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terça-feira, 11 de agosto de 2020

Catedral de BOURGES: hierarquia e beleza duma Bíblia em pedra e cristal

Bourges, espessura paredes

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Meçam a espessura da parede!

Quantos santos ou anjos há em pé! É extraordinário!

Entretanto, não são mais que alguns pormenores da catedral de Bourges, na França.

Essa catedral está dedicada a Santo Estêvão, o primeiro mártir cristão, e por isso conhecido também como protomártir.

Bourges, fachadaA catedral de Bourges é considerada uma obra-prima da arquitetura gótica. Sua fachada tem 40 metros da largura sendo a maior nesse estilo.

A construção iniciou-se em 1195, praticamente ao mesmo tempo com a catedral de Chartres.

O coro (parte atrás do altar mor), foi completado em 1214; a nave (que é a parte maior) em 1225.

A fachada, mais rica e complicada foi terminada em 1250.

O todo, que inclui torres e anexos, foi consagrado em 13 de maio de 1324.

A parte que toca no chão são coluninhas vazadas, muito delicadas, que foram por sua vez esculpidas.

É quase que uma orgia de trabalho, de dedicação, uma extraordinária manifestação de fé.

No centro da fachada, sem considerar as portas, o grande ponto de convergência da decoração é a rosácea grande em cima.

Depois há um espaço liso, e depois para baixo começam ogivas. Espaço livre é quase nenhum.

Todas essa partes laterais estão para a rosácea, como as portas laterais estão para as portas do centro.

A rosácea é a rainha com suas damas.

A catedral de Bourges é a expressão arquitetônica do espírito hierárquico de sua época.

Bourges, portaTudo nela é hierarquia, classe, categoria.

É o espírito da Idade Média.

As catedrais eram feitas para conter a população inteira da cidade. A cidade inteira era católica.

A igreja é o palácio de Deus, e no palácio de Deus deve haver um lugar de destaque para o rei, ou para o senhor feudal, para as autoridades municipais, sobretudo para as autoridades eclesiásticas, mas deveria caber o povinho de Deus inteiro.

Será que esta catedral se enche hoje como se enchia outrora? Eu temo que não.

* * *

Dividindo as portas há um símbolo muito bonito.

Os medievais poderiam ter feito um portal só mas eles fizeram duas portas.

Separando as duas portas há uma colunazinha com uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, e um dossel sobre a imagem dEle.

Bourges, botareusA ideia era apontar aos que entravam Cristo como divisor dos caminhos.

* * *

Esses são chamados botaréus, do lado de fora da igreja.

Os medievais não conheciam bem os cálculos necessários para garantir a estabilidade do edifício.

Do lado de fora punham esses arcos para evitar que o edifício ruísse.

São verdadeiras escoras colocadas de encontro à cúpula central da catedral.

Mas as escoras são tão bonitas, elegantes e leves, que se pensasse em tirá-las, os artistas do mundo inteiro protestariam.

De fato, esses botaréus resultam de um desconhecimento de certas regras de cálculo. Mas quando se tem uma grande alma até o não-conhecer leva ao belo.


* * *

Os vitrais de Bourges são verdadeiros vitrais. Não é vitralzinho marca zero. Aquilo é mesmo vitral! É de se ficar maravilhado.

Formam verdadeiras rendas de vidro. Neles há um porção de figurinhas que se movem, falam, gesticulam.

Em geral são episódios do Antigo e do Novo Testamentos mais alguns episódios históricos da Cristandade e da vida dos santos.


Na última divisão há um tampo de uma sepultura que está abrindo, e os mortos estão saindo por ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo para o Juízo Final.

A cruz está presente em tudo. Cada divisão é dominada por uma cruz.

Notem aquele azul. Um azul profundo! Lindíssimo! Lembra o azul de certas asas de borboletas do Brasil.

No centro do vitral da rosácea há uma figura: é o Cristo gladífero de que nos fala o Apocalipse.

A combinação de cores maravilhosa encanta a gente!

Dentro desses virais tem lições para quem?

Para os analfabetos! Os que não sabiam ler e escrever tinha uma verdadeira Bíblia nos vitrais.





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terça-feira, 28 de julho de 2020

Amiens e a nobreza absoluta de Deus

Amiens: uma das maiores catedrais do mundo, entrada do Paraíso
Amiens: uma das maiores catedrais do mundo, entrada do Paraíso
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na catedral estão como que contidas todas as qualidades das igrejas da diocese, ou arquidiocese.

Por exemplo, o lado mimoso da Sainte-Chapelle aflora na flecha da catedral Notre-Dame de Paris.

Porque a Sainte-Chapelle, de algum modo, está contida na catedral.

A catedral é sempre o padrão global, glorioso, total, talvez único das igrejas.

Nas penumbras criadas pelos vitrais da catedral de Amiens, em certos modos de ser das ogivas internas das colunas dentro dela, em algum toque do órgão, entram imponderáveis da concepção sobrenatural do universo.

Amiens: penumbras que falam da ordem sobrenatural do universo
Amiens: penumbras que falam da ordem sobrenatural do universo
Ela é a mais ampla da França (200.000 m3).

Junto com as catedrais também dedicadas a Nossa Senhora em Chartres e Reims, e a de Santo Estêvão em Bourges, formam o arquétipo do gótico clássico com elementos do gótico rayonnant.

Sua extensão é de 145 metros e sua altura interior atinge 42,30 metros.

Construída entre os anos 1220 e 1288 visava especialmente acolher a multidão de romeiros que vinha venerar o crânio de São João Batista.

A valiosíssima relíquia foi trazida do Oriente por Wallon de Sarton, cavaleiro cruzado.

Encontramos na catedral coisas que nós, no Paraíso, teríamos conhecido e que nossa alma está sedenta de ver depois da queda do pecado original.

Para o varão justo entrar na catedral medieval é como entrar no paraíso reencontrado.

Na catedral, o justo encontra Aquele que é o ser por excelência, é tudo.

Catedral de Amiens, colorida com jatos de luz na noite
Catedral de Amiens, colorida com jatos de luz na noite
E, portanto, encontra o pináculo da nobreza.

Deus não é apenas nobre, Deus é a nobreza.

E a nobreza está na catedral de Amiens como uma força que remontao espírito para cima, sem deixar de ter raízes metafísicas possantes, nem deixar de ser muito bonita e de grande valor.

A nobreza da catedral consiste não apenas em ter perfeição. Mas ter uma perfeição que a supera a si própria.

Então, ela toca numa categoria mais alta do que ela, toca no próprio Deus.

Amiens torna sensível a presença de Deus
Amiens torna sensível a presença de Deus
Isto é propriamente a nobreza da catedral: um grau de excelência tão esplendoroso, tão raffiné, tão distinto, tão resistente, tão forte, tão saudável, tão durável que ao mesmo tempo pode servir como enfeite ou como uma cidadela de defesa.

Ela realiza um grau de perfeição que está acima das qualidades boas que ela têm.

Porque ela fala e, por assim dizer, torna sensível Alguém que é infinitamente mais do que ela: o próprio Deus.


Amiens: a catedral mais vasta do mundo





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terça-feira, 14 de julho de 2020

A lógica de Notre Dame e o arrebato do estilo bizantino

Notre Dame de Paris
Notre Dame de Paris
Luis Dufaur
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Notre Dame é irrepreensível, ordenada, perfeita, lindíssima, tudo lógico, mas um lógico com poesia.

São as lógicas não do filosofastro, mas as lógicas da mãe de família, do pai, da vida, é essa lógica, verdadeira.

Então é disso que às vezes a arquitetura apresenta.

Mas às vezes a arquitetura borbulha, e apresenta coisas meio inesperadas.

E é o próprio movimento da alma religiosa, nos seus entusiasmos, êxtases, impulsos, generosidade, nos lances a la Santa Teresa de Jesus por exemplo, que deixam a alma desconcertada diante de sua grandeza, a la Santo Inácio de Loyola, etc.

Basílica de Santo Antonio, Padova, Itália.
Basílica de Santo Antonio, Padova, Itália.
Isso se exprime mais na arquitetura religiosa da Igreja Grega do tempo que estava unida à Igreja Católica.

Os cismáticos levaram consigo, roubaram, como tantas outras coisas.

E daí vem o jogo de várias cúpulas que borbulham como o mar se move e que se nota em Santo Antônio de Pádua.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 25/11/88. Sem revisão do autor.)



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terça-feira, 30 de junho de 2020

Ruínas da abadia de Beauport evocam as Lamentações do profeta Jeremias

Luis Dufaur
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A abadia de Beauport está situada em Kérity, Paimpol, na antiga Bretanha, França.

Ela foi fundada em 1202 pelo conde de Penthièvre e de Goëlo, Alain I d’Avaugour.

O conde chamou aos cônegos regulares premonstratenses da abadia da Santíssima Trindade da Lucerna, na vizinha Normandia.

Os premonstratenses foram fundados por volta de 1120 pelo arcebispo de Magdeburgo, São Norberto de Xanten.

Um século depois a ordem contava mais de 600 casas instaladas desde a Irlanda até Chipre e desde a Suécia até Itália.

Para erigir uma abadia era preciso dinheiro e terreno.

O conde de Penthièvre doou aos Premonstratenses um terreno sobre uma pedra junto ao córrego Correc e uma zona de pântano conhecida como “pradaria dos marrecos”.

Mas os monges logo perceberam que o local se prestava para um “belo porto” (o “beau port” que originou seu nome).

Em 1203, o Papa concedeu-lhes numerosos privilégios e os religiosos iniciaram a construção do mosteiro. Eles garantiam o atendimento das paróquias vizinhas.

Os Papas acompanhavam zelosamente o trabalho dos monges.

Prova disso é que em 1207, o Santo Padre escreveu ao abade de Beauport exortando-o a preservar a língua local, o bretão e só nomear para as paróquias padres que falassem essa língua.

A abadia foi muito próspera nos séculos XIII e XIV, e ainda no XVII e no XVIII.

A crise desencadeada pelo libertinismo laicista que deu na Revolução Francesa foi esvaziando-a de vocações.

Por fim, o laicismo tirou sua máscara liberal e voltou-se furiosamente contra a Igreja Católica e suas maiores manifestações, muitas e muitas vezes geradas na Idade Média.

Assim, a revolução de 1789 fechou a abadia em 1790. Desde então, o prestigioso prédio foi sendo depredado para tirar material de construção.

As ruínas falam da grandeza passada.

Sobre elas pode bem se rezar a Oração e as Lamentações que o profeta Jeremias fez a propósito das ruínas de Jerusalém (trilha sonora do vídeo embaixo).

Nesta perspectiva, a destruição não consegue apagar a esperança inabalável que um dia essas ruínas reviverão como Jerusalém após o longo cativeiro de Babilônia.

Porque a alma delas é imortal: é a própria Santa Igreja Católica Apostólica e Romana.

(Fonte: Wikipédia)

Vídeo: Abadia de Beauport
CLIQUE NA FOTO





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