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quarta-feira, 30 de junho de 2010

As curas de REIMS: sinal do aprazimento de Deus com a monarquia francesa




O primeiro rei da França foi Clóvis, rei dos francos e esposo da princesa da Burgúndia, Santa Clotilde. São Remígio, bispo de Reims, celebrou missa com a catedral toda ornada.

Muito bonita para os gostos talvez um pouco bárbaros do tempo mas, enfim, a catedral estava toda ornada.

Quando o bispo entrou com o rei, Clóvis achou a igreja tão bonita que perguntou a São Remígio: “Meu pai, este é o reino dos céus?”

Conta a tradição que enquanto São Remígio sagrava Clóvis, apareceu uma pomba trazendo no bico um frasco de cristal com o óleo com o qual Clóvis deveria ser ungido.

Desde então, sistematicamente, todos os reis da França até Carlos X foram ungidos com esse óleo.

Foi um milagre de Deus fazendo uma pomba romper o “muro” invisível que separa a esfera sobrenatural da natural, e receber de um anjo esse frasco. E vir para que um santo, São Remígio, fizesse a sagração do primeiro rei.

A idéia é de conferir algo de sagrado ao pináculo da ordem temporal que é o rei. De maneira que as duas ordens ‒ a espiritual e a temporal ‒ se tocam sem se confundirem nem se nivelarem.

A ordem temporal quando ela se põe no ápice de si mesma ela toca com o dedo no teto que é a ordem espiritual. E forma a bela continuidade das obras de Deus.

A unção conferida aos reis da França pelo bispo de Reims, sucessores de São Remígio, era um sacramental que dava aos reis da França uma qualidade participativa da ordem espiritual.

Havia antigamente uma doença da pele chamada escrofulose. É um nome horrendo para um mal horrendo também que produz na pele umas úlceras purulentas chamadas de escrófulas.

Essa doença era muito freqüente antigamente pela falta de remédios.

Até a queda da monarquia, quando terminava a coroação dentro da catedral com esplendor magnífico, com a flor da nobreza e todo o episcopado presente, os sinos da catedral de Reims revoavam fazendo ouvir em todos as redondezas a alegria da Igreja e da nação porque lhe tinha sido dado um novo rei.

Do lado de fora da igreja, um espetáculo doloroso e aflitivo se acumulava: eram os escrufulosos da França inteira que tinham ouvido falar que iria ser coroado um novo rei.

E acreditava-se pela tradição que quando o rei saísse da igreja de dentro daquele esplendor supremo e tocasse um por um os doentes dizendo: “Le roi te touche, Dieu te guérisse” (“o rei toca em ti e Deus te cure”, ele operava numerosas curas.

Podemos imaginar os pobres coitados que ficavam livres da doença como ficariam alegres. Era uma cena que quase repetia a alegria daqueles que foram curados por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Assim eram os lampejos de aparentes contradições formosíssimas em que se compraz a Igreja e o espírito católico.

“O rei toca em ti e Deus te cure”
De um lado esplendor, riqueza, luxo e poder difíceis de imaginar. Do lado de fora, colada na porta, uma miséria de fazer a gente chorar.

Mas, entre uma coisa e outra não há a infame luta de classes imaginada por Marx. Na ordem católica há colaboração das classes.

O rei é o pai dos pobres e por causa disso ele sai e com sua mão que acaba de ser ungida, ele toca a escrófula asquerosa de cada doente, e diz a fórmula: “o rei toca em ti ‒ ele não dizia que o rei te cura, mas ‒ Deus te cure.”

Como é bonito ver a majestade real curvar-se com afeto sobre cada filho escrufuloso e obter do Céu que pelo intermédio dessa mão que acaba de ser sagrada, a graça de Deus cure aquele pobre coitado.

Pobres e ricos, grandes e pequenos, ficavam unidos sem serem confundidos numa cerimônia dessa natureza.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 5/10/94. Sem revisão do autor)

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quarta-feira, 23 de junho de 2010

“Le roi te touche, Dieu te guerisse”
‒ “O rei te toca, Deus te cure”

Catedral de Reims, nave central



A catedral de Nossa Senhora de Reims ergue-se no lugar onde Clóvis, rei pagão dos francos, se fez batizar.

Por causa disto, os reis posteriores se faziam coroar na lindíssima catedral da capital de Champagne.

O prédio atual foi construído posteriormente no auge do gótico.

Na coroação do rei fazia-se uma cerimônia religiosa durante uma missa em que estava presente todo o episcopado, muitos dignitários eclesiásticos, o representante do Papa, todos os representantes da nobreza e do povo.

Todos estavam representados dentro da Catedral de Reims e outros fora, porque não cabiam todos dentro.

Em determinado momento, o rei era ungido com o óleo com que São Remígio tinha ungido Clóvis por ocasião do batismo.

Ampola contendo o óleo para a unção dos reis da França
O arcebispo que coroava o rei ungia o monarca como tenente de Deus na Terra, para governar o doce reino da França em nome de Deus.

E depois, ele punha a coroa na cabeça do rei e o sentava num trono num lugar eminente.

No momento da coroação soltavam, dentro da Catedral, um grande número de pombos.

Eles significavam a alegria da pomba que tinha trazido no bico a Santa Ampola com o óleo com que Clóvis e seus sucessores foram ungidos.

Roupas dos arautos na coroação
Essa ampola conteve o mesmo óleo até o tempo de Luís XVI.

Esse óleo serviu para a coroação dos reis até Carlos X, o último monarca da França já no século XIX.

Os sinos tocavam com todo o vôo, abriam-se as portas, a multidão entrava e era uma alegria geral.

Réplica da coroa de Carlos X
O rei depois saia em procissão da Catedral e na praça pública estavam alinhados os doentes que sofriam de um mal especial chamado escrofulose.

E o rei curava-os em virtude de um carisma que recebia na unção e na coroação.

Chegavam, às vezes, a mil e muitos doentes alinhados ali, com doenças repugnantes.

São Luis toca os doentes
O rei tocava no doente fazendo uma cruzinha e dizia:

“Le roi te touche, Dieu te guérisse” ‒ “O rei te toca, Deus te cure.”

E eram numerosos os escrofulosos que se curavam.

Isso aumentava a alegria geral e era uma festa enorme que repercutia pela Europa inteira.

Assim era a coroação de um rei da França na catedral de Nossa Senhora de Reims.



(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 14/7/90. Sem revisão do autor)





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quarta-feira, 16 de junho de 2010

A catedral de Nossa Senhora de REIMS

Catedral de Nossa Senhora de Reims, fachada
No ano de 401, na cidade de Reims, França, o arcebispo São Nicásio dedicou a Nossa Senhora um antigo templo pagão.

Aquela igreja haveria de se tornar a catedral onde Clovis foi batizado e onde seus descendentes foram sagrados.

Reis e bispos engrandeceram-na até que foi substituída por um magnífico templo galo-romano, que se tornou rapidamente célebre por numerosos milagres ali verificados.

Em 1211, um incêndio destruiu esta obra de arte e os habitantes locais, consternados desejaram reconstruí-la de maneira mais gloriosa.

Para cobrir os gastos necessários aos grandiosos planos, dois clérigos fazendo apelo à generosidade dos fiéis, transportaram sobre um andor, de cidade em cidade, a imagem milagrosa da Virgem.

Desde 1232, pôde-se celebrar o oficio divino no novo santuário. Durante todo o século XIII a perseverança, que procura antes fazer bem do que terminar depressa, edificou à glória de Maria um magnífico poema de pedra, que canta seus mistérios.

A Igreja de Reims celebrava, com a oitava de cada festa de sua Soberana e professava, desde o século XIV, sua crença na Imaculada Conceição.

Na catedral eram sagrados os Reis de França. Houve uma derradeira sagração do Rei Carlos X, irmão de Luís XVI, que reinou depois da Revolução Francesa.

Com ele a série de sagrações em Reims terminou, pelo menos até o momento.

A Igreja de Reims é um verdadeiro símbolo da arte gótica, juntamente com catedral do Notre-Dame de Paris.

E as sagrações dos Reis foram as festas mais características e simbólicas da glória e da pompa da Idade Média.

Como o Rei da França era o rex cristianissimus e a sagração dele era uma cerimônia que empolgava a Europa inteira, isto foi o que mais marcou a catedral de Reims.

Entretanto, em Reims deu-se um fato simbólico memorável.

Todas as Igrejas góticas têm do lado de fora da Igreja estátuas. Essas imagens foram decapitadas pela igualitária Revolução Francesa.

Então, para que a coroação do Rei Carlos X não se passasse em condições tristes, foram coladas sobre as imagens outras cabeças de pedra.

E para prendê-las sobre os corpos de pedra a cola mais eficaz daquele tempo era o gesso.

Acontece que a Restauração de Carlos X não foi uma verdadeira Restauração.

Ele manteve inúmeras coisas péssimas, não tocou para frente a causa da Contra-Revolução como deveria.

Aplicava-se a ele o dito magnífico de Joseph de Maistre, quando escreveu ao Rei da Sardenha:

“Majestade, depois da queda de Napoleão, tudo foi reposto, nada restaurado”.

Quando o cortejo de Carlos X chegava à catedral de Reims, os canhões começaram a troar e por causa do estampido as cabeças das imagens iam caindo no chão, porque a cola não era suficientemente forte.

Tudo tinha sido reposto, nada tinha sido restaurado. É uma maneira de a Providência simbolizar eloqüentemente a fatuidade da obra que se estava empreendendo.

Tivemos outro ensinamento melhor em Reims. Foi no tempo do Pio XII, o líder supremo soviético Kruschev visitou a Catedral. Então, o Santíssimo Sacramento foi retirado da catedral e o templo foi deixado às escuras. (ver ao lado "La Vanguardia", Barcelona, 30.3.1960)

Como a catedral foi confiscada pela Revolução Francesa e é um monumento propriedade do governo, o clero não podia fechá-lo ao chefe comunista. Então, Kruschev visitou a Igreja no escuro, com Sacratíssimo Sacramento fora em sinal de execração.

O caso do rei Carlos X sugere um pensamento: tudo foi reposto, nada foi restaurado.

Com aquele exemplo, Nossa Senhora nos quer persuadir de que a restauração da Igreja e da Civilização Cristã só pode se efetivar duravelmente se for completamente radical e profundamente religiosa. Sem isto, toda obra contra-revolucionária é inteiramente inútil.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 23/05/67. Sem revisão do autor)

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VIDEO DA CATEDRAL DE REIMS

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

A SAINTE CHAPELLE de PARIS e o sonho da catedral de cristal

Em algumas construções góticas começa a despontar um sonho.

É o sonho é de abolir o granito e transformar tudo em cristal.

Esse sonho germina na Sainte-Chapelle de Paris.

A Sainte-Chapelle conserva de pedra apenas o necessário para suportar o teto e servir de encaixe para os vitrais.

O espírito que concebeu a Sainte-Chapelle se pudesse fazer um edifício todo de cristal, sentir-se-ia realizado.

A alma do homem medieval era como uma arca com uma porção de tesouros.

Eles iam tirando tesouro por tesouro.

Os medievais tinham muitos tesouros e riquezas na sua alma profundamente católica.

Isso lhes vinha da devoção filial, enlevada e varonil a Nossa Senhora.

E por meio da Mãe de Deus subiam como um jato para Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.

Eles foram lentamente manifestando essas riquezas.

Até que chegaram por fim ao gótico.

O que mais faltava?

Eles atingiram uma perfeição de alma profunda e verdadeiramente católica.

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