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terça-feira, 19 de agosto de 2025

Catedral de COLÔNIA e a sensação de tocar o Céu

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A catedral de Colônia!

Ela é muito bonita.

Mas se fossem me perguntar, desenhisticamente falando, se ela é tão bonita quanto Notre-Dame, eu diria: “Indiscutivelmente é Notre- Dame.”

Entretanto, tudo bem pesado, eu digo: “É discutível que seja Notre Dame.”

Por causa de um ponto só. Mas esse ponto supera Notre-Dame de tal maneira, que a gente fica sem saber o que dizer. E é o seguinte.

As torres da catedral de Colônia se levantam do chão com um empuxe, e se lançam para o ar tão inesperadamente, que parecem perguntar à gente: “Quereis voar?!”

Essas torres como que proclamam uma vitória formidável do espírito humano sobre a lei da gravidade!

A lei da gravidade é a lei que atrai o homem para baixo, que torna pesados os seus movimentos, que torna difícil a vida.

Essa lei diante da força ascensional da catedral de Colônia fica como que esmagada.

A catedral de tal maneira se perde pelos céus, num movimento audacioso de alma, desejando o inimaginável mais belo do que tudo quanto em Notre-Dame foi imaginado e realizado.

Há uma apetência nossa daquela ousadia que sobe a essas alturas, que nos leva a dizer:

“Sim senhor! Eu não sabia que em mim mesmo havia uma camada de alma à espera de outra coisa.

“Mas, olhando Colônia, eu sinto essa camada de alma aparecer.

“Não é a harmonia perfeita, a simetria incomparável e a proporção entre o chão e o edifício que tem Notre-Dame.

“É o esplendor da desproporção, daquilo que se arranca não por subversão, mas por superação de todas as regras e as transcende, e diz:

“Positivamente! Universo com tuas lindas regras, eu te venero, eu te quero, eu faço parte de ti, mas de dentro de ti eu levanto a mão até o Autor do universo!”

Estes são os anelos de fundo de alma postos por Deus e preservados no capital da inocência da alma.

A alma vê a harmonia de Notre-Dame e se extasia, e não se sacia de contemplá-la, mas acaba percebendo que ela foi feita para um outro mundo que está por cima das regras da harmonia.

E o artista da Catedral de Colônia teve essa sacrossanta genialidade. Ele quis chegar até lá.

Eu gostaria que aquelas torres fossem mais distantes um pouco uma da outra. Que houvesse um pouco mais de lugar para a fachada.

Aquilo parece um pouco apertado. Por causa disso, janelas, vitrais, tudo é um pouco apertado também.

Quando eu comparo esse aperto com o espaço harmoniosamente preenchido por Notre-Dame, eu digo:

Catedral de Colônia, nave central
Catedral de Colônia, nave central
“Mas Notre Dame tem um outro estar à vontade do que essa Catedral apertada, que parece estar posta num colete. Linda! Tão bonita que a gente teria vontade de tirá-la do colete!”

Mas a atitude muda quando a gente compreende que as duas torres de Colônia, tão próximas uma da outra, parecem duas asas que sobem juntas para o Céu.

Se fosse uma torre só, perdia. Se fossem três, era demais. Tinha que ser aquelas duas, naquela distância e o resto é conversa. E vummm! para o céu.

O meu comentário seria: nunca, e nunca dos nuncas um avião subiu tão alto.

Todos nós já voamos a dez mil metros, sei lá quanto. Olhamos para a terra... O que é aquilo? É a minha sepultura, se eu cair. Não é outra coisa senão aquilo.

Agora, olhamos para a catedral de Colônia e dizemos: “Aquilo toca no Céu”.

Porque em Colônia a alma humana tem a sensação do Céu que foi tocado.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência proferida em 13/10/79. Sem revisão do autor).


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terça-feira, 5 de agosto de 2025

No Brasil, o maior sino do mundo

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Após um longo percurso — saindo por via marítima da Polônia, até tocar o Porto de Santos, em São Paulo —, o maior sino do mundo, batizado de “Vox Patris”, chegou à Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), onde fez ouvir por primeira vez sua voz.

Ele de tal maneira encantou os mais de 10 mil fiéis presentes, que estes pediram à Basílica para adicionar mais um horário em que ele seja badalado.

Os devotos externaram o profundo sentimento que o som do “Vox Patris” provocou em seus corações.

Análogas manifestações de sentimento e fervor religioso puderam ser observadas nas várias cidades pelas quais o sino passou, transportado por uma imensa multidão ao longo de aproximadamente mil quilômetros.

Sobre o simbolismo dos sinos, assim se expressou Mons. Jean-Joseph Gaume (1802-1879), célebre por sua ciência teológica :

“A sua voz proclama os grandes mistérios do Cristianismo, aumenta a devoção dos cristãos para cantarem novos cânticos na assembleia dos santos, e convidará os anjos a tomarem parte nos seus concertos.

“O sino faz tudo isto, porque esta missão lhe é confiada em nome d’Aquele que possui todo o poder no Céu e na Terra”.Mons. Jean-Joseph Gaume, L’Angelus au dix-neuvième siècle, Editions Saint-Remi, 2005)



Segundo o fabricante do “Vox Patris”, o sino produz um som de 120 decibéis, podendo se propagar num raio de até 10 km. Ele é o maior sino de badalo do mundo, pesando 55 toneladas.

Para que tanto volume? 

Voltemos a Mons. Gaume: “Cada badalada faz retinir ao longe os dois mistérios da morte e da vida — alfa e ômega —, necessários para orientar a vida do homem e consolar suas esperanças”.

É por isso que no ato de batismo do sinos “o bispo asperge o sino com água benta, conferindo-lhe o poder e o dever de afastar de todos os lugares onde seu som repercutir, as potências inimigas do homem e de seus bens: os demônios, os redemoinhos, o raio, o granizo, os animais maléficos, as tempestades e todos os espíritos de destruição”.

Nas redes sociais, fiéis também externaram o encantamento com o sino, como o internauta que falou sobre a expectativa da idosa mãe para escutar seu primeiro badalar, após tantos anos em que tantos sinos foram silenciados em holocausto a uma modernidade mal entendida, introduzida em muitas Igrejas.

“Minha mãe de 94 anos foi nesse momento ao lugar aonde seus pais chegavam de carro de boi para os festejos nos anos 30, 40 e 50!”

Outro fiel comentou: “É como se o coração da Romaria começasse a bater ali, anunciando que algo sagrado está prestes a acontecer”.

Mons. Gaume endossa essa atitude: “Um fato pouco notado é o amor dos verdadeiros filhos da Igreja ao sino e o ódio que lhe votam os inimigos de Deus.

“Uma das mais doces alegrias de nossos pais, ao se libertarem da Revolução Francesa, foi ouvir os sinos, emudecidos durante muitos anos. Nossos pais, na hora do perigo, faziam ouvir pelo Pai Celeste o som dos sinos, seu primeiro grito de alarme. O Senhor não permanecia muito tempo insensível à voz de seu povo”.

“É à Igreja que devemos o sino. A Igreja o ama como a mãe ama seu filho.

Logo que ele veio ao mundo, a Igreja o batizou e fez dele um ente sagrado. Porque o sino é destinado a cantar tudo o que há de santo e de santificante na Terra e no Céu”.

Por isso, na hora de batizá-lo, “o bispo, dirigindo-se ao próprio sino, o dedica a um santo ou a uma santa do Paraíso, dizendo-lhe, com uma espécie de respeitosa ternura: ‘Em honra de São [nome], a paz doravante esteja contigo, estimado sino’”.

“Cumpre que tenha também um padrinho e uma madrinha. O nome do sino é gravado abaixo da cruz em relevo, que o marca com o selo de Nosso Senhor e o consagra ao seu alto culto”. (Mons. Jean-Joseph Gaume, id. ibid.)
A sonoridade poderosa e solene do “Vox Patris” em seu primeiro toque inaugurou a Romaria do Divino Pai Eterno, que neste ano pode congregar entre quatro e seis milhões de peregrinos, segundo as previsões.


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terça-feira, 22 de julho de 2025

YORK: desponsório com a sublimidade de Deus

York: fachada principal
York: fachada principal
Luis Dufaur
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Os primeiros cristãos que saíram das catacumbas depois do Edito de Constantino não fizeram uma nova civilização.

Eles simplesmente cristianizaram o Império Romano, aproveitando o que tinha de bom e tirando o que tinha de ruim.

E começaram a viver num contexto cultural católico que entretanto, não era uma nova civilização.

Na Idade Média, a Igreja inspirou um passo a mais. Ela inspirou toda uma nova civilização.

Tudo quanto previamente foi animado pelos católicos foi preservado pela Idade Média. Foi ciosamente recolhido como tesouro precioso.

Mas, foi acrescido algo inteiramente novo. Nasceu assim a grande tradição medieval.

O que foi esse “a mais” que puseram os medievais?

Os católicos medievais fizeram um peculiar desponsório de alma com o sublime.

Em primeiro lugar, eles como que foram especialmente chamados para considerar e ver a sublimidade de Deus.

Em segundo lugar, eles viram a sublimidade total de Deus.

A torre-lanterna típica do gótico normando foi adotada felizmente pelo gótico inglês
A torre-lanterna típica do gótico normando foi adotada felizmente pelo gótico inglês
Quer dizer, como que viram a sublimidade de Deus no seu totum, na sua totalidade e não apenas enquanto refletida num aspecto.

E porque viram a sublimidade de Deus considerada no seu conjunto, a cultura medieval ficou imersa no lirismo do sublime.

Eles ganharam a capacidade de considerar todas as coisas em função do sublime. Eles se identificaram com o sublime.

E esta identificação deu a clave do espírito medieval.

A catedral de York está ali a testemunhar esse desponsório dos católicos medievais com a sublimidade total de Deus.



História e estilo

A Catedral de York (York Minster, em inglês) é a maior catedral de estilo gótico do norte europeu, localizada na cidade de York, Inglaterra.

É a sede do Arcebispo de York e catedral da Diocese de York.

A primeira Igreja no local foi uma estrutura de madeira construída às pressas em 627 para o batismo de Eduíno, rei da Nortúmbria. Uma estrutura de pedra foi completada em 637 por Osvaldo da Nortúmbria e foi dedicada a São Pedro.

Reis da Inglaterra
Reis da Inglaterra no altar
Em 741, a igreja foi destruída por um incêndio. Foi reconstruída como uma estrutura ainda mais impressionante, contendo trinta altares. Houve uma série de arcebispos beneditinos, incluindo Santo Osvaldo, São Wulfstan e São Ealdred.

O estilo ogival nas catedrais tinha chegado na Inglaterra em meados do século XII. Então, o arcebispo Walter de Gray ordenou a construção de uma estrutura gótica que se comparasse à Catedral de Cantuária.

A construção da catedral de York, um dos polos religiosos e culturais da Inglaterra católica, teve início em 1220. Mas, só foi completada e consagrada em 1472.

Tem uma planta em forma de cruz, com uma sala capitular octogonal ligada ao transepto norte, uma torre central e duas torres na frente oeste.

A pedra usada para a construção um calcário de cor branco-creme, extraído na cidade vizinha de Tadcaster.

A catedral tem 148 metros de comprimento e cada uma das suas três torres tem 60 metros de altura. O coro, que tem uma altura interior de 31 metros, só é superado em altura, na Inglaterra, pelo coro da Abadia de Westminster.

É a maior catedral de estilo gótico do norte europeu.

Alguns dos vitrais da Catedral de Iorque remontam ao século XII. A Grande Janela Oriental, com 76 pés de altura, foi criada no início do século XV, sendo o maior exemplo de vitral medieval no mundo.

Outras janelas espetaculares da catedral incluem uma rosácea ornamentada e a janela "Cinco Irmãs", com cinquenta pés de altura. Devido ao grande período de tempo ao longo do qual o vidro foi instalado.

Diferentes tipos de envidraçamento e técnicas de pintura que evoluíram durante centenas de anos podem ser vistas nas diferentes janelas.

Há cerca de 2 milhões de peças individuais de vidro que compõem os 128 vitrais da catedral.

A Reforma Protestante saqueou grande parte dos tesouros da catedral e roubou grande parte das terras da arquidiocese católica que foi supressa e, por fim, usurpada por um arcebispo anglicano cismático.

Só uma vista aérea permite apreciar a grandeza e a beleza da imensa catedral
Só uma vista aérea permite apreciar a grandeza e a beleza da imensa catedral

A rainha anglicana Elizabeth I presidiu um esforço concertado para remover todos os traços da Igreja Católica Apostólica Romana da Catedral. Ocorreram muitas destruições de túmulos, janelas e altares.

Nos séculos XIX e XX foi feito um trabalho de restauração bem orquestrado que continua até os presentes dias.

Video: Catedral de York: maravilha da Cristandade





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terça-feira, 8 de julho de 2025

Basílica de VÉZELAY: harmonia, distinção e aspecto prático aliados à beleza

Luis Dufaur
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A fotografia apresenta a fachada da Basílica Santa Madalena em Vézelay (França).

É uma igreja monástica, admirável exemplo de arte românica do século XII.

Como é diferente das igrejas modernas!

A porta central é prática: bastante grande para as multidões poderem entrar e sair facilmente do edifício.

Ela é elevada, de maneira que permite a entrada de altos estandartes.

A coluna central da porta divide a multidão que entra, evitando de início que as pessoas caminhem numa só direção.

Que lindo simbolismo há nisso!

Nota-se acima da porta uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo — figurando que Ele divide as vias do homem em duas:

a da direita, do amor de Deus; e a da esquerda, da perdição.

Ele divide os caminhos humanos.

Na parte superior do templo, vemos um lindo trabalho de escultura em pedra.

Os construtores colocavam nas igrejas da época esculturas para ilustrar algum fato da História Sagrada, da História da Igreja ou da história de um santo.

Assim, ensinava-se religião aos que entram nos templos.

Por essa razão as catedrais medievais foram denominadas "Bíblias em pedra".

As colunas, com muita nobreza, suportam todo o peso do edifício. Suficientes, dignas, mas como um carregador que não se verga ao peso da bagagem.

Como são diferentes de tantas colunas modernas atarracadas!

Podemos dizer que harmonia e distinção são as notas dominantes do conjunto do edifício, ao qual não falta um aspecto prático.

A arquitetura medieval, tanto de estilo românico quanto gótico, é considerada por muitos estudiosos modernos a mais prática que houve na História.

Não há nada num edifício gótico, por exemplo, que não tenha uma razão de ser prática. Nele, entretanto, tudo é belo.

Poder-se-ia fazer um longo estudo para provar que todos os aspectos analisados na Basílica de Vézelay têm uma razão de ser prática, mas aliada à beleza.

Um fato histórico importante contribui para aumentar o renome dessa obra-prima do estilo românico: nela São Bernardo de Claraval pregou a segunda Cruzada, em 1146.


Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 10 de fevereiro de 1974. Sem revisão do autor.



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