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terça-feira, 27 de julho de 2021

A sacralidade das abadias e mosteiros – O concerto dos campanários 2

Campanário da catedral de Toledo, Espanha
Campanário da catedral de Toledo, Espanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Continuação do post anterior: O concerto dos campanários – 1



A sacralidade das abadias e mosteiros


Hoje são cada vez mais raros os mosteiros e as abadias tradicionais com religiosos reclusos que consagram suas vidas à oração, ao estudo e ao trabalho numa Ordem religiosa.

Outrora a sua influência nas respectivas regiões era incalculável. Por que esse abandono, hoje?

O timbre dos sinos de uma abadia em geral é grave, solene, compassado. Sinos há que mais parecem feitos para anunciar a eternidade do que o tempo. “Ora et labora” é o lema dos beneditinos.

Reza e trabalha: na paz, na serenidade, no sofrimento aceito, por vezes na luta contra a tentação, mas sempre obediente à regra que conduz o religioso ao Céu.

As vidas de santos estão cheias de fioretti encantadores a respeito desses heróis da fé que civilizaram o mundo bárbaro e construíram a Europa cristã.

Pois foram sobretudo os beneditinos e também outras Ordens religiosas que secaram os pântanos, fizeram progredir a agricultura e por vezes até certas indústrias.

A invenção do champanhe no século XVII, por exemplo, é atribuída ao monge beneditino Dom Pérignon, da Abadia de Saint-Pierre d'Hautvillers, perto de Epernay, na região de Champanhe.

Numa visita à Abadia de Lérins, situada na ilha de St-Honorat, próximo de Cannes, na Côte d’Azur, ele conheceu o método de vinificação de vinhos espumantes ali criado, e aplicou-o com sucesso em sua terra.

Discretamente dava-se início à história do mais célebre vinho da Terra, com o qual se festejam todas as grandes comemorações.

A influência de uma abadia vai muito além dos limites onde chega o som de seus sinos.

Porque a presença de almas votadas ao sobrenatural lhes confere uma sacralidade que as transforma em símbolos permanentes do destino eterno dos homens.

Simplesmente por existirem, elas são como um farol, uma fortaleza, um refúgio e um estímulo para o comum dos mortais. E o toque do sino é um veículo sensível dessa mensagem que vem do Céu.

Felizes são as abadias que conservaram o tradicional canto chão, o canto gregoriano. Este é uma criação verdadeiramente divina da vida religiosa, de tal modo a sua melodia dá glória a Deus, eleva as almas e as predispõe para a contemplação.

Sinos da abadia de ETTAL, Alemanha:

A solenidade das catedrais

A catedral é a mãe das igrejas ou paróquias. O bispo é o pai dos fiéis. Não são os bispos os continuadores dos Apóstolos?

Campanário da capela dos Penitentes em St Côme d'Olt, França
Campanário da capela dos Penitentes em St Côme d'Olt, França
Por isso é bom e salutar que a catedral seja dotada de maior solenidade, que ela tenha o melhor templo, o melhor coral, o melhor órgão.

Pela mesma razão o carrilhão da catedral em geral é mais rico, a fim de exprimir a força da mensagem apostólica que da Sé deve partir.

Há muitos anos visitei a catedral de Bourges, no centro da França. Seus vitrais são lindíssimos e grande parte deles está à altura da vista do visitante.

Mas o que mais me impressionou foi ver a lista dos bispos daquela arquidiocese nos seus primeiros séculos: eram quase todos “santos de altar”, ou seja, canonizados, num tempo em que não se podiam dispensar as virtudes...

Talvez o leitor se surpreenda, pois hoje a ideia dominante sobre os bispos é voltada para a administração dos bens materiais da diocese, ou para insuflar a luta dos pobres contra os ricos.

Depois do Concílio Vaticano II, pode-se dizer que o bispo deixou de ser “pai” para ser administrador, político, comunicador ou manipulador de massas…

Com certo exagero, tudo, menos o pastor realmente preocupado em salvar as suas ovelhas. Que triste orfandade a destas últimas!

Sinos da igreja de São Sebaldo, em NÜRNBERG, Alemanha :


Como consequência dessa revolução silenciosa, quantas catedrais e igrejas foram depenadas, abandonadas, demolidas, para dar lugar a monstruosidades estéticas consideradas “obras de arte” por uma mentalidade modernista doentia.

Assim ficou rico o conhecido comunista carioca Oscar Niemeyer, arquiteto da sede do Partido Comunista Francês, em Paris, e da catedral de Brasília, entre outras numerosas “obras de arte” bastante discutíveis, para não dizer rejeitáveis.

Por que os modernistas destroem o que é tradicional e constroem o que é “moderno”?

Porque este último é igualitário, estapafúrdio, arbitrário, vulgar… Em suma, em vez de conduzir à ideia de Deus, produz o efeito contrário.

Campanário da capela de Santa Ana, La Baule, França
Campanário da capela de Santa Ana, La Baule, França

O modernismo é a arte do igualitarismo. O igualitarismo é a revolta contra todas as desigualdades, mesmo aquelas que são justas e proporcionadas, contra toda autoridade, toda superioridade, toda quintessência.

Seu lema poderia ser “non serviam”: não servirei, não aceito nenhuma superioridade. 

É o brado de revolta de Satanás contra Deus.

Mais de cinquenta anos de reformas litúrgicas introduzidas na Igreja a partir dos anos 60, e até bem antes, vão nesse sentido.

Qual o resultado? A apostasia em massa no clero e nos fiéis. Cito como exemplo a Ordem dos Jesuítas, que tinha 36.000 sacerdotes antes do Concílio. 

Dez anos mais tarde, nos anos 70, havia caído para 25.000…

Como exemplo de devastação do rebanho, lembro que o Brasil possuía entre 92 e 95% de católicos antes do Concílio.

Hoje, esse número está em cerca de 65%, sem contar que o número de praticantes é ínfimo e superficial. O protestantismo dito evangélico ganhou a maior parte dessa diferença.

Quem são os responsáveis por esse desastre?


Sinos da catedral de LIMBURG an der Lahn, Alemanha:

(Autor: Gabriel J. Wilson, CATOLICISMO, dezembro 2014)



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terça-feira, 13 de julho de 2021

O concerto dos campanários – 1

O campanário da catedral de Rouen, França  é o da direita.  A torre mais alta é a chamada 'lanterne'
O campanário da catedral de Rouen, França
é o da direita.
A torre mais alta é a chamada 'lanterne'
Luis Dufaur
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É meio-dia, soa o Ângelus. Alguns se recolhem e dirigem as suas preces ao Céu. Em geral eles estão mais orgulhosos de seu campanário paroquial do que de suas prefeituras.

É fácil compreender: o sino lhes fala mais ao coração do que os discursos prolixos e interesseiros dos políticos.

Sob vários pontos de vista, o sino é a alma da aldeia. Ele representa a Providência divina que vela sobre as misérias humanas.

Ele anuncia as alegrias e as tristezas, a vida e a morte. As missas, os batismos, os casamentos, os funerais… a vida inteira está sob o império sereno e acessível do campanário, ou seja, da Santa Madre a Igreja.

Não toquem no meu campanário…

Compreendeu-o bem a França profunda das pequenas aldeias. Por isso, ao longo dos séculos, seus habitantes marcaram com sua personalidade a variedade quase insondável de estilos de campanários.

Alguns são pontudos como agulhas, desafiando a lei da gravidade em busca do céu. Outros são fortes como torres de fortalezas, quadrados e altivos, abrigando os seus sinos.

Todos traduzem, de algum modo, as tendências primeiras do povo da região onde se encontram. Nada a ver com a massificação sem alma e sem personalidade dos edifícios modernos, que se podem construir iguais em qualquer lugar do mundo.

Sinos da catedral de LIMBURG an der Lahn, Alemanha :

Apesar de todas as devastações decorrentes das guerras, do protestantismo, do igualitarismo imposto pela Revolução Francesa, da dita modernização da vida e da decadência dos costumes, a França conserva ainda em seus panoramas belezas e doçuras que caracterizam a filha primogênita da Igreja.

Uma dessas belezas encontra-se na riqueza de estilos arquitetônicos. E como subproduto, a diversidade de campanários das igrejas e capelas, de acordo com a região ou sub-região onde se encontram.

Um campanário na Alsácia, na Bretanha, na Normandia, nos Alpes, na Borgonha, no Quercy ou na Provença podem até apresentar entre si diferenças de estilo maiores do que aquelas existentes entre alguns países.

Assim, as diferenças entre a Alsácia e a Bretanha talvez sejam maiores do que entre Portugal e Espanha, ou mesmo do que os países sul-americanos entre si.

A torre da municipalidade, símbolo do lugar

A torre da igreja como emblema de personalidade de um lugar ou de uma região tem seu êmulo civil nas torres dos edifícios públicos da municipalidade.

Beffroi da prefeitura de Arras na noite, França
Beffroi da prefeitura de Arras na noite, França
Na França, como por toda a Europa, a autoridade municipal é emblematicamente representada pelo edifício da prefeitura, do conselho, do ayuntamiento, ou câmara municipal, conforme os costumes do país.

Esses edifícios espelhavam geralmente um estilo próprio da região e tinham no campanário o seu ponto mais cuidado, sobretudo em Flandres, antigo condado hoje situado em parte na Bélgica e em parte no norte da França.

Os campanários flamengos são verdadeiras obras-primas de arte e simbolismo.

Com efeito, tratando-se de uma região que eminentemente comercia produtos de qualidade (como tapetes, tecidos etc.), a sua riqueza espelhava-se nos edifícios públicos, entre os quais o campanário desempenhava um papel saliente.

Com efeito, nos tempos de outrora em que as guerras eram feitas com exércitos de infantaria e tropas de cavalaria, o beffroi era a torre municipal destinada a dar o alarme em caso de aproximação do inimigo, para que a cidade pudesse organizar rapidamente a sua própria defesa.

São célebres os beffrois de Gand, Bruges, Arras, entre tantos outros.

Influências dos sinos na vida dos habitantes

Costumo ir a uma paróquia do Perche, na região central da França, tipicamente agrícola, onde se criou a raça de cavalos percheron.

Felizmente aí existem ainda famílias numerosas e uma presença considerável de crianças, que levam alegria aos lares, de maneira a causar inveja aos casais que evitam os filhos.

Terminada a missa, um dos prazeres inocentes dessas crianças consiste em disputar a corda do sino, pendurando-se nela ao sabor do vai-e-vem do badalo.

Campanário da igreja de Miremont, França
Campanário da igreja de Miremont, França
O rebimbar que assim produzem é claramente festivo, em contraste com a nota triste e compassada de um toque de finados.

Sim, os sinos transmitem harmonias que refletem certos estados de espírito. Ademais, eles são desiguais entre si, pelo tamanho e pela importância da capela, igreja, abadia ou catedral onde se encontram.

Sem falar nas maneiras de tocá-los, desde o triste anúncio de um enterro até o alegre bimbalhar de um dia de festa.

Os sinos das capelas em geral são pequenos e de timbre agudo. Por isso são festivos e quase diria juvenis. As igrejas são desiguais, conforme o seu tamanho e a sua importância. Podem até possuir carrilhões.

Mas, de um modo geral, as igrejas paroquiais situam-se numa mediania bem acima das capelas. Pelos toques do Angelus, ou de convite para a Missa, elas davam outrora vida à cidade e ao campo.

A vida material era regulada pelo influxo sobrenatural. E isso produzia na sociedade civil uma doçura no trato, uma seriedade no cumprimento do dever, uma riqueza de alma que inconscientemente ungia e amenizava as agruras da vida.

Emprego sempre o tempo passado, pois de há muito os sinos emudeceram devido à “fumaça de satanás” que penetrou na Igreja, para usar a expressão de Paulo VI. Hoje a vida doméstica é pautada sobretudo pelos programas de televisão.

Na vida das paróquias, haveria que acrescentar ainda dois outros elementos consonantes ao sino: o órgão e o coral.

Sinos da catedral de ERFURT, Alemanha :


Mas aqui as coisas se complicam, porque a música depende do compositor, o órgão do organista e o coral do maestro. E aí temos o confronto de escolas, de estilos, de interpretações.



quarta-feira, 30 de junho de 2021

A voz da catedral: o sino.
As bênçãos ligadas a seu som

Luis Dufaur
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O sino é quase tão antigo quanto à civilização.

Porém, como nós o conhecemos é um instrumento típico das igrejas católicas e dos prédios públicos da Cristandade.

Ele fica um instrumento religioso quando a Igreja Católica lhe confere suas bençãos e lhe comunica seu poder exorcístico numa cerimônia especial,

Os primeiros sinos eclesiásticos importantes apareceram nos mosteiros nos séculos IV e V, i. é, na ante-véspera e no iniciozinho da Idade Média.


Eles se generalizaram nas igrejas católicas já no século VII. Na dianteira saiu a região da Campania, na Itália, cuja capital é Nápoles. Do nome de Campânia vem a palavra "campana", com que também se designa o sino.


Mas, só a partir do auge da Idade Média, quer dizer, no século XIII que os progressos na fundição dos metais permitiram aparecer os grandes sinos instalados nas catedrais e grandes igrejas.

terça-feira, 15 de junho de 2021

A catedral medieval nos faz sentir no seio da Jerusalém celeste

Labirinto no chão da catedral de Amiens, França
Labirinto no chão da catedral de Amiens, França
Luis Dufaur
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“Penetremos na catedral. A sublimidade das grandes linhas verticais atua logo de início sobre a alma.

“É impossível entrar na grande nave de Amiens sem se sentir purificado. Unicamente por sua beleza, ela age como um sacramento. Ali também encontramos um espelho do mundo.

“Assim como a planície, como a floresta, ela tem sua atmosfera, seu perfume, sua luz, seu claro-obscuro, suas sombras. [...]

“Mas é um mundo transfigurado, no qual a luz é mais brilhante que a da realidade, e no qual as sombras são mais misteriosas.

“Sentimo-nos no seio da Jerusalém celeste, da cidade futura. Saboreamos a paz profunda; o ruído da vida quebra-se nos muros do santuário e torna-se um rumor longínquo: eis aí a arca indestrutível, contra a qual as tempestades não prevalecerão.

“Nenhum lugar no mundo pôde comunicar aos homens um sentimento de segurança mais profundo.

“Isto que nós sentimos ainda hoje, quão mais vivamente o sentiram os homens da Idade Média! A catedral foi para eles a revelação total.

terça-feira, 1 de junho de 2021

Ambiente sobrenatural da basílica de São Remígio

Fachada principal de Saint-Rémi
Fachada principal de Saint-Rémi
Luis Dufaur
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Pode-se imaginar a intensidade da graça do momento em que Clóvis, rei dos francos, foi batizado na catedral de Reims (França)?

Naquele momento nasceu para a Igreja Católica a nação francesa com todas as glórias que ela traria para Deus.

Nesse dia, a Igreja batizou a sua filha primogênita.

O batismo foi realizado na então catedral de Reims, que era muito mais pequena do que a atual e fora mandada construir por São Nicásio, Bispo de Reims.

O baptistério onde teve lugar a cerimônia foi descoberto há poucos anos, ao lado da magnífica catedral atual.

Podem-se imaginar graças de alegria, de afeto, de força, de entusiasmo, de energias naturais e sobrenaturais absolutamente novas nesse momento.

terça-feira, 18 de maio de 2021

“O rei te toca, Deus te cura”
‒ Após a sagração, os Reis tocavam contagiados, e curavam!

Catedral de Reims, nave central
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A catedral de Nossa Senhora de Reims ergue-se no lugar onde Clóvis, rei pagão dos francos, se fez batizar.

Por causa disto, os reis posteriores se faziam coroar na lindíssima catedral da capital de Champagne.

O prédio atual foi construído posteriormente no auge do gótico.

Na coroação do rei fazia-se uma cerimônia religiosa durante uma missa em que estava presente todo o episcopado, muitos dignitários eclesiásticos, o representante do Papa, todos os representantes da nobreza e do povo.

Todos estavam representados dentro da Catedral de Reims e outros fora, porque não cabiam todos dentro.

Em determinado momento, o rei era ungido com o óleo com que São Remígio tinha ungido Clóvis por ocasião do batismo.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Catedrais góticas: mistério mais grandioso que o das pirâmides do Egito

Amiens, França
Luis Dufaur
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A técnica é definida pela Escolástica, da mesma forma que as artes, como “recta ratio factibilium”.

Quer dizer, a reta ordenação do trabalho, ou também, a ciência de trabalhar bem.

Hoje, o mal uso da técnica, a empurra para produzir para além do que é bom, e espalhar instrumentos que afligem a vida dos homens.

Nos tempos em que o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições, a técnica produziu frutos que vão além do tudo o que a Humanidade conheceu previamente.

Um desses frutos inigualados foi ‒ e continuam sendo ‒ as catedrais medievais.

Até hoje especialistas tentam decifrar como fizeram os arquitetos da Idade Média para, com tão pobres instrumentos, criar obras colossais que “humilham” as técnicas modernas mais avançadas.

Os técnicos das mais variegadas especialidades da construção e também da física, da química e das matemáticas se debruçam para tentar descobrir como os medievais erigiram esses portentos arquitetônicos.

Mergulham eles nos “mistérios das catedrais”.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Esplendor do gótico e glória da Idade Média

Catedral de Burgos, Espanha
Catedral de Burgos, Espanha
Luis Dufaur
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Gótico! Quanta glória encerra esta expressão!

Quando a Renascença exumou a cultura clássica e rejeitou a civilização medieval, “gótico significava “bárbaro”, grotesco, próprio aos Godos.

Hoje, com o correr dos séculos, a pátina do tempo transformou “gótico” em sinônimo de “glória”.

Glória pelo esplendor da arte que elaborou o arco ogival e rasgou os céus com as torres de catedrais como as de Paris, Chartres e Colônia.

Glória pela civilização que extinguiu a escravidão, converteu os bárbaros, inventou as universidades e construiu os primeiros hospitais.

terça-feira, 20 de abril de 2021

A graça mística que agiu
nos construtores das catedrais medievais

A construção de uma cidade, templos religiosos e prédios públicos e privados
A construção de uma cidade, templos religiosos
e prédios públicos e privados
Luis Dufaur
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No homem medieval é preciso distinguir três categorias sociais essenciais:

1) o homem de oração e de estudo que é o clérigo.

2) o homem de luta e de ideal que é o guerreiro.

3) o homem de trabalho, na cidade ou no campo, que corresponde à plebe.

O próprio ao clérigo é um modo de considerar a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, não como um qualquer considera, mas com uma espécie de enlevo apaixonado.

Esse é o caso do bom clérigo, evidentemente. Há também o mau clérigo, ao qual esse elogio não pode caber.

Então, o que caracteriza o bom clérigo é uma espécie de paixão por Nosso Senhor Jesus Cristo por onde, por exemplo, se ele considera a Paixão e Morte de Nosso Senhor, é propenso a se compenetrar de tal modo que até chora.

Se considera a Anunciação, ou os mistérios gozosos, ele é propenso a fazer quadros como os de Fra Angélico.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Arundel: catedral da fidelidade ao catolicismo

Arundel catedral-santuário de um duque mártir
Arundel catedral-santuário de um duque mártir
Luis Dufaur
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A Igreja Catedral de Nossa Senhora e São Filipe Howard é uma catedral católica na cidade de Arundel (West Sussex), Grã Bretanha, com uma história única.

Ela foi construída em 1873 como igreja paroquial, mas o esplêndido templo se tornou catedral em 1965 com a fundação da diocese de Arundel-Brighton.

A construção da catedral se deve à família Howard, Duques de Norfolk e Condes de Arundel, uma das famílias católicas mais proeminentes da aristocracia inglesa, instalada no Castelo de Arundel desde 1102 até hoje.

O duque de Norfolk é, por direito histórico reconhecido pela monarquia protestante inglesa, Primeiro Duque dos Pares de Inglaterra, membro hereditário da Câmara dos Lordes, Marechal Hereditário da Inglaterra.

Enquanto conde de Arundel também é Primeiro Conde do Reino inglês. Os Condes de Arundel têm também os títulos de Duque de Norfolk e outros subsidiários.

terça-feira, 23 de março de 2021

Entusiasmo impulsiona restauração de Notre Dame como na Idade Média

Já foram escolhidos os oito carvalhos de dois séculos para a agulha de Notre Dame
Já foram escolhidos os oito carvalhos de dois séculos para a agulha de Notre Dame
Luis Dufaur
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Com presteza e exigência já foram escolhidos os oito majestosos carvalhos da floresta de Bercé, centro-oeste da França, velhos de dois séculos, cuja preciosa madeira apresentou as melhores qualidades para sustentar a futura agulha de Notre Dame de Paris, noticiou “Clarin”.

São árvores incomuns, com mais de 20 metros de altura em seu tronco útil e um metro de diâmetro, selecionadas pelos arquitetos-chefes Philippe Villeneuve e Rémi Fromont.

Esses carvalhos vão garantir as fundações de uma estrutura de cerca de 300 toneladas.

Foram procuradas com drones que elaboraram os perfis de cada uma em 3D.

As árvores deviam ser ligeiramente curvas para acompanhar as abóbadas e se juntar às colunas do transepto.

terça-feira, 9 de março de 2021

Escola de sabedoria e santidade

Catedral de Salisbury, Inglaterra
Catedral de Salisbury, Inglaterra
Luis Dufaur
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Quando nós vemos a Catedral de pedra e o povo que passa, entra e sai, podemos dizer: “Como os homens gostam dela!”

Podemos dizer também: “Deus, no mais alto do Céu, como gosta dela!”

Mais do que isso, Deus no mais alto do Céu gostou, e Nossa Senhora gostou do nosso encanto por aquela Catedral.

Porque mais belo do que a Catedral é o amor que o homem tem à Catedral.

Porque o homem é a obra-prima de Deus nesse universo visível.

E todos os movimentos de alma, para amar aquilo que o Espírito Santo sugeriu para a glória de Deus, são mais belos do que as coisas materiais que o homem faz.

E quando nós sorrimos para a Catedral, Deus e Nossa Senhora sorriem para nós.

E assim é o tesouro de belezas que há no fundo da alma do inocente.

É uma forma de luz.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Catedral de ANTUÉRPIA: lições de sua profanação

Nossa Senhora na catedra de Antuérpia
Nossa Senhora na catedral de Antuérpia
Luis Dufaur
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O padre Bernardes, na “Nova Floresta” conta a história de “Os calvinistas, na catedral de Antuérpia”, Bélgica.

“No dia 21 de agosto de 1566, uma caterva de hereges calvinistas penetrou, à noite, na catedral de Antuérpia.

“Um deles, simulando um sinal, entoou um salmo de Davi, em língua francesa, e logo os outros arremeteram furiosamente contra as imagens de Cristo, de Nossa Senhora dos santos, que havia na igreja.

“A umas derrubavam, a outras calcavam aos pés, e outras estoqueavam com as espadas, e a outras ainda, arrancavam as cabeças com machados.

“Um grupo deles, saltando sobre os altares, arremessava ao chão os vasos sagrados, rasgavam os painéis dos retábulos, borravam e enchiam de imundícies as pinturas das paredes, e outros grupos quebravam os vitrais e estilhaçavam o órgão e demais santos das cornijas e dos capitéis.

“Uma antiga e devotíssima imagem de um crucifixo de grande tamanho foi derrubada e cortada em achas, como lenha, conservando-se intacto os dois ladrões que ladeavam a cruz”.
Isso é característico do espírito protestante. Derruba Nosso Senhor e deixa os ladrões.

Se eles tivessem que derrubar um dos ladrões derrubavam o bom ladrão, São Dimas. O outro continuava de pé.

O provérbio português diz: lê com lê, cré com cré. Assim, o herege poupa o ladrão, mas profana a casa de Deus.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Maravilhosa resistência de Notre Dame de Paris permite restauração veloz

resistência de Notre Dame de Paris permite restauração veloz
Resistência de Notre Dame
permite restauração veloz
Luis Dufaur
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A estrutura de andaimes metálicos de 500 toneladas ficou ferozmente deformada no incêndio de Notre Dame tendo se incrustado nos muros por derretimento.

Podia se temer que na hora de tirá-la acontecessem abalos na estrutura da catedral.

Porém, o árduo e perigoso trabalho de desmonta-la cortando-a parte por parte concluiu na noite de 24 de novembro e “A Grande Dama de Paris” permaneceu impávida se sustentando por si própria, malgrado os graves danos no seu teto e agulha.

A majestade que irradiava explicou a exclamação da ministra de cultura francesa, Roselyne Bechalot: “a catedral de Notre Dame foi salva”, noticiou “Clarín”.

Ficaram afastadas as hipóteses de que colapsasse o monumento histórico mais famoso da França.