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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

A catedral de BURGOS: a força e a eternidade de Deus


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




As torres da Catedral de Burgos, na Espanha, têm um encanto indefinível.

São altaneiras e emulam uma com a outra para galgar o céu.

Todas as paredes da catedral são forradas de quadros que representam cenas da Escritura, ou de vidas de Santos, episódios da História da Igreja, etc.

O teto como é muito bem trabalho e bem pintado. E do mesmo modo as três naves e, no fundo, o altar mor, o púlpito, que ainda se conserva.

A pedra tem uma nobreza intrínseca, que é indefinível e vem da durabilidade, da seriedade, da força.

O trabalho feito sobre a pedra atesta melhor a capacidade não só do estatuário como do escultor.

Por exemplo, numa renda: a renda é bonita, mas uma renda de pedra, como as da catedral de Burgos são mais bonitas que as feitas em tecido ou pintadas.

Não é só o trabalho que deu: é a força e o encanto da pedra que é símbolo da força e da eternidade de Deus.

Entre um feixe de colunas góticas aparecem grades bonitas encimadas por símbolos heráldicos.

O olhar atravessa elementos diversos, que ao mesmo tempo estão em contraste e são agradáveis de ver.

Isso faz o encanto: é uma continuidade na variedade. Há muita continuidade e muita variedade.

Se em lugar de pedra a renda fosse de gesso, teria se tirado moldes, e se teriam feito 500 catedrais com o mesmo trabalho de gesso em 500 cidades de continentes diferentes.

Os senhores estariam olhando para isso essa repetição infindável feita de gesso? Não, já teriam desviado os olhos.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 2.9.72. Sem revisão do autor.)


Catedral de Santa Maria de Burgos:
resistência cultural ao Islã e presença de Lúcifer

A catedral e basílica de Santa Maria de Burgos é o templo católico de maior rango no antigo reino de Castela e Leão.

De início foi levantada uma igreja românica em 1075 quando a cidade foi erigida em Sé episcopal pelo rei Afonso VI. Dessa maneira, o monarca deu continuidade canônica à velha diocese de Oca, cujo prelado foi signatário do III Concilio de Toledo, na época visigótica em 589.

O rei queria uma catedral dedicada à Virgem Maria. Para isso, sacrificou o palácio real de seu pai o rei Fernando I e uma pequena igreja também dedicada a Santa Maria.

No século XIII, a catedral tinha adquirido tanta importância que foi necessário construir uma nova catedral.

A nova começou a ser construída em 20 de julho de 1221, seguindo patrões góticos franceses. O estilo teve um significado marcante.

Burgos: entrada lateral.
Burgos: entrada lateral.
Na luta contra o Islã invasor apareceu uma tendência religiosa e cultural “terceira força” que postulava uma síntese impossível entre o invasor muçulmano e o cristianismo: o estilo moçárabe acompanhado de um rito também moçárabe.

Os monges vindos da França trouxeram o gótico para inspirar a resistência da Cruz e o estilo foi um ponto de referência para os heróis da reconquista cristã da península ibérica.

A fachada principal corresponde ao mais puro estilo gótico francês das grandes catedrais de Paris e Reims. No interior, a referência é a Catedral de Bourges.

Os grandes lançadores da catedral foram o rei São Fernando III de Castela e o bispo Mauricio, cabeça da diocese. O primeiro mestre de obras poderia ter sido o cônego francês Johan de Champagne.

As obras avançaram com rapidez e o oficio divino já era celebrado em 1230. Na segunda metade do século XIII e início do XIV foram completadas as capelas das naves laterais e um novo claustro.

No século XV foram feitas as agulhas das torres, o cibório e a Capela dos Condestáveis. Nos séculos seguintes foram acrescentadas admiráveis capelas, como a de Santa Tecla, das Relíquias e a Sacristia.

Importantes restaurações aconteceram nos séculos XIX e XX.

A catedral alberga importantes tesouros religiosos e numerosos sepulcros góticos e renascentistas.

Entre os tesouros se destaca o Santíssimo Cristo de Burgos, imagem de tradição miraculosa e objeto de grande devoção.

Também acolhe o túmulo do famoso herói medieval contra os mouros El Cid Campeador e de sua esposa Dona Ximena.

O “Papamoscas”


O 'Papamoscas' da catedral de Burgos.
O 'Papamoscas' da catedral de Burgos.
O universo medieval incluía todos os aspectos da existência até os mais surpreendentes.

Na catedral de Burgos há um exemplo: o autómato articulado conhecido como “Papamoscas” – literalmente engole moscas – humanoide de rasgos mefistofélicos que abre a boca e bate o sino das horas.

Segundo a lenda, o rei Enrique III ‘El Doliente’ ia rezar devotamente todos os dias na catedral mas começou a ser distraído pela presença de uma moça muito bela.

O rei decidiu segui-la e viu que entrava numa velha casona. A cena se repetiu outros dias.

Um dia a moça deixou cair um lenço que o rei devolveu cortesmente. Ela respondeu com um doce sorriso e saiu. Mas, após atravessar a porta, o rei ouviu uma lancinante exclamação.

A moça nunca mais voltou. O rei procurou se informar e soube com certeza que na casona onde ele a vira entrar todos os dias não morava ninguém: todos os donos haviam sido mortos pela peste negra.

O rei ordenou então que um artífice fabricara um relógio para bater as horas na Catedral. O engenho devia reproduzir a fisionomia da moça e soltar um gemido como aquele que ele tinha ouvido.

Mas, o artesão só conseguiu fazer uma figura luciferina que emitia um ruído assustador e, por isso, acabou sendo silenciada. Porém, ainda hoje, abre a boca e “papa as moscas”.








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terça-feira, 16 de abril de 2024

A catedral esposa de Cristo

Catedral de Santo Estêvão, Viena, Áustria.
Catedral de Santo Estêvão, Viena, Áustria.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs








A catedral é também esposa de Cristo, como lembra ainda o Apocalipse :

2. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo.

3. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles.

4. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.

5. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.

6. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva.

7. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.

8. Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte. (Apocalipse, 21, 2-8)

A catedral enquanto porta-voz e torre de vigia de Nossa Senhora

Catedral de Burgos, Espanha torres com campanários
Catedral de Burgos, Espanha torres com campanários
Normalmente todas as igrejas dispõem de um ou mais campanários, que na Idade Média eram chamados de Torre de David.

Pois essa parte constitutiva da igreja está associada à Santíssima Virgem, descendente e princesa da Casa Real de David.

O som dos sinos é a própria voz de Nossa Senhora, que chama à oração o povo disperso em meio às distrações da vida.

A torre do sino também é uma torre de vigia, de onde nossa Rainha, Sentinela do Deus Invisível, percebe e recebe os sinais do Deus Eterno.

A partir dessa torre que exorciza os demônios Ela age, “terrível como um exército em ordem de batalha” (Cant 6).

Ela lança flechas que expulsam os espíritos malignos, e atrai para junto de seu Divino Filho o povo que verdadeiramente acredita n’Ele.

Almas belas como as catedrais

Deus é a Beleza, Ele é a Bondade e a Verdade em sua forma absoluta e perfeita.

Para anunciar Deus no meio da civilização, a simplicidade e a pureza das catedrais e das igrejas são os melhores símbolos, armas e instrumentos.

Essas armas podem tocar os corações tíbios e desorientados, os espíritos desanimados pela mata escura de símbolos materialistas e sem alma. Símbolos que não são símbolos, mas negrumes que abrem para o abismo do vazio.

Falsos símbolos que falam sistematicamente contra a herança do simbolismo católico e que exercem hoje um atrativo que não deveriam exercer.

Fachada da catedral de Notre Dame de Paris, detalhe.
Fachada da catedral de Notre Dame de Paris, detalhe.
Não devemos, pois, ter medo do poder dos símbolos católicos.

Devemos conhecê-los, amá-los e saber explicá-los aos outros, sejam cristãos ou não.

O simples fato de fazer o Sinal da Cruz cada vez que passamos diante de uma igreja já é um exemplo de algo que todos podemos fazer.

Esses gestos exteriores, sobretudo quando animados por um amor interior encravado no nosso coração e no nosso intelecto pelo conhecimento racional do simbolismo, fazem de nós pessoas espirituais sinceramente atentas à voz de Deus, que fala por meio desses símbolos.

Poucas coisas podem ser tão meritórias e gratas a Deus do que acender nos corações e nos intelectos dos nossos contemporâneos esse amor e esses conhecimentos.

Tocados pela graça, eles também poderão resplandecer de Caridade e do amor que desce escachoante do Sagrado Coração de Jesus e do Coração Imaculado de Maria, Rei e Rainha dos templos sagrados.




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terça-feira, 26 de março de 2024

Esplendor do gótico e glória da Idade Média

Catedral de Burgos, Espanha
Catedral de Burgos, Espanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Gótico! Quanta glória encerra esta expressão!

Quando a Renascença exumou a cultura clássica e rejeitou a civilização medieval, “gótico significava “bárbaro”, grotesco, próprio aos Godos.

Hoje, com o correr dos séculos, a pátina do tempo transformou “gótico” em sinônimo de “glória”.

Glória pelo esplendor da arte que elaborou o arco ogival e rasgou os céus com as torres de catedrais como as de Paris, Chartres e Colônia.

Glória pela civilização que extinguiu a escravidão, converteu os bárbaros, inventou as universidades e construiu os primeiros hospitais.

Catedral de Estrasburgo, França
Catedral de Estrasburgo, França
Glória pela “doce primavera da Fé”, época em que o teólogo e o arquiteto uniram seus talentos para louvar a Deus.

* * *

Se alguém, no entanto, quiser intuir num simples golpe de vista o fulgor dessa glória, basta observar as fotos de nosso post.

O jogo de luzes e sombras realça o imponderável da cena.

Do belo edifício gótico aparecem apenas algumas partes, iluminadas por intensa luz dourada.

As muralhas e as ogivas imergem no mistério.

Capela de Saint Hubert, no castelo de Amboise, Loire, França
Capela de Santo Huberto, no castelo de Amboise, Loire, França

* * *

Construída sobre rocha escarpada às margens do Loire, no jardim da França.

A capela de Santo Huberto lembra o apogeu da Idade Média, embora o castelo a que pertença, Amboise, tenha sido edificado em estilo renascentista.

Apogeu que infelizmente teve breve duração, mas que iluminou o firmamento da História assim como um corisco ilumina a abóbada celeste.

Fixa nesse instante de glória, a capela de Santo Huberto irradia ao longo dos séculos o esplendor da arte gótica!




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terça-feira, 20 de junho de 2023

BURGOS, catedral espanhola: majestade, sobriedade e esplendor

Luis Dufaur
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Todas as coisas que são harmônicas devem ser dominadas por um ponto central.

Vejam como essa imagem domina absolutamente, na sua simplicidade, todo esse ambiente. Tudo é feito para olhar para ela.

Ela está num muro completamente liso. Em torno dela não há floreios, não há nada: é de uma austeridade enorme.

Mas a moldura é riquíssima.

As molduras de cada uma dessas ogivas, que verdadeira beleza!

Na galeria que talvez dê para o claustro, o teto é muito simples, mas as nervuras são lindas.

O teto deve ser simples para se notarem as nervuras. A luz -- é uma coisa tão banal a luz do dia, não é? -- se torna nobre e mística passando por essas janelas!


Dentro da sobriedade espanhola cabe o esplendor.

Nas estalas do coro o cabido recita Ofício. Em cada um desses bancos senta-se um cônego. Em geral nas salas de cabido da Idade Média se realizavam fatos históricos.

O trabalho de escultura em madeira é simplesmente maravilhoso! O corrimão, que beleza!

Eu chamo a atenção para as colunas repletas de imagens de Santos, com dosséis todos ricamente esculpidos. Não há o que dizer.

A famosa escadaria da catedral, a meu ver, é a mais bonita escada do mundo. Vejam que categoria!

Como escada não é possível ser mais bonita.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 2.9.72. Sem revisão do autor.)






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