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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

'Catedral' de Ulm, igreja mais alta do mundo: lições para o presente e o futuro

Na cidade alemã de Ulm, a igreja mais alta do mundo sobe vertiginosamente aos céus.

Embora não seja sede de bispado, ela é chamada de “catedral” pelas suas dimensões: a torre atinge 161,53 m de altura.

Também é chamada de "Ulmer Munster" título que lhe concedia privilegios abaciais

É um exemplo típico da arquitetura eclesiástica gótica.

O nome catedral vem de “cátedra” ou trono do bispo, mas Ulm não tem bispo.

A história desta “catedral” foi muito perturbada.

Os cidadãos de Ulm desejavam uma igreja grandiosa, porém mais acessível, no centro da cidade, e encomendaram esta.

Sua pedra fundamental foi depositada no ano de 1377, e as obras partiram em bom ritmo.

Em 1392, Ulrich Ensingen, um dos arquitetos da catedral de Estrasburgo, foi feito chefe da confraria de construtores. A “catedral” foi consagrada em 1405.

Porém, por um senso de alteridade mal entendido, os habitantes de Ulm decidiram não completar a torre, contrariamente ao que faziam as cidades vizinhas que estavam construindo suas catedrais.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Apologia da catedral de Notre Dame feita por um ateu



[A restauração da Catedral de Notre-Dame foi feita por Vioilet-le-Duc no século XIX. Um dos fatos que mais contribuiu para que se empreendesse tal restauração foi o romance de Victor Hugo, “Notre-Dame de Paris”. E, neste, especialmente o trecho que transcrevemos abaixo.]

Sem dúvida é ainda hoje um majestoso e sublime edifício a igreja de Notre-Dame de Paris.

Mas, por mais bela que tenha se conservado ao envelhecer, é difícil não lamentar, não se indignar ante as degradações, as mutilações sem nome que simultaneamente o tempo e os homens infligiram no venerável monumento, sem respeito por Carlos Magno que pôs a primeira pedra, por Felipe Augusto que pôr a última.

Sobre a face desta velha rainha de nossas catedrais, ao lado de uma ruga acha-se sempre uma cicatriz. “Tempus edax, homo edacier” (O tempo é voraz; o homem, ainda mais). O que eu traduziria, sem hesitação, assim: “o tempo é cego; o homem, estúpido”.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Riquezas Góticas

Catedral de Bamberg, Alemanha
Catedral de Bamberg, Alemanha

A Idade Média foi época de profundo movimento intelectual.

Gigantes do espírito como São Gregório VII e os cluniacenses pugnavam para alcançar os mais elevados fins.

Na contenda entre a Igreja e o Estado cada qual se preocupava pelas questões mais transcendentes.

Ainda que não possuíssemos nenhuma obra histórica que nos falasse da vida intelectual daquela época, os edifícios nos falariam dela, como letras impressas na vida dos povos.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Igreja de Combray

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







[Em suas recordações de infância, Proust descreve a igreja de Saint Hilaire, em Combray, cidade na qual sua família costumava passar férias.]



Combray, de longe, a dez léguas em volta, vista da estrada de ferro quando lá chegávamos na última semana antes da Páscoa, não era senão uma igreja resumindo a cidade, representando-a, falando dela e por ela aos distantes.

E, de perto, mantendo apertados em torno de sua alta manta sombria, em pleno campo, como uma pastora protegendo do vento suas ovelhas, os dorsos lanudos e acinzentados das casas ajuntadas, que um resto de muralhas da Idade Média cercava aqui e acolá com um traço tão perfeitamente circular quanto uma cidadezinha num quadro de pintor medieval.

Como eu a amava, como eu me recordo bem de nossa igreja.

Seu velho pórtico pelo qual entrávamos, negro, esburacado como uma escumadeira, era irregular e profundamente gasto nos ângulos (da mesma maneira que a pia de água benta à qual ele nos conduzia) como se o doce roçar das mantas das camponesas entrando na igreja e de seus dedos tímidos tomando água benta pudesse, repetido durante séculos, adquirir uma força destrutiva, infletir a pedra e entalhar sulcos como traça a roda das carroças no marco contra o qual ela se choca todo dia.

Suas lápides mortuárias, sob as quais a nobre cinza dos vigários de Combray, lá enterrados, dava ao coro um como que chão espiritual, elas mesmas não eram mais de matéria inerte e dura, porque o tempo as havia tornado doces e feito escorrer como mel para fora dos limites de seu próprio alinhamento que aqui elas ultrapassavam por uma onda dourada, levando à deriva uma maiúscula gótica florida, afogando as violetas brancas do mármore; do lado de cá das quais, aliás, elas se tinham desfeito, contraindo ainda a elíptica inscrição latina, introduzindo um capricho a mais na disposição desses caracteres abreviados, aproximando duas letras de uma palavra da qual as outras haviam sido exageradamente afastadas.

Seus vitrais nunca reluziam tanto quanto nos dias em que o sol se mostrava pouco, de sorte que fizesse (tempo) cinza fora, estava-se seguro que seria bonito na igreja.

Um vitral era preenchido em toda sua grandeza por um só personagem semelhante a um rei de jogo de cartas, que vivia lá em cima, sob um dossel arquitetural, entre o céu e a terra.

Noutro, uma montanha de neve rósea, ao pé da qual se desenrolava um combate, parecia ter orvalhado a vidraçaria com turvos granizos, como um vidro no qual tivessem restado flocos iluminados por alguma aurora (pela mesma sem dúvida que cobria de púrpura o retábulo do altar de tons tão frescos que mais pareciam colocados ali momentaneamente por um luar vindo de fora prestes a se evanescer do que por cores aderida para sempre à pedra).

E todos eram tão antigos que se via aqui e ali sua velhice prateada faiscar da poeira dos séculos e mostrar brilhante e gasto até à corda o enredo de sua doce tapeçaria de vidro.

Havia um que era um alto compartimento dividido em uma centena de pequenos vitrais retangulares onde dominava o azul, como um grande jogo de cartas semelhante àqueles que deviam distrair o rei Carlos VI; mas, fosse um raio de sol que tivesse brilhado, fosse meu olhar que movendo-se tivesse passeado pelo vitral ora extinto ora aceso um fugaz e precioso incêndio, um instante depois ele tinha tomado o brilho cambiante de uma cauda de pavão, depois tremia e ondulava em uma chuva chamejante e fantástica que escorria do alto da ogiva sombria e rochosa, ao longo das paredes úmidas, como se eu seguisse meus pais, que levavam o seu missal, pela nave de alguma gruta irisada por sinuosas estalactites.

Um instante depois os pequenos vitrais em losango tinham tomado a infrangível rigidez de safiras que tivessem sido justapostas sobre algum imenso peitoral, mas atrás das quais se sentia, mais apreciável que todas estas riquezas, um sorriso momentâneo do sol.

Ele era também reconhecível tanto no jorro azul e doce com o qual banhava as pedras quanto sobre o calçamento da praça ou sobre a palha de chão do mercado.

E, mesmo em nossos primeiros domingos, quando chegávamos antes da Páscoa (durante o inverno), consolava-me que a terra estivesse ainda nua e negra, fazendo desabrochar, como numa primavera histórica e que datava dos sucessores de São Luis, esse tapete resplandecente e dourado de miosótis de vidro.

Duas tapeçarias, de tessitura vertical, representavam o coroamento de Ester, cujas cores, fundindo-se, lhes haviam acrescentado uma expressão, um relevo, uma iluminação: um pouco de rosa flutuava nos lábios de Ester para além do desenho de seu contorno, o amarelo de seu vestido se afirmava tão suntuosamente, tão abundantemente, que tomava uma espécie de consistência e sobressaia sobre a atmosfera intimidade; e o verdejante das árvores permanecendo vivo nas partes baixas do panejamento de seda e de lã, mas tendo ‘passado’ (desbotado) no alto, fazia destacarem-se, mais palidamente, acima dos troncos escuros, os elevados galhos amarelados, dourados e como que meio apagados pela brusca e obliqua iluminação de um sol invisível.

Tudo isso, e mais ainda os objetos preciosos vindos à igreja de personagens que eram para mim quase personagens de legenda (a cruz de ouro lavrada, dizia-se, por Santo Elói e doada por Dagoberto; o túmulo de porfírio e de cobre esmaltado dos filhos de Luis, o Germânico), em razão do que eu avançava na igreja, quando nos dirigíamos aos bancos, como num vale visitado por fadas, onde o camponês se maravilha de ver num rochedo, numa árvore, numa poça, o vestígio palpável de sua passagem sobrenatural.

Tudo isso fazia dela para mim alguma coisa de inteiramente diferente do resto de cidade: um edifício ocupando, se se pode dizer, um espaço em quatro dimensões ‒ a quarta sendo a do Tempo ‒ fazendo progredir através dos séculos sua nave que, de viga em viga, de capela em capela, parecia vencer e singrar, não apenas alguns metros, mas as épocas sucessivas das quais ela saía vitoriosa.

* * *

Reconhecíamos o campanário de Saint Hílaire de bem longe, inscrevendo sua figura inesquecível no horizonte no qual Combray não aparecia ainda.

Num dos mais longos passeios que fazíamos saindo de Combray, havia um lugar onde a estrada apertada desembocava de repente sobre um imenso ‘plateau’ limitado ao horizonte por florestas recortadas que somente a fina ponta do campanário de Saint Hilaire ultrapassava, mas tão esguia, tão rósea, que parecia apenas riscada no céu por uma unha que tivesse querido dar a essa paisagem, esse quadro só de natureza, essa pequena marca de arte, essa única indicação humana.

Quando nos aproximávamos e podíamos perceber o resto da torre quadrada e semi-destruída que, menos alta, subsistia ao lado dele, ficávamos surpreendidos sobretudo pelo tom avermelhado e sombrio das pedras; e em uma manhã brumosa de outono, dir-se-ia, elevando-se por cima do violeta tempestuoso das parreiras, uma ruiva de púrpura quase da cor de vinha virgem.

Com freqüência, sobre a praça, quando voltávamos, minha avó me fazia parar para observá-lo.

Das janelas de sua torre, situadas duas a duas, umas em cima das outras, com essa justa e original proporção nas distâncias que não pertence senão à beleza e à dignidade dos rostos humanos, ele soltava, deixava cair a intervalos regulares revoadas de corvos que durante um momento giravam grasnando, como se as velhas pedras que os deixavam divertir-se sem os parecer ver, tornadas de repente inabitáveis e libertando um princípio de agitação infinita, os tivesse batido e enxotado.


Então, depois de ter rajado em todos os sentidos o veludo violeta do ar da tarde, bruscamente acalmados, eles tornavam a se absorver na torre, de nefasta voltada a ser novamente propícia, alguns pousados aqui e ali, não pareciam mexer-se, mas abocanhando quiçá algum inseto, sobre a campânula de um sinozinho, como uma gaivota parada com a imobilidade de um pescador à crista de uma onda.

Sem muito saber bem por que, minha avó encontrava no campanário de Saint Hílaire essa ausência de vulgaridade, de pretensão, de mesquinharia, que a fazia amar e crer ricas de uma influência benfazeja, a natureza, quando a mão do homem não a havia apequenado, e as obras de gênio.

E sem duvida, toda a arte da igreja que se percebia a distinguia de outro edifício por uma espécie de pensamento que lhe era infuso, mas era em seu campanário que ela parecia tomar consciência de si mesma, afirmar uma existência individual e responsável. Era ele que falava por ela.

Creio que, confusamente, sobretudo o que minha avó encontrava no campanário de Combray era aquilo pelo que ela tinha maior apreço no mundo, o ar natural e o ar distinto (l’air naturel et l’air distingué).

Ignorante em arquitetura, ela dizia: “Meus filhos, riam de mim se quiserem, ele não é talvez belo segundo as regras, mas sua velha face bizarra me agrada.

“Estou certa que se ele tocasse piano, ele não tocaria ‘sec’”.

E olhando-o, seguindo com os olhos a doce tendência, a inclinação fervorosa de suas faixas de pedra que se aproximavam elevando-se como mãos juntas que rezam, ela unia-se tão bem à efusão da flecha, que seu olhar parecia lançar-se com ela; e ao mesmo tempo sorria amigavelmente às velhas pedras gastas das quais o poente não clareava senão o cimo, e que, a partir do momento em que entravam nessa zona ensolarada, suavizadas pela luz, pareciam repentinamente elevadas bem mais alto, longínquas, como um canto retomado ‘em voix de tête’ uma oitava acima.










(Autor : Marcel Proust, « À la recherche du temps perdu - Du coté de chez Swann », Librairie Gallimand, 1947, T. I, pp. 40 ; 47 a 51)





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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Catedral de Orvieto, síntese entre a beleza das formas e das cores

Orvieto: triunfo da sintese da cor e da forma

Analisando as fachadas de catedrais tão diversas como as de Orvieto ou de Florença, podemos nos perguntar: o que apresenta mais esplendor, a forma ou a cor?

Por extensão, podemos perguntar: num quadro, o que é mais notável, o desenho ou o colorido?

A escola florentina é pobre intencionalmente em colorido, para que o desenho ressalte.

A escola veneziana é magnífica em coloridos, tendo apenas o desenho necessário para dar pretexto para as cores se mostrarem.

Mas há uma magnífica síntese das duas escolas na Catedral de Orvieto.

domingo, 30 de setembro de 2012

O Retábulo de Ouro: portento da arte medieval

Retábulo de Ouro, catedral de Veneza. Catedrais medievais
A preciosa obra artística denominada Retábulo de Ouro (*), está colocada atrás do altar-mor da célebre Basílica de São Marcos, em Veneza.

Cada um dos esmaltes que ela contém é uma verdadeira maravilha.

No detalhe (à direita), vê-se um esmalte representando a majestade de Nosso Senhor Jesus Cristo, apresentado com as características de um Imperador bizantino, rodeado dos quatro Evangelistas (em destaque, na foto à direita). Em cima, à esquerda, São Marcos, e à direita São João; embaixo, à esquerda, São Mateus, e à direita, São Lucas.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Notre-Dame de Paris: colorida na Era da Luz

Galeria dos Reis, restaurada em Notre Dame de Paris
Galeria dos Reis, restaurada em Notre Dame de Paris

Na Idade Média, a catedral Notre-Dame de Paris estava também toda pintada como a sua homônima de Amiens.

Em 1977, no subsolo do hôtel Moreau (20 de la rue de la Chaussée-d'Antin, Paris), foram encontradas as cabeças dos reis que ficavam na Galeria dos Reis, na fachada de Notre-Dame.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A capela para a Coroa de Espinhos: um relicário de luz

Sainte-Chapelle: capela baixa era para os domésticos
Sainte-Chapelle: capela baixa era para os domésticos

A Sainte-Chapelle eleva a Deus num voo de espírito extraordinário. Entende-se, porque é uma capela onde há uma porção de elementos explicitamente religiosos.

Muita igreja construída depois fala de religião, mas nada eleva dessa forma ao Céu.

O que a Sainte-Chapelle deixa transparecer é o desejo de haver um lugar onde os homens pudessem morar dentro da luz e do cristal. E, portanto, dentro do sonho.

Esta é a chave de interpretação da Sainte-Chapelle.

Se a arte de fazer cristais tivesse levado a fazer palácios de cristal para morar, que luzes e que coisas nós não tiraríamos daí?

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Catedral de Amiens: a pedra cinza outrora resplandecente de cores

Chartres ostenta a beleza da pedra pura
Chartres ostenta a beleza da pedra pura
Quem admira os monumentos góticos se compraz em ver não só suas linhas, sua altaneria, etc., mas a pedra com que são feitos.

Em geral são de granito cinzento, ou de uma cor meio indefinida, constituindo massas enormes que parecem sair da terra à maneira de um chafariz imenso que jorrasse granitos da pré-história.

Assim nós temos as catedrais, os castelos, as torres que emergem do chão e que impressionam a quem olha as coisas da Idade Média.

Se há uma cor que parece com a não-cor é o cinza. Contudo, o granito cinzento tem uma beleza própria. É uma maravilha, não há que discutir.

Mas poder-se-ia perguntar se numa catedral são cabíveis outras formas de beleza. E, admitindo que sim, poder-se-ia perguntar qual das formas de beleza é maior.

Pessoas de meia cultura e de gosto mediano, fanáticas do purismo gótico, mas que entendem pouco desse estilo, acham que pintar uma catedral seria uma blasfêmia! “Deve ser de pedra e não pode ser de uma outra coisa!”.

A pedra nua tem uma forma de beleza tal que não haveria lágrimas suficientes para chorar o seu desaparecimento.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sainte-Chapelle: delicadeza sobrenatural que eleva a Deus num voo só

Saintee-Chapelle: sob esta cúpula era exposta a Coroa de Espinhos

A Sainte-Chapelle leva o charme e a distinção a um ponto tal que parece ficar trêmula de tanta delicadeza.

Porém, ao mesmo tempo, destaca-se pelo equilíbrio e pela ascese.

Ela é o receptáculo tão perfeito quanto o homem conseguiu excogitar da suprema Coroa: a Coroa de Espinhos.

São Luiz, Rei de França, fez a Sainte-Chapelle para abrigar essa Coroa. Ele construiu assim um dos mais belos monumentos da arte medieval e, portanto, de toda a História!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Notre-Dame e Colônia duas catedrais co-irmãs como um par de asas

Notre-Dame no outono
Notre Dame de Paris, catedral da simetria e da proporção
A Igreja, sempre sábia e sempre única no supra-sumo de sua sabedoria, proíbe de se fazer comparação de santo com santo. Porque todo santo é incomparável.

Por razões análogas, é um pouco impróprio comparar certos monumentos góticos uns com os outros.

E, portanto, comparar Notre-Dame com a catedral de Colônia.

É a Cristandade que fez essas catedrais. O que inspirou aqueles monumentos foi o Sangue que Cristo Nosso Senhor derramou na Cruz, e as lágrimas que Maria chorou. Isto é que de fato produziu as catedrais e a outras maravilhas. O resto são pormenores.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

BURGOS, catedral espanhola: majestade, sobriedade e esplendor


Que ordem, que linha!

Todas as coisas que são harmônicas devem ser dominadas por um ponto central.

Vejam como essa imagem domina absolutamente, na sua simplicidade, todo esse ambiente. Tudo é feito para olhar para ela.

Ela está num muro completamente liso. Em torno dela não há floreios, não há nada: é de uma austeridade enorme.

Mas a moldura é riquíssima.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Os três Reis Magos e Catedral de COLÔNIA




Belíssima e imponente catedral, a mais alta do mundo, escrínio para os preciosos restos mortais dos primeiros reis que adoraram, nesta Terra, o Rei dos Reis, o Senhor dos Senhores

Renato Murta de Vasconcelos

Fotos ou quadros da Catedral de Colônia tornaram-se conhecidíssimos em todo o mundo. Imponente, com suas duas torres elevando-se a quase 160 m do solo, ela é uma jóia da arte gótica medieval às margens do Reno.

Oppidum Ubiorum: Esse era o nome do florescente núcleo urbano estabelecido pelos romanos, no ano 38 a.C., ao norte das fronteiras de seu Império em terras germânicas.

Quase um século mais tarde, em 50 d.C., o núcleo tomou o nome de Colônia Agripina, em homenagem à esposa do Imperador Cláudio, mãe de Nero.

Com a conversão dos bárbaros ao cristianismo, surgiram nessa cidade, ao longo dos séculos, grandes varões reputados por sua ciência ou santidade de vida, a ponto de Colônia haver sido qualificada de a cidade santa junto ao Reno, ou a Roma do Norte, devido ao grande número de suas igrejas.

Por sua importância, tornou-se sede episcopal e, séculos mais tarde, seus Arcebispos tornaram-se Príncipes-Eleitores do Sacro Império Romano Alemão.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Catedrais góticas: mistério mais grandioso que o das pirâmides do Egito

Amiens, França


A técnica é definida pela Escolástica, da mesma forma que as artes, como “recta ratio factibilium”.

Quer dizer, a reta ordenação do trabalho, ou também, a ciência de trabalhar bem.

Hoje, o mal uso da técnica, a empurra para produzir para além do que é bom, e espalhar instrumentos que afligem a vida dos homens.

Nos tempos em que o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições, a técnica produziu frutos que vão além do tudo o que a Humanidade conheceu previamente.

Um desses frutos inigualados foi ‒ e continuam sendo ‒ as catedrais medievais.

Até hoje especialistas tentam decifrar como fizeram os arquitetos da Idade Média para, com tão pobres instrumentos, criar obras colossais que “humilham” as técnicas modernas mais avançadas.

Os técnicos das mais variegadas especialidades da construção e também da física, da química e das matemáticas se debruçam para tentar descobrir como os medievais erigiram esses portentos arquitetônicos.

Mergulham eles nos “mistérios das catedrais”.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Aquisgrão: onde o imperador em lugar do cetro adotou um Crucifixo

Aquisgrão: interior da catedral

No ano de 1273, o arcebispo de Colônia sagrava na catedral de Aquisgrão (Aix-la-Chapelle em francês ou Aachen em alemão) o imperador Rodolfo de Habsburgo.

Terminada a cerimônia, o imperador, de cetro em punho, devia dar aos príncipes a investidura de seus domínios.

Como não foi possível encontrar logo o cetro, Rodolfo, tomando o crucifixo de prata do altar, disse:

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Catedral de Sevilha: uma fortaleza meio eclesiástica e uma igreja meio fortaleza



Estas fotografias evocam um antigo provérbio português: “Quem não viu Sevilha, não viu maravilha”.

Chamam a atenção na Catedral de Sevilha as duas torres laterais muito ornadas.

Entre elas, nota-se um espaço com fundo claro e um gradeado muito bonito de ogivas e rosáceas que estabelecem o contraste do muito simples com o muito ordenado.

Uma grande travessa com imagens de santos, com dosséis no alto, também muito ornada.