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quarta-feira, 24 de maio de 2017

A catedral

Sainte-Chapelle de Paris, relicário da Coroa de Espinhos e estátua de São Luís rei na cripta da Sainte-Chapelle
Sainte-Chapelle de Paris, relicário da Coroa de Espinhos
e estátua de São Luís rei na cripta da Sainte-Chapelle
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No corre-corre de nossos dias tresloucados, façamos uma pausa.

Esqueçamos por alguns minutos o trabalho, as preocupações que nos assaltam, e façamos uma visita a uma catedral medieval.

A belíssima página que a seguir transcrevemos –– de Émile Male, um historiador francês de grande envergadura, especializado em história da arte — apresenta-se como um bálsamo para as feridas que em nossas almas abriu esta época na qual vivemos.

Ele nos fala da catedral medieval, especialmente a do século XIII, na França.

Temos a impressão de estar lendo um poema que faz voar nosso espírito para longe das maldições deste século: os horrores da luta de classes, o desvario a que se chegou a propósito dos chamados direitos humanos, as invejas, os escândalos que se atropelam uns aos outros, as perversões morais, o terrorismo, a contínua insegurança e tudo o mais.

Enfim, damos a palavra ao célebre autor. Dispensamos as aspas, pois só os intertítulos são nossos.

Catedral de Bayeux, em Calvados, França
Catedral de Bayeux, em Calvados, França
Na catedral inteira sente-se a certeza e a fé; em nenhum lugar a dúvida. Esta impressão de serenidade, a catedral ainda hoje no-la transmite, por pouco que queiramos prestar atenção.

Esqueçamos por um momento nossas inquietações, nossos sistemas. Vamos a ela.

De longe, com seus transeptos, suas flechas e suas torres, ela nos parece uma nau possante, partindo para uma longa viagem.

Toda a cidade pode embarcar sem temor em seus robustos flancos.

Aproximemo-nos. No pórtico, encontramos logo Jesus Cristo, como o encontra todo homem que vem a este mundo.

Ele é a chave do enigma da vida. Em torno d’Ele está escrita uma resposta a todas as nossas questões.

Ficamos sabendo como o mundo começou e como terminará; as estátuas, das quais cada uma é símbolo de uma idade do mundo, nos dão a medida de sua duração.

Pórtico central de Notre Dame de Paris
Pórtico central de Notre Dame de Paris
Todos os homens cuja história nos importa conhecer, nós os temos diante dos olhos — são aqueles que na Antiga ou na Nova Lei foram símbolos de Jesus Cristo — pois os homens só existem na medida em que participam da natureza do Salvador.

Os outros — reis, conquistadores, filósofos — são apenas sombras vãs. Assim o mundo e a história do mundo se nos tornam claros.

Mas nossa própria história vem escrita ao lado da história desse vasto universo.

Nós aí aprendemos que nossa vida deve ser um combate: luta contra a natureza a cada estação do ano, luta contra nós mesmos a todos os instantes, eterna psicomaquia.

Àqueles que bem combateram, os anjos, do alto do Céu, estendem coroas.

Há lugar aqui para uma dúvida, ou para uma mera inquietação de espírito?

Nave principal da catedral de Amiens
Nave principal da catedral de Amiens
Penetremos na catedral. A sublimidade das grandes linhas verticais atua logo de início sobre a alma.

É impossível entrar na grande nave de Amiens sem se sentir purificado. Unicamente por sua beleza, ela age como um sacramento.

Ali também encontramos um espelho do mundo. Assim como a planície, como a floresta, ela tem sua atmosfera, seu perfume, sua luz, seu claro-obscuro, suas sombras. [...]

Mas é um mundo transfigurado, no qual a luz é mais brilhante que a da realidade, e no qual as sombras são mais misteriosas. Sentimo-nos no seio da Jerusalém celeste, da cidade futura.

Saboreamos a paz profunda; o ruído da vida quebra-se nos muros do santuário e torna-se um rumor longínquo: eis aí a arca indestrutível, contra a qual as tempestades não prevalecerão.

Nenhum lugar no mundo pôde comunicar aos homens um sentimento de segurança mais profundo.

Catedral de Bristol, Inglaterra
Catedral de Bristol, Inglaterra

Isto que nós sentimos ainda hoje, quão mais vivamente o sentiram os homens da Idade Média!

A catedral foi para eles a revelação total. Palavra, música, drama vivo dos Mistérios, drama imóvel das imagens, todas as artes ali se harmonizavam.

Era algo além da arte, era a pura luz, antes que ela se tivesse diversificado em fachos múltiplos pelo prisma.

O homem confinado numa classe social, numa profissão, disperso, esmagado pelo trabalho de todos os dias e pela vida, nela retomava o sentimento de unidade da sua natureza; ele ali encontrava o equilíbrio e a harmonia.

A multidão, reunida para as grandes festas, sentia que ela era a própria unidade viva; ela tornava-se o corpo místico de Cristo, cuja alma se confundia com sua alma.

Os fiéis eram a humanidade, a catedral era o mundo, o espírito de Deus pairava ao mesmo tempo sobre o homem e a criação.

Nave central da catedral de Albi, França
Nave central da catedral de Albi, França
A palavra de São Paulo tornava-se uma realidade: vivia-se e movia-se em Deus.

Eis o que sentia confusamente o homem da Idade Média, no belo dia de Natal ou de Páscoa, quando os ombros se tocavam, quando a cidade inteira lotava a imensa igreja.


Harmonia entre as classes sociais

Símbolo de fé, a catedral foi também um símbolo de amor. Todos para ela trabalharam.

O povo ofereceu o que tinha: seus braços robustos. Ele se atrelava aos carros, carregava as pedras nas costas, tinha a boa vontade do gigante São Cristóvão.

O burguês deu seu dinheiro, o barão sua terra, o artista seu gênio. Durante mais de dois séculos, todas as forças vivas da França colaboraram: daí vem a vida possante que se irradia dessas obras.

Até os mortos associavam-se aos vivos: a catedral era pavimentada de pedras tumulares; as gerações antigas, com as mãos juntas sobre suas lápides mortuárias, continuavam a rezar na velha igreja. Nela, o passado e o presente uniam-se num mesmo sentimento de amor. Ela era a consciência da cidade. [...]

No século XIII, ricos e pobres têm as mesmas alegrias artísticas. Não há de um lado o povo e de outro uma classe de pretensos eruditos.

Catedral de Coutances, Normandia, França
Catedral de Coutances, Normandia, França
A igreja é a casa de todos, a arte traduz o pensamento de todos. [...] A arte do século XIII exprime plenamente uma civilização, uma idade da História.

A catedral pode substituir todos os livros.

E não é somente o gênio da Cristandade, é o gênio da França que desabrocha aqui.

Sem dúvida, as idéias que tomaram corpo nas catedrais não nos pertencem com exclusividade: elas são o patrimônio comum da Europa católica.

Mas a França aqui se reconhece em sua paixão pelo universal. [...]

Quando compreenderemos que, no domínio da arte, a França jamais fez algo de maior?

(Autor: Émile Mâle, L´Art religieux du XIIIe siècle en France, Le Livre de Poche, Paris, 1969, pp. 448 ss (primeira edição: 1898). Obra premiada pela Académie Française e pela Académie des Inscriptions et Belles-Lettres).



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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Um primeiro vislumbre da arte gótica medieval,
no Santo Sepulcro!

Ressurreição, composição artística.
Ressurreição, composição artística.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Quem visse o Santo Sepulcro, escavado na rocha, sabendo que Nosso Senhor Jesus Cristo na sua humanidade ali esteve sepultado, teria certa impressão.

Em nossos dias, estando o sagrado lugar encimado por uma igreja (a Basílica do Santo Sepulcro) — portanto, em que todo o ambiente encontra-se mudado —, gostaríamos de saber que impressão causaria, antes da Basílica, aquele abençoado lugar.

Para isso, é legítimo fazer o que Santo Inácio de Loyola recomenda nos “Exercícios Espirituais”: a “composição de lugar”.

Reconstituir o local — o Sepulcro — e a cena da Ressurreição. Assim, vou imaginar que impressão eu teria se lá estivesse.

Foi pensando nisso que encontrei explicação para os portais de pedra das catedrais góticas: uma enorme pedra na qual em oblíquo se tivesse talhado os contornos de um arco gótico.

Também talhadas na pedra as coluninhas, encimadas por pequenas imagens de santos com seus respectivos dosséis.

Quem vê os portais góticos, fica com uma ideia mítica da pedra sagrada que envolve o altar e o tabernáculo que guarda o Santíssimo Sacramento, o Homem-Deus.

Aquele conjunto forma um arco gótico lindo que atravessa várias espessuras da pedra.

Transpondo o arco gótico, fica-se com a impressão de que se atravessam vários séculos de História; várias fases do pensar e do sentir da Igreja; atravessam-se mil acontecimentos.

Mas que a pessoa não se dá bem conta de quais acontecimentos — e nisso está o mais interessante.

O Santo Sepulcro — a primeira ogiva gótica da História

Entrando no Sepulcro.
Composição artística com base em gravura de Gustave Doré (1832 — 1883)
Nesse sentido, eu imaginaria o Santo Sepulcro aberto na pedra, por ordem de José de Arimatéia, mas de um modo tosco.

Alguém que já conhecesse o gótico, olhando para a abertura na pedra, perceberia um arco prodigioso.

Quem não conhecesse o gótico — por exemplo, um homem do tempo de Nosso Senhor — não perceberia.

Mas um homem do período medieval perceberia, e vendo a abertura do Sepulcro exclamaria:

“É o gótico! É a primeira ogiva da História!”.

E isto apesar de aquela pedra bruta, na qual fora cavado o Santo Sepulcro, não ter a beleza, o aspecto leve e nem charme de um portal gótico.

De um lado, no gótico pode-se perceber a ogiva louvando o Filho de Deus, mas de outro lado, na lápide do Sepulcro, percebe-se a morte, a tragédia do deicídio.

É um contraste que alguém poderia dizer que é feio.

Mas é a justaposição da beleza e da morte, da virtude e do pecado.

Um cortejo para o sepultamento do Divino Redentor

Como se poderia imaginar a câmara funerária onde esteve sepultado Nosso Senhor?

Para exprimir isso, seria preciso imaginar uma rocha muito grande — mas não uma montanha tipo Himalaia —, ainda coberta de terra e plantas.

Entrando pela abertura cavada na rocha, haveria um corredor profundo, sem luz. Tudo inerte, dando ideia do âmago da morte.

Poder-se-ia imaginar um cortejo entrando naquele corredor levando o Sagrado Corpo de Nosso Senhor.

No cortejo, as pessoas levando archotes. A fumaça marcando o teto e as paredes daquela escavação ainda um tanto escura e tenebrosa.

No fundo, o lugar onde depositaram o Corpo Divino.

Composição artística com a suposta aparência do Corpo Santíssimo de Jesus no Sepulcro.
Fundo panteão real de Alcobaça, Portugal.
Pode-se imaginar Nossa Senhora, em cujo claustro esteve o Redentor, que O contempla morto e pensa no crime satânico que se cometeu com a Crucifixão.

Na aparência, a vitória fulgurante da impiedade, da vulgaridade, do pecado.

O Corpo de seu Filho ali está, aromatizado, mas isolado naquela escuridão.

Do Sagrado Corpo emana uma discretíssima claridade. Uma luz mantida por um anjo brilhava como um vitral de catedral gótica, mas apenas num dos cantos, deixando todo o resto na penumbra.

Com o tempo a luminosidade aumentaria, desdobrando-se em fosforescências cada vez mais bonitas, lembrando os tormentos da Paixão, mas também toda a vida do Redentor.

Primeiramente, Ele junto à Sagrada Família, depois os três anos de sua vida pública, o período de glória, os dias de perseguição, as apreensões, o Horto das Oliveiras.

Enfim, toda Vida, Paixão e Morte do Salvador desdobrando-se em luzes como numa narração. Nossa Senhora percebia tudo isso enquanto adorava o Sagrado Cadáver. Legiões de Anjos também O adoravam.

Ressurreição: Sepulcro transformado numa catedral feita de luzes

Ainda, nesta “composição de lugar”, podemos conceber, três dias após o trágico sepultamento, que algo de novo se passou dentro do Santo Sepulcro.

Em certo instante o corpo adorável daria sinais de vida. Aparece uma luminosidade extraordinária. Nosso Senhor se levanta com uma majestade indizível.

O Santo Sepulcro estaria transformado numa catedral feita de luzes.

A montanha como que se racha; os anjos rolam a pedra que fechava o Sepulcro; o ambiente torna-se festivo e triunfal.

Cristo ressurrecto, basílica de Ss. Pedro e Paulo, Malta. Fundo rosácea lateral da catedral de Chartres.
Cristo ressurrecto, basílica de Ss. Pedro e Paulo, Malta.
Fundo rosácea lateral da catedral de Chartres.
É a Ressurreição!

Nosso Senhor sai do Sepulcro com o braço direito levantado e os dedos em posição de quem ensina e abençoa, com ar de desafio vitorioso!

Ele aparece para Santa Maria Madalena. Mas é lícito imaginar que antes tenha aparecido ressurrecto para sua Santíssima Mãe.

Justificativa desse método de meditação

Esta seria uma modalidade de meditação, imaginando como transcorreu a Ressurreição.

Conforme a piedade e o modo de ser de cada um, poder-se-ia imaginá-la de modos diversos.

A validade desse método imaginativo é inegável, porque como esses acontecimentos constituíram fatos perfeitos, tinham eles todas as excelências que estamos imaginando e ainda muitas outras.

Se todos os católicos da Terra até o fim do mundo meditassem sobre a Ressurreição, haveria uma prodigiosa unidade de pensamento em torno do magno acontecimento da História Universal, apesar de cada um individualmente meditar o mesmo fato central, porém imaginando as cenas de modo diferente.

Podemos assim, conservando o núcleo da realidade objetiva do sublime acontecimento, enriquecê-lo com um misto de imaginações, reflexões, deduções da fé, bem como de revelações de santos e de pessoas virtuosas.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência durante a Semana Santa de 1981 e publicado na edição de março de 2012 de Catolicismo)




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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Catedral neogótica no coração da Ásia muçulmana
é “potente sinal de evangelização”

Nova catedral de Karaganda, Cazaquistão, Ásia Central. O bispo optou pelo estilo neogótico porque mais conforme com a sacralidade da casa de Deus.
Nova catedral de Karaganda, Cazaquistão, Ásia Central.
O bispo optou pelo estilo neogótico porque mais conforme com a sacralidade da casa de Deus.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em 9 de setembro de 2012 foi consagrada a catedral da diocese de Karaganda, no Cazaquistão, em uma solene celebração presidida pelo Cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício e Legado Pontifício para a consagração. O fato foi noticiado em seu momento pela agência Zenit

Em estilo neogótico, a catedral foi pensada e desejada pelos bispos D. Jan Pawel Lenga e D. Athanasius Schneider, então titular e auxiliar daquela diocese, respectivamente.

O Cazaquistão é um país esmagadoramente muçulmano no coração das estepes da imensa Ásia. Os católicos constituem uma minoria: 1 ou 2% da população.

Por que os bispos escolheram esse estilo?

D. Athanasius Schneider explicou que a diocese de Karaganda utilizava um edifício construído durante os tempos em que no local funcionava um sinistro campo de concentração comunista. Não se podia reconhecer exteriormente que era uma igreja.

A nova catedral foi erigida em lugar central e num estilo inconfundivelmente católico, isto é, o neogótico.

Para o bispo, com esse estilo o prédio vai ser um sinal silencioso, mas poderoso, e um meio de evangelização.

A arquitetura da nova catedral e os objetos contidos em seu interior foram escolhidos para expressar uma verdadeira beleza artística, a sacralidade e o sentido do sobrenatural.

Altar da catedral de Karaganda.
Altar da catedral de Karaganda. Beleza do estilo atrai pagãos e cismáticos.
Tudo isso é próprio a estimular o sentimento religioso e a fé nos fiéis, como também a exprimir a adoração devida à Santíssima Trindade.

É igualmente adequado à prática exímia do primeiro mandamento, que é a finalidade última da criação: a adoração e glorificação de Deus.

Além do mais, a nova catedral é um lugar sagrado em memória das inúmeras vítimas do regime comunista, que havia instalado perto de Karaganda um dos maiores e mais terríveis campos de concentração, onde padeceram pessoas de mais de 100 etnias diferentes.

As autoridades civis e a população, que, como dissemos, são maioritariamente muçulmanas e cismáticas, se sentiram honradas por terem em sua cidade uma construção de extraordinária beleza arquitetônica e de alto significado cultural.

As autoridades civis consideram a nova catedral como um gesto da Igreja Católica em favor da promoção da cultura, acrescentou D. Athanasius.

Com uma estética neogótica verdadeiramente sacra e recheada com obras de arte, a nova catedral proclama o primeiro dever da Igreja: dar a Deus encarnado o primeiro lugar, bem visível.

Porque Deus se fez presente com a Encarnação e na Eucaristia, devemos oferecer em Sua honra a beleza artística. Como Autor de toda a beleza, Ele merece receber obras verdadeiramente belas da parte dos fiéis.

Quando Maria Magdalena ofereceu em honra de Cristo um vaso de perfume precioso de preço extraordinariamente grande (“mais de trezentos denários”, cf. Mc 14, 4), alguns se indignaram pelo “desperdício de bálsamo”.

Jesus, porém, louvou este santo desperdício dizendo: “Deixai-a. Por que a molestais? Ela me fez uma boa obra. Vós sempre tendes convosco os pobres e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; mas a mim não me tendes sempre. Ela fez o que pode: embalsamou-me antecipadamente o corpo para a sepultura”. São Marcos, 14, 6-8)

Também hoje se deve continuar a fazer o “santo desperdício” em honra de Jesus, explicou o bispo.

Muitas pessoas não católicas, e até não cristãs, visitaram a nova catedral e ficaram atraídas pela sua beleza.

“Houve mesmo algumas mulheres não cristãs que até choraram de emoção diante de mim.

“Certa vez, mostrei e expliquei durante meia hora a catedral para um jovem casal não cristão, com todos os pormenores da arte e das coisas sacras.

“Quando terminei e depois de sairmos da catedral, essa mulher não cristã me disse: ‘Nesta meia hora purifiquei a minha ama. Posso vir cá outra vez sozinha? É que quero admirar no silêncio estas coisas belas’.

“Ao que eu respondi: ‘Certamente. Pode voltar todas as vezes que quiser’.

Beleza da catedral de Karaganda converte as pessoas
Beleza da catedral de Karaganda converte as pessoas
“Nessa meia hora, com a minha explicação de uma arte sacra e bela, consegui dar uma lição sobre a verdade da fé católica.

“A reação de quase todas as pessoas que até agora visitaram a catedral, e especialmente das pessoas não cristãs, foi espontânea e neste sentido: admiração, silêncio, abertura ao sobrenatural.

“Constatei em todos esses casos que a verdade da alma humana é naturalmente cristã, como disse Tertuliano.

“Deus inscreveu na alma humana a capacidade para conhecê-Lo e venerá-Lo. O dever dos católicos é de conduzir essas almas, assim abertas em relação à fé e à adoração sobrenatural, para a adoração de Cristo, da Santíssima Trindade, e assim conduzir as almas ao Céu.

“Nas grandes portas de bronze à entrada da catedral estão escritas estas palavras da Sagrada Escritura: ‘Esta é a casa de Deus, esta é a porta do céu’ (Domus Dei-porta coeli).

“Essas palavras sagradas são, por isso, um mote muito adequado para esta catedral, isto é, para esta obra visível de evangelização, como o são também para toda a obra da evangelização”.




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quarta-feira, 29 de março de 2017

Catedral de São Marcos, VENEZA:
“Igreja Católica é isto! Ó Igreja Católica!”

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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É noite em Veneza. Na Praça de São Marcos a onda de turistas está ausente, os pombos estão dormindo, a catedral apresenta-se em sua majestosa solidão.

Esplendidamente iluminada, deixando perceber o branco reluzente do mármore, seus pormenores e a linha geral do conjunto.

Nesta magnífica catedral de São Marcos distinguem-se três profundidades.

Em primeiro lugar as arcadas, que têm como centro um arco maior apresentando magnífico mosaico, e acima dele um terraço.

Em seguida a parte superior desse primeiro corpo do edifício, com uma espécie de ogiva central muito grande.

Nela se percebem os famosos cavalos, dois torreões, e de cada lado ogivas bem abertas encimadas com figuras.

A terceira parte é constituída pela cúpula da catedral e algumas torrezinhas.

A iluminação ressalta a parte branca do edifício, que assim parece constituída de tijolinhos de açúcar.

Mas notam-se também sombras cheias de mistério nessa esplêndida galeria de arcos do andar térreo.

Diante desta catedral, forma-se em nossa mente uma impressão marcante: o espírito de fé com que ela foi construída.

E, a partir desse espírito de fé, a aspiração do maravilhoso e do grandioso manifestada em louvor de São Marcos.

É uma das mil cintilações deslumbrantes do espírito católico, levando-nos a exclamar:

“Igreja Católica é isto! Ó Igreja Católica!”.



(Fonte: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, 11/01/1989.  Excertos sem revisão do autor.)





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