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terça-feira, 26 de março de 2019

Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 2

Sala dos Lords, trono da rainha, Pugin
Sala dos Lords, trono da rainha, Pugin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Continuação do post anterior: Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 1





Pugin levou seu combate para o coração das cidades industriais de Birmingham e Sheffield, as quais achava “minas inesgotáveis de mau gosto”, infestadas de “edifícios gregos, chaminés fumegantes, agitadores radicais e dissidentes”.

A igreja de São Chad, que Pugin construiu em Birmingham no meio da sujeira do bairro dos fabricantes de armas, tornou-se a primeira catedral inglesa construída após a de Saint Paul.

Politicamente, Pugin poderia ser definido como um radical conservador.

Ele queria reformar a sociedade levando-a de volta a uma hierarquia benigna, a um medievalismo romântico.

Nessa nova ordem medieval cada classe poderia olhar para aquela que lhe era superior e dela receber apoio, enquanto os de cima aceitavam a responsabilidade de proteger os que estavam embaixo.

Em 1841, ele publicou a segunda edição do Contrastes, acrescentando todo um panorama moral.

A cidade medieval, com seus capiteis graciosos e suas sólidas muralhas, era confrontada com o seu equivalente moderno de muros em cacos, capiteis em ruínas e o horizonte dominado por olarias e fábricas.

A igreja de St Giles em Cheadle é um exemplo da arquitetura de Pugin
A igreja de St Giles em Cheadle é um exemplo da arquitetura de Pugin
Seus imitadores – todos eles mais vulgares e despreocupados – lhe roubaram grande parte da clientela.

Seu trabalho no Parlamento de Westminster havia se tornado uma rotina monótona e mal paga.

Por uma triste ironia, seu último projeto, feito em janeiro de 1852, estava destinado a ser o mais famoso: a torre do relógio do Palácio de Westminster, o célebre Big Ben.

Ele morreu em setembro de 1852, aos 40 anos de idade.







(Fonte: Rosemary Hill, autora de Arquiteto de Deus: Pugin e construção da Grã-Bretanha romântica (Penguin Ed.). Clarin Arquitectura, Buenos Aires, 2012/05/03)




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terça-feira, 12 de março de 2019

Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 1

Big Ben, obra mais famosa de Pugin, simbolo da Inglaterra
Big Ben, obra mais famosa de Pugin, simbolo da Inglaterra.
Todas as fotos deste post são de obras de Pugin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
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O estilo de uma época pode ser um fator de regeneração social, cultural, moral e religiosa? Evidentemente, depende do estilo.

Mas, em concreto, o estilo gótico poderia ser – e segundo veremos abaixo, historicamente o foi – um fator poderoso para a recuperação social e moral de um país.

E, em concreto, para a Gra-Bretanha do século XIX, segundo o mais famoso arquiteto inglês dessa época A. W. N. Pugin.

Pugin é o criador do famoso Big Ben, hoje símbolo de Londres e da Inglaterra.

Augustus Welby Northmore Pugin, nascido em Londres em 1º de Março de 1812, tinha apenas 24 anos quando publicou o livro Contrastes.

O autor ofereceu nele todo um programa que redefiniu a arquitetura como uma força moral, imbuída de significado político e religioso. Foi um primeiro ensaio sobre os problemas da cidade moderna.

Uma década depois, aconteceram os primeiros surtos de cólera e alguns dos piores episódios de agitação civil na história britânica.

Em Bristol o Palácio do Bispo foi queimado pelos manifestantes, e em Nottingham o castelo foi destruído.

Altar de Nossa Senhora na catedral de Leeds, Inglaterra
Altar de Nossa Senhora na catedral de Leeds, Inglaterra
A mensagem de Pugin era simples: se algo está errado em nossas cidades, algo está errado conosco, sendo necessárias reformas na sociedade e na arquitetura.

Em Contrastes ele defendeu um renascer da arquitetura gótica medieval, e com ela um retorno à fé e às estruturas sociais da Idade Média.

Cada desenho reproduzia um prédio urbano moderno comparado com o seu equivalente no século XV.

Assim, a representação de uma pousada no estilo tardio da época do rei George, construída grotescamente num bloco de casas geminadas, aparecia ao lado do Hotel Angel de Grantham com suas sacadas encantadoras e suas adegas repletas de cerveja.

Um de seus mais lucrativos empregos consistiu em fornecer detalhes decorativos para o projeto vencedor do Parlamento de Londres.

Ele desenhou alguns de seus mais admirados ambientes, como o interior da Câmara dos Lordes.

Capela do Santissimo Sacramento em Cheadle
Capela do Santíssimo Sacramento em Cheadle
Pugin propôs-se reconstruir a Grã-Bretanha através de uma Cristandade gótica católica.

Foi uma cruzada inimaginável, mas o sucesso foi maior do que o esperado.

Quando completou 30 anos, Pugin havia construído 22 igrejas, três catedrais, três conventos, meia dúzia de casas, escolas diversas e um mosteiro cisterciense.


continua no próximo post: Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 2



(Fonte: Excertos de Rosemary Hill, autora de "Arquiteto de Deus: Pugin e a construção da Grã-Bretanha romântica" (Penguin Ed.). Clarin Arquitectura, Buenos Aires, 2012/05/03)




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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Capela de Karlstein: vocação do mundo germânico e eslavo, degustação do Céu

Na Grande Torre do castelo de Karlstein, a capela da Santa Cruz.
Na Grande Torre do castelo de Karlstein, a capela da Santa Cruz.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A capela da Santa Cruz, no castelo de Karlstein, hoje na República Checa é uma lição viva de muitas grandes e nobres realidades.

Veja também o post anterior: Karlstein: a capela nobre que encarna a gravidade com o ornato

Toda incrustada de pedrarias, é uma amostra do que deveria ter sido o mundo teutônico imperial.

O mundo germânico tem a vocação de evangelizar o mundo oriental, aliás dominado pela Rússia cismática.

Ele não deveria ter se engajado nas devastadoras guerras contra a Europa Ocidental, notadamente contra a França sua vizinha.

Deveria ter voltado suas extraordinárias energias para converter e civilizar a Rússia. Teria assim levado a Religião Católica até as praias do oceano Pacífico.

Em alguma medida isso foi feito pelos gloriosos e míticos cavaleiros da Ordem Teutônica.

Esplendor com nota eslava na capela da Santa Cruz de Karlstein.
Esplendor com nota eslava na capela da Santa Cruz de Karlstein.
Seguindo o rumo oposto, a França, a Espanha e o Portugal deviam dominar o Norte da África e o Oriente Próximo para ali expandir a Fé.

E, coisa nada pequena, partir para a conquista de América e do Oriente para instaurar o reinado de Jesus Cristo.

Cavaleiro na capela de Karlstein, Maestro Teodorico de Praga, 1536
Cavaleiro na capela de Karlstein,
Maestro Teodorico de Praga, 1536
Isso em parte foi felizmente realizado. Assim nasceu a América Latina, o Canadá católico e até as Filipinas!

À Áustria correspondia evangelizar os povos da Europa Central e dos Bálcãs. Entre essa miríada de povos muito difíceis de conciliar entre si, estão os tchecos.

Com eles convertidos, a Áustria daria origem a uma civilização de fábula do qual a capela de Karlstein é um modelo acabado.

Os ícones incrustados nas paredes e pintados entre pedras semipreciosas estão cheios de vida e combatividade.

No todo da capela há uma certa participação do espírito eslavo que já toca no mundo russo.

Evoca, ainda que em pequena medida, os esplendores deslumbrantes do antigo Kremlin dos czares.

A capela tem mistério, mas não insinua nada de conspiração malévola.

Coroa imperial, dita de Carlos Magno, feita de pedras não lapidadas
Coroa imperial, dita de Carlos Magno,
feita de pedras não lapidadas
Enquanto que no Kremlin russo, nascido e desenvolvido no cisma rompido com o catolicismo, tudo fala de crime, de conspiração malévola.

De personagens meio demoníacos como Rasputin que dão vontade de sair de dentro.

Mas em Karlstein não há nada à la Rasputin, porque tem a bênção da Igreja.

Há mistério, mas é o mistério do sobrenatural banhado pela graça de Deus.

A capela da Santa Cruz foi feita por um povo militar e militante que deveria ter conquistado as estepes para a Igreja.

As pedras não são lapidadas porque tal vez eles não sabiam lapidar. Mas é um não lapidado mais bonito que muitas pedras lapidadas.

A mesma beleza rude e deslumbrante encontramos na coroa imperial de Carlos Magno.

Há, portanto, alguma coisa de primitivo, que remonta ao tempo da invasão dos bárbaros, mas com um sinal positivo cheio de vida.

A capela fica no alto da torre mais larga coroada com uma Cruz
A capela fica no alto da torre mais larga coroada com uma Cruz
A capela é como uma bênção dada por Nossa Senhora àqueles que nela ingressam.

Quem entra pode se considerar abençoado por Nossa Senhora. Como se Ela dissesse: “Meu filho, o que tu procuravas, aqui está. Olhe agora!”

Sem dúvida, ela é meio capela e meio salão temporal.

É meio uma sala de armas onde também se poderia perfeitamente cantar gregoriano ou rezar o Ofício.

Essa capela não foi única no estilo. Houve um espírito geral difuso na Europa medieval, que gerou mil capelas, igrejas, catedrais, salas, salões e castelos que participavam do mesmo estado de alma.

A Sainte-Chapelle, por exemplo, em Paris, mandada fazer por São Luis rei da França, está penetrada desse espírito.

Nelas, as pessoas viviam e rezavam dentro do fabuloso. Se preparando para o fabuloso eterno que é a contemplação de Deus no Céu empíreo por toda a eternidade.





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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Karlstein: a capela nobre que encarna a gravidade com o ornato


Luis Dufaur
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A capela do castelo de Karlstein, próximo à cidade de Praga, construído em 1348 por Carlos IV, Imperador do Sacro Império Romano Alemão e Rei da antiga Boêmia é simplesmente fabulosa.

É de um gênero com aparência de capela, recinto de uso social e também sala de armas.

Ela está consagrada à Santa Cruz.

Pode-se perfeitamente entoar nela o cantochão e rezar o Ofício.

Um órgão, sendo tocado aqui, ficaria muito bem. Trombetas, sinos...

A união da gravidade com o ornato está perfeitamente realizada.

As pedras das paredes não são lapidadas; adquirem assim um quê de primitivo lembrando algo da invasão bárbara.

Comparando-se outras obras muito admiradas com o que se vê nesta maravilha, as outras ficam bastante apequenadas.

Por exemplo, a Escola de Equitação de Viena, com sua arte de transformar cavalos em bibelôs.

Tudo quanto tende ao bibelô fica superado.

Três fileiras de quadros mostram sucessivamente santos, bispos e, na última, guerreiros ou imperadores com seus escudos.

Os personagens dos quadros parecem fixados em algo ainda mais alto, na própria fábula, vivendo num céu superior a esse ambiente.

Ou seja, amados por Deus, fixados por toda a eternidade no brilho da História, admirados pelos homens e na bem-aventurança diante de Deus.

Homens que tivessem o espírito consoante com o desta capela jamais teriam contemporizado com o protestantismo ou se deixado esmagar pela Revolução Francesa. Jamais!



(Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 15 de abril de 1979. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.)




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