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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O entusiasmo religioso na construção da catedral de Chartres

Como foram feitas as catedrais medievais? O renomeado historiador da arte Émile Mâle descreve alguns aspectos do ambiente de fervor na construção da catedral de Chartres, de causar admiração. Eis o texto:

A história da catedral de Chartres, aquela que temos sob os nossos olhos, marcou o início do século XII.

A velha catedral, que havia sido levantada pelo bispo D. Fulberto (952-970 –1028) nos primeiros anos do século XI e que fora restaurada por Santo Ivo (1040 – 1115), ainda estava de pé, mas começando a parecer modesta demais.

As gerações heroicas que fizeram as cruzadas tinham o amor da grandeza. Um pouco antes da metade do século XII, deliberaram levantar um campanário isolado a alguma distância da fachada.

Aconteceu que, no século XII, da mesma maneira que nos tempos antigos, a torre foi concebida como edifício separado que não se ligava ao resto da igreja.

Esta foi a origem da torre norte, que Jean de Beauce completou no século XVI com uma flecha de estilo gótico flamejante.

Mas logo o senso da simetria levou a reproduzir, fazendo pendant do lado sul, um campanário similar. Decidiu-se que as duas torres já não mais ficariam isoladas, mas reunidas à catedral, que seria ampliada até encontrá-las.

Finalmente, decidiu-se construir, mais além da antiga fachada do século XI, uma outra, muito mais magnífica, que seria embelezada com esculturas e que tornaria a catedral verdadeiramente digna de Nossa Senhora.

Esta fachada deveria aparecer por trás das duas torres, que a emoldurariam com sua poderosa projeção e a banhariam com uma meia luz propícia para ressaltar o mistério das esculturas.

Tal era a intenção primitiva da nova fachada que alguns anos depois foi mudada para frente e reedificada entre as duas torres.

O entusiasmo das multidões

Essas altas torres, que se erguiam em louvor de Nossa Senhora, suscitaram na região de Chartres um entusiasmo que nos pareceria inacreditável se não fosse atestado por muitos relatos contemporâneos.

Nós entrevemos aqui algo do gênio do século XII, que é um dos grandes séculos de nossa história.

Em 1144, Robert de Torigni, abade do Monte Saint-Michel, escreveu em sua Crônica:

“Neste ano, se viu em Chartres fiéis que se atrelavam a carros carregados com pedras, madeira, trigo e tudo o que poderia ser usado nos trabalhos da catedral, cujas torres cresciam como por arte de magia. O entusiasmo tomou conta da Normandia e da França: em todos os lugares se viam homens e mulheres arrastar fardos pesados através de pântanos lamacentos; por toda parte se fazia penitência, em todo lugar perdoavam-se os inimigos”.

Robert de Torigni nos assegura que o exemplo veio de Chartres, e nada é mais exato.

Em uma carta escrita no ano seguinte, Haimon, abade de Saint-Pierre-sur-Dives, confirma ponto por ponto esta narração. Ele conta aos monges ingleses de Tutbury os eventos extraordinários que aconteciam nesse momento sob seus olhos na Normandia.

“Acabam de formar-se confrarias – disse-lhes – à imitação daquela que nasceu na catedral de Chartres. Vemos milhares de fiéis, homens e mulheres, se atrelarem a pesados carros carregados com tudo o que é necessário para os operários: madeira, cal, vinho, trigo, óleo. Entre aqueles servos voluntários há senhores poderosos e mulheres de nobre berço. Entre eles reina a mais perfeita disciplina e um profundo silêncio. Durante a noite, eles se reúnem num acampamento com suas charretes, o iluminam com velas e entoam cânticos. Eles trazem seus doentes, na esperança de que serão curados. Está estabelecida a união dos corações; e se alguém está tão endurecido que não perdoa seus inimigos, a sua oferenda é removida da charrete como algo impuro, e ele próprio é expulso com nota de ignomínia da sociedade do povo santo”.

No mesmo ano de 1145, uma carta de Hugo, arcebispo de Rouen, dá a conhecer a Thierry, bispo de Amiens, eventos em tudo similares. Ele lhe informa que os normandos, tendo ouvido falar do que estava acontecendo em Chartres, ficaram determinados a imitar aquilo que tinham visto. Eles constituíram associações e, após terem confessado seus pecados, se atrelaram às carroças sob a liderança de um chefe.

“Nós permitimos – acrescenta o arcebispo – a nossos diocesanos praticarem esta devoção em outras dioceses”. Esta preciosa passagem nos prova que muitas outras igrejas, cujos nomes ficaram desconhecidos para nós, foram construídas dessa maneira.

A fecundidade artística do século XII tem qualquer coisa de prodigioso. Há na França vastas regiões onde quase não há uma igreja de aldeia que não remonte ao século XII.

Ficamos espantados quando pensamos em todo o talento, todo o trabalho e todos os recursos empregados para realizar essa imensa obra.

Houve então um impulso de fé, de abnegação, um espírito de sacrifício, do qual a construção das torres de Chartres é o mais belo exemplo.

Video: construção da catedral Notre Dame de Paris




(Autor: Émile Mâle, da Académie Française, Notre-Dame de Chartres, Flammarion, Paris, 1994, 190 páginas, p.23-26.)


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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Estrasburgo: “Quem lhe disse isso?” ‒ “A própria torre!”


Das Memórias do poeta alemão Goethe:

Um outro fatinho me roubou os últimos dias. Eu estava numa casa de campo, em companhia de pessoas agradáveis, e dali se podia ver a parte anterior de um convento e a torre [da catedral de Estrasburgo] que sobressaía majestosamente.

Alguém comentou: “Pena que não está tudo terminado e que só tenhamos a torre para ver!”

Eu, porém, disse: “Também me causa pena que não se possa apreciar essa torre inteiramente; pois as quatro volutas são muito desajeitadas e melhor seria que houvesse, no lugar delas, quatro torrezinhas esguias, bem como uma mais alta no meio, onde está aquela cruz pesadona”.

Quando fiz esse comentário com minha costumeira simplicidade, um homenzinho vivaz se voltou para mim e disse:

‒ “Quem lhe disse isso?”

Respondi: “A própria torre! Eu a tenho contemplado tantas vezes, com tanta atenção, e lhe tenho demonstrado tanta veneração, que ela um dia me confessou esse segredo evidente”.

Então, aquele homenzinho me replicou:

‒ “Ela o informou com toda a exatidão! Eu sei isso muito bem, pois sou o encarregado da construção do edifício. Tenho em meus arquivos a planta original e esta confirma o que o senhor diz, e posso mostrar-lhe”.

Por causa da minha viagem, pedi que ele fizesse aquela amabilidade a todo vapor.

Ele mandou trazer a planta valiosa.

Reconheci imediatamente as torrezinhas que faltavam e que estavam desenhadas a óleo na planta e lamentei não ter sido informado disso antes.

Mas comigo acontece sempre isso: quando contemplo e analiso as coisas, só muito depois e com muito esforço é que chego a um conceito princeps que não me seria tão notável e frutífero quanto se o tivessem explicitado antes para mim!



Fonte: Johann Wolfgang von Goethe, das memórias autobiográficas, publicadas sob o título Dichtung und Wahrheit (Poesia e verdade), in Goethe – Werke in vier Bünden, Caesar Verlag, Salzburg, 1983, vol. 1, Parte III, Livro 11, p. 190. Apud “A inocência primeva e a contemplação sacral do universo no pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira”, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, São Paulo, 2008, p. 50.




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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Rocamadour, santuário símbolo de fé
encravado na rocha – 2

Continuação do post anterior

O fato é que, 400 anos depois da sua descoberta, o corpo continuava intacto, como testemunha uma paroquiana falecida em 1632, que viu o corpo glorioso de santo Amadour “todo inteiro, em pele e osso, como no dia em que ele morreu”.

Essa piedosa centenária também foi testemunha da tentativa frustrada dos protestantes huguenotes, que queriam fazer uma grande fogueira para queimar o corpo do santo. “Mas Deus não o permitiu”. Entretanto, eles fizeram em pedaços a urna de prata e roubaram o precioso tesouro.

No espírito das pessoas do povo, o fiel servidor de Maria Santíssima esperava assim o dia da ressurreição dos mortos. E se voltavam para a Virgem Negra, que realizava tantos milagres. Ela é apresentada como o Trono da Sabedoria encarnada, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, que Ela tem sobre seus joelhos.

Um livro do santuário contém 126 relatos de milagres atribuídos a Nossa Senhora de Rocamadour, delicadamente ilustrados com desenhos representando as cenas de tais milagres.

Cravada diretamente no rochedo, junto à entrada do santuário, vê-se a legendária espada de Roland, que o fiel par do Imperador Carlos Magno teria vindo oferecer a Nossa Senhora de Rocamadour.

Abençoado e maravilhoso local de peregrinação

Rocamadour é fascinante sob vários pontos de vista. Poderíamos descrever as suas maravilhas, por exemplo do ponto de vista da sociedade orgânica. Mas o espaço nos põe limites. Restrinjamo-nos ao aspecto religioso, às peregrinações.

Rocamadour é uma fonte de graças. Por isso atraiu santos, reis e príncipes. E continua a atrair até hoje toda espécie de peregrinos, sobretudo os que estão cansados da banalidade do mundo moderno e procuram, fugindo do deserto das megalópoles modernas, um oásis que lhes sacie a sede de algo maravilhoso e espiritual.

Cravada diretamente no rochedo, junto à entrada do santuário, vê-se a legendária espada de Roland, que o fiel par do imperador Carlos Magno teria vindo oferecer a Nossa Senhora de Rocamadour.

Por ali passaram peregrinos célebres: São Bernardo (por volta de 1147); São Domingos (1219); Cristóvão da Romanha, companheiro de São Francisco de Assis, Santo Engelberto (1216 e 1225); Santo Antonio de Pádua ou de Lisboa, que combateu os cátaros e fundou um convento em Brive-la-Gaillarde; Henrique II da Inglaterra (1159 e 1170); Filipe da Alsácia, conde de Flandres (1170); São Luís IX, rei de França, com seus três irmãos e sua mãe, Branca de Castela (1244); e outros soberanos, dos quais o último foi Luís XI, filho de Carlos VII (1443 e 1463).

Rocamadour e a batalha de Navas de Tolosa

Segundo uma crônica do monge Alberico, havia em Rocamadour um religioso sacristão ao qual Nossa Senhora apareceu em três sábados sucessivos, tendo na mão um estandarte dobrado. A Virgem ordenou-lhe que, de sua parte, levasse o estandarte ao “pequeno rei de Espanha”, que devia combater os sarracenos.

O sacristão alegou o pouco de consideração ligada à sua pessoa: não dariam crédito às suas palavras, disse. Sua recusa foi o sinal de que morreria ao terceiro dia.

O prior de Rocamadour recebeu o encargo de cumprir o mandato, ao qual estava ligada a ordem de não desfraldar o estandarte antes do dia do combate e, ainda nesse dia, antes de uma necessidade premente. O sacristão morreu depois de dar conhecimento dessa revelação

O prior executou fielmente o mandato e compareceu em pessoa ao campo de batalha.

Esse estandarte levava a imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços. Ela tinha a seus pés o símbolo que o rei de Castela, chamado o “pequeno rei”, costumava ter no seu próprio estandarte.

O “pequeno rei” de Castela era Afonso VIII. Corria o ano de 1212. Os mouros ocupavam grande parte da Espanha e os reis de Castela, Navarra e Aragão se uniram para rechaçar o inimigo.

Afonso VIII assumiu a direção das operações militares contra o emir Al-Nacir, perto de Las Navas de Tolosa.

Os muçulmanos eram cinco vezes mais numerosos. O combate se engaja, a vanguarda cristã é esmagada, a segunda linha desfeita, o resultado parece fatal…

O estandarte de Rocamadour é então desfraldado e mostrado a todos os guerreiros. Os católicos enchem-se de coragem e põem em fuga o emir e as suas tropas.

A vitória cristã estava assegurada pela intervenção de Maria Santíssima!

Rocamadour e a epopeia de Santa Joana d’Arc

Dois séculos mais tarde, a Europa cristã está em plena decadência, vítima do processo magistralmente descrito por Plinio Corrêa de Oliveira em sua obra-mestra Revolução e Contra-Revolução.

A Providência divina, sempre misericordiosa, envia sinais de advertência. A peste negra é um deles. A guerra dos Cem Anos, outro. Em consequência desta última, os ingleses ocupam boa parte do território francês a oeste e ao norte do país.

Em 1428, Carlos VII, rei sem coroa, sem exército, sem recursos e sobretudo sem virtude à altura da situação desesperadora, envia com sua esposa Maria de Anjou carta ao Papa Martinho V, pedindo-lhe que recorra a Nossa Senhora de Rocamadour.

O Papa concede um jubileu extraordinário por um período de dez anos. Isso corresponde ao que na França se chama um “grande perdão”, pelos quais as pessoas que visitam determinado santuário obtêm indulgências e graças especiais, concedidas por Deus em virtude do “poder das chaves” que Jesus Cristo deu a São Pedro.

Como resultado, grandes multidões, inclusive de ingleses, afluíram ao santuário de Rocamadour. Em 1429, aparece uma donzela enviada pelo Rei dos Céus para expulsar os ingleses do Reino e fazer coroar Carlos VII rei da França. Este não acredita.

Mas Joana d’Arc lhe diz coisas de sua vida íntima que ninguém poderia saber. Por fim, Carlos VII cede e começa a epopeia bem conhecida da reconquista do reino por Santa Joana d’Arc.

A situação atual do que foi a Cristandade e a da própria Igreja Católica é incomparavelmente mais grave do que a do século XIV.

Hoje, o inimigo não só derrubou todas as muralhas e cativou todos os habitantes, mas conquistou até mesmo os que detêm os mais altos cargos de influência no plano temporal e mesmo elevados cargos na ordem eclesiástica, sem falar nos meios de comunicação, nas finanças e outros instrumentos de poder.

Supliquemos a Nossa Senhora de Rocamadour que nos socorra nesta circunstância a todos os que estamos desamparados, e em condições de tal inferioridade material que só com o auxílio celeste podemos triunfar sobre os inimigos da Igreja e da civilização cristã.

Fonte: Revista Catolicismo, nº 763, Julho/2014




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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Rocamadour, santuário símbolo de fé
encravado na rocha – 1

Wilson Gabriel da Silva

Pouco mais que uma aldeia, Rocamadour surge como um sonho das neblinas do vale. Se o célebre Monte de São Miguel – le Mont St-Michel, diz-se na França – aparece como uma montanha sagrada apontando para as nuvens, Rocamadour brota das entranhas da terra e das próprias pedras em busca do céu. Não é sem razão que Rocamadour significa “o rochedo de Amadour”.

Mas, quem foi Amadour, aliás, Santo Amadour?

Segundo a tradição ou a legenda (pois os documentos são escassos), Amadour não foi outro senão Zaqueu, o publicano do Evangelho.

Se a antiga Gália, depois reino de França, tornou-se a filha primogênita da Igreja, não foi sem razão. Para o seu território migraram vários discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo, entre eles Lázaro, o ressuscitado, e suas irmãs Marta e Maria, a Madalena, os quais desembarcaram em Saintes-Maries-de-la-Mer, antigo porto perto de Marselha.

O evangelho de São Lucas é bastante claro: Zaqueu era rico, o que não o torna simpático aos demagogos da pobreza, tão em voga em nossos dias…

Depois da Paixão e Morte de Nosso Senhor, ele teria servido a Nossa Senhora. E, aconselhado por Ela, tomado o destino de outros emigrantes da Terra Santa, indo buscar refúgio na Gália.

Uma legenda diz que Zaqueu teria-se casado com a Verônica, que enxugou a Sagrada Face de Jesus durante a Paixão. E que, após a morte da esposa, teria procurado a solidão para viver como eremita em alguma caverna a meia altura das paredes rochosas de um desfiladeiro, em cujo leito corre um pequeno riacho.

Esse canyon rasga as colinas de um planalto árido e pedregoso — que os franceses chamam Causses — entre os rios Dordogne e Lot.

Sobre a vida de Zaqueu ou Amadour, entretanto, pouco se sabe, a não ser que viveu e morreu naquele lugar ermo, conforme notícia que vinha de boca a ouvido desde tempos imemoriais.

Sabia-se que o santo estava enterrado naquelas rochas, mas não se conhecia o lugar exato.

O corpo incorrupto e o culto a Nossa Senhora

No século XII, veio contudo à luz o primeiro documento sobre o assunto. O abade do Monte São Miguel, Robert de Torigny, relata numa crônica consagrada à peregrinação do rei da Inglaterra, Henrique II, o Plantageneta, que “no ano da Encarnação de 1166, um habitante do lugar, estando nos seus derradeiros momentos, mandou aos seus, sem dúvida inspirado por Deus, sepultar seu cadáver à entrada do oratório” (que existia no lugar onde hoje se encontra o santuário de Rocamadour).

“Ao cavar a terra
, prossegue o abade, encontrou-se o corpo bem inteiro (ou seja, incorrupto) de Amadour; ele foi colocado na igreja, junto do altar, e assim é mostrado aos peregrinos”.

Vê-se, pela crônica, que no século XII, quando o corpo foi encontrado, já havia um verdadeiro culto ao santo, que o povo ligou logo ao de Nossa Senhora, da qual ele foi fiel servidor. Com efeito, o culto à Virgem Negra de Rocamadour vem de tempos imemoriais.

A expressão deve-se à cor negra da rústica estátua da Virgem Santíssima, venerada no santuário encravado na rocha.

Alguns especialistas se perguntam se a estátua não seria pintada, como no tempo dos romanos, e se a sua aparência atual, bastante rústica, não se deve ao descoramento da camada de pintura que talvez tenha existido outrora.

A explicação não passa, entretanto, de mera conjectura. De qualquer modo, o certo é que naquele lugar insólito formou-se, durante a Idade Média, uma encantadora aldeia, que ainda em nossos dias testemunha a glória de Zaqueu ou Amadour.

Seu corpo, sabe-se de ciência certa, está incorrupto e nunca apodreceu”, recitavam os trovadores no século XIII. “Em pele e osso como Amadour”, diz um provérbio de Liège, que por vezes ainda se ouve em nossos dias.

continua no próximo post




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quarta-feira, 23 de julho de 2014

AACHEN 2: catedral de insignes relíquias e do trono de Carlos Magno


Continuação do post anterior


Carlos Magno enriqueceu a catedral de Aachen com relíquias extraordinárias.

Na urna da Santíssima Virgem Maria (Marienschrein) se encontram a túnica que Nossa Senhora usou no Natal, os panos com que envolveu o Menino Jesus, o tecido menor que Cristo usou durante a Crucifixão, e o tecido em que foi envolvida a cabeça de São João Batista após sua decapitação.

Numa outra urna (Karlsschrein) igualmente rica e de análogo estilo se conservam os ossos do próprio Carlos Magno. Esses ossos foram objeto de uma longa e severa análise que confirmou sua autenticidade.

Veja mais em: Reconhecidos os ossos do “Pai da Europa”: Carlos Magno

quarta-feira, 9 de julho de 2014

AACHEN: catedral intimamente ligada a Carlos Magno e ao Sacro Império


Uma cidade fundada pelos romanos no século I em virtude das águas termais do local haveria de se transformar numa das capitais mais célebres da Europa, hoje em território da Alemanha próxima à fronteira da Bélgica e dos Países Baixos.

Os romanos a batizaram de Aquae-Grani (de que derivou Aquisgrano ou Aquisgrão em português; Aachen em alemão e Aix-la-Chapelle em francês), porque os romanos tinham a superstição de que o deus Apolo Grano protegia os banhos.

Pepino o Breve, rei dos francos, gostava muito da cidade e erigiu nela uma capela para custodiar preciosas relíquias.

Seu filho Carlos Magno – que provavelmente nasceu em Aachen no ano 742 e que nela veio a falecer em 28 de Janeiro de 814 – fez dela a capital do Sacro Império Romano-Germânico.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Catedral de AACHEN (Aquisgrão):
“nossa conversação está no Céu”


O que dizer dessa catedral?

O melhor comentário é: Oh!

O que significa esse oh!?

Significa: Oh!, preciosidade! Oh!, tesouro!

Oh!, símbolo de alguma coisa que eleva minha alma para os mais altos píncaros!

Oh!, catedral!

Analisando-a, parece ela um amontoado de torres, de capelas e de cúpulas, colocadas mais ou menos sem reflexão.

Mas de seu conjunto se desprende uma tal harmonia, que fico verdadeiramente maravilhado!

Harmonia que tem isto de curioso: tudo aponta para cima. Dir-se-ia que a catedral exclama: "Conversatio nostra in cœlo est" (Nossa conversação está no Céu).