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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

ROUEN: a glória de Deus, cantada pela flecha de um templo altaneiro


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Rouen, a cidade onde Santa Joana d'Arc foi martirizada pelos ingleses, possui uma das catedrais góticas mais belas da França.

Na ilustração da catedral, observe seu enorme impulso rumo ao céu.

A torre vai se adelgaçando, e dir-se-ia que a sua ponta vai se transformando em céu.

A tal ponto que não se sabe bem se a ponta é mais ar do que terra, mais luz do que pedra.

Demonstra uma vontade de subir, reflete uma elevação de alma.

No prefácio da sua História de Santa Isabel de Hungria, Montalembert(*) conta um fato bem significativo.

Um maometano, preso pelos cruzados, recebeu licença de viajar pela Europa.

Conheceu catedrais medievais, e perguntou quem as construíra.

Mostraram-lhe o irmão leigo de um convento, e explicaram-lhe:

“Esses são os homens que constroem tais monumentos”.

Observou então o islamita:

“Como podem homens tão humildes construir edifícios tão altivos?”

Essa pergunta sintetiza a alma católica: humilde quanto a si mesma, mas insaciável de glória para Deus.

Nesse templo religioso, a glória de Deus é cantada por uma flecha que, simbolicamente, atinge um píncaro mais alto que todos os edifícios.

Símbolo da Igreja e da sociedade temporal católica.

A Igreja paira acima de tudo.

Ela e a Cristandade cantam a glória de Deus.


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(*) Carlos Forbes Renato de Montalembert, conde de Montalembert, literato e político francês, nasceu em Londres em 1810 e faleceu em Paris em 1870. Chefe do partido católico liberal, autor de inúmeras obras.
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Rouen, localizada no noroeste da França (Normandia), é conhecida como a cidade-palco do martírio de Santa Joana d’Arc, em 1431, na Place du Vieux-Marché.

Seu monumento mais prestigioso é a maravilhosa Catedral Notre-Dame de Rouen, obra-prima da arte gótica, construída entre os séculos XII e XV.

Sua fachada é constituída por 3 portais e duas torres assimétricas — a Tour Saint-Romain e a Tour du Beurre.

Sua flecha, uma agulha neogótica em ferro fundido, foi edificada entre 1825 e 1876, sendo a mais alta da França.

Na época de sua construção era a mais elevada do mundo, com 151 metros de altura.

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(Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 10.02.1974. Sem revisão do autor.)




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quarta-feira, 18 de julho de 2018

O simbolismo das catedrais góticas

Luis Dufaur
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O simbolismo das catedrais escapa ainda à ciência moderna, embora nos últimos anos se tenha dado um grande passo em frente, graças sobretudo aos trabalhos admiráveis de Emile Mâle.

Descobriu-se recentemente o simbolismo das pirâmides do Egito, e deve-se ver nelas o testemunho de uma ciência muito profunda, de autênticos monumentos de geometria, matemática e astronomia, embora ressalvando os exageros de alguns ocultistas.

Resta-nos descobrir o simbolismo das catedrais, dessas igrejas familiares que são um apelo à oração, ao recolhimento, talvez à mais maravilhosa das sensações humanas, que é o espanto.

Estamos longe de dominar o seu segredo.

Ainda não penetramos a fundo no porquê dos pormenores de arquitetura ou de ornamentação que as compõem, apenas sabemos que todos esses pormenores tinham um sentido.

Não há uma única dessas figuras — que rezam, fazem carantonhas ou gesticulam — colocada gratuitamente, todas possuem a sua significação e constituem um símbolo, um signo.

Nos vitrais, os nossos sábios ainda não foram capazes de descobrir a sua completa interpre¬tação, embora os simples camponeses lessem neles como num livro.

Nem sempre conseguimos identificar esses rostos, que outrora uma criança teria podido nomear.

Sabemos que as nossas catedrais estavam orientadas, que o seu transepto reproduz os dois braços da Cruz, mas faltam-nos ainda muitas noções para podermos penetrar no seu mistério.

A construção das catedrais participa da ciência dos números, esses números que são a harmonia do mundo, e que foram consagrados pela liturgia católica.

0 3 é o algarismo da Trindade, algarismo divino por excelência, que reconduz tudo à unidade e representa as três virtudes teologais.

0 4 é o algarismo da matéria: dos quatro elementos; dos quatro temperamentos humanos; dos quatro evangelistas tradutores da palavra de Deus; das quatro virtudes cardeais, que devem ser praticadas pelo homem na condução da sua vida terrestre.

0 7, que alia o divino ao humano, é o algarismo de Cristo, e depois dele o algarismo do homem resgatado: os quatro temperamentos físicos unidos às três faculdades mentais (intelecto, sensibilidade, instinto).

Ao mesmo tempo, uma outra combinação de 3 e 4 dá 12, o algarismo do universo, dos doze meses do ano, dos doze signos do zodíaco, símbolo do ciclo universal.

O nosso sistema métrico não tomou em conta esses “números-chave”, mas deve-se observar que a atual numeração, um tanto abstrata e rudimentar, não conseguiu adaptar-se, por exemplo, às fases solares e lunares, e continua a ser suplantada em quase toda parte, nos campos, por medidas ao mesmo tempo mais simples e mais sábias.

Tudo isso deixa entrever uma ciência oculta, mais profunda do que se tinha podido suspeitar até agora.

E a iconografia, que na sua forma científica está ainda no começo, poderá abrir dentro de pouco tempo perspectivas ainda ignoradas.


(Fonte: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)


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quinta-feira, 28 de junho de 2018

O gótico e a luz primordial da Inglaterra: apostolado de Pugin

Westminster Parlamento

Luis Dufaur
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A grandeza imperial da Inglaterra do século XIX consistiu em absorver o império colonial de Portugal e da Espanha e de os reduzir a nada.

Essa já não era a Inglaterra do Parlamento cheio de espírito gótico.

Essa não era a Inglaterra de Westminster. É uma outra Inglaterra: a do dinheiro.

Nas obras de arquitetura aparecem a luz primordial e o pecado capital dos povos, e mostram como os dois coexistem no dia de hoje.

Dentro da Inglaterra do dinheiro há uma nostalgia da Inglaterra medieval. Eles acham que não é preciso romper inteiramente com a Inglaterra gótica.

E Augustus Welby Pugin teve alma para compreender esse problema e soube representar a luz primordial na arquitetura. Ele falou para um filão que ainda está vivo na Inglaterra de hoje.

Westminster HallEle compreendeu a alma inglesa, ele compreendeu sua a luz primordial. Ele viu os pontos de sensibilidade em que essas almas são trabalháveis para o bem.

Isso exige um espírito profundamente católico.

Ele soube tocar, por meios simbólicos, a alma de seu país. Ele soube realizar monumentos que muitos, até protestantes, admiraram.

Ele tanto soube tocar, que ele foi odiado. E um indivíduo nunca pode ter a certeza de que ele está acertando, enquanto ele não ouviu o gemido do adversário.

St Giles, Cheadle, arquitectura de Pugin ©Fr Lawrence OPEnquanto o adversário não soltou uma imprecação, ou não gemeu, ele pode estar duvidando do seu próprio acerto.

Ele foi odiado por alguns protestantes, ele foi odiado por muitos católicos, sobretudo pelos católicos liberais, ou antepassados dos progressistas.

Seria uma glória que genuínos católicos ingleses, algum dia, mandem construir uma coisa que esse homem sonhou e que ele não chegou a realizar. Seria a mais alta homenagem a um homem tão católico.

Os homens que não procuram realizar coisas sonhadas pela fé, esses não são homens.

Assim foi a alma dos construtores das catedrais da Idade Média.

Mas o espírito deles não ficou restringido à era medieval.

Ele vive na Igreja Católica que inspira, a través dos séculos, ousadias mais medievais das que tentaram os próprios medievais.


Plinio Corrêa de Oliveira. Testo sem revisão do autor.


Vídeo: Pugin: o arquiteto pessoal de Deus







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quinta-feira, 21 de junho de 2018

O gótico e a conjugação da força com a delicadeza em Londres

St Giles, Cheadle, arquitectura de Augustus Welby Pugin

Luis Dufaur
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Augustus Welby Pugin foi filho de um arquiteto francês de origem nobre, emigrado durante a Revolução de 1789.

Nasceu em Londres, a 1º de Março de 1812. Porém, foi educado pela mãe num rígido calvinismo.

Em 1834, aos 19 anos de idade, ele descobriu a arte medieval e se tornou católico.
“Fiquei perfeitamente convencido de que a Igreja Católica, Apostólica, Romana é a única verdadeira. Aprendi as verdades da Igreja Católica nas criptas das velhas igrejas e catedrais européias.

Procurei verdades na moderna igreja da Inglaterra (protestante anglicana) e vim a descobrir que ela, desde que se separou do centro da unidade católica, tinha pouca verdade e nenhuma vida. Dessa maneira, e sem que tivesse conhecido um só sacerdote, ajudado apenas pela graça e misericórdia de Deus, resolvi entrar na sua Igreja”.
Pugin exerceu um apostolado especial: ele reanimou a alma inglesa, ressequida pelo protestantismo. Para isso ele criou obras em estilo gótico medieval renovado. Hoje elas atraem e empolgam milhões de turistas. Por exemplo, o Parlamento de Londres e a celebérrima torre do Big-Ben.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Hierarquia de trabalhos e sacralidade
na catedral de BURGOS


Luis Dufaur
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Na catedral de Burgos se percebe bem o valor conjunto de três trabalhos humanos:

‒ o trabalho manual de quem esculpiu isso,

‒ o trabalho artístico de quem desenhou,

‒ o trabalho diretivo de quem resolveu fazer a catedral, encomendou os desenhos.

Qual dos três trabalhos é o mais nobre?

A catedral foi construída pelo rei de Castela São Fernando III. Quer dizer, foi um grande Santo exercendo sua capacidade ordenativa.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

A SAINTE CHAPELLE: Elevação e intimidade

Cripta da Sainte-Chapelle
Luis Dufaur
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Há muitos anos, quando visitei a Sainte Chapelle (Capela Santa) pela primeira vez, pensei que esta parte baixa fosse a capela principal.

Julguei-a tão bonita que, ao vê-la, soltei uma exclamação; a qual, em mim, tem muito significado, porque não sou muito exclamativo.

Fiquei encantado!

Pórtico principal da Sainte-Chapelle
Entretanto, disseram-me para subir logo, porque o fluxo dos visitantes estava aumentando, e a Sainte Chapelle ficava em cima, sendo aquele andar inferior destinado aos servidores.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Na luz espiritual está o segredo das catedrais

Catedral de Aquisgrão, Alemanha
Luis Dufaur
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Os medievais às vezes chegavam até a fantasiar, a compor, por exemplo, canções de gesta, que exprimiam o desejo deles de participar de gestas.

O medieval, quando não participava de uma proeza, julgava-se frustrado na vida.

O medieval via na religião católica uma luz diferente porque ele tinha uma noção muito mais povoada de sublimidade, de maravilhoso, de luzes intelectuais e morais de toda ordem que o homem posterior não teve.

Isso vinha de um certo modo de ver a religião católica, que se faz sentir numa catedral gótica. Mas, não numa igreja barroca, embora bela e sagrada.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

A Renascença recusou o gótico e trouxe um estilo de vida neo-pagão

Sankt Abersee, coroação de Nossa Senhora, Alemanha
Luis Dufaur
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Que conclusão tirar de tudo isso?

Sem querer penetrar os imperscrutáveis desígnios de Deus, imaginemos que a humanidade realize aquele grande retorno, que ela afinal retorne a casa paterna, cansada de comer as bolotas do exílio.

Essa conversão operará uma mudança radical na concepção de vida que, em extensas camadas da sociedade hodierna, se baseia no laicismo e no mais desenfreado apego às coisa terrenas, as quais se converteram e fins em si mesmas.

Pressuposta essa conversão e a volta da verdadeira concepção católica da existência, que é o que realmente importa, que mudanças surgiram nos vários aspectos da vida cultural por todo o mundo?