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quarta-feira, 14 de maio de 2014

A força e o sorriso nas colunas góticas

Catedral de Exeter, Inglaterra
Catedral de Exeter, Inglaterra

O gótico é ao mesmo tempo forte e delicado. Por exemplo, suas formidáveis colunas !

Os medievais arranjaram um jeito de trabalhá-las de maneira a atenuar o que poderia haver de impressão de força quase brutal nelas.

O modo de atenuar foi esculpir a coluna dando a impressão que ela é um feixe de coluninhas que se amarram umas as outras para suportar.

E assim a pesadíssima coluna gótica deixa de ser pesada.

Ela sustenta o teto com muita firmeza, mas dá a impressão de leveza por causa das pseudo-coluninhas em que se decompõe.



Catedral de Lincoln, Inglaterra
Catedral de Lincoln, Inglaterra
A coluna gótica, mesmo do lado interior de uma catedral, dá a impressão que é uma coluna de combate.

Mesmo trabalhada de maneira a dar ilusão de um feixe de coluninhas, a coluna gótica tem qualquer coisa que é tranqüila, que não tem agitação, que não tem a tensão da luta.

Ela representa muito mais o guerreiro no seu repouso e na sua oração, do que o guerreiro batalhando.

E, como sempre acontece na guerra medieval quando ela é justa, visa a paz, visa uma solução, visa uma concórdia equilibrada.

E a ogiva exprime isso muito bem. São duas posições opostas que se resolvem num equilíbrio, ou seja, numa reconciliação entre as duas.

E por isso não é raro que no ponto de encontro das ogivas tenha florões, adornos, como quem festeja a paz.

Mas, ao mesmo tempo, a colunata gótica exprime uma alta noção do dever.

A colunata gótica nos dá idéia exatamente assim: um caminho apertado, estreito, sério, reto, sobretudo um caminho elevado.

Quer dizer, se nós nos sentirmos opressos pela proximidade de colunas de um lado e doutro, nossos olhos e nossa alma encontram os grandes espaços olhando para o alto.

O que em outros termos quer dizer: “Quando a vida está apertada, olhemos para o céu”. É a alma do católico.

Sainte-Chapelle, Paris
Sainte-Chapelle, Paris
As almas que construíram o gótico, tão entusiasmadas, tão amorosas, tão enlevadas com a força, tinham em si muito outros tesouros.

Depois de terem explicitado na pedra seu desejo de força, começaram a sorrir e explicitar a sua própria doçura, como quem conta em pedra como é a sua alma.

Então, os artistas puseram anjinhos ou mesmo animaizinhos, por exemplo esquilozinhos de pedra que sobem na coluna como num tronco de árvore, como os esquilozinhos reais sobem para o alto e depois dão um pulo para um outro galho.

O esquilo é muito gracioso, é muito bonitinho, é vivo, engraçadinho.

O sorriso de um anjo que tem como fundo a gravidade da coluna gótica completa o espírito humano.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 11-2-1970. Texto sem revisão do autor).


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4 comentários:

  1. "Texto sem revisão do autor???!!!! Uau! Imagine se tivesse havido revisão! Tão poético e tão transcendental como já está não imagino como poderia ser melhorado. Quem dera nós professores conseguíssemos transmitir e inspirar tais 'insights' em nossos alunos ....
    Grata, pelo beleza compartilhada. Ana Gillies

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  2. isso é uma grande seca!!!! :( para que serve o gotico? é seculo passado!!!!!
    Agora o unico gótico interessante é o estilo gótico!!!!

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  3. uau este site está espectacular!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ;););););););););););););););););););););););)

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  4. gostei muito do site mas acho que o tema colunas gotica deveria ser mais esclarecido

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