terça-feira, 23 de janeiro de 2024

SAINTE-CHAPELLE: delicadeza que eleva a Deus num voo só

Saintee-Chapelle: sob esta cúpula era exposta a Coroa de Espinhos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A Sainte-Chapelle leva o charme e a distinção a um ponto tal que parece ficar trêmula de tanta delicadeza.

Porém, ao mesmo tempo, destaca-se pelo equilíbrio e pela ascese.

Ela é o receptáculo tão perfeito quanto o homem conseguiu excogitar da suprema Coroa: a Coroa de Espinhos.

São Luiz, Rei de França, fez a Sainte-Chapelle para abrigar essa Coroa. Ele construiu assim um dos mais belos monumentos da arte medieval e, portanto, de toda a História!

Sainte-Chapelle vista do côro
Sainte-Chapelle vista do coro
A Sainte-Chapelle é uma caixa de cristal com nervuras de granito onde se celebrava o Santo Sacrifício da Missa.

Ouve-se falar das maravilhas de Europa. Mas, indo à Europa pela primeira vez, a gente se pergunta:

Visto diretamente, aquilo é mais belo do que nas fotografias? Ou é menos belo do que nas fotos? Aquilo me emocionará?

A Sainte-Chapelle fica encastoada no Palais de Justice, Palácio do Judiciário francês.

A capela de baixo deixa maravilhado e convida à exclamação: “Ahahah! Não pensava, mas não pensava que fosse uma coisa tão bonita!”

Ela exprime uma forma supereminente de delicadeza de alma que se evolava das relações de São Luiz com seu povo.

Ela convida a ser súdito de São Luiz no século XIII.

Dá vontade de passar o dia inteiro na capela dos empregados.

Mas, depois, subindo para a capela real, a gente não tem palavras para dizer!

Notre-Dame extasia. Mas a Sainte-Chapelle com os seus vitrais, com o altar que São Luiz mandou pôr lá, o lugar onde ele colocava o trono dele para assistir à Missa, etc., produz um tal maravilhamento que, literalmente, não se sabe o que dizer.

A Sainte-Chapelle é toda cheia de delicadeza. A delicadeza está simbolizada com tanta intensidade e num patamar tão alto que foi possível ao homem simbolizar não simplesmente a delicadeza natural, mas a delicadeza sobrenatural.

Sainte-Chapelle: panorâmica permite apreciar a caixa de vitrais que forma a capela
Sainte-Chapelle: panorâmica permite apreciar a caixa de vitrais que forma a capela
O homem conseguiu na Idade Média forçar a natureza para que ela apresentasse a magnificência dos estados de espírito e das virtudes de alma.

Não apenas enquanto estados de espírito e virtudes naturais, mas enquanto banhados pelo sobrenatural.

Os quadros de Fra Angélico têm muito disso. Pintam uma inocência sobrenatural. O sobrenatural é apresentado assim simbolicamente.

E, por trás dessas obras, o medieval conseguiu transmitir um início da visão beatífica que o batismo nos dá.

A Fé dá isso: um início de visão beatífica que se torna presente.

Isso não acontece em todos os outros sistemas culturais, escolas artísticas, etc. Donde a superioridade fundamental do medieval sobre as outras coisas.



Vídeo: Sainte Chapelle: imenso relicário feito de vitrais




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terça-feira, 9 de janeiro de 2024

A capela para a Coroa de Espinhos: um relicário de luz

Sainte-Chapelle: capela baixa era para os domésticos
Sainte-Chapelle: capela baixa era para os domésticos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A Sainte-Chapelle eleva a Deus num voo de espírito extraordinário. Entende-se, porque é uma capela onde há uma porção de elementos explicitamente religiosos.

Muita igreja construída depois fala de religião, mas nada eleva dessa forma ao Céu.

O que a Sainte-Chapelle deixa transparecer é o desejo de haver um lugar onde os homens pudessem morar dentro da luz e do cristal. E, portanto, dentro do sonho.

Esta é a chave de interpretação da Sainte-Chapelle.

Se a arte de fazer cristais tivesse levado a fazer palácios de cristal para morar, que luzes e que coisas nós não tiraríamos daí?

Sainte-Chapelle: capela alta era para o rei e a Corte
Sainte-Chapelle: capela alta era para o rei e a Corte

O mesmo se poderia dizer de outras matérias nobres existentes.

Porém, o segredo medieval do fabrico de muitas coisas se perdeu com a mania da Renascença de usar apenas vidro de janela.

Quantas outras coisas haveria se o homem não tivesse ido rejeitando estupidamente o espírito medieval!

Essas coisas que poderiam existir, mas que não existem, dariam significados e magnificências a esta vida das quais não se tem ideia.

Deus Nosso Senhor deixa ver Seu absoluto através dessas realizações. A sala de ogivas no Palais de Justice de Paris – tão mais simples do que a Sainte-Chapelle - produz completamente essa impressão!

As coisas góticas, em proporções ora maiores, ora menores, produzem impressões de absoluto, quando não dão a impressão do absoluto completo.

Por exemplo, o contraste muito visível na Sainte-Chapelle entre a rudeza bela e forte da pedra e o delicado do vitral.

Mas que magnificência desse contraste e que discrição, de tal maneira que se não chamarem a nossa atenção nós não notamos! É o absoluto.




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