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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O retorno das pombas à catedral de DIJON

As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal
As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal




Na Borgonha, as pedras nunca são brancas por vontade de Deus.

Ao contrário, com o passar dos anos e dos séculos elas ficam bem cinzentas e até pretas.

No alto da catedral, as gárgulas – aquelas esculturas de animais quiméricos colocadas para dar vazão às águas de chuva e qualquer outra sujeira tirada por esta do telhado –, sempre bem alinhadas, estavam mais do que feias.

Mais. Sentiam-se doentes e tristes no seu pétreo silêncio.

Por obra dos entalhadores, elas tinham formas de diabos, monstros e animais horríveis.

O vento, a chuva, as geadas, as fumaças, tudo contribuía para deixá-las mais estragadas, repulsivas e decadentes.

Acontecia também – e ninguém sabia explicar – que as pombas tinham diminuído em número, a ponto de quase desaparecerem.

Só restavam algumas, mas estavam velhas e doentes. Já não se via seu vulto branco no céu e nos galhos das árvores.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A Luz de Cristo nas catedrais

Catedral Santo Estêvão, Viena.




Entrando no recinto sagrado de uma catedral, o povo exerce, sem sabê-lo, um magnífico ato coletivo de discernimento dos espíritos!

Assim como quando acabou o Dilúvio um arco-íris pousou sobre a terra, assim também, quando o aperfeiçoamento da Igreja e da obra de Nosso Senhor Jesus Cristo na terra chegou a um determinado grau, as almas humanas receberam esse discernimento.

Trata-se de um enorme discernimento coletivo. É como se uma luz do Divino Espírito Santo se tornasse sensível à mente dos homens.

E eles discernem belezas na Igreja Católica que eles traduzem nos modos maravilhosos que o estilo gótico excogitou.

Esse discernimento se manifestava não só na arte eclesiástica. Ele vivia palpitante em mil outros aspectos da vida real!

Na corporação de ofício, na aldeia de marzipã, na inocência dos camponeses que nos aparecem nas iluminuras ou nos vitrais, na paz dos gizantes com as mãos postas, numa tranquilidade desconcertante para nós, homens de hoje.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Faça uma visita virtual à catedral de ESTRASBURGO

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A catedral de Nossa Senhora que venceu incêndios e guerras infernais, e até a Revolução Francesa!

A catedral emerge entre os tetos da cidade
A catedral emerge entre os tetos da cidade
A 'coluna dos anjos'.
A 'coluna dos anjos'.
A Catedral de Estrasburgo ou Catedral de Nossa Senhora de Estrasburgo (em francês Cathédrale Notre-Dame-de-Strasbourg; em alemão Liebfrauenmünster zu Straßburg) é a catedral católica mais importante na região de Alsácia, que faz uma síntese entre a França e a Alemanha.

No tempo do paganismo, no local existiu um templo dedicado ao deus romano Marte.

O bispo Arbogast, no século VII, deitou as bases de um templo dedicado a Nossa Senhora, do qual não se conservam vestígios.

Pois, já no século seguinte, a primeira igrejinha foi substituída por uma catedral assaz mais importante, concluída sob o reinado do imperador Carlos Magno.

Essa catedral carolíngia possuía três naves e três absides que o bispo D. Ratal mandou ornar com ouro e pedras preciosas.

Mas, essa catedral foi atingida por incêndios nos anos 873, 1002 e 1007.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

França, berço do estilo gótico

Basílica abacial de Saint-Denis, Paris, França, ábside.
foto David Iliff



O núcleo central do gótico tomou forma na região francesa da Île-de-France, e que abarca a zona de Paris e arredores. Portanto, a abadia de Saint-Denis e a catedral de Notre-Dame.

Estendeu-se depois com celeridade a todo o território francês, e transpondo-o, ramificou-se por toda a Europa católica.

O estilo gótico não ficou parado, mas desenvolveu-se prodigiosamente, dando origem a inúmeras variantes cujo estudo requereu muitos tratados. E ainda outros estão sendo escritos.

Uma catedral inspira outra, mas nenhuma é igual. Cada qual oferece e desenvolve um aspecto novo.

Nunca há ruptura com os ideais anteriores, mas antes uma assimilação de elementos novos ou antiquíssimos.

O avanço técnico é prodigioso, nas mãos das corporações de construtores, grupos formados pelos mestres anônimos a serviço das construções monásticas ou episcopais, que se movem livremente de obra em obra e elaboram novas técnicas.

A decoração interna e externa dos edifícios tornou-se complexa e requintada. A perfeição da geometria das formas se inspirava no Templo de Salomão, que Deus revelou como está nas Escrituras. Mas em certo sentido a superava.

Vitrais, estátuas e baixo relevos narram a Bíblia, a vida dos santos, a teologia, a filosofia, descrevem os grandes homens da Antiguidade inclusive greco-romana, as atividades das profissões, as estações dos anos, a disposição dos astros. Em resumo: a Ordem do Universo. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A catedral gótica: resumo da ordem do universo,
onde Deus faz suas delícias

Catedral de Soissons, França. foto David Iliff.
Catedral de Soissons, França.
foto David Iliff.



No contexto medieval dos séculos XI e XII, as escolas monásticas e episcopais sediavam grandes escolas de teologia.

Essas escolas procuraram explicitar a fundo a ordem posta por Deus na Criação para a Sua maior glória. A ordem do universo contida na Bíblia foi cotejada com os ensinamentos aproveitáveis dos gênios gregos e romanos da antiguidade.

O estudo, a contemplação, a meditação e a oração permitiram aos mestres espirituais medievais atingir um conhecimento profundamente raciocinado da grandiosidade e do simbolismo da glória de Deus e da Igreja, impressos na imensa catedral divina que é o Universo.

O gótico nasceu como sendo o estilo mais adequado para exprimir a fisionomia com que Deus que Se faz conhecer na Criação.

Por isso a catedral, que já era a casa de Deus por excelência, tinha que conter em si, embora em miniatura, a majestosa ordenação espiritual, metafísica e material de toda a estrutura e de toda a beleza do criado.

Na hora de reconstruir a abadia real de Saint-Denis, hoje na periferia de Paris, o abade beneditino Suger vivificou a primeira catedral gótica.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Estilo gótico, estilo de uma sociedade
que está bem com Deus

Transepto da catedral de Amiens, França.
foto David Iliff.




O estilo gótico nasceu e cresceu dando passos aparentemente pequenos, até gerar um conjunto monumental como nenhum outro na História da Civilização.

Nenhum estilo histórico é uma produção de gabinete, mas é obra de uma sociedade inteira.

Os artistas não são os criadores do estilo usado por uma sociedade, mas seus intérpretes.

E isto é especialmente verdadeiro do estilo gótico ou medieval.

Nesse estilo produzido pela sociedade medieval, o prático e o belo, os elementos materiais e intelectuais se fundiram harmonicamente com a fé católica professada pela sociedade.

Do ponto de vista arquitetônico que foi tão decisivo, o estilo gótico tem como elemento característico a chamada ogiva gótica.

Segundo a tradição, num sonho, São Pedro e São Paulo teriam aparecido a um velho abade beneditino de nome Gunzo, que foi terminar seus dias na abadia de Cluny. Os santos lhe ensinaram a ogiva, que depois se chamou gótica.

O sonho do abade Gunzo que inspirou o arco gótico
na abadia de Cluny III.
Miscellanea secundum usum ordinis Cluniacensis
O velho monge narrou o sonho ao abade São Hugo. Na época, por volta de 1080 d. C., Cluny estava construindo sua terceira grande igreja abacial, dedicada a São Pedro.

Ela foi a maior igreja da Cristandade até a construção da Basílica de São Pedro, no Vaticano, feita um metro maior, para afirmar assim sua superioridade universal.

O monge Gunzo era cego, mas seu testemunho foi considerado fidedigno e convincente. A parte final da nave de Cluny foi concluída no novo estilo ogival.

O exemplo de Cluny pegou fogo em toda a Europa. Construir catedrais foi um fenômeno correlato às Cruzadas. O mesmo fervor animava os cavaleiros e os arquitetos.

O movimento se expandiu a partir da França em meados do século XII.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Esplendor do gótico e glória da Idade Média

Catedral de Burgos, Espanha
Catedral de Burgos, Espanha




Gótico! Quanta glória encerra esta expressão!

Quando a Renascença exumou a cultura clássica e rejeitou a civilização medieval, “gótico significava “bárbaro”, grotesco, próprio aos Godos.

Hoje, com o correr dos séculos, a pátina do tempo transformou “gótico” em sinônimo de “glória”.

Glória pelo esplendor da arte que elaborou o arco ogival e rasgou os céus com as torres de catedrais como as de Paris, Chartres e Colônia.

Glória pela civilização que extinguiu a escravidão, converteu os bárbaros, inventou as universidades e construiu os primeiros hospitais.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A catedral enquanto esposa de Cristo

Catedral de Santo Estêvão, Viena, Áustria.
Catedral de Santo Estêvão, Viena, Áustria.



A catedral é também esposa de Cristo, como lembra ainda o Apocalipse :

2. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo.

3. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles.

4. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.

5. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.

6. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva.

7. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.

8. Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte. (Apocalipse, 21, 2-8)

A catedral enquanto porta-voz e torre de vigia de Nossa Senhora

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A catedral, imagem da Jerusalém Celeste

Catedral de Colônia, Alemanha
Catedral de Colônia, Alemanha



Quem não ficou admirado contemplando, na realidade ou na fotografia, as agulhas das catedrais, ou por exemplo a do Monte Saint-Michel?

E quem não pensou nos foguetes contemplando os arcos góticos que no interior das catedrais se elevam com força retilínea rumo ao Céu?

Pois o templo católico – capela, simples igreja, abadia ou grande catedral – é uma imagem terrestre da Jerusalém Celeste.

Quer dizer, daquela cidade que contém em si todas as belezas e maravilhas da Criação e que foi arranjada por Deus para que por toda a eternidade seus filhos encontrem nela, retamente ordenadas, todas as delícias espirituais e materiais.

Esse simbolismo foi bem encarnado nas magníficas catedrais construídas por nossos antepassados. Não ousamos sequer mencionar os monstros arquitetônicos – “feios como o pecado” segundo um conhecido arquiteto americano – das últimas décadas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Igrejas tradicionais: naus que levam ao Céu
pela linguagem dos símbolos

Igreja de São Mateus, Salers, França.
Igreja de São Mateus, Salers, França.



Quando nosso olhar é desviado das maravilhas da Encarnação pelas falsas ilusões sugestionadas por certo progresso técnico, custa perceber os tesouros simbólicos acumulados em nossos edifícios religiosos.

Entretanto, o simbolismo de catedrais e igrejas tem uma importância capital e nos está falando sempre de um significado mais alto.

A visão católica das coisas pressupõe que o mundo tem uma chave de interpretação que é divina.

E a Civilização Cristã nos mostra como o universo, e portanto nossa existência terrena, têm uma ordem profunda que deve ser obedecida.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O altar da catedral de SCHLESWIG:
reminiscência gótica com acentuada nota teológica





Na foto ao lado vemos o retábulo do altar da catedral de Schleswig, cidade do antigo ducado de Schleswig-Holstein –– uma “língua de terra” que une a Alemanha à Dinamarca.

Nessa região, havia vários pequenos Estados independentes. Era o bom costume germânico, vigente no Sacro Império Romano Alemão, onde o Estado não era centralizado, mas rico em autonomias de vários tipos.

Schleswig era uma pequena zona gozando de uma quase soberania, que tinnha uma igreja contendo essa maravilha.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Sainte Chapelle: capela do rei da França,
custódio da Coroa do Rei dos reis




continuação do post anterior: A Sainte Chapelle e a reversibilidade entre a ordem católica e a ordem monárquica



A Sainte Chapelle é ela própria um imenso relicário feito de luz e vitrais. As relíquias ficavam no altar mor em urnas de uma riqueza única.

Os melhores artistas fizeram essas peças com um refinamento e uma exibição sem igual de pedras preciosas e ouro.

Ao pé de cada coluna, doze no total, a estátua de um Apóstolo como que segura o prédio. Em poucos anos foram instalados 750 metros quadrados de vitrais formando um grandioso livro de imagens.

Há um modo especial de ler esse livro, é um discurso maravilhoso que transmite os grandes fatos da Bíblia com uma insistência particular no Antigo Testamento.

Na parte central, os vitrais pintam a Paixão de Cristo, aponta Christophe Bottineau, arquiteto chefe dos Monumentos Históricos. No lado sul, onde bate mais o sol, é apresentada a dinastia dos reis de Israel que termina na pessoa de São Luís.

Não sabemos quem concebeu este livro de imagens. Quiçá o próprio São Luis, por que não? pergunta Le Pogam.

A epopeia bíblica descrita nos vitrais reforça o paralelismo com a monarquia do povo eleito do Novo Testamento.

David rei de Israel, Salomão fundador do Templo, Moisés o legislador e Aaron, primeiro Sumo Sacerdote coroado com uma coroa que parece com a tiara do Papa, são prefiguras da ordem católica medieval.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

A Sainte Chapelle e a reversibilidade
entre a ordem católica e a ordem monárquica




A Sainte Chapelle foi mandada construir pelo rei da França São Luis IX (1214 – 1270), na metade do século XIII, em Paris, capital de seu reino.

São Luis foi um monarca santo em quem se fundiram duas dimensões: a política e a religiosa. A Sainte Chapelle permite, entre outras coisas, compreender melhor a reversibilidade dos dois aspectos no rei santo.

Um rei construtor, um rei-sacerdote – no senso da missão sacerdotal da aristocracia definido pelo Papa Bento XV – um rei cruzado, um rei santo, um rei modelo que deixou uma das mais belas joias da arquitetura da Idade Média.

A Sainte Chapelle é um magnífico livro de imagens que atravessou oito séculos, não sem arrostar grandes perigos.

Os reis da França na Idade Media eram ungidos pela Igreja e, portanto tinham também uma missão religiosa. A unção dos óleos sagrados marcava a origem divina da autoridade suprema do reino.

Essa associação entre a monarquia e a religião católica ajuda a compreender a Sainte Chapelle.

A comunicação de Deus com o povo e o reino passava através de São Luís. Ele devia proteger o povo cristão, propagar o cristianismo, defender o clero e conduzir seu povo rumo à Jerusalém celeste, rumo a salvação eterna.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A coroação dos reis da França na catedral de REIMS

Catedral Notre Dame de Reims, nave lateral esquerda.
Catedral Notre Dame de Reims, nave lateral esquerda.



continuação do post anterior: REIMS: a catedral da sagração dos reis da França



O Guarda dos Selos de França, desempenhando a função de Chanceler, sobe ao altar do lado do Evangelho e chama os doze pares para junto do rei.

Ao som do órgão, o arcebispo coloca sobre sua cabeça a coroa de Carlos Magno, enquanto os duques e pares a tocam com a mão, como símbolo de assistência, obediência e fidelidade.

Depois que o rei pôs sobre os ombros o grande manto azul forrado de arminho e semeado de flores-de-lis de ouro, é conduzido – com a coroa na cabeça, o cetro na mão direita e o bastão da justiça na esquerda – até o trono, onde se assenta.

Os pares o abraçam e proclamam por três vezes: “Vivat Rex in aeternum!” É a entronização.

Os clarins tocam, as portas da catedral se abrem de par em par, e a multidão, enchendo a nave com suas aclamações durante vários minutos, acorre para ver o Rei que Deus lhe deu.

Enquanto o arcebispo começa a missa, das abóbadas são soltos pequenos pássaros simbólicos. Arautos d’armas lançam medalhas da sagração.

Há salvas de mosquetes, descargas de artilharia.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

REIMS: a catedral da sagração dos reis da França

Catedral Notre Dame de Reims, vista interior da nave central
Catedral Notre Dame de Reims,
vista interior da nave central



Toda civilização começa pelos padres, pelas cerimônias religiosas, pelos milagres mesmo. Nunca houve, nunca haverá, não pode haver exceção a esta regra.

Os reis da França conheceram estas leis comuns a todos os povos, quando São Remígio em Reims ordenou a Clóvis, ao sagrá-lo rei dos francos:

“Curva tua cabeça, ó sicambro, adora o que queimaste e queima o que adoraste”.

Entretanto, o poder do Rei da França vem de Deus a um outro título mais especial. Certo dia, Santa Joana d’Arc pediu ao Rei Carlos VII que lhe desse seu reino. Carlos VII ficou embaraçado, mas acedeu.

Santa Joana d’Arc fez lavrar um documento atestando o fato. Depois, em presença dos mesmos tabeliães, e como senhora da França, entregou-a a Deus, Rei do Céu.

E o Rei do Céu e Rei da França, por intermédio da mesma Joana, instituiu Carlos, como também a seus sucessores, seu procurador divino.

Católica, sabedora bastante de que era só no seio da Igreja que ela atingia sua perfeita plenitude, era assim, como procurador de Deus, que a França jubilosa aceitava e gostava de ver o seu rei.

Por isso, nada a empolgava tanto quanto o momento em que ele, na mesma catedral de Reims, ajoelhado diante do grande Pontífice, ouvia estas palavras solenes:

“Eu vos sagro Rei com este Santo Óleo, em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo”.

A cerimônia da sagração de Luís XVI começou com orações às seis horas da manhã do Domingo da Ssma. Trindade de 1775.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O vitral: cartão de visita de Deus e porta do Céu

Detalhe central da rosácea do transepto da catedral de Chartres, França
Centro da rosácea do transepto da catedral de Chartres, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No primeiro vitral que eu vi, eu tive a impressão que aquele mosaico de cores abria um buraco dentro da realidade material e conduzia meu olhar maravilhado para outra realidade que estava além do sensível.

O vitral me dava a impressão de que além da carapaça da matéria havia uma região aonde o maravilhoso se externava daquela maneira.

O vitral, a bem dizer, é a porta dessa região.

Depois dessa porta há outra ordem de coisas. Está Deus.

Aquele vitral é como que o cartão de visitas de Nosso Senhor, como que seu escudo heráldico.

O escudo heráldico não é a fotografia de um homem, mas é a descrição da mentalidade de uma família.

O vitral é a heráldica de Deus.

A luz criada por Deus penetrava no vitral e Deus como que dizia:

"meu filho, sua alma dá para isso! sua vida existe para isso! tudo que está embaixo são coisas que na medida em que conduzem a isso estão bem".

Vitral de São Zacarias, na catedral de Bourges, França
Vitral de São Zacarias, na catedral de Bourges, França
Resultado: alguém que voltando-se de olhar para a igreja de Saint Michel visse um grupo de punks dando risada da basílica, fazendo cambalhotas, e querendo, por exemplo, jogar lixo ali dentro, a posição natural e imediata seria ...

Há uma proporção: quanto mais alto a alma subiu, mais essa reação seria definida.

A reação é o termômetro exato do entusiasmo.

Esse estado de espírito maravilhado diante do Mont Saint Michel, da primeira torre, do primeiro vitral, do som deleitável do órgão, esses movimentos todos passam rápido demais em algumas almas.

Deixam, em outras, uma recordação que se fixa para todo o sempre se a alma continua fiel.

Ali ela se encontra a si mesma, há uma espécie de identidade dela consigo mesma.

Deus criou aquela pessoa para viver nesse estado de espírito. Ela então vive disso.

Na medida em que ela não vive para isso, ela não tem a fisionomia que Deus quis para ela. Ela não sabe qual é sua verdadeira fisionomia.

De ali vem todos esses vazios, tristezas e frustrações que andam por ai.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 3/1/82. Texto sem revisão do autor)

Profetas do Antigo Testamento, catedral de Notre Dame, Paris
Profetas do Antigo Testamento, catedral de Notre Dame, Paris



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quarta-feira, 13 de maio de 2015

A catedral de BOURGES: uma das mais belas do mundo

Bourges: a catedral de Santo Estêvão obra prima do gótico.
Bourges: a catedral de Santo Estêvão obra prima do gótico.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Na fachada da catedral de Bourges, no centro da França, se destacam cinco grandes póritcos que dão acesso à catedral.

A porta central fica no fundo de uma série de arcos. Ela é feita de um triângulo cheio de imagens entalhadas em pedra e encimadas por outra principal.

Depois há uma rosácea preenchida por um vitral. De um lado e doutro da rosácea há dois nichos com imagens.

No triângulo há uma porção de arcos góticos dentro da espessura da parede que tendem ao arredondado.

Estão cobertos de pequenas imagens. Depois vem a porta propriamente dita.

No tímpano da porta há uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo vitorioso, triunfante. E depois novas figuras.

Afinal, em baixo estão as portas de madeira todas trabalhadas, encimadas por sua vez, por rosáceas.

A estrutura das portas laterais é a mesma, apenas menos rica. Elas fazem um acompanhamento da porta central como as damas de honor acompanhavam a rainha.

A porta é construída como uma saliência na fachada. Nos dias de chuva ou de sol muito forte, as pessoas podem ficar um pouco protegidas.

Nas construções modernas, mesmo as mais modestas, há uma preocupação análoga de colocar alguma coisa na entrada que proteja a pessoa que vai entrar.

Bourges: uma Bíblia e um catecismo em pedra que todos apreendiam a ler.
Bourges: uma Bíblia e um catecismo em pedra que todos apreendiam a ler.
De maneira que enquanto ela tira a chave para abrir a porta, ou enquanto espera que atendam a campainha, ela não fique sujeita à chuva. Isso, na expressão mais simples, consiste numa chapa de vidro perpendicular à parede.

Aqui, para chegar a esse resultado, vejam a magnificência de bom gosto e de beleza artística que a arte gótica empregou.

Porque tudo tem a finalidade de ornar, mas é um ornato com utilidade.

De cada lado da porta central, há mais duas. São cinco portas.

Tudo isso foi esculpido na pedra. As esculturas são numerosas e muitas delas são verdadeiras obras de arte.

Os medievais não se incomodavam de gastar mão-de-obra nem de terminar logo. Nada aí está feito ao galope para fazer logo.

Bourges: a catedral de Santo Estêvão uma das mais belas do mundo.
Bourges: a catedral de Santo Estêvão uma das mais belas do mundo.
As coisas não eram marcadas com data ficassem feias ou bonitas. O homem medieval não era escravo do tempo como é - e acha bonito ser - o pobre homem moderno.

Essas catedrais podiam levar cem, duzentos anos, para serem construídas. E as gerações que contribuíam para que essa catedral fosse construída, morriam em paz sabendo que não veriam a catedral pronta.

Mas eram gerações de fé, e sabiam que quando elas chegassem ao Céu, elas teriam diante de si uma visão incomparavelmente mais bela do que a catedral.

E esta visão seria a recompensa da paz com que elas adormeciam em Deus.

Seus corpos eram inumados na catedral ou nas cercanias, com as mãos postas esperando a misericórdia e o juízo de Deus.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira. Texto sem revisão do autor.)

Bourges: os mais belos vitrais tornavam fáceis as mais altas verdades da Fé Vitral do Apocalipse
Bourges: os mais belos vitrais tornavam fáceis as mais altas verdades da Fé.
Vitral do Apocalipse


Bourges, a catedral de Santo Estêvão: uma das mais belas do mundo

A catedral de Bourges dedicada a Santo Estêvao – Cathédrale Saint-Étienne, em francês – fica no centro da França.

É uma obra-prima de arquitetura gótica e sua fachada, de 40 metros da largura é a maior deste tipo. Em 1992 foi inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO

A construção da catedral iniciou-se em 1195, praticamente ao mesmo tempo com a Catedral de Chartres.

O coro foi construído em 1214, a nave em 1225 e a fachada foi terminada em 1250. O conjunto do templo do bispo de Bourges foi consagrado em 13 de maio de 1324.

Os reis Luis XI, em 1423 e Luís II de Bourbon-Condé em 1621 foram batizados na catedral.

A construção começou em 1195 e em 1214 perto da metade já estava pronta. Foi completada entre 1225 e 1230.

Foi saqueada pela Revolução Francesa que instalou dentro um Templo da Unidade em 10 de dezembro de 1793.

Bourges: nave central.
Bourges: nave central.
No século XIX teve início a restauração após o bárbaro crime e as obras continuam até o presente.

As catedrais eram concebidas como uma representação da Jerusalém celeste.

As dimensões exteriores são: 125 metros de comprimento, 55 metros de largura. A altura interior na nave central é de 37,15 metros.

A torre norte chamada “de Beurre” tem uma altura de 65 metros e a torre sul dita “a surda” 53 metros. A superfície total é de 5.900 m2.

A planta da catedral possui uma abside circular e sem transepto.

A fachada tem 5 grandes portais de acesso, um para cada nave.

Mais outros dois portais de acesso também ricamente adornados de esculturas simbólicas encontram-se na metade da nave mais externa.

Cada porta é ornamentada por esculturas notáveis, sendo a mais famosa a que ilustra o juízo final. Todas elas têm um alto conteúdo simbólico.

Nas esculturas e vitrais da catedral os fiéis podem ler as grandes verdades da Fé, o Antigo e Novo Testamento e a vida dos santos.

Para conferir estabilidade à estrutura gótica sempre mais arrojada e surpreendente foram utilizados contrafortes potentes, conhecidos como arcobotantes.

Com exceção dos vitrais da capela, quase todos da zona absideal são os originais do século XIII e são considerados uma das obras primas dessa arte.

A riqueza das cores, a distribuição harmoniosa das figuras e o requinte do conjunto faz dos vitrais de Bourges um doss conjuntos em que o fiel pode dizer que está vendo a Deus.

Os vitrais de Bourges são frequentemente comparados aos de Chartres considerados o auge da expressão luminosa da fé católica.

O mundo sobrenatural que transparece nas figuras representadas nos vitrais é insólita. Seu simbolismo transforma as mais altas e complicadas verdades teológicas em mensagens simples facilmente acessíveis inclusive para o analfabeto.

Exemplos vivos disso são os eventos do Antigo Testamento, episódios sobre a vida de Jesus Cristo e outros sobre o Apocalipse e o Fim do Mundo.




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