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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O olhar do vitral dentro de minha alma

Rosácea de Chartres, França
Rosácea de Chartres, França

Imaginemos um vitral em forma circular, ou seja, uma rosácea. Um mundo de cores diferentes.

Cada uma daquelas cores é uma amostra de um firmamento daquela cor no qual gostaríamos de nos perder.

Começo, então, dentro dele, um passeio diferente: ora entro no céu de anil, ora no dourado absoluto, depois no verde total ou no vermelho rubro.

Meus olhos distraídos entram naqueles pedacinhos de céu, olham daqui, de lá e de acolá.

Em determinado momento, me vem a maior alegria: a visão do conjunto.


Rosácea lateral, Chartres
Rosácea lateral, Chartres
Ao cabo de algum tempo, não sou mais eu que estou olhando para o vitral, mas o vitral é que está olhando para mim.

Um imenso olhar de “alguém” que contém todos os estados de espírito correlatos com aquelas várias cores e que no seu conjunto me analisa.

Analisa a mim como um todo feito de proporções desiguais e irrepetíveis.

Nunca houve antes, nem haverá depois, um outro igual a cada um de nós.

Quando se sente certa solidão, o vitral preenche o vazio.

Aquele conjunto maravilhoso de cores nos interpreta e nós temos vontade de dizer:

– “Sim, oh vitral! Como teu olhar é inteligente! Como és compreensivo e abarcativo. Como soubeste entender-me e como tu és parecido comigo”.

Se eu olho em torno de mim e vejo outras pessoas contemplando o vitral, noto como elas são diferentes de mim e que para cada uma delas o vitral diz coisas diferentes.

Nossa Senhora "de la Belle Verrière", Chartres
Nossa Senhora "de la Belle Verrière", Chartres
Percebo a variedade inesgotável de interpretações que a alma humana, olhando para o vitral, pode dar, a ponto de se sentir compreendida pelo vitral.

Então, essas fotografias de vitrais medievais não dão o melhor do vitral.

Porque o melhor do vitral é quando a rosácea inteira deu a sua luz para nós.

Por quê?

Por causa da natureza da alma humana. Nós podemos ter aspectos de alma lindos.

Mas, o mais bonito é contemplar a alma enquanto criatura em que Deus imprimiu uma imagem d’Ele.

Desde o primeiro homem até o último, cada um ocupa um lugar sem o qual a coleção ficaria incompleta. Se faltasse, seria como um vitral que tomou uma pedrada e nesse ponto apareceu um buraco.

(Autor: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, 26/10/1980. Sem revisão do autor.)




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