Michael Rose descreve o ambiente típico de uma igreja americana moderna.

As cadeiras circundam o altar. Não há genuflexórios, e as poltronas convidam a cruzar as pernas, passar o braço por cima do espaldar do vizinho ou pôr os pés no respaldo da frente.

As posturas informais calham bem com a atmosfera criada pela nova arquitetura.

Não há espírito de oração nem reverência. Não há arte sacra.

Há burburinho e bate-papo entre os fiéis. Uns procuram amigos e parentes com o olhar, e trocam “tchauzinhos”.

Não há ponto monárquico. Não raro o altar está baixo demais para ser visível.

O sacerdote, quando senta, desaparece. Se alguém está lendo, só se fica sabendo por causa das caixas de som.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A indispensável posição monárquica do presbitério. “Feias como o pecado” X antecâmaras do Céu – 5

Altar-mor da catedral Santo Estévão de Viena, Áustria
continuação do post anterior

A igrejaarca de salvação está ordenada em função do presbitério, local do altar do sacrifício e do tabernáculo, que está dirigido para o Oriente.

É o equivalente cristão ao Santo dos Santos dos hebreus, no deserto e no Templo de Salomão.

O nível do presbitério é mais alto que o da nave. A ele se destinam os mais ricos materiais e a arte mais elaborada.

Desta forma, lembra-se ao fiel que a Igreja é hierárquica, composta de membros diferentes, sendo Nosso Senhor a cabeça, representado pelo Papa, bispos e sacerdotes, e com os religiosos e leigos cumprindo suas funções na Igreja militante.

O arquiteto Ralph Adams Cram explicou que “cada linha, cada massa, cada detalhe deve ser concebido e disposto para exaltar o altar, conduzir a ele” (U, 84).

Outro elemento indispensável no presbitério é um Crucifixo, que o Abade Suger chamava de “estandarte da salvação”.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Visibilidade, hierarquia e simbolismo da igreja. “Feias como o pecado” X antecâmaras do Céu – 4

Catedral de Mogúncia (Mainz) Alemanha
Catedral de Mogúncia (Mainz) Alemanha

continuação do post anterior

Para os construtores de igrejas, diz Dr. Rose, as palavras de Cristo são normativas. E o Divino Mestre ensinou no Sermão das Bem-aventuranças:

“Não pode se esconder uma cidade que está situada sobre um monte. Nem os que acendem uma luzerna a metem debaixo do alqueire, mas põem-na sobre o candeeiro, a fim de que ela dê luz a todos que estão na casa” (Mt 5, 14-15).

Por isso, a igreja não pode ficar dissimulada ou escondida. A igreja tem que sobressair no panorama. Esse destaque deve ser audível também.

Os sinos lembram a presença de Nosso Senhor na Terra, convocam à oração, marcam os acontecimentos transcendentais da vida, espantam os demônios.

Porque é sagrada, a igreja tem uma superioridade natural sobre os prédios profanos que a circundam. O bom encaixe estético e hierárquico foi bem alcançado com uma transição harmônica.

domingo, 16 de junho de 2013

Visita virtual à Catedral de Santiago de Compostela


Veja vídeo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A história da catedral de Santiago de Compostela começou pelo ano 813, quanto um eremita de nome Pelayo e alguns pastores se depararam com uma estranha luminosidade.

Aquela misteriosa luz se espalhava sobre um pequeno bosque perto de um morro chamado Libredón. A paisagem, em certos momentos, ficava tão clara que se parecia a um campo estrelado (Campus Stellae = Compostela).

Teodomiro, o bispo local, informado do estranho fenômeno, soube que a luz focara no chão uma antiga arca de mármore. Nela se teria encontrado os restos humanos que se dizia pertencer ao Apóstolo Santiago.

Segundo uma história antiga o Apóstolo decidiu evangelizar a Espanha, mas foi decapitado pelo rei Herodes Agripa na Palestina.

O corpo dele, então, foi lançado ao mar num barco no porto de Jaffa. Sem tripulação, sem leme, soprada só pelo vento, a nau aportou nas costas da Galícia, que os romanos chamavam de Finis Mundi.

Recolhida da praia, a arca fora enterrada num “compostum”, quer dizer um cemitério.



quarta-feira, 12 de junho de 2013

Le Corbusier cria igrejas-máquina, ou de pesadelo. “Feias como o pecado” X antecâmaras do Céu – 3

Nave central da catedral de Amiens, França

continuação do post anterior

O arquiteto suíço Le Corbusier criou dois exemplos típicos da nova arquitetura em sintonia com a nova teologia.

Convento de la Tourette, França
“Sua Notre Dame du Haut (1950-1954) em Ronchamp, França, é talvez o epítome de uma igreja desenhada como uma escultura abstrata. O mosteiro dominicano de La Tourette (1951), [...] com seus espaços áridos e opressivos, foi um fracasso monumental” (T, 101-102).(3) 

Le Corbusier sustentava que a casa é uma “máquina para morar”.

Portanto, máquina, e não a figura humana, seria o paradigma para a arquitetura.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Fidelidade das igrejas antigas às origens bíblicas e canônicas. “Feias como o pecado” X antecâmaras do Céu – 2

São João de Latrão antiga basílica romana
símbolo do triunfo da Igreja sob o imperador Constantino
continuação do post anterior

O arcabouço do templo católico foi ditado por Moisés durante a travessia do deserto.

Ele mandou que os judeus demarcassem nos acampamentos um espaço retangular sagrado.

Numa extremidade era montada a tenda, ou tabernáculo, que continha a Arca da Aliança com as Tábuas da Lei.

Diante da tenda, erigia-se o altar do sacrifício. Este esquema guiou a construção, pelo rei-profeta Salomão, do Templo de Jerusalém, completado em 966 a.C.

Durante as perseguições romanas, os primeiros cristãos foram constrangidos a se congregarem em casas ou nas catacumbas.

Quando obtiveram a liberdade em 313, com o edito de Milão, do Imperador Constantino, eles escolheram para suas igrejas os altos, ricos e imponentes edifícios chamados basílicas.

Eram as construções mais próximas do Templo ideal. Possuíam cinco naves e uma abside reservada para os magistrados, a qual apresentava o chão elevado.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Abadia de São Miguel, o arcanjo que exorcizou Satanás

Faça uma visita virtual à abadia dita "La Merveille" ("A maravilha"): o Monte-ilha Saint-Michel.

Rodeado pelo mar, é o mais visitado santuário da França e um dos maiores do mundo em número de romarias.

É que lá se pode dizer com justiça que mora o arcanjo que expulsou Satanás e os anjos rebeldes do Céu.

CLIQUE NO LINK PARA IR ATÉ LÁ

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Igrejas “feias como o pecado” X Igrejas antecâmaras do Céu – 1. Importância para a fé e a piedade

Abadia de Saint-Denis, Paris, França
Para arquiteto americano, as igrejas modernas levam à perda da fé

Por certo o leitor já terá visto igrejas católicas em estilo moderno ou modernizado, ou mesmo entrado em alguma delas. Que impressão causam?

Para muitos, as formas e estilos artísticos não tradicionais causam mal-estar psicológico. Por isso, não raramente lamentam-se, e confessam ter saudades dos estilos antigos.

Se o leitor conhece gente assim, ou é um deles, encontrará aqui algo que lhe explicará muitas coisas.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Nomes, símbolos, carrilhões e significado dos novos sinos de Notre Dame

Bourdon Maria é o maior do novo conjunto
continuação do post anterior

Símbolos gravados em cada sino

Os novos sinos são:

O bourdon “Marie” (6.023 kg; 206,5 cm de diâmetro), consagrado a Nossa Senhora, a quem está dedicada a catedral. Ele é reprodução de idêntico bourdon que tocou de 1378 a 1792, ano do infame saque republicano. Nele estão gravados a “Ave Maria” e um medalhão de Nossa Senhora com o Menino Jesus rodeado de estrelas; tem friso representando a Adoração dos Reis Magos e as bodas de Caná, e por fim uma Cruz de Glória com a inscrição “Via viatores quaerit” (“Eu sou a Via em busca de viajantes”, referência a Jesus Cristo que é a Via, e que procura as almas que viajam por esta vida rumo ao destino eterno).

O sino “Gabriel” (4.162 kg e 182,8 cm de diâmetro) é dedicado ao arcanjo São Gabriel que anunciou a Nossa Senhora a encarnação do Verbo.

Neste sino está inscrita a primeira frase do Angelus “O anjo do Senhor anunciou a Maria” —, além de 40 faixas que simbolizam os 40 dias que Jesus passou no deserto e os 40 anos de travessia dos judeus pelo deserto do Sinai; na coroa do sino há flores de lis e, rodeados de estrelas, Nossa Senhora e o Menino Jesus. No corpo do sino há também uma Cruz de Glória com a inscrição “Via viatores quaerit” e um perfil da catedral no coração de Paris.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Notre Dame restaura sinos destruídos pela Revolução Francesa – 1

No dia da bênção dos novos sinos
No dia da bênção dos novos sinos

Uma multidão estimada em 30 mil pessoas pela polícia (que habitualmente minimaliza as manifestações católicas) lotou no Domingo de Páscoa a praça da catedral de Notre Dame e as ruas vizinhas, para ouvir a primeira reboada oficial dos novos sinos.

Nessa mesma data, 850 anos atrás, na presença do Papa Alexandre III, o bispo D. Maurício de Sully colocava a primeira pedra para a construção daquela grandiosa catedral dedicada a Nossa Senhora.

Os sinos originais foram destruídos barbaramente pela Revolução Francesa em 1792, com exceção de um, batizado com o nome “Emanuel”.

Por ocasião de sua bênção ritual os sinos recebem nomes que são gravados no seu bronze. O “Emanuel” foi doado há mais de 300 anos pelo rei Luis XIV e pesa 13 toneladas.

No século XIX, Napoleão III mandou preencher o vazio com sinos de menor qualidade e carentes de afinação. Os especialistas, sempre muito exigentes, diziam que se tratava do pior conjunto de sinos da Europa.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A voz da catedral: o sino. As bênçãos ligadas a seu som


O sino é quase tão antigo quanto à civilização.

Porém, como nós o conhecemos é um instrumento típico das igrejas católicas e dos prédios públicos da Cristandade.

Ele fica um instrumento religioso quando a Igreja Católica lhe confere suas bençãos e lhe comunica seu poder exorcístico numa cerimônia especial,

Os primeiros sinos eclesiásticos importantes apareceram nos mosteiros nos séculos IV e V, i. é, na ante-véspera e no iniciozinho da Idade Média.

Eles se generalizaram nas igrejas católicas já no século VII. Na dianteira saiu a região da Campania, na Itália, cuja capital é Nápoles. Do nome de Campânia vem a palavra "campana", com que também se designa o sino.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Notre Dame providencialmente salva pelo tufão da Revolução Francesa!


Quando aparece a Catedral de Notre Dame, aparece uma coisa que deixa todas as outras coisas de lado, mesmo São Marcos.

Na praça completamente vazia, Notre Dame aparece intensamente iluminada .

A pedra com que foi construída a Catedral, foi objeto há alguns anos atrás de uma limpeza.

Dessa restauração emergiu a pedra virgem. A catedral se mostra como os construtores a fizeram, com sua originária limpeza.

As três portas do primeiro pavimento têm lindíssimas ogivas, profundas, indicando bem a espessura das paredes da Catedral.

Em cada portal, há várias linhas com episódios da História Sagrada esculpidos de um lado e de outro.

Em cima há uma fileira formando a galeria dos antepassados de Nosso Senhor Jesus Cristo, rei de Judá, e que é interpretada como sendo dos Reis da França.

A Revolução Francesa, sempre igual a si mesma, e incomparável em infâmia, exceto a traição de Judas; não contente em decapitar Luis XVI, mandou uns bárbaros subirem até essas cabeças e degolá-las todas.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Vitrais da catedral de CHARTRES: representação da beleza; e na beleza, a suma verdade

Vitral de Carlosmagno, catedral de Chartres, França, catedrais medievais
Vitral de Carlos Magno, catedral de Chartres, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Os famosos vitrais da catedral gótica de Chartres, na França, contêm um ensinamento magnífico.

O espírito da Igreja é o espírito de Deus: sabe unir o prático ao belo.

De tal maneira que, vendo-se uma obra de arte, nota-se que nela se utiliza o prático quase sem pensar nele, e admira-se o belo como se só ele existisse.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Basílica de VÉZELAY: harmonia, distinção e aspecto prático aliados à beleza

A fotografia apresenta a fachada da Basílica Santa Madalena em Vézelay (França).

É uma igreja monástica, admirável exemplo de arte românica do século XII.

Como é diferente das igrejas modernas!

A porta central é prática: bastante grande para as multidões poderem entrar e sair facilmente do edifício.

Ela é elevada, de maneira que permite a entrada de altos estandartes.

A coluna central da porta divide a multidão que entra, evitando de início que as pessoas caminhem numa só direção.

Que lindo simbolismo há nisso!

Nota-se acima da porta uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo — figurando que Ele divide as vias do homem em duas:

a da direita, do amor de Deus; e a da esquerda, da perdição.

Ele divide os caminhos humanos.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Catedral de VIENA: a bondade apoiada na força

A catedral de Viena durante à noite aparece fortemente iluminada.

Ela é composta de dois corpos de edifícios inteiramente distintos: uma torre enorme, mas muito delicada, esguia e forte ao mesmo tempo.

A força, o esguio e o delicado se compunham admiravelmente e se elevavam audaciosamente até uma altura de causar surpresa.

Ao lado disso, o corpo do edifício é bem mais baixo.

Como que apoiado na torre arrojada da catedral, parece com uma casa de família encostada numa fortaleza.

A casa de família, íntima, agradável, acolhedora, afável, distinta, digna, muito bela, mas o que têm de melhor nela é o arrojado da torre na qual ela se amparava.

quarta-feira, 6 de março de 2013

A catedral de SIENA: formosura e praticidade


A Catedral de Siena é uma catedral lindíssima construída na técnica da basílica de Orvieto.

Não foto pode-se ver o aspecto global da fachada.

Notem aquele lindo mosaico em cima, nos tímpanos das portas os belos mosaicos.

Depois outras esculturas, e a torre, listrada de mármore branco de acordo com o estilo existente em Florença e em outras cidades da Toscana.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Mosteiro cisterciense do século XII renasce na Califórnia

Abadia de New Clairvaux, Califórnia
Abadia de New Clairvaux, Califórnia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




No norte da Califórnia renasceu um mosteiro medieval cisterciense.

A notícia caiu como um raio em céu sereno, pois nunca se diria que o progressista estado californiano acolheria um dos símbolos mais opostos à modernidade.

Além do mais, trata-se de um autêntico mosteiro medieval espanhol do século XII.

Como?

O magnata William Randolph Hearst havia comprado e levado para a Califórnia no início do século XX as ruínas do mosteiro de Santa Maria de Óvila, da Espanha, desmontou-o, mas não conseguiu restaurá-lo.

A cidade de San Francisco se opôs e as pedras ficaram por décadas no Golden Gate Park. Veio depois a Grande Depressão, a Segunda Guerra Mundial e pareceu que o projeto estava totalmente morto, segundo o “The New York Times”.