Outras formas de visualizar o blog:

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Catedral de ELY: símbolo da nave da Salvação

A catedral de Ely, apelidada “o navio do Fens”
A catedral de Ely, apelidada “o navio do Fens”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A catedral de Ely (Cambridgeshire, Inglaterra) é conhecida localmente como “o navio do Fens”, devido à sua forma proeminente que se eleva acima da paisagem plana e húmida de Fens.

A primeira igreja cristã no local foi fundada por Santa Etheldreda, filha do rei de East Anglia.

Em 673, após ficar viúva de um príncipe de Northumbria , ela fundou e governou um mosteiro, onde faleceu.

A urna com suas relíquias foi centro de romarias na Idade Média.

O mosteiro original foi destruído pelas invasões nórdicas no século IX.

No século X foi erguida outra igreja, substituída pela atual catedral a partir de 1082.

A Torre Ocidental foi erigida entre 1174 e 1197 no estilo românico e mede 66 metros de altura.

A “torre da lanterna” no transepto, centro da catedral
A “torre da lanterna” no alto do transepto, centro da catedral
A “torre da lanterna” no transepto, centro da catedral foi construída no século XIV.

O gótico foi introduzido na Inglaterra pelos normandos católicos sucessores de Guilherme o Conquistador.

A planta do edifício tem forma de cruz, com o altar voltado para o Oriente, de onde Cristo há de vir no Fim do Mundo.

O cumprimento total da catedral é 163,7 metros.

Só a nave mede 75 metros de extensão, sendo a maior da Inglaterra.

Em 1539, quando o rei Henrique VIII precipitou Inglaterra no protestantismo anglicano e dissolveu os mosteiros, a urna de Santa Etheldreda foi selvagemente destruída.

Acompanhando a tendência protestante de acabar com a devoção aos santos, também as estátuas representando os bem-aventurados foram severamente danificadas.

A estrutura da catedral porém salvou-se da depredação.

Em séculos posteriores, os efeitos da barbárie anti-católica foram corrigidos por diversas grandes restaurações. A última aconteceu entre 1986-2000




GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Múltiplos significados, ensinamentos e simbolismos contidos nos vitrais

Jesus abencoa a Igreja e repele a Sinagoga, Saint-Denis
Jesus abencoa a Igreja e repele a Sinagoga, Saint-Denis
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Os vitrais encerram múltiplos significados e simbolismos.

O vitral Ele nos introduz numa visão mística da Criação. Isto é que o universo é uma imagem do Criador e por meio dele o simples fiel pode se elevar até Deus.


Com efeito, a graça divina ilumina a inteligência do fiel e lhe faz ver o lado das coisas que espelha melhor a Deus.

O vitral é o exemplo dessa ação divina. Como?

A luz do sol (símbolo da graça de Deus) torna belas e admiráveis as cenas da vida e facilita subir até a fonte de tudo, o próprio astro solar, símbolo de Deus, fonte de todas as coisas.

E esta elevação é feita com grande e nobre prazer estético.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

ELY: símbolo do catolicismo para o qual olham milhões de anglicanos

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A catedral da Santa e Indivisível Trindade de Ely foi sé da diocese desse nome, na região de Anglia Oriental (Inglaterra).

Ela foi fundada como monastério no ano 673 por santa Etheldreda, princesa saxã da região, que repousa no interior da catedral, diante do altar-mor.

A igreja original foi destruída por vikings vindos da Dinamarca no ano 870. Porém o mosteiro foi reconstruído e ali se instalou uma comunidade beneditina no ano de 970.

quarta-feira, 30 de março de 2016

A catedral, poderosa nave da Salvação

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O artista medieval não era nem um rebelde, nem um “filósofo”, nem um precursor da Revolução.

É suficiente apresentá-lo como ele realmente era: simples, modesto e sincero.

Ele era um dócil intérprete das grandes idéias que para conseguir representar, ele engajava todo seu engenho. Era-lhe concedida pouca margem para a invenção.

A Igreja confiava à fantasia individual do artista apenas pequenas peças puramente decorativas.

Mas, ele tinha jogo livre para aplicar sua força criativa e tecer grinaldas com todas as coisas vivas para adornar a casa de Deus.

Plantas, animais, todas essas belas criaturas que suscitam curiosidade e ternura na alma da criança e do simples tomavam forma em seus dedos.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Estilo gótico, cruzados e estadistas santos

Interior da catedral de Amiens pintado por Jules Victor Genisson (1805 – 1860).
Interior da catedral de Amiens
pintado por Jules Victor Genisson  (1805 – 1860).
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



Como Deus é grande e que coisas magníficas haveria no mundo se todos os povos tivessem correspondido à vocação providencial que receberam!

Eu penso muitas vezes nisso, quando contemplo monumentos de estilo gótico. Os gregos pensaram que construindo suas obras de arte atingiram o auge da beleza. Eles alcançaram um píncaro.

Mas que píncarozinho se comparado ao estilo gótico da Idade Média...

E ao esplendor dos vitrais, das catedrais, dos órgãos, do incenso, da liturgia católica, das pompas temporais nas grandes solenidades da Igreja Católica, nas grandes ocasiões da vida da Cristandade!

Se compararmos aqueles heroizinhos pagãos descritos por Homero com os magníficos heróis cristãos, como por exemplo Godofredo de Bouillon, o arquétipo do cruzado que conquistou Jerusalém durante a primeira Cruzada, ou Balduíno IV, o Leproso, soberano do Reino Latino de Jerusalém...

Houve povos na História que corresponderam à graça divina, nos quais a distribuição da Sagrada Eucaristia foi generalizada e frutuosa.

quarta-feira, 2 de março de 2016

O retorno do gótico

Catedral de São Patrício em New York
Catedral de São Patrício em New York
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Desde o fim da Idade Média o gótico foi sendo sepultado no esquecimento.

Passaram a Renascença e o protestantismo, a Revolução Francesa e o liberalismo, a Revolução Industrial e o comunismo; apareceram outros estilos.

E o gótico que tinha incontestáveis belezas ficou completamente posto de lado.

No tempo do rei Luís XVI, o governo cogitou derrubar Notre-Dame de Paris para construir no seu lugar um templo de estilo grego.

Eles achavam que o grego ‒ inspirado no pagão ‒ representava melhor a dignidade da catedral de Paris.

Logo a seguir veio a Revolução Francesa que mandou decapitar as estátuas da linhagem de David, antecessores de Nosso Senhor.

Veio a revolução comunista da Commune que mandou incendiar Notre-Dame, miraculosamente salva pelo esforço do povo simples. Vieram as Guerras Mundiais...

Depois de tudo isso, eis que, das ruínas de tudo emerge um estado de alma simpático ao gótico!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Notre Dame de PARIS: igreja de uma beleza perfeita, alegria do mundo inteiro

Notre Dame de Paris





A catedral Notre Dame de Paris tem tantos aspectos e maravilhas, que eu depois de ter estado nela, eu tenho que voltar para o hotel, comer alguma coisa rápida, e fazer uma coisa que em mim é um modo de refletir: é dormir.

Eu me pergunto por que é que havia o sono no Paraíso? Se o Paraíso era tão agradável e não cansava, por que é que havia o sono no Paraíso?

Eu me pergunto às vezes se para o homem deixar todas as suas impressões, mesmo as paradisíacas, assentarem bem nele, não é preciso um período de sono, em que o homem pensativo se ordena.

Eu quis dormir depois de ter visto Notre Dame, como Adão quis dormir depois do dia primeiro do Paraíso.

Notre Dame tem o solo da seriedade e todo o desenvolvimento do maravilhoso.

Ela é fundamentalmente séria, planejada segundo os melhores ditames de uma razão calma, ponderada, fazendo uma coisa de grande voo.

Agora, em cima dessa arte e da razão, levantou-se um sonho: o edifício é um sonho. E esse sonho é o maravilhoso até nas menores coisas. Não há uma gargouille que não seja maravilhosa.

A igreja de uma beleza perfeita, alegria do mundo inteiro.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

As catedrais da Idade Média
germinaram nas almas dos primeiros cristãos

Catedral de Milão, Itália
Catedral de Milão, Itália




Desde que os Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos e os discípulos em Pentecostes até o ponto mais alto da Idade Média, a Igreja esteve num crescimento contínuo.

Houve, por certo, fases de decadência, de crise ‒ nós estamos numa fase dessas!

Mas essas fases de perturbação e opacamento acabam sendo episódicas e sem reflexo na linha geral.

Após os declínios, o preenchimento dos vácuos abertos foi feito de tal maneira que a Igreja cresceu muito em formosura.

O que havia de implícito num católico das catacumbas, após as perseguições romanas explicitou-se enormemente na Idade Média.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O órgão é a voz da catedral medieval,
eco da voz da Igreja Católica e do próprio Deus

Órgão da catedral de Estrasburgo
Órgão da catedral de Estrasburgo




Procuremos lembrar-se da sensação quando ouvimos pela primeira vez um órgão tocar.

A primeira sensação que eu tive foi de surpresa. Como quem diz: eu não imaginava!

A surpresa era seguida de um maravilhamento: que elevado!

Como isso tende para cima!

Que movimento para cima!

Como vai a uma altura que há uma verdadeira audácia que se quereria ter essa altura! Como isto perfura!

Que alma corajosa!

E de quanta coisa esta alma discrepou e se descolou e com que entusiasmo ela sobe!


Clique para ouvir Missa para os conventos: Elevação, François Couperin (1668 – 1733, Paris) :



terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O retorno das pombas à catedral de DIJON

As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal
As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal




Na Borgonha, as pedras nunca são brancas por vontade de Deus.

Ao contrário, com o passar dos anos e dos séculos elas ficam bem cinzentas e até pretas.

No alto da catedral, as gárgulas – aquelas esculturas de animais quiméricos colocadas para dar vazão às águas de chuva e qualquer outra sujeira tirada por esta do telhado –, sempre bem alinhadas, estavam mais do que feias.

Mais. Sentiam-se doentes e tristes no seu pétreo silêncio.

Por obra dos entalhadores, elas tinham formas de diabos, monstros e animais horríveis.

O vento, a chuva, as geadas, as fumaças, tudo contribuía para deixá-las mais estragadas, repulsivas e decadentes.

Acontecia também – e ninguém sabia explicar – que as pombas tinham diminuído em número, a ponto de quase desaparecerem.

Só restavam algumas, mas estavam velhas e doentes. Já não se via seu vulto branco no céu e nos galhos das árvores.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A Luz de Cristo nas catedrais

Catedral Santo Estêvão, Viena.




Entrando no recinto sagrado de uma catedral, o povo exerce, sem sabê-lo, um magnífico ato coletivo de discernimento dos espíritos!

Assim como quando acabou o Dilúvio um arco-íris pousou sobre a terra, assim também, quando o aperfeiçoamento da Igreja e da obra de Nosso Senhor Jesus Cristo na terra chegou a um determinado grau, as almas humanas receberam esse discernimento.

Trata-se de um enorme discernimento coletivo. É como se uma luz do Divino Espírito Santo se tornasse sensível à mente dos homens.

E eles discernem belezas na Igreja Católica que eles traduzem nos modos maravilhosos que o estilo gótico excogitou.

Esse discernimento se manifestava não só na arte eclesiástica. Ele vivia palpitante em mil outros aspectos da vida real!

Na corporação de ofício, na aldeia de marzipã, na inocência dos camponeses que nos aparecem nas iluminuras ou nos vitrais, na paz dos gizantes com as mãos postas, numa tranquilidade desconcertante para nós, homens de hoje.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Faça uma visita virtual à catedral de ESTRASBURGO

CLIQUE NA FOTO
Se seu email não visualiza corretamente a imagem embaixo CLIQUE AQUI

Dependendo da conexão a visualização levará alguns segundos para começar
(feche as janelinhas iniciais, e navegue procurando as flechas
ou clicando em 'PLANS' no ângulo superior esquerdo)

Veja vídeo




A catedral de Nossa Senhora que venceu incêndios e guerras infernais, e até a Revolução Francesa!

A catedral emerge entre os tetos da cidade
A catedral emerge entre os tetos da cidade
A 'coluna dos anjos'.
A 'coluna dos anjos'.
A Catedral de Estrasburgo ou Catedral de Nossa Senhora de Estrasburgo (em francês Cathédrale Notre-Dame-de-Strasbourg; em alemão Liebfrauenmünster zu Straßburg) é a catedral católica mais importante na região de Alsácia, que faz uma síntese entre a França e a Alemanha.

No tempo do paganismo, no local existiu um templo dedicado ao deus romano Marte.

O bispo Arbogast, no século VII, deitou as bases de um templo dedicado a Nossa Senhora, do qual não se conservam vestígios.

Pois, já no século seguinte, a primeira igrejinha foi substituída por uma catedral assaz mais importante, concluída sob o reinado do imperador Carlos Magno.

Essa catedral carolíngia possuía três naves e três absides que o bispo D. Ratal mandou ornar com ouro e pedras preciosas.

Mas, essa catedral foi atingida por incêndios nos anos 873, 1002 e 1007.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

França, berço do estilo gótico

Basílica abacial de Saint-Denis, Paris, França, ábside.
foto David Iliff



O núcleo central do gótico tomou forma na região francesa da Île-de-France, e que abarca a zona de Paris e arredores. Portanto, a abadia de Saint-Denis e a catedral de Notre-Dame.

Estendeu-se depois com celeridade a todo o território francês, e transpondo-o, ramificou-se por toda a Europa católica.

O estilo gótico não ficou parado, mas desenvolveu-se prodigiosamente, dando origem a inúmeras variantes cujo estudo requereu muitos tratados. E ainda outros estão sendo escritos.

Uma catedral inspira outra, mas nenhuma é igual. Cada qual oferece e desenvolve um aspecto novo.

Nunca há ruptura com os ideais anteriores, mas antes uma assimilação de elementos novos ou antiquíssimos.

O avanço técnico é prodigioso, nas mãos das corporações de construtores, grupos formados pelos mestres anônimos a serviço das construções monásticas ou episcopais, que se movem livremente de obra em obra e elaboram novas técnicas.

A decoração interna e externa dos edifícios tornou-se complexa e requintada. A perfeição da geometria das formas se inspirava no Templo de Salomão, que Deus revelou como está nas Escrituras. Mas em certo sentido a superava.

Vitrais, estátuas e baixo relevos narram a Bíblia, a vida dos santos, a teologia, a filosofia, descrevem os grandes homens da Antiguidade inclusive greco-romana, as atividades das profissões, as estações dos anos, a disposição dos astros. Em resumo: a Ordem do Universo. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A catedral gótica: resumo da ordem do universo,
onde Deus faz suas delícias

Catedral de Soissons, França. foto David Iliff.
Catedral de Soissons, França.
foto David Iliff.



No contexto medieval dos séculos XI e XII, as escolas monásticas e episcopais sediavam grandes escolas de teologia.

Essas escolas procuraram explicitar a fundo a ordem posta por Deus na Criação para a Sua maior glória. A ordem do universo contida na Bíblia foi cotejada com os ensinamentos aproveitáveis dos gênios gregos e romanos da antiguidade.

O estudo, a contemplação, a meditação e a oração permitiram aos mestres espirituais medievais atingir um conhecimento profundamente raciocinado da grandiosidade e do simbolismo da glória de Deus e da Igreja, impressos na imensa catedral divina que é o Universo.

O gótico nasceu como sendo o estilo mais adequado para exprimir a fisionomia com que Deus que Se faz conhecer na Criação.

Por isso a catedral, que já era a casa de Deus por excelência, tinha que conter em si, embora em miniatura, a majestosa ordenação espiritual, metafísica e material de toda a estrutura e de toda a beleza do criado.

Na hora de reconstruir a abadia real de Saint-Denis, hoje na periferia de Paris, o abade beneditino Suger vivificou a primeira catedral gótica.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Estilo gótico, estilo de uma sociedade
que está bem com Deus

Transepto da catedral de Amiens, França.
foto David Iliff.




O estilo gótico nasceu e cresceu dando passos aparentemente pequenos, até gerar um conjunto monumental como nenhum outro na História da Civilização.

Nenhum estilo histórico é uma produção de gabinete, mas é obra de uma sociedade inteira.

Os artistas não são os criadores do estilo usado por uma sociedade, mas seus intérpretes.

E isto é especialmente verdadeiro do estilo gótico ou medieval.

Nesse estilo produzido pela sociedade medieval, o prático e o belo, os elementos materiais e intelectuais se fundiram harmonicamente com a fé católica professada pela sociedade.

Do ponto de vista arquitetônico que foi tão decisivo, o estilo gótico tem como elemento característico a chamada ogiva gótica.

Segundo a tradição, num sonho, São Pedro e São Paulo teriam aparecido a um velho abade beneditino de nome Gunzo, que foi terminar seus dias na abadia de Cluny. Os santos lhe ensinaram a ogiva, que depois se chamou gótica.

O sonho do abade Gunzo que inspirou o arco gótico
na abadia de Cluny III.
Miscellanea secundum usum ordinis Cluniacensis
O velho monge narrou o sonho ao abade São Hugo. Na época, por volta de 1080 d. C., Cluny estava construindo sua terceira grande igreja abacial, dedicada a São Pedro.

Ela foi a maior igreja da Cristandade até a construção da Basílica de São Pedro, no Vaticano, feita um metro maior, para afirmar assim sua superioridade universal.

O monge Gunzo era cego, mas seu testemunho foi considerado fidedigno e convincente. A parte final da nave de Cluny foi concluída no novo estilo ogival.

O exemplo de Cluny pegou fogo em toda a Europa. Construir catedrais foi um fenômeno correlato às Cruzadas. O mesmo fervor animava os cavaleiros e os arquitetos.

O movimento se expandiu a partir da França em meados do século XII.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Esplendor do gótico e glória da Idade Média

Catedral de Burgos, Espanha
Catedral de Burgos, Espanha




Gótico! Quanta glória encerra esta expressão!

Quando a Renascença exumou a cultura clássica e rejeitou a civilização medieval, “gótico significava “bárbaro”, grotesco, próprio aos Godos.

Hoje, com o correr dos séculos, a pátina do tempo transformou “gótico” em sinônimo de “glória”.

Glória pelo esplendor da arte que elaborou o arco ogival e rasgou os céus com as torres de catedrais como as de Paris, Chartres e Colônia.

Glória pela civilização que extinguiu a escravidão, converteu os bárbaros, inventou as universidades e construiu os primeiros hospitais.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A catedral enquanto esposa de Cristo

Catedral de Santo Estêvão, Viena, Áustria.
Catedral de Santo Estêvão, Viena, Áustria.



A catedral é também esposa de Cristo, como lembra ainda o Apocalipse :

2. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo.

3. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles.

4. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.

5. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.

6. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva.

7. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.

8. Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte. (Apocalipse, 21, 2-8)

A catedral enquanto porta-voz e torre de vigia de Nossa Senhora

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A catedral, imagem da Jerusalém Celeste

Catedral de Colônia, Alemanha
Catedral de Colônia, Alemanha



Quem não ficou admirado contemplando, na realidade ou na fotografia, as agulhas das catedrais, ou por exemplo a do Monte Saint-Michel?

E quem não pensou nos foguetes contemplando os arcos góticos que no interior das catedrais se elevam com força retilínea rumo ao Céu?

Pois o templo católico – capela, simples igreja, abadia ou grande catedral – é uma imagem terrestre da Jerusalém Celeste.

Quer dizer, daquela cidade que contém em si todas as belezas e maravilhas da Criação e que foi arranjada por Deus para que por toda a eternidade seus filhos encontrem nela, retamente ordenadas, todas as delícias espirituais e materiais.

Esse simbolismo foi bem encarnado nas magníficas catedrais construídas por nossos antepassados. Não ousamos sequer mencionar os monstros arquitetônicos – “feios como o pecado” segundo um conhecido arquiteto americano – das últimas décadas.