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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

As catedrais da Idade Média
germinaram nas almas dos primeiros cristãos

Catedral de Milão, Itália
Catedral de Milão, Itália




Desde que os Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos e os discípulos em Pentecostes até o ponto mais alto da Idade Média, a Igreja esteve num crescimento contínuo.

Houve, por certo, fases de decadência, de crise ‒ nós estamos numa fase dessas!

Mas essas fases de perturbação e opacamento acabam sendo episódicas e sem reflexo na linha geral.

Após os declínios, o preenchimento dos vácuos abertos foi feito de tal maneira que a Igreja cresceu muito em formosura.

O que havia de implícito num católico das catacumbas, após as perseguições romanas explicitou-se enormemente na Idade Média.

Catedral de Cracóvia, Polônia
Catedral de Cracóvia, no Wawel, Polônia.
Por exemplo, uma catedral jazia na alma de um mártir das catacumbas como uma semente jaze na terra.

Durante muitos séculos de maturação, aquilo que estava no fundo da alma dos católicos dos primeiros séculos pode expandir-se.

E afinal desabrochou nas catedrais, nos castelos e na grande ordem medieval.

Basílica de Nossa Senhora, Cracóvia, Polônia.
Basílica de Nossa Senhora, Cracóvia, Polônia.
Não é que a Igreja ficou necessariamente mais santa na primeira ou segunda época medieval.

É que a Igreja manifestou muito mais a sua santidade aos olhos do número geral dos fiéis.

E também aos olhos dos infiéis nesse tempo que os Papas chamaram de primavera da Fé.

Foi nos séculos medievais que uma certa manifestação da Igreja, da Civilização Cristã, e portanto da Cristandade, tornou-se o dom comum de todos os fiéis.

E se incorporou pelo ensino de religião e pela fé, não só às convicções, mas ao subconsciente e às tradições de incontáveis homens.

É a Luz de Cristo que desceu em Pentecostes e que se perpetua na Igreja de progenie in progenie a través dos séculos.

As trevas do mal tentam envolve-la, mas não conseguem até quando parecem triunfar num festim de negrume, feiúra e pecado!




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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O órgão é a voz da catedral medieval,
eco da voz da Igreja Católica e do próprio Deus

Órgão da catedral de Estrasburgo
Órgão da catedral de Estrasburgo




Procuremos lembrar-se da sensação quando ouvimos pela primeira vez um órgão tocar.

A primeira sensação que eu tive foi de surpresa. Como quem diz: eu não imaginava!

A surpresa era seguida de um maravilhamento: que elevado!

Como isso tende para cima!

Que movimento para cima!

Como vai a uma altura que há uma verdadeira audácia que se quereria ter essa altura! Como isto perfura!

Que alma corajosa!

E de quanta coisa esta alma discrepou e se descolou e com que entusiasmo ela sobe!


Clique para ouvir Missa para os conventos: Elevação, François Couperin (1668 – 1733, Paris) :



Órgão da catedral de Sevilha
Órgão da catedral de Sevilha
Quantas coisas há em mim que quereriam subir assim e que dão vontade de subir!

O que é que há nesta altura?

Para onde sobe isto e como é que é imaginável aquilo que vai encontrar?

O órgão tocando suscita a ideia de um Céu infinito, de uma santidade, de uma pureza, de uma harmonia, de uma afabilidade e uma intransigência absoluta!

É para lá que a alma inteira ruma na primeira vez!

‒ Órgão! Isto é um instrumento, não é uma orquestra!

Oh! Que coisa extraordinária!

É assim que se deve ser!

Clique para ouvir Registros plenos no primeiro tom, do Livro do Órgão de Jean-François Dandrieu (1682 – 1738):



Órgão da igreja de Santo Eustáquio em Paris
Órgão da igreja de Santo Eustáquio em Paris
Estes são movimentos que entretanto, passam rapidamente em algumas almas.

Em outras, se a alma continua fiel, há uma espécie de identidade dela consigo mesma e esses movimentos fixam-se para todo o sempre.

A alma só é o ser que Deus criou na medida em que esse movimento habita nela a ela vive disso.

Na medida em que a alma não tem esse movimento e não vive para isso, ela não é a alma com a fisionomia que Deus quis para ela.

Para ser ela mesma é preciso ser a imagem e semelhança de Deus.

Se ela não é idêntica com Deus, não tem identidade com consigo mesma.

O movimento de alma que estou descrevendo e que um órgão pode suscitar de algum modo a Igreja sempre teve, é inerente à Igreja.

Isto era o estado comum em que os homens viviam, rezavam, combatiam, descansavam, festejavam e morriam na ordem medieval. Tudo era feito nesta atmosfera.

Clique para ouvir Passacaille d'Armide, da suite em 2º tom. Jean-Baptiste Lully (1632 – 1687):




Catedral de Amiens, França
Catedral de Amiens, França
O comum do homem era viver atrás dos vitrais, ao som dos órgãos, em contato com o granito e, por detrás de muralhas, tendo armas como ornamento das paredes! Tudo isso era o comum.

Por que?

Porque essa tendência para o alto, o discernimento do mais alto dos mais altos, penetrou à fundo na alma do homem medieval.

Ele não concebia a possibilidade de fazer uma janela de quarto de empregado sem que fosse uma ogiva!

Era a forma natural de todas as janelas, de todas as portas, de todas as comunicações, dos adornos, dos enfeites, de tudo!

Essa atmosfera da vida se transmitiu por várias gerações e foi, dentro dos homens, uma coluna, um fogo, uma força que quatro ou cinco séculos de Revolução não conseguiram exterminar inteiramente e que resta em nós sob a forma de um precioso legado de tradição.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 03/01/1981. Texto sem revisão do autor).




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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O retorno das pombas à catedral de DIJON

As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal
As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal




Na Borgonha, as pedras nunca são brancas por vontade de Deus.

Ao contrário, com o passar dos anos e dos séculos elas ficam bem cinzentas e até pretas.

No alto da catedral, as gárgulas – aquelas esculturas de animais quiméricos colocadas para dar vazão às águas de chuva e qualquer outra sujeira tirada por esta do telhado –, sempre bem alinhadas, estavam mais do que feias.

Mais. Sentiam-se doentes e tristes no seu pétreo silêncio.

Por obra dos entalhadores, elas tinham formas de diabos, monstros e animais horríveis.

O vento, a chuva, as geadas, as fumaças, tudo contribuía para deixá-las mais estragadas, repulsivas e decadentes.

Acontecia também – e ninguém sabia explicar – que as pombas tinham diminuído em número, a ponto de quase desaparecerem.

Só restavam algumas, mas estavam velhas e doentes. Já não se via seu vulto branco no céu e nos galhos das árvores.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A Luz de Cristo nas catedrais

Catedral Santo Estêvão, Viena.




Entrando no recinto sagrado de uma catedral, o povo exerce, sem sabê-lo, um magnífico ato coletivo de discernimento dos espíritos!

Assim como quando acabou o Dilúvio um arco-íris pousou sobre a terra, assim também, quando o aperfeiçoamento da Igreja e da obra de Nosso Senhor Jesus Cristo na terra chegou a um determinado grau, as almas humanas receberam esse discernimento.

Trata-se de um enorme discernimento coletivo. É como se uma luz do Divino Espírito Santo se tornasse sensível à mente dos homens.

E eles discernem belezas na Igreja Católica que eles traduzem nos modos maravilhosos que o estilo gótico excogitou.

Esse discernimento se manifestava não só na arte eclesiástica. Ele vivia palpitante em mil outros aspectos da vida real!

Na corporação de ofício, na aldeia de marzipã, na inocência dos camponeses que nos aparecem nas iluminuras ou nos vitrais, na paz dos gizantes com as mãos postas, numa tranquilidade desconcertante para nós, homens de hoje.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Faça uma visita virtual à catedral de ESTRASBURGO

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A catedral de Nossa Senhora que venceu incêndios e guerras infernais, e até a Revolução Francesa!

A catedral emerge entre os tetos da cidade
A catedral emerge entre os tetos da cidade
A 'coluna dos anjos'.
A 'coluna dos anjos'.
A Catedral de Estrasburgo ou Catedral de Nossa Senhora de Estrasburgo (em francês Cathédrale Notre-Dame-de-Strasbourg; em alemão Liebfrauenmünster zu Straßburg) é a catedral católica mais importante na região de Alsácia, que faz uma síntese entre a França e a Alemanha.

No tempo do paganismo, no local existiu um templo dedicado ao deus romano Marte.

O bispo Arbogast, no século VII, deitou as bases de um templo dedicado a Nossa Senhora, do qual não se conservam vestígios.

Pois, já no século seguinte, a primeira igrejinha foi substituída por uma catedral assaz mais importante, concluída sob o reinado do imperador Carlos Magno.

Essa catedral carolíngia possuía três naves e três absides que o bispo D. Ratal mandou ornar com ouro e pedras preciosas.

Mas, essa catedral foi atingida por incêndios nos anos 873, 1002 e 1007.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

França, berço do estilo gótico

Basílica abacial de Saint-Denis, Paris, França, ábside.
foto David Iliff



O núcleo central do gótico tomou forma na região francesa da Île-de-France, e que abarca a zona de Paris e arredores. Portanto, a abadia de Saint-Denis e a catedral de Notre-Dame.

Estendeu-se depois com celeridade a todo o território francês, e transpondo-o, ramificou-se por toda a Europa católica.

O estilo gótico não ficou parado, mas desenvolveu-se prodigiosamente, dando origem a inúmeras variantes cujo estudo requereu muitos tratados. E ainda outros estão sendo escritos.

Uma catedral inspira outra, mas nenhuma é igual. Cada qual oferece e desenvolve um aspecto novo.

Nunca há ruptura com os ideais anteriores, mas antes uma assimilação de elementos novos ou antiquíssimos.

O avanço técnico é prodigioso, nas mãos das corporações de construtores, grupos formados pelos mestres anônimos a serviço das construções monásticas ou episcopais, que se movem livremente de obra em obra e elaboram novas técnicas.

A decoração interna e externa dos edifícios tornou-se complexa e requintada. A perfeição da geometria das formas se inspirava no Templo de Salomão, que Deus revelou como está nas Escrituras. Mas em certo sentido a superava.

Vitrais, estátuas e baixo relevos narram a Bíblia, a vida dos santos, a teologia, a filosofia, descrevem os grandes homens da Antiguidade inclusive greco-romana, as atividades das profissões, as estações dos anos, a disposição dos astros. Em resumo: a Ordem do Universo. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A catedral gótica: resumo da ordem do universo,
onde Deus faz suas delícias

Catedral de Soissons, França. foto David Iliff.
Catedral de Soissons, França.
foto David Iliff.



No contexto medieval dos séculos XI e XII, as escolas monásticas e episcopais sediavam grandes escolas de teologia.

Essas escolas procuraram explicitar a fundo a ordem posta por Deus na Criação para a Sua maior glória. A ordem do universo contida na Bíblia foi cotejada com os ensinamentos aproveitáveis dos gênios gregos e romanos da antiguidade.

O estudo, a contemplação, a meditação e a oração permitiram aos mestres espirituais medievais atingir um conhecimento profundamente raciocinado da grandiosidade e do simbolismo da glória de Deus e da Igreja, impressos na imensa catedral divina que é o Universo.

O gótico nasceu como sendo o estilo mais adequado para exprimir a fisionomia com que Deus que Se faz conhecer na Criação.

Por isso a catedral, que já era a casa de Deus por excelência, tinha que conter em si, embora em miniatura, a majestosa ordenação espiritual, metafísica e material de toda a estrutura e de toda a beleza do criado.

Na hora de reconstruir a abadia real de Saint-Denis, hoje na periferia de Paris, o abade beneditino Suger vivificou a primeira catedral gótica.