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quarta-feira, 20 de julho de 2016

As catedrais medievais fruto de uma sociedade que tinha algo do Céu na Terra

Rosácea da catedral de Chartres, França
Rosácea da catedral de Chartres, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A arquitetura, a arte, o ambiente, a sociedade medieval auxiliam os fiéis a terem, por assim dizer, “saudades” do Céu.

A partir de suas realizações, elas elevam as almas para algo de celestial.

“A Igreja apresentava-se habitualmente com uma aparência de Céu na Terra, de modo tal que a pessoa, ao analisá-la e contemplá-la, sentia-se convidada para ingressar numa espécie de Céu da alma nesta Terra.

“Tudo quanto é medieval, e que se orienta nessa linha — dir-se-ia a nota tônica da Idade Média —, é impregnado disso: uma sociedade que, mesmo em seus aspectos temporais, apresenta algo de celeste na Terra.

Fra Angélico“Assim, uma ogiva, o vitral, a torre de um castelo, uma batalha, a armadura de cavaleiro, etc., causam-nos essa impressão, que contém algo de celeste”.



(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, agosto de 2006.)



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quarta-feira, 6 de julho de 2016

A catedral de BURGOS: a força e a eternidade de Deus


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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As torres da Catedral de Burgos, na Espanha, têm um encanto indefinível.

São altaneiras e emulam uma com a outra para galgar o céu.

Todas as paredes da catedral são forradas de quadros que representam cenas da Escritura, ou de vidas de Santos, episódios da História da Igreja, etc.

O teto como é muito bem trabalho e bem pintado. E do mesmo modo as três naves e, no fundo, o altar mor, o púlpito, que ainda se conserva.

A pedra tem uma nobreza intrínseca, que é indefinível e vem da durabilidade, da seriedade, da força.

O trabalho feito sobre a pedra atesta melhor a capacidade não só do estatuário como do escultor.

Por exemplo, numa renda: a renda é bonita, mas uma renda de pedra, como as da catedral de Burgos são mais bonitas que as feitas em tecido ou pintadas.

Não é só o trabalho que deu: é a força e o encanto da pedra que é símbolo da força e da eternidade de Deus.

Entre um feixe de colunas góticas aparecem grades bonitas encimadas por símbolos heráldicos.

O olhar atravessa elementos diversos, que ao mesmo tempo estão em contraste e são agradáveis de ver.

Isso faz o encanto: é uma continuidade na variedade. Há muita continuidade e muita variedade.

Se em lugar de pedra a renda fosse de gesso, teria se tirado moldes, e se teriam feito 500 catedrais com o mesmo trabalho de gesso em 500 cidades de continentes diferentes.

Os senhores estariam olhando para isso essa repetição infindável feita de gesso? Não, já teriam desviado os olhos.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 2.9.72. Sem revisão do autor.)


Catedral de Santa Maria de Burgos:
resistência cultural ao Islã e presença de Lúcifer

A catedral e basílica de Santa Maria de Burgos é o templo católico de maior rango no antigo reino de Castela e Leão.

De início foi levantada uma igreja românica em 1075 quando a cidade foi erigida em Sé episcopal pelo rei Afonso VI. Dessa maneira, o monarca deu continuidade canônica à velha diocese de Oca, cujo prelado foi signatário do III Concilio de Toledo, na época visigótica em 589.

O rei queria uma catedral dedicada à Virgem Maria. Para isso, sacrificou o palácio real de seu pai o rei Fernando I e uma pequena igreja também dedicada a Santa Maria.

No século XIII, a catedral tinha adquirido tanta importância que foi necessário construir uma nova catedral.

A nova começou a ser construída em 20 de julho de 1221, seguindo patrões góticos franceses. O estilo teve um significado marcante.

Burgos: entrada lateral.
Burgos: entrada lateral.
Na luta contra o Islã invasor apareceu uma tendência religiosa e cultural “terceira força” que postulava uma síntese impossível entre o invasor muçulmano e o cristianismo: o estilo moçárabe acompanhado de um rito também moçárabe.

Os monges vindos da França trouxeram o gótico para inspirar a resistência da Cruz e o estilo foi um ponto de referência para os heróis da reconquista cristã da península ibérica.

A fachada principal corresponde ao mais puro estilo gótico francês das grandes catedrais de Paris e Reims. No interior, a referência é a Catedral de Bourges.

Os grandes lançadores da catedral foram o rei São Fernando III de Castela e o bispo Mauricio, cabeça da diocese. O primeiro mestre de obras poderia ter sido o cônego francês Johan de Champagne.

As obras avançaram com rapidez e o oficio divino já era celebrado em 1230. Na segunda metade do século XIII e início do XIV foram completadas as capelas das naves laterais e um novo claustro.

No século XV foram feitas as agulhas das torres, o cibório e a Capela dos Condestáveis. Nos séculos seguintes foram acrescentadas admiráveis capelas, como a de Santa Tecla, das Relíquias e a Sacristia.

Importantes restaurações aconteceram nos séculos XIX e XX.

A catedral alberga importantes tesouros religiosos e numerosos sepulcros góticos e renascentistas.

Entre os tesouros se destaca o Santíssimo Cristo de Burgos, imagem de tradição miraculosa e objeto de grande devoção.

Também acolhe o túmulo do famoso herói medieval contra os mouros El Cid Campeador e de sua esposa Dona Ximena.

O “Papamoscas”


O 'Papamoscas' da catedral de Burgos.
O 'Papamoscas' da catedral de Burgos.
O universo medieval incluía todos os aspectos da existência até os mais surpreendentes.

Na catedral de Burgos há um exemplo: o autómato articulado conhecido como “Papamoscas” – literalmente engole moscas – humanoide de rasgos mefistofélicos que abre a boca e bate o sino das horas.

Segundo a lenda, o rei Enrique III ‘El Doliente’ ia rezar devotamente todos os dias na catedral mas começou a ser distraído pela presença de uma moça muito bela.

O rei decidiu segui-la e viu que entrava numa velha casona. A cena se repetiu outros dias.

Um dia a moça deixou cair um lenço que o rei devolveu cortesmente. Ela respondeu com um doce sorriso e saiu. Mas, após atravessar a porta, o rei ouviu uma lancinante exclamação.

A moça nunca mais voltou. O rei procurou se informar e soube com certeza que na casona onde ele a vira entrar todos os dias não morava ninguém: todos os donos haviam sido mortos pela peste negra.

O rei ordenou então que um artífice fabricara um relógio para bater as horas na Catedral. O engenho devia reproduzir a fisionomia da moça e soltar um gemido como aquele que ele tinha ouvido.

Mas, o artesão só conseguiu fazer uma figura luciferina que emitia um ruído assustador e, por isso, acabou sendo silenciada. Porém, ainda hoje, abre a boca e “papa as moscas”.



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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Rocamadour: gruta do judeu eremita
e santuário de Nossa Senhora

Luis Dufaur
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No sudoeste da França, fica o santuário de Rocamadour. O nome significa “amante das rochas” (“roc amator”) e foi um dos grandes pontos de peregrinação na era medieval.



Segundo a tradição, o velho sininho que lá existe punha-se a tinir sozinho quando um navio estava em perigo, ou quando algum fiel em situação desesperada encomendava-se a Nossa Senhora de Rocamadour.

As ocorrências eram zelosamente anotadas e quando os beneficiados iam a Rocamadour ‒ que fica a um bom bocado de caminho de qualquer porto ‒ para pagar a promessa, conferia-se a data e a hora do voto e o tinir do sino.

A origem do mosteiro é não menos maravilhosa.

Lá viveu e morreu como eremita o judeu Zaqueu de Jericó, morto por volta de 70 d.C.

Ele amava as rochas, e cavou um eremitério numa delas para ficar longe do mundo.

Teria sido ele quem trouxe para Rocamadour a primeira estátua de Nossa Senhora.

A atual, conhecida como Virgem Negra, é milenar pois data do século IX.

Zaqueu morreu com fama de santidade.

Depois de sua morte foram reportados inúmeros milagres atribuídos a seu túmulo e ao santuário da Virgem.

Muitos peregrinos famosos estiveram em Rocamadour, entre eles: São Bernardo e São Domingos.

Carlos Magno teria visitado o santuário quando foi a lutar contra os mouros na Espanha.

Conserva-se, aliás, um fragmento de Durendal a espada de Rolando que foi com Carlos Magno na expedição e morreu epicamente na batalha de Roncesvalles.

Também as rainhas Leonor da Aquitânia e Branca de Castela; e os reis Henrique II da Inglaterra; São Luís IX, Carlos IV e Luís XI da França. Além de incontáveis outras personalidades.

Ainda hoje é muito visitado, e é uma parada altamente recomendável num desvio da auto-estrada que leva de Paris a Lourdes.



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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Síntese da história do vitral

Rosácea da basílica abacial de Saint-Denis, Paris
Rosácea da basílica abacial de Saint-Denis, Paris
Luis Dufaur
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O vitral nasceu na Idade Média, época em que segundo o Papa Leão XIII, o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições.

No mundo antigo o mais parecido foi o uso do alabastro, pedra translúcida rara e monocolor, mas escassa, cara e escura.

Acresce que a arquitetura antiga não suportava grandes janelas.

O vitral surgiu nos canteiros das abadias e catedrais góticas.

Ele era uma Bíblia feita de luz que ensinava, mesmo ao analfabeto, as verdades da Fé, a História Sagrada e a história dos homens.

Ele resumia todo o saber, era um espelho da vida, um apanhado do passado, do presente e do futuro.

Padeiros, mestres e auxiliares. Catedral de Chartres, vitral dos Apostolos
Padeiros, mestres e auxiliares. Catedral de Chartres, vitral dos Apostolos
Os primeiros vitrais aparecem pelo século X junto com o estilo românico, maçudo e escuro.

A bem dizer eram buracos no muro preenchidos com pedacinhos de cristais coloridos.

O gótico liberou muros e permitiu imensos vitrais.

As catedrais góticas sólidas e luminosas, sérias e alegres, preanunciavam o Paraíso e a vida eterna.

Só a catedral de Metz, na França, tem hoje 6.496 m2 de vitrais!

De início, os vitrais surgiram exclusivamente para as igrejas católicas, pois foram obra de eclesiásticos da Igreja Católica.

Depois foram sendo adotados na vida civil, nos castelos e casas dos burgueses até chegar aos lares dos artesões e operários.

A variedade das cenas, formas e cores ampliou-se muito. Afinal eles ficaram acessíveis para todo mundo.

Os vitrais atraiam as pessoas para as catedrais, mas não só na Idade Média.

Tal vez o auge de atração está se dando no século XXI.

Jesus manda lançar as rédeas que voltam cheias de peixes. Catedral de Chartres, França.
Jesus manda lançar as rédeas que voltam cheias de peixes.
Catedral de Chartres, França.
Milhões de turistas vão todo ano a Europa para contemplá-los.

Quem foi a Paris e não viu os vitrais de Notre Dame pode voltar dizendo que não viu algo essencial.

As escolas públicas francesas levam as turmas a igrejas e catedrais para aulas sobre os vitrais.

Guias profissionais conduzem visitas explicadas de alto nível. Há um renascer do interesse pela fabricação e utilização de vitrais, por exemplo, no lar.

Um amigo meu, brasileiro que morava não longe de Chartres, mandou pôr na sua residência vitrais feitos à medida segundo as técnicas medievais e com o famoso “azul de Chartres”.




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