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quarta-feira, 15 de abril de 2015

As igrejas de RAVENNA e o futuro possível do gótico

Ravenna, igreja de San Vitale, imperatriz Teodora e séquito.
Ravenna, igreja de San Vitale, imperatriz Teodora e séquito.






A basílica de San Vitale, em Ravenna, na Itália, é uma igreja octogonal, em estilo bizantino com figuras em mosaico, paradas ‒ mas vivas! não têm nada de morto! ‒ postas na contemplação sobre um fundo dourado, desligadas das circunstâncias concretas, numa espécie de abstração pura.

O estilo românico não se confunde com o estilo greco-romano presente nas igrejas mais antigas de Ravenna, como o oratório de Gala Placidia.

O estilo greco-romano é o estilo grego com pequenas adaptações feitas pelos romanos.

O estilo românico é uma adaptação do estilo romano feita pelos bárbaros.

Ravenna, igreja de San Vitale
Ravenna, igreja de San Vitale
Ele manifesta valores de alma que não estavam presentes no espírito da civilização romana.

Quando a gente vê o românico, e depois vê o gótico, percebe que o gótico estava nascendo no românico.

Ravenna prenuncia o gótico, mas está marcada por algo de violentamente diferente que vem do romano antigo e do bizantino.

O gótico nas suas manifestações anteriores à Renascença dá a impressão de que chegou ao fim do caminho.

De que atingiu uma tal perfeição, que não se pode imaginar maior nessa linha, e que uma nova linha deve aparecer.

Linha nova que não é o contrário do gótico, mas é um salto para cima.

Esse salto corresponderia à história da humanidade.

O espírito dos homens tinha chegado a um ponto em que um dado inteiramente novo daria um impulso novo na linha do antigo. Isto é, na linha da tradição.

Se os homens tivessem sido fiéis à graça, teria aparecido algo que pressagiaria o Reino de Maria.

Catedral de Canterbury, Inglaterra
Catedral de Canterbury, Inglaterra
Apareceu, porém, uma coisa péssima: a Renascença neo-pagã e o protestantismo.

Não é excessivo conjeturar que se a humanidade tivesse sido fiel às graças da Idade Média, teria nascido algo na linha do Reino de Imaculado Coração de Maria.

Mas com qualquer coisa de novo que a gente não sabe o que é que é.




(Autor: Plinio Correa de Oliveira, sem revisão do autor)





Video: Ravenna: a pompa hierática da Igreja Católica






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quarta-feira, 1 de abril de 2015

A catedral de LUND, São Lourenço e o lendário Finn




Em Zchonen, cidade universitária e primeiro arcebispado da Escandinávia, ergue-se formosa catedral romana.

Debaixo do coro, abre-se grande e bela cripta. Dizem todos que a igreja nunca será terminada, que sempre faltará alguma coisa, e que o motivo é este:

Quando São Lourenço chegou a Lund, a fim de pregar o Catolicismo, desejou construir uma igreja, mas carecia dos meios necessários e não sabia onde arranjá-los.

Pensando constantemente no seu objetivo, teve um dia a surpresa de ver na sua frente um gigante, que se ofereceu para em pouco tempo erguer o templo, contanto que São Lourenço adivinhasse o seu nome antes do fim.

Se não o conseguisse, o gigante receberia como prêmio da aposta o Sol, a Lua ou os olhos do santo. Este, confiando em Nossa Senhora, não teve o menor receio e aceitou a imposição.

Iniciou-se a construção, e dentro em pouco o templo estava quase pronto.

São Lourenço, pensando tristemente em como descobrir o nome do gigante, pois evidentemente não queria de maneira nenhuma desfazer-se dos seus olhos, tão necessários para a glória de Deus.

Um dia, percorrendo as ruas da cidade, sentiu-se cansado e resolveu sentar-se na encosta de uma colina.

Do interior da colina chamou-lhe a atenção o pranto de uma criança e a voz de uma mulher que cantava:
— Durma bem, durma bem, filhinho meu, que amanhã regressa o bom Finn, seu pai, e você brincará com o Sol ou a Lua, ou então com os olhos de Lourenço.

O santo, ouvindo aquilo, alegrou-se imensamente. Sabia, por fim, o nome do gigante. Imediatamente voltou para a igreja, e viu o gigante sentado já no teto, preparando-se para colocar a última pedra.

Gritou-lhe:
— Ó Finn, coloque bem a última pedra!

O gigante, enfurecido, atirou a pedra para longe, afirmando que a igreja jamais ficaria terminada, e desapareceu. A partir daquele dia, falta na igreja sempre alguma coisa.

(A. Della Nina, "Enciclopédia Universal da Fábula": Contos da Suécia - Editora das Américas, SP, 1957)


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quarta-feira, 18 de março de 2015

Nossa Senhora do Espinheiro:
a basílica do milagre luminoso





Nossa Senhora do Espinho é uma basílica de bom tamanho, meio perdida na pradaria da Champagne, perto de Reims.

É uma zona até pobre. Se não desse o vinho Champagne era uma zona que até atrairia muito pouco.

Mas é uma construção ideal, um sonho. Há peregrinações locais àquela igreja, mais frequentes ou menos, mais concorridas ou menos.

Vendo as fotos a gente se sente meio arrebatado para uma clave que só as coisas da Idade Média têm, e mais nada tem.

É uma graça que a gente não sabe o que dizer. Mas que a Idade Média tinha.

Quem não recebe essa graça, não acha interesse na catedral de Nossa Senhora do Espinho. Então, o medieval lhe parece pesado e indigesto.

Esta atitude tacanha começou quando a luz da Idade Média se apagou pela influencia da Revolução.

Os homens que povoavam aquelas catedrais e moravam naqueles claustros, não quiseram mais saber.

Houve uma ordem de cavalaria da Espanha em que os próprios religiosos destruíram seu próprio convento gótico.

Não porque houvesse algum perigo de eles serem obrigados a voltar para lá, mas pelo gosto de destruir, pelo ódio do espírito daquele convento.

É uma coisa especial.

O triunfo do Imaculado Coração de Maria vai trazer um enorme re-acendimento daquela luz medieval.

No Reino de Nossa Senhora prometido em Fátima essa graça será restituída aos homens.


(Autor: Plinio Correa de Oliveira, 24/1/87. Sem revisão do autor)



A catedral no meio do campo

A Basílica de Notre-Dame-de-l'Épine (literalmente Nossa Senhora do Espinho, ou do Espinheiro) fica na pequena cidade de L'Épine, na região de la Marne, perto de Châlons-en-Champagne, ao leste de Paris.

É uma obra mestra do estilo gótico “flamboyant” ou flamífero, pelo seu parecido com as labaredas.

A construção foi iniciada por volta de 1405-1406 e durou até 1527.

A basílica recebeu esse nome pela devoção a uma imagem de Nossa Senhora segurando o Menino Jesus.

Segundo a explicação tradicional, já generalizada no século XVII, durante a Idade Média, as ovelhas de um pastor da aldeia de Courtisol se reuniram em volta de um espinheiro que emitia grande luz.

A luz foi vista por outros pastores brilhando na noite. No local foi encontrada uma imagem abandonada. E como confirmando o milagre, o espinheiro reverdeceu.

A imagem foi levada a uma capelinha das redondezas e os milagres se deram em série. Entre os que foram objeto de devidos registros, figuram um cego recuperou a vista em 15 de agosto de 1591.

Em 11 de abril de 1681 um bebê que nasceu morto voltou à vida. Na mesma época, a paralítica Marie Musard saiu caminhando sem muletas. Milagres foram registrados até em 1851.

As graças distribuídas por meio da imagem eram tantas que houve necessidade construir uma igreja com dimensão de catedral para acolher os peregrinos.

A fachada comporta três pórticos de acesso e é coroada por duas torres em forma de agulhas.

A torre da direita sobe até 55 metros. A anticristã Revolução Francesa mandou arrasar a torre da direita em 1798 com o pretexto de instalar ali uma torre de telégrafo, símbolo da modernidade materialista.

O telégrafo e a modernidade que simbolizava foram para o cemitério da história e a torre medieval foi reconstruída em 1868.

Como Notre Dame de Paris e outras, a basílica de Nossa Senhora do Espinho possui admiráveis gárgulas, ou gargouilles.

A estátua de Nossa Senhora em honra da qual foi erigida a basílica se encontra no interior.

A basílica é monumento histórico e faz parte do patrimônio mundial segundo a Unesco.

Durante a Idade Média, o local era um ponto de acolhida (albergue, alimentação, repouso) dos peregrinos que iam a Santiago de Compostela na Espanha.

O santuário do Apóstolo Santiago fica a 1.564 quilômetros de distancia e os romeiros faziam o percurso a pé. Mas, ninguém se espante, essa romaria está ficando cada vez mais popular no século XXI!! Veja por exemplo: Peregrinos a Compostela batem recordes históricos, como na Idade Média 

A basílica foi uma necessidade imposta por uma romaria local.

O fato é surpreendente para uma cidade tão pequena. Mas, as razões das peregrinações não dependem da cidade nem das distâncias.

Dependem da graça divina que nesses locais Nosso Senhor Jesus Cristo distribui em abundância, pela mediação universal de Nossa Senhora. A festa da miraculosa imagem é a mesma da Assunção: 15 de agosto.

Notre-Dame de L'Épine impressionou a grandes literatos, inclusive ateus, que a visitaram, como Victor Hugo, Alexandre Dumas, Joris-Karl Huysmans, Paul Claudel e Paul Fort.



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terça-feira, 10 de março de 2015

SANTIAGO DE COMPOSTELA:
fachada barroca e interior românico

A fachada da catedral apresenta uma sobrecarga fantástica,
mas ordenada, bonita e grandiosa.



Externamente, a catedral parece com uma sobrecarga fantástica.

Mas depois que a gente habitua bem a vista, percebe que essa sobrecarga é ordenada, bonita e grandiosa.

Internamente o problema não se põe. Ela é românica, anterior à fachada, e muito ordenada e bonita.

Pormenor muito espanhol: não tem vitrais. Tudo é murado.

Mas tem uma clarabóia bem estudada, por onde entra luz suficiente para a catedral inteira.

A imagem famosa de Santiago está no subterrâneo.

Os restos mortais do Apóstolo estão numa urna funerária muito bem trabalhada, pré-gótica, já anunciando o gótico; talvez de ouro.

Depois, pregada na parede, em cima, um pouquinho sem jeito, uma estrela de ouro que uma pessoa que não conheça História não percebe bem por que é que está lá.

Mas vem da origem do nome da cidade, "Campus stelle", o "Campo da Estrela": uma estrela indicou onde o corpo de Santiago Matamoros estava.

Depois, um altar-mor à la Bernini, o mais desgracioso e feio possível. Um órgão também lamentável, muito feio, tudo à la Bernini.

A gente vê que é muito posterior. Se a mulher do rei Carlos IV que aparece num quadro do Goya tivesse dons artísticos, ela desenhava esse altar e esses tubos. Um pesadelo de louco!

Há capelas laterais muito bonitas. E no centro, a meio termo entre o altar-mor e a porta de entrada, na nave que corresponde ao Evangelho, uma capela do Santíssimo Sacramento, do século passado, ou começo deste século, com exposição permanente do Santíssimo.

Urna de Santiago Apóstolo.
É um ambiente de adoração que realmente dá gosto de ver, muito bonito e piedoso; com uma imagem do Sagrado Coração de Jesus muito piedosa e muito digna. Eu pensei em mamãe logo que vi.

O que é uma maravilha é uma imagem mais bem pequena de Nuestra Señora del Perdón, que se encontra no lado externo de uma das paredes da capela do Santíssimo.

É do gênero da imagem medieval de Toledo Virgen Blanca, em madeira, é um encanto.

O altar principal tem três imagens de Santiago.

No mais alto do mais alto está Santiago Mata-mouros.

Tudo muito correto, digno, para quem não tem espírito liberal.

Altar mor com o busto do Apóstolo Santiago que os peregrinos costumam abraçar chegando por trás
Altar mor com o busto do Apóstolo Santiago que os peregrinos costumam abraçar chegando por trás
Há uma escada monumental na entrada, e pessoas entram sob um arco que há embaixo da escada. Por quê?

Era porque embaixo tem uma capelinha, em estilo românico, construída por Carlos Magno.

Eu fiz questão de visitar e rezar lá, porque queria prestar homenagem ao Imperador Carlos.

Meu culto a Deus Nosso Senhor foi glorificado por esse grande homem.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira. Texto sem revisão do autor).


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