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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Mont Saint-Michel, moradia do Príncipe da Milícia Celeste

Luis Dufaur
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Em 966, a pedido do duque da Normandia, os monges beneditinos instalaram-se no Monte São Miguel.

O Monte é um promontório numa bahia, e construíram uma igreja onde até então havia uma capela.

No século XI, nova e magnífica igreja abacial ergueu-se no cume do rochedo, sobre um conjunto de criptas: os medievais a viam como figura da Jerusalém celeste.

Em 1204, uma parte da abadia foi destruída por um incêndio.

No mesmo ano o rei Filipe Augusto, avô de São Luís, venceu definitivamente os normandos, anexando o ducado à Coroa de França.

Para manifestar sua gratidão por essa conquista, fez uma doação à Abadia de São Miguel, o que permitiu a construção do conjunto gótico hoje conhecido como “a Maravilha”, em lugar do que fora destruído no incêndio.






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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Catedral de ORVIETO:
Feeria de cores numa fachada gótica


Luis Dufaur
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Estamos diante de uma feeria de cores sobre uma fachada estritamente gótica!

Trata-se da fachada da célebre Catedral de Orvieto, na Itália.

A rosácea – a única que existe na fachada – fica dentro de um quadrado, o qual não se diria bem exatamente gótico.

Há nele qualquer coisa de clássico, mas que se encaixa tão perfeitamente dentro do estilo gótico que não se tem o que reparar.

A cor escolhida é a mais esplendorosa das cores: o ouro.

Toda a fachada apresenta um fundo de mosaico dourado.

É um mosaico de tal qualidade, tão rutilante e tão magnífico, que sendo esta igreja do século XIV, tem-se a impressão que sua construção terminou ontem.

Nesse sentido, ela não apresenta a poesia do granito, o qual fica mais belo à medida que envelhece.

O velho granito que desafia todos os tempos e todas as intempéries, tem a sua beleza.

Ele fala da eternidade na medida em que resiste ao tempo e afirma a sua existência contra o tempo.

Passam as eras, mas o granito fica.

A Catedral de Orvieto, pelo contrário, apresenta-se como que concluída ontem.

Os invernos e as tragédias da História passaram por ela, sem a atingir em nada.

Ela permanece magnífica, esplendorosa.

O mosaico de Orvieto se reporta para a eternidade no sentido que ignora o tempo.

Não resiste a este porque não tem nada a ver com ele.

O tempo não o atinge. O mosaico está lá e está acabado!

Nesse mosaico vêem-se vários grupos humanos.

Em cima, uma cena: a da Coroação de Nossa Senhora.

Depois, à direita e à esquerda da rosácea, outros agrupamentos.

No alto das portas – quer dentro, quer fora das ogivas –, figuras coloridas também.

O colorido está por toda parte.

Não são cores de estardalhaço, mas são todas cores muito vivas.

Quem fez isso não tinha o gosto das cores pálidas e discretas.

Estas têm a sua beleza que se perdem umas nas outras e se confundem ou se fundem umas com as outras, mas não é a beleza que está aqui.

Aqui estão as cores definidas, que têm vida própria.

De tal forma que cada grupo é uma sinfonia de cores especiais.

Assim, a beleza do colorido aplicado sobre a fachada de linhas góticas nos dá a ideia do que seria uma síntese entre forma e cor.

Desenho e cores sublimes

Velha disputa entre os artistas. O que apresenta mais esplendor: a forma ou a cor?

Num quadro, o que é mais notável: o desenho ou o colorido?

A esse respeito há duas grandes escolas de arte italianas divergentes entre si.

A escola florentina toda feita de desenho, pobre intencionalmente de colorido para que o desenho ressalte, e a escola veneziana, magnífica em coloridos e tendo apenas o desenho necessário com o intuito de dar pretexto para as cores se mostrarem.

Antes dessas duas escolas se diferenciarem e polemizarem, já havia uma magnifica síntese das duas na Catedral de Orvieto.

Beleza inatacável transcende menosprezo dos homens

Nota-se a quantidade de trabalho em pedra; nas coluninhas, na rosácea, no quadrângulo, nos florões, nos rebordos.

Os homens que construíram essa Catedral eram homens que trabalhavam sem pressa de acabar e que morriam em paz diante da igreja inacabada, certos de que as gerações futuras haveriam de concluir sua construção.

Esta é uma igreja inatacável em sua beleza. Não vejo que seja possível fazer qualquer reparo, qualquer reserva em relação a ela.

Pode-se preferir outras. Depende do gosto individual, mas impugnar esta igreja em algo, não vejo que seja possível.

Ela está isolada no meio dos outros edifícios, como que dizendo:

“Vós me ignorais mas também eu vos ignoro. Se não quereis olhar-me e não quereis reconhecer a minha beleza, ela aqui está de pé para vos julgar. Um dia prestareis contas ao Juiz eterno. Quanto a mim, a minha conversa é com o sol, com a lua e com o vento...”.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 23.1.1981. Excertos de palestra sem revisão do autor).







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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

São João de Latrão e São Pedro: duas basílicas romanas — duas fases distintas da Igreja Católica

Basílica de São Pedro
Basílica de São Pedro
Luis Dufaur
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No nosso blog nós estamos destacando as catedrais medievais em seus dois estilos predominantes: o românico e o gótico, com suas inúmeras variantes e estilos conexos.

Mas isso não implica menosprezo pelos valores dos estilos católicos de outras épocas.

Neste post queremos tratar das basílicas romanas de São João de Latrão e de São Pedro que representam duas fases distintas da história e do espírito da Igreja Católica.



quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Catedral de COLÔNIA: o inimaginável e o sonhado


Luis Dufaur
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Sempre que vejo a fachada da Catedral de Colônia, percebo no mais fundo de minha alma o encontro de duas impressões aparentemente contraditórias.

De um lado, é uma realidade tão bela que, se eu não a conhecesse, não seria capaz de sonhá-la.

Mas, de outro lado, algo diz em meu interior: essa catedral deveria mesmo existir!

E essa fachada inimaginável é para mim, ao mesmo tempo, paradoxalmente, uma velha conhecida...

É como se eu toda a vida tivesse sonhado com ela.

O inimaginável e o sonhado se encontram nessa contradição.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Abadia de Jumièges: onde a oração dos monges atraia as bênção de Deus para perdoar a humanidade pecadora

Jumièges, na Normandia, França
Jumièges, na Normandia, França
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Abadia de Jumièges: em pé atraia as bênçãos de Deus. Hoje em ruínas, quem reza por nós?



À margem da história da abadia, ocorreu a história da Normandia. Em 1066, Guilherme, chamado o bastardo, conquistou a Inglaterra.

Por isso é conhecido como Guilherme, o Conquistador, tendo grande parte da nobreza inglesa origem normanda. Mais tarde alguns de seus descendentes se ilustrariam nas Cruzadas, como Ricardo Coração de Leão.

Outro normando igualmente conquistador foi Roberto de Hauteville, dito Roberto Guiscard, que organizou uma expedição à Itália meridional para arrebatar todo o sul da península aos bizantinos e a Sicília aos sarracenos.

Assim, as espadas de antigos bárbaros serviram à Cristandade contra os infiéis.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Abadia de Jumièges: em pé atraía as bênçãos de Deus.
Hoje em ruínas, quem reza por nós?

A neve acumulada sobre as ruínas da abadia fala do esfriamento na fé e do esquecimento de Deus
A neve acumulada sobre as ruínas da abadia
fala do esfriamento na fé e do esquecimento de Deus
Luis Dufaur
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Enriquecido às portas de Paris pelas verdes águas de seu principal afluente oriundo do Leste, o rio Marne, o Sena serpenteia preguiçosamente a partir da capital francesa rumo ao mar, passando pela bela e vetusta capital da Normandia: Rouen, fundada no século II.

Nesse trecho final, suas imponentes falésias de calcário branco formam um verdadeiro paredão junto a sua margem direita, dando abrigo a inúmeras habitações ditas “trogloditas”, como as denominam os franceses modernos. Muitos ali fazem suas caves, depósitos, moradias, e até igrejas.

Normandia! Uma das mais belas e típicas regiões da França, com suas lindas choupanas de traves aparentes, cobertas de colmo (palha de trigo ou centeio).

Sua população risonha e amável, como era a normanda Santa Teresinha do Menino Jesus, nem parece reportar sua origem aos terríveis vikings vindos do Norte, especialmente da Noruega e da Dinamarca.

Entretanto, assim foi.

A França, como se sabe, provém da antiga Gália, dominada pelos romanos 50 anos antes de Cristo.

Mais tarde, os francos, oriundos da Germânia, estabeleceram-se ao norte da Lutécia romana para conquistar o coração do que seria mais tarde o seu reino.

A conversão de Clóvis, em 496, foi de algum modo para os francos o que a conversão de Constantino representara para o Império Romano, em 313.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Na catedral de VIENA: glorificação de São João de Capistrano, herói da Cruzada contra os turcos

O púlpito desde onde
São João de Capistrano
pregou a Cruzada
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No lado externo da catedral de Viena, capital da Áustria, perto da entrada das catacumbas se encontra o chamado púlpito de São João de Capistrano coroado de glória.

É um conjunto que chama a atenção de todos os que passam por esse local central.

Mas poucos explicam por que é que está do lado de fora da catedral um tão pomposo monumento que tem como peça central um púlpito.

Na  noite: catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
Desde esse púlpito que outrora era o principal dentro da catedral, o santo capuchinho São João de Capistrano pregou a Cruzada em 1456 para repelir as invasões muçulmanas que se abatiam sobre a Europa Cristã.

O púlpito foi usado também pelo voivoda [título de nobreza para o defensor das fronteiras, equivalente ao de marquês] húngaro João Hunyadi, comandante das forças cruzadas que arengou os soldados para a difícil campanha militar que se avizinhava.

A estátua do santo está coroada por um sol com a inscrição IHS: Iesus Hominibus Salvator, Jesus Salvador dos Homens, feita no século XVIII.

O santo frade filho espiritual de São Francisco é apresentado esmagando um turco derrotado.

São João de Capistrano O.F.M. (1386 – 1456), foi cognominado O Guerreiro Franciscano de Belgrado.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Notre Dame de PARIS reflete a glória da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo

Notre Dame, fachada

Luis Dufaur
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Quando aparece a catedral de Notre Dame, deixa todas as outras coisas de lado, mesmo a catedral de São Marcos de Veneza.

As três portas têm lindíssimas ogivas, profundas, indicando bem a espessura das paredes.

Em cada portal, ao longo de toda a espessura, existem episódios da História Sagrada esculpidos de um lado e de outro.

Imaginem que não existisse a parte de cima e a igreja fosse apenas coroada pelo balaústre que está em cima das cabeças dos reis. Daria um edifício lindo!

Agora imaginem outro edifício formado apenas por aquela grande ogiva central, depois pelas duas ogivas laterais, depois por aquelas pequenas ogivas em cima, que formam uma colunata de ogivas esguias, delicadas e entrelaçadas.

Imaginem só aquilo no chão.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A catedral e a vocação da França
“filha primogênita da Igreja”

Catedral de Rouen, Normandia, França.
Na diocese de Rouen foi recentemente martirizado um sacerdote.
Luis Dufaur
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No século XIII, ricos e pobres tinham os mesmos gostos prazeres artísticos.

Não havia de um lado o povo e do outro a classe dos entendidos de arte.

A catedral era o lar de todos, e a arte ali traduzia o pensamento de todos.

Contrariamente aos séculos XVI e XVII em que a arte pouco nos diz do pensamento profundo da França da época, a arte do século XIII, nos fornece a manifestação plena de uma civilização numa época definida da história.

A catedral medieval assume o papel dos livros.

Nela, revela-se não só o gênio do cristianismo, mas também o gênio da França.

É verdade que as ideias que tomaram forma visível nas igrejas não pertenciam só à França, mas eram patrimônio comum da Europa católica.

Porém, a França é conhecida pela sua paixão pelo universal.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

As catedrais medievais fruto de uma sociedade que tinha algo do Céu na Terra

Rosácea da catedral de Chartres, França
Rosácea da catedral de Chartres, França
Luis Dufaur
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A arquitetura, a arte, o ambiente, a sociedade medieval auxiliam os fiéis a terem, por assim dizer, “saudades” do Céu.

A partir de suas realizações, elas elevam as almas para algo de celestial.

“A Igreja apresentava-se habitualmente com uma aparência de Céu na Terra, de modo tal que a pessoa, ao analisá-la e contemplá-la, sentia-se convidada para ingressar numa espécie de Céu da alma nesta Terra.

“Tudo quanto é medieval, e que se orienta nessa linha — dir-se-ia a nota tônica da Idade Média —, é impregnado disso: uma sociedade que, mesmo em seus aspectos temporais, apresenta algo de celeste na Terra.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A catedral de BURGOS: a força e a eternidade de Deus


Luis Dufaur
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As torres da Catedral de Burgos, na Espanha, têm um encanto indefinível.

São altaneiras e emulam uma com a outra para galgar o céu.

Todas as paredes da catedral são forradas de quadros que representam cenas da Escritura, ou de vidas de Santos, episódios da História da Igreja, etc.

O teto como é muito bem trabalho e bem pintado. E do mesmo modo as três naves e, no fundo, o altar mor, o púlpito, que ainda se conserva.

A pedra tem uma nobreza intrínseca, que é indefinível e vem da durabilidade, da seriedade, da força.

O trabalho feito sobre a pedra atesta melhor a capacidade não só do estatuário como do escultor.

Por exemplo, numa renda: a renda é bonita, mas uma renda de pedra, como as da catedral de Burgos são mais bonitas que as feitas em tecido ou pintadas.

Não é só o trabalho que deu: é a força e o encanto da pedra que é símbolo da força e da eternidade de Deus.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Rocamadour: gruta do judeu eremita
e santuário de Nossa Senhora

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No sudoeste da França, fica o santuário de Rocamadour. O nome significa “amante das rochas” (“roc amator”) e foi um dos grandes pontos de peregrinação na era medieval.



Segundo a tradição, o velho sininho que lá existe punha-se a tinir sozinho quando um navio estava em perigo, ou quando algum fiel em situação desesperada encomendava-se a Nossa Senhora de Rocamadour.

As ocorrências eram zelosamente anotadas e quando os beneficiados iam a Rocamadour ‒ que fica a um bom bocado de caminho de qualquer porto ‒ para pagar a promessa, conferia-se a data e a hora do voto e o tinir do sino.

A origem do mosteiro é não menos maravilhosa.


Lá viveu e morreu como eremita o judeu Zaqueu de Jericó, morto por volta de 70 d.C.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Síntese da história do vitral

Rosácea da basílica abacial de Saint-Denis, Paris
Rosácea da basílica abacial de Saint-Denis, Paris
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O vitral nasceu na Idade Média, época em que segundo o Papa Leão XIII, o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições.

No mundo antigo o mais parecido foi o uso do alabastro, pedra translúcida rara e monocolor, mas escassa, cara e escura.

Acresce que a arquitetura antiga não suportava grandes janelas.

O vitral surgiu nos canteiros das abadias e catedrais góticas.

Ele era uma Bíblia feita de luz que ensinava, mesmo ao analfabeto, as verdades da Fé, a História Sagrada e a história dos homens.

Ele resumia todo o saber, era um espelho da vida, um apanhado do passado, do presente e do futuro.