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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Catedral neogótica no coração da Ásia muçulmana
é “potente sinal de evangelização”

Nova catedral de Karaganda, Cazaquistão, Ásia Central. O bispo optou pelo estilo neogótico porque mais conforme com a sacralidade da casa de Deus.
Nova catedral de Karaganda, Cazaquistão, Ásia Central.
O bispo optou pelo estilo neogótico porque mais conforme com a sacralidade da casa de Deus.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Em 9 de setembro de 2012 foi consagrada a catedral da diocese de Karaganda, no Cazaquistão, em uma solene celebração presidida pelo Cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício e Legado Pontifício para a consagração. O fato foi noticiado em seu momento pela agência Zenit

Em estilo neogótico, a catedral foi pensada e desejada pelos bispos D. Jan Pawel Lenga e D. Athanasius Schneider, então titular e auxiliar daquela diocese, respectivamente.

O Cazaquistão é um país esmagadoramente muçulmano no coração das estepes da imensa Ásia. Os católicos constituem uma minoria: 1 ou 2% da população.

Por que os bispos escolheram esse estilo?

D. Athanasius Schneider explicou que a diocese de Karaganda utilizava um edifício construído durante os tempos em que no local funcionava um sinistro campo de concentração comunista. Não se podia reconhecer exteriormente que era uma igreja.

A nova catedral foi erigida em lugar central e num estilo inconfundivelmente católico, isto é, o neogótico.

Para o bispo, com esse estilo o prédio vai ser um sinal silencioso, mas poderoso, e um meio de evangelização.

A arquitetura da nova catedral e os objetos contidos em seu interior foram escolhidos para expressar uma verdadeira beleza artística, a sacralidade e o sentido do sobrenatural.

Altar da catedral de Karaganda.
Altar da catedral de Karaganda. Beleza do estilo atrai pagãos e cismáticos.
Tudo isso é próprio a estimular o sentimento religioso e a fé nos fiéis, como também a exprimir a adoração devida à Santíssima Trindade.

É igualmente adequado à prática exímia do primeiro mandamento, que é a finalidade última da criação: a adoração e glorificação de Deus.

Além do mais, a nova catedral é um lugar sagrado em memória das inúmeras vítimas do regime comunista, que havia instalado perto de Karaganda um dos maiores e mais terríveis campos de concentração, onde padeceram pessoas de mais de 100 etnias diferentes.

As autoridades civis e a população, que, como dissemos, são maioritariamente muçulmanas e cismáticas, se sentiram honradas por terem em sua cidade uma construção de extraordinária beleza arquitetônica e de alto significado cultural.

As autoridades civis consideram a nova catedral como um gesto da Igreja Católica em favor da promoção da cultura, acrescentou D. Athanasius.

Com uma estética neogótica verdadeiramente sacra e recheada com obras de arte, a nova catedral proclama o primeiro dever da Igreja: dar a Deus encarnado o primeiro lugar, bem visível.

Porque Deus se fez presente com a Encarnação e na Eucaristia, devemos oferecer em Sua honra a beleza artística. Como Autor de toda a beleza, Ele merece receber obras verdadeiramente belas da parte dos fiéis.

Quando Maria Magdalena ofereceu em honra de Cristo um vaso de perfume precioso de preço extraordinariamente grande (“mais de trezentos denários”, cf. Mc 14, 4), alguns se indignaram pelo “desperdício de bálsamo”.

Jesus, porém, louvou este santo desperdício dizendo: “Deixai-a. Por que a molestais? Ela me fez uma boa obra. Vós sempre tendes convosco os pobres e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; mas a mim não me tendes sempre. Ela fez o que pode: embalsamou-me antecipadamente o corpo para a sepultura”. São Marcos, 14, 6-8)

Também hoje se deve continuar a fazer o “santo desperdício” em honra de Jesus, explicou o bispo.

Muitas pessoas não católicas, e até não cristãs, visitaram a nova catedral e ficaram atraídas pela sua beleza.

“Houve mesmo algumas mulheres não cristãs que até choraram de emoção diante de mim.

“Certa vez, mostrei e expliquei durante meia hora a catedral para um jovem casal não cristão, com todos os pormenores da arte e das coisas sacras.

“Quando terminei e depois de sairmos da catedral, essa mulher não cristã me disse: ‘Nesta meia hora purifiquei a minha ama. Posso vir cá outra vez sozinha? É que quero admirar no silêncio estas coisas belas’.

“Ao que eu respondi: ‘Certamente. Pode voltar todas as vezes que quiser’.

Beleza da catedral de Karaganda converte as pessoas
Beleza da catedral de Karaganda converte as pessoas
“Nessa meia hora, com a minha explicação de uma arte sacra e bela, consegui dar uma lição sobre a verdade da fé católica.

“A reação de quase todas as pessoas que até agora visitaram a catedral, e especialmente das pessoas não cristãs, foi espontânea e neste sentido: admiração, silêncio, abertura ao sobrenatural.

“Constatei em todos esses casos que a verdade da alma humana é naturalmente cristã, como disse Tertuliano.

“Deus inscreveu na alma humana a capacidade para conhecê-Lo e venerá-Lo. O dever dos católicos é de conduzir essas almas, assim abertas em relação à fé e à adoração sobrenatural, para a adoração de Cristo, da Santíssima Trindade, e assim conduzir as almas ao Céu.

“Nas grandes portas de bronze à entrada da catedral estão escritas estas palavras da Sagrada Escritura: ‘Esta é a casa de Deus, esta é a porta do céu’ (Domus Dei-porta coeli).

“Essas palavras sagradas são, por isso, um mote muito adequado para esta catedral, isto é, para esta obra visível de evangelização, como o são também para toda a obra da evangelização”.




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quarta-feira, 29 de março de 2017

Catedral de São Marcos, VENEZA:
“Igreja Católica é isto! Ó Igreja Católica!”

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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É noite em Veneza. Na Praça de São Marcos a onda de turistas está ausente, os pombos estão dormindo, a catedral apresenta-se em sua majestosa solidão.

Esplendidamente iluminada, deixando perceber o branco reluzente do mármore, seus pormenores e a linha geral do conjunto.

Nesta magnífica catedral de São Marcos distinguem-se três profundidades.

Em primeiro lugar as arcadas, que têm como centro um arco maior apresentando magnífico mosaico, e acima dele um terraço.

Em seguida a parte superior desse primeiro corpo do edifício, com uma espécie de ogiva central muito grande.

Nela se percebem os famosos cavalos, dois torreões, e de cada lado ogivas bem abertas encimadas com figuras.

A terceira parte é constituída pela cúpula da catedral e algumas torrezinhas.

A iluminação ressalta a parte branca do edifício, que assim parece constituída de tijolinhos de açúcar.

Mas notam-se também sombras cheias de mistério nessa esplêndida galeria de arcos do andar térreo.

Diante desta catedral, forma-se em nossa mente uma impressão marcante: o espírito de fé com que ela foi construída.

E, a partir desse espírito de fé, a aspiração do maravilhoso e do grandioso manifestada em louvor de São Marcos.

É uma das mil cintilações deslumbrantes do espírito católico, levando-nos a exclamar:

“Igreja Católica é isto! Ó Igreja Católica!”.



(Fonte: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, 11/01/1989.  Excertos sem revisão do autor.)





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quarta-feira, 15 de março de 2017

Nossa Senhora de BRUGES: síntese feliz do talento flamengo e da piedade espanhola


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Num primeiro momento a igreja de Nossa Senhora ‒ Notre Dame em francês e Onze-Lieve-Vrouwekerk em flamengo ‒ de Bruges é confundida com a catedral da cidade.

A razão é ser ela a maior igreja católica da cidade.

Destaca-se por uma torre medieval de 122 metros de altura que é a mais alta de Bruges.

É, aliás, a segunda maior torre feita de tijolos na Europa.

Os visitantes ficam atraídos por seu caráter e pelas destacadas obras de arte que possui.

Ela foi construída entre os séculos XIII e XV.

Muitas obras de arte foram acrescentadas nos séculos posteriores, como uma Madonna de Michelangelo e uma famosa Crucifixão pintada por Anthony van Dyck.

Ali estão também os riquíssimos túmulos de Maria de Borgonha e de seu pai Carlos o Calvo.

A duquesa Maria reinou sobre os Países Baixos, que então incluíam a Bélgica e a Holanda, no fim do século XV.

Os artísticos sarcófagos feitos de mármore preto e cobertos de ricos trabalhos em bronze são um exemplo do gótico tardio.

Na igreja aspira-se uma mistura singular, típica do ambiente flamengo católico.

Por um lado, a igreja de Nossa Senhora carece do luminoso e do colorido típico de gótico francês, substituído por uma certa tristeza da qual não está ausente a influência cultural que preparou a hirteza protestante.

Porém, por outro lado, encontra-se o resplendor, a variedade de cores da arte flamenca nos tempos da glória da alta cultura desenvolvida em Flandres.

Soma-se a isso a patente influência do catolicismo espanhol que afastou da Bélgica dos erros calvinistas e do peso hirto e escuro da arte ‒ ou anti-arte ‒ protestante, escura, melancólica e fatalista.



Vídeo embaixo: Igreja de Nossa Senhora, Bruges, Bélgica






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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

À procura do Paraíso: as almas dos inventores dos vitrais


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Para a mentalidade medieval esta terra é uma terra da exílio na qual, entretanto, há um paraíso: a Santa Igreja Católica, a única igreja verdadeira do único Deus verdadeiro.

E os vitrais eram as janelas desse paraíso.

Os romanos descobriram o vidro, mas nunca fizeram um vitral.

Quando começou então a história do vitral?

Quando nasceu o desejo do maravilhoso.