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terça-feira, 1 de outubro de 2024

Riquezas Góticas

Catedral de Bamberg, Alemanha
Catedral de Bamberg, Alemanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A Idade Média foi época de profundo movimento intelectual.

Gigantes do espírito como São Gregório VII e os cluniacenses pugnavam para alcançar os mais elevados fins.

Na contenda entre a Igreja e o Estado cada qual se preocupava pelas questões mais transcendentes.

Ainda que não possuíssemos nenhuma obra histórica que nos falasse da vida intelectual daquela época, os edifícios nos falariam dela, como letras impressas na vida dos povos.

Bologna, Itália
Bologna, Itália
Apesar de todas as lutas, apesar de todas as calamidades que dizimaram a população por fenômenos naturais, penúrias e doenças, de tal sorte que freqüentemente os cemitérios não bastavam; apesar de toda a perda de forças humanas e de capitais que as Cruzadas levaram ao Oriente; edificou-se muito, belo e original.

O estilo românico atingiu sua perfeição e o gótico ou normando, começa seu esplendor.

Na arte venceu a idéia cristã.

Entre os sálios floresceu o estilo românico, principalmente junto ao Reno (catedrais de Espira, Mogúncia e Worms); através de Guilherme, o Conquistador, o gótico floresceu na Normandia e na Inglaterra e dali logo estendeu-se sobre a maior parte da Europa.

Abadia de Maulbronn, Alemanha
Abadia de Maulbronn, Alemanha
Se o arco românico permite apenas uma altura limitada, o arco ogival adapta-se para os prédios mais poderosos e ousados.

Por mais alta e pesada que seja a abóboda, parece, não obstante, leve e altiva; as esbeltas colunas crescem e elevam-se da terra e entrelaçam-se em cima, naturalmente, numa espécie de teto de folhagem de um bosque de pedra.

Toda a construção, que tomou a forma da cruz da basílica, está penetrada de simbolismo mais profundo:

a águia é a imagem da alma que se eleva até Deus;

o cervo, da alma que tem sede da verdade;

a rosa sobre o pórtico é o símbolo do silêncio e significa que neste sagrado recinto há de emudecer tudo que for mundano;

pelas altas janelas a luz não penetra a não ser filtrada, pois aqui brilha outra luz que não é a do sol material.

Os monstros, utilizados na parte externa como calhas, lembram-nos de que até o mal há de servir o bem...

Abadia do Monte Saint-Michel, França
Abadia do Monte Saint-Michel, França
Os espaços são amplos, as ondas de povo vão e vêm; aqui se batiza, ali ministra-se a Comunhão, nas capelas laterais praticam-se isoladas devoções.

Imagem da Religião, o edifício aspira a abarcar todo o mundo.



(Autor: João Batista Weiss, “História Universal”, Versión de la 5ª. Edición alemana, Aviño 20, Barcelona, t. V, Pp. 179 a 182)



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terça-feira, 2 de abril de 2024

Mont Saint-Michel, moradia do Príncipe da Milícia Celeste

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Em 966, a pedido do duque da Normandia, os monges beneditinos instalaram-se no Monte São Miguel.

O Monte é um promontório numa bahia, e construíram uma igreja onde até então havia uma capela.

No século XI, nova e magnífica igreja abacial ergueu-se no cume do rochedo, sobre um conjunto de criptas: os medievais a viam como figura da Jerusalém celeste.

Em 1204, uma parte da abadia foi destruída por um incêndio.

No mesmo ano o rei Filipe Augusto, avô de São Luís, venceu definitivamente os normandos, anexando o ducado à Coroa de França.

Para manifestar sua gratidão por essa conquista, fez uma doação à Abadia de São Miguel, o que permitiu a construção do conjunto gótico hoje conhecido como “a Maravilha”, em lugar do que fora destruído no incêndio.

O monumento comemorou mais de um milênio de existência.







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terça-feira, 6 de junho de 2023

Nossa Senhora da Penha e São Miguel:
rumo ao sublime em LE PUY EN VELAY

Le Puy-en-Velay:  capela de São Miguel da Agulha
Le Puy-en-Velay:
capela de São Miguel da Agulha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Na França, tão rica em lugares extraordinários, Le Puy-en-Velay é um dos mais impressionantes, sem ser dos mais conhecidos.

A pequena cidade de 20 mil habitantes está situada numa bacia povoada de rochedos de origem vulcânica.

Ela fica no extremo sudeste da região do Auvergne, e é marcada pela fé, pela História e pela beleza natural.

Ela tira seu nome de uma montanha, penha (este é o significado de “puy”) – o Puy d’Anis, hoje conhecido como Rochedo Corneille – em cujo pico os católicos erigiram gigantesca estátua de Nossa Senhora da França, dominando toda a cidade.

Na Idade Média, Le Puy-en-Velay chamava-se Le Puy Notre-Dame ou Puy Sainte-Marie.

Juntamente com Chartres, Le Puy-en-Velay abriga um dos mais antigos santuários votados ao culto marial na Gália celto-romana.

Aparições da Virgem Santíssima e curas miraculosas fizeram do lugar um centro de peregrinação.

Nossa Senhora do Puy, ou Nossa Senhora da Penha,  também conhecida como a Virgem Negra
Nossa Senhora do Puy, ou Nossa Senhora da Penha,
também conhecida como a Virgem Negra.
Na catedral de Le-Puy-du Velay.
Já no século III seus habitantes abraçavam a fé cristã, e o Anuário Pontifício registra a presença ali de uma diocese desde essa remota época.

Na Idade Média, tornou-se um dos principais pontos de partida do “caminho de Santiago”, para os peregrinos que iam a Santiago de Compostela.

>O mais célebre bispo de Puy foi certamente Adhemar de Monteil, nomeado em 1087.

Ardoroso adepto da reforma da Igreja, empreendida por São Gregório VII, ele desempenhou papel essencial na preparação da primeira Cruzada.

Essa primeira Cruzada foi convocada pelo Papa Urbano II em Clermont, capital do Auvergne (na mesma região onde fica o santuário de Nossa Senhora do Puy), em 1095.

Conhecedor da Terra Santa, que visitara como peregrino, Adhemar de Monteil foi escolhido pelo Papa como seu legado na direção da Cruzada.

O comando militar foi confiado ao Conde de Toulouse, Raymond de Saint-Gilles.

Le Puy-en-Velay: Nossa Senhora da França
Le Puy-en-Velay: Nossa Senhora da França
no alto de um pináculo vulcânico
Quando as divergências se manifestaram entre os barões que chefiavam os principais exércitos, o legado pontifício foi a única autoridade capaz de impor-se a todos, por sua virtude e sua habilidade diplomática.

Morreu em 1098, durante o cerco de Antioquia.

* * *

Almas com sensibilidade notam ainda hoje em Puy –– nesta França infelizmente cada vez mais laica e distante da Religião de seus maiores –– os sinais de predileção providencial e de proteção particular de Maria Santíssima.

Às vezes parece notar-se a bênção divina na própria paisagem.

A primeira impressão religiosa é realçada pela própria configuração topográfica, que o senso católico dos habitantes transformou em homenagem a seus padroeiros celestes.

A catedral de Le Puy-en-Velay,
fica no topo de outro pináculo vulcânico

À distância, o olhar distingue três pináculos que falam por si.

Primeiro, a imensa estátua de Nossa Senhora de França, que mede 16 metros de altura e pesa 110 toneladas.

Fundida em 1860 com o bronze de 213 canhões conquistados como troféus na tomada de Sebastopol, durante a guerra da Crimeia, ela figura como símbolo apropriado da realeza de Maria sobre a cidade.

O segundo pináculo corresponde ao campanário da bela catedral, que abriga a Virgem Negra do Puy, trazida do Oriente por Luís VII ou São Luís IX.

Edificada em austero e recolhido estilo românico, ela revela influência bizantina e oriental.

O afluxo de fiéis e de peregrinos exigiu sua ampliação no século XII, e no século XIX foi objeto de importantes restaurações.

Seu rico tesouro abriga preciosas jóias e obras de arte.

Le Puy en Velay: capela de São Miguel Arcanjo
Le Puy en Velay:
capela de São Miguel Arcanjo
Finalmente o menos alto, mas não menos sublime, Rochedo de São Miguel ou St-Michel d'Aiguille, coroado por uma encantadora e secular capela votiva em homenagem ao Arcanjo, patrono da França.

* * *

A milenar chaminé de pedra bruta, originária das fúrias de um antigo vulcão, brota da planície e sobe de um só lance a uma altura de 82 metros, para servir de pedestal à secular capela românica ali construída, não se sabe como, em honra de São Miguel.

A ela pode-se subir através de 268 degraus. Jóia de arquitetura, revela o gênio de arquitetos que souberam aproveitar todos os espaços de uma simples ponta de rochedo para ali erigir e combinar com maestria a arte e a técnica.

Le Puy-en-Velay, capela de São Miguel da Agulha, catedrais medievais
Le Puy-en-Velay: capela de São Miguel da Agulha
Os especialistas ressaltam seu portal oriental, sua graciosa decoração de arabescos, seus mosaicos de pedras negras, cinzentas e brancas, seu complicado sistema de abóbadas.

Tudo tão original e tão belo, que se diria inspirado. Em todo caso, fruto do espírito autenticamente cristão.

O edifício atual remonta ao século XI, mas o perfume sobrenatural que em seu interior se respira parece transportar-nos ao ambiente de uma gruta dos primeiros ermitãos do Cristianismo.

O silêncio e o isolamento que ali imperam convidam o visitante ao convívio com o Arcanjo ou com o próprio Deus.

* * *

Le Puy-en-Velay, panorámica, catedrais medievais
Panorâmica do conjunto
Tais maravilhas falam de homens profundamente imbuídos de espírito católico, de almas que praticavam a virtude, e por isso transmitiam o espírito de Cristo em todas as suas obras, dando um sentido sobrenatural à vida humana.

O panorama que descrevemos muito sumariamente fala de hierarquia, de um lado; de uma procura do sublime e do Céu, de outro.

No mais alto está o reinado dos Corações de Jesus e de Maria, simbolizado pela estátua de Nossa Senhora com o Menino Jesus.

Le Puy-en-Velay, capela de São Miguel no anoitecer, catedrais medievais
Em segundo lugar a Igreja, que representa a autoridade de Cristo na Terra.

Em terceiro lugar, um Arcanjo celeste, que representa também os santos, nossos intercessores junto a Deus, nossos aliados nas batalhas da vida terrena, difícil e incerta.

Todos os píncaros apontam para o céu, mas o Rochedo de São Miguel o faz com particular audácia.

Aí se conjugam a força da pedra e a leveza da arte.

A linda capela no alto bem simboliza a Jerusalém celeste, de beleza atraente e sublime, que devemos atingir galgando escarpados caminhos.

É o convite para a luta, para as santas ousadias, para o heroísmo, a fim de alcançar o tão elevado prêmio da felicidade eterna, prometido a todos que combaterem o bom combate.


Autor: Wilson Gabriel da Silva



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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Como foram os monges
que habitaram o Monte Saint-Michel?

Vista aérea da abadia e do vilarejo do Mont Saint-Michel, Normandia, França

O Monte Saint Michel impressiona antes de tudo pelo efeito natural que produz sua figura.

Mas há outro fator que não é natural e que é indizível.

Este fator se soma ao lado natural e dá o melhor do Monte de São Miguel Arcanjo. É a graça divina.

E essa graça toca o fundo das almas que se deixam influenciar por ela.

Esse fator sobrenatural está ligado aos monges que ali viveram, à intenção do fundador que construiu aquilo, enfim, a uma série de movimentos de alma muito bons que convergiram para que o Monte Saint-Michel fosse como é.