Outras formas de visualizar o blog:

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

"Noite Feliz" nasceu numa noite de Natal numa capela esquecida


Em 24 de dezembro de 1818, a canção “Stille Nacht” (“Noite Feliz”) foi ouvida pela primeira vez na aldeia de Oberndorf (Áustria).

Foi na Missa de Galo na minúscula capelinha de São Nicolau.

Estavam presentes o pároco Pe José Mohr, o músico e compositor Franz Xaver Gruber com seu violão, e o pequeno coro da esquecida aldeia.

No fim de cada estrofe, o coro repetia os dois últimos versos.

Naquela véspera de Natal nasceu a música que passou a ser como um hino oficial do Natal no mundo todo.

Hoje se canta nas capelas dos Andes e no Tibete, ou nas grandes catedrais da Europa.

Há muitas histórias sobre a origem dessa canção. Entretanto, a verdadeira é simples e risonha como a canção ela própria.

CLIQUE PARA OUVIR



quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Catedrais: templos por excelência para a Igreja Católica cantar o Natal



O Natal é cantado por todos os povos com seus estilos próprios, em Vladivostock, no Ceilão, no Pamir, ou em qualquer recanto do mundo. Porque a alma universal da Igreja Católica está em todas as latitudes.

Porém, a Igreja, Ela mesma, comemora o Natal com seu canto próprio: o cantochão, cantado a uma só voz, sem ritmo, sem acompanhamento, sem ornatos, aproveitando o som das palavras para sublinhar seu significado profundo.


Mas, transmitindo uma alegria serena que sobe diretamente ao Céu, um recolhimento que exclui todas as coisas da Terra, sem agitação nem folia, dizendo com toda naturalidade o que tem a dizer.

O cantochão é a voz da Igreja cantando o dom do Espírito Santo, que Deus a ela comunicou por meio de Nossa Senhora.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A história de Teófilo, o clérigo que vendeu a alma ao diabo, contada numa 'Biblia dos pobres'

Catedral de Toledo


Encravados nas modernas cidades europeias, erguem-se autênticos gigantes de pedra desafiando o tempo.

São as catedrais medievais, construídas por almas fervorosas que quiseram ver sua fé imortalizada através dos séculos.

Contemplando no silêncio o correr de eras históricas, constituem elas um ensinamento vivo da sabedoria da Igreja Católica.

Em suas esculturas de pedra e delicados vitrais coloridos espelha-se uma ordem ideal do universo. A catedral foi por isso chamada "Bíblia dos pobres".

Algumas estátuas constituem verdadeiras obras-primas, tanto da escultura românica quanto da gótica.

Nesta "Bíblia de pedra e de cristal", os artistas de outrora esculpiram inúmeras parábolas, que ensinam de modo vivo as virtudes que o fiel católico deve praticar.

Uma dessas histórias retratadas em pedra é a de Teófilo.

O fato ocorreu na Sicília, e deu origem à famosa legenda que inspirou a auto sacramental "O milagre de Teófilo", dos mais célebres da literatura medieval.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O sino: simbolismo e efeitos exorcísticos e benéficos

Sinos restaurados da catedral Notre Dame de Paris
Sinos restaurados da catedral Notre Dame de Paris


O sino dá ao Ângelus uma solenidade excepcional.

A oração do Ângelus compõe-se de duas partes essenciais: a oração e o som do sino.

Por que o sino toca o Ângelus de manhã, ao meio-dia e à tarde?

Por ordem da Igreja Católica, cumpre a palavra do rei profeta:

"À tarde, de manhã e ao meio-dia, cantarei os louvores de Deus, e Deus ouvirá a minha voz".

À tarde, canta o princípio da Paixão do Redentor no Jardim das Oliveiras.

De manhã, a sua Ressurreição, e ao meio-dia a sua Ascensão.

De manhã, dá o sinal do despertar, da oração e do trabalho.

Ao meio-dia, adverte o homem de que a metade do dia é passada, e que a sua vida não é mais que um dia.

À tarde, toca ao recolhimento e ao repouso.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A graça mística que agiu
nos construtores das catedrais medievais

A construção de uma cidade, templos religiosos e prédios públicos e privados
A construção de uma cidade, templos religiosos
e prédios públicos e privados
Luis Dufaur


No homem medieval é preciso distinguir três categorias sociais essenciais:

1) o homem de oração e de estudo que é o clérigo.

2) o homem de luta e de ideal que é o guerreiro.

3) o homem de trabalho, na cidade ou no campo, que corresponde à plebe.

O próprio ao clérigo é um modo de considerar a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, não como um qualquer considera, mas com uma espécie de enlevo apaixonado.

Esse é o caso do bom clérigo, evidentemente. Há também o mau clérigo, ao qual esse elogio não pode caber.

Então, o que caracteriza o bom clérigo é uma espécie de paixão por Nosso Senhor Jesus Cristo por onde, por exemplo, se ele considera a Paixão e Morte de Nosso Senhor, é propenso a se compenetrar de tal modo que até chora.

Se considera a Anunciação, ou os mistérios gozosos, ele é propenso a fazer quadros como os de Fra Angélico.

E ele assim age quando considera Nosso Senhor no Templo e em todos os episódios narrados nos Evangelhos.

Em todas essas considerações o bom clérigo é profundamente refletido, medita muito, e a meditação atinge até o fundo de sua sensibilidade.

Isto o leva, portanto, aos maiores sacrifícios e às maiores renúncias, e daí o grande número de santos entre o clero da Idade Média.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Faça uma visita virtual à catedral de EXETER, Inglaterra

CLIQUE NA FOTO
Se seu email não visualiza corretamente a imagem embaixo CLIQUE AQUI

Dependendo da conexão a visualização levará alguns segundos para começar (fechar a janelinha inicial clicando em 'close Window')

Veja vídeo


A catedral de Exeter está dedicada a São Pedro

Pode parecer paradoxal que uma catedral hoje em uso pelos protestantes anglicanos esteja consagrada ao Príncipe do Apóstolo contra o qual se revoltaram os chefes protestantes na pessoa do legítimo sucessor de Pedro, o Papa.

Porém é tal o prestígio da Igreja Católica que esses revolucionários que se apropriaram indevidamente da catedral católica não ousaram mexer com a dedicatória.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O simbolismo divino na arte e na natureza visto pela Idade Média

Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
com Cristo Rei no centro.
Luis Dufaur




continuação do post anterior: A catedral: resumo da ordem sublime de Deus impressa no Universo


A terceira característica da arte medieval reside no fato de que ela é um código simbólico.

Desde o tempo das catacumbas [nos dias da perseguição romana], a arte cristã falava por meio de figuras, ensinando os homens a verem por detrás de uma imagem uma outra coisa superior.

O artista, segundo o imaginavam os Doutores da Igreja, deve imitar a Deus, que sob a letra da Escritura escondeu um profundo significado, e que queria que a natureza também servisse de lição para o homem.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A catedral: resumo da ordem sublime de Deus
impressa no Universo

Coroação de Nossa Senhora, fachada da catedral de Reims.
Os anjos fazem de assistentes da cerimônia.
Luis Dufaur


Primeiramente, a Idade Média tinha paixão pela ordem. Os medievais organizaram a arte como tinham organizado o dogma, o aprendizado temporal e a sociedade.

A representação artística de temas sagrados era uma ciência regida por leis fixas, que não podia ser quebrada pelos ditames da imaginação individual.

A arte da Idade Média é uma escritura sagrada, cujos caracteres todo artista deve aprender.

Ele deve saber que a auréola circular colocada por trás da cabeça serve para expressar a santidade, enquanto a aureola com uma cruz é o sinal da divindade e sempre usada para pintar qualquer uma das três Pessoas da Santíssima Trindade.

A segunda característica da iconografia medieval é a obediência às regras de uma espécie de matemática sagrada. Posição, agrupamento, simetria e número são de extraordinária importância.

A simetria era considerada a expressão de uma misteriosa harmonia interior. O artista fazia o paralelismo dos doze Patriarcas e dos doze Profetas da Antiga Lei e dos doze Apóstolos da Nova, e dos quatro principais Profetas com os quatro Evangelistas.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Ambiente sobrenatural da basílica de São Remígio

Fachada principal de Saint-Rémi
Fachada principal de Saint-Rémi
Luis Dufaur


Pode-se imaginar a intensidade da graça do momento em que Clóvis, rei dos francos, foi batizado na catedral de Reims (França)?

Naquele momento nasceu para a Igreja Católica a nação francesa com todas as glórias que ela traria para Deus.

Nesse dia, a Igreja batizou a sua filha primogênita.

O batismo foi realizado na então catedral de Reims, que era muito mais pequena do que a atual e fora mandada construir por São Nicásio, Bispo de Reims.

O baptistério onde teve lugar a cerimônia foi descoberto há poucos anos, ao lado da magnífica catedral atual.

Podem-se imaginar graças de alegria, de afeto, de força, de entusiasmo, de energias naturais e sobrenaturais absolutamente novas nesse momento.

Teve algo de parecido com o mundo depois que Noé e os dele saíram da arca e se viu o Arco-Íris. Esta deveria ser a atmosfera dentro da Catedral de Reims.

Então, nós compreendemos a glória de São Remígio. Quantas orações ele há de ter feito, quantos sofrimentos ele há de ter padecido, para que essa imensa aspiração que ele trazia ‒ e que era o contrário do mundo pagão em desordem ‒, afinal de contas virasse realidade.

Compreende-se também que lhe tenha sido dedicada uma esplêndida basílica e que nela sejam venerados seus restos mortais.

Há imagens da Idade Média representando pessoas puras que, quando dormiam o sono eterno, da boca nascia um lírio.

De São Remígio nasceu muito mais do que um lírio: nasceu a flor-de-lis da França.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O entusiasmo religioso na construção da catedral de Chartres

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Como foram feitas as catedrais medievais?

O renomeado historiador da arte Émile Mâle descreve alguns aspectos do ambiente de fervor na construção da catedral de Chartres, de causar admiração. Eis o texto:

A história da catedral de Chartres, aquela que temos sob os nossos olhos, marcou o início do século XII.

A velha catedral, que havia sido levantada pelo bispo D. Fulberto (952-970 –1028) nos primeiros anos do século XI e que fora restaurada por Santo Ivo (1040 – 1115), ainda estava de pé, mas começando a parecer modesta demais.

As gerações heroicas que fizeram as cruzadas tinham o amor da grandeza. Um pouco antes da metade do século XII, deliberaram levantar um campanário isolado a alguma distância da fachada.

Aconteceu que, no século XII, da mesma maneira que nos tempos antigos, a torre foi concebida como edifício separado que não se ligava ao resto da igreja.

Esta foi a origem da torre norte, que Jean de Beauce completou no século XVI com uma flecha de estilo gótico flamejante.

Mas logo o senso da simetria levou a reproduzir, fazendo pendant do lado sul, um campanário similar.

Decidiu-se que as duas torres já não mais ficariam isoladas, mas reunidas à catedral, que seria ampliada até encontrá-las.

Finalmente, decidiu-se construir, mais além da antiga fachada do século XI, uma outra, muito mais magnífica, que seria embelezada com esculturas e que tornaria a catedral verdadeiramente digna de Nossa Senhora.

Esta fachada deveria aparecer por trás das duas torres, que a emoldurariam com sua poderosa projeção e a banhariam com uma meia luz propícia para ressaltar o mistério das esculturas.

Tal era a intenção primitiva da nova fachada que alguns anos depois foi mudada para frente e reedificada entre as duas torres.

O entusiasmo das multidões

Essas altas torres, que se erguiam em louvor de Nossa Senhora, suscitaram na região de Chartres um entusiasmo que nos pareceria inacreditável se não fosse atestado por muitos relatos contemporâneos.

Nós entrevemos aqui algo do gênio do século XII, que é um dos grandes séculos de nossa história.

Em 1144, Robert de Torigni, abade do Monte Saint-Michel, escreveu em sua Crônica:

“Neste ano, se viu em Chartres fiéis que se atrelavam a carros carregados com pedras, madeira, trigo e tudo o que poderia ser usado nos trabalhos da catedral, cujas torres cresciam como por arte de magia.

“O entusiasmo tomou conta da Normandia e da França: em todos os lugares se viam homens e mulheres arrastar fardos pesados através de pântanos lamacentos; por toda parte se fazia penitência, em todo lugar perdoavam-se os inimigos”.

Robert de Torigni nos assegura que o exemplo veio de Chartres, e nada é mais exato.

Em uma carta escrita no ano seguinte, Haimon, abade de Saint-Pierre-sur-Dives, confirma ponto por ponto esta narração. Ele conta aos monges ingleses de Tutbury os eventos extraordinários que aconteciam nesse momento sob seus olhos na Normandia.

“Acabam de formar-se confrarias – disse-lhes – à imitação daquela que nasceu na catedral de Chartres. Vemos milhares de fiéis, homens e mulheres, se atrelarem a pesados carros carregados com tudo o que é necessário para os operários: madeira, cal, vinho, trigo, óleo.

“Entre aqueles servos voluntários há senhores poderosos e mulheres de nobre berço. Entre eles reina a mais perfeita disciplina e um profundo silêncio.

“Durante a noite, eles se reúnem num acampamento com suas charretes, o iluminam com velas e entoam cânticos.

“Eles trazem seus doentes, na esperança de que serão curados.

“Está estabelecida a união dos corações; e se alguém está tão endurecido que não perdoa seus inimigos, a sua oferenda é removida da charrete como algo impuro, e ele próprio é expulso com nota de ignomínia da sociedade do povo santo”.

No mesmo ano de 1145, uma carta de Hugo, arcebispo de Rouen, dá a conhecer a Thierry, bispo de Amiens, eventos em tudo similares.

Ele lhe informa que os normandos, tendo ouvido falar do que estava acontecendo em Chartres, ficaram determinados a imitar aquilo que tinham visto.

Eles constituíram associações e, após terem confessado seus pecados, se atrelaram às carroças sob a liderança de um chefe.

“Nós permitimos – acrescenta o arcebispo – a nossos diocesanos praticarem esta devoção em outras dioceses”.

Esta preciosa passagem nos prova que muitas outras igrejas, cujos nomes ficaram desconhecidos para nós, foram construídas dessa maneira.

A fecundidade artística do século XII tem qualquer coisa de prodigioso. Há na França vastas regiões onde quase não há uma igreja de aldeia que não remonte ao século XII.

Ficamos espantados quando pensamos em todo o talento, todo o trabalho e todos os recursos empregados para realizar essa imensa obra.

Houve então um impulso de fé, de abnegação, um espírito de sacrifício, do qual a construção das torres de Chartres é o mais belo exemplo.


Vídeo: construção da catedral Notre Dame de Paris




(Autor: Émile Mâle, da Académie Française, Notre-Dame de Chartres, Flammarion, Paris, 1994, 190 páginas, p.23-26.)



GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Estrasburgo: “Quem lhe disse isso?” ‒ “A própria torre!”


Das Memórias do poeta alemão Goethe:

Um outro fatinho me roubou os últimos dias. Eu estava numa casa de campo, em companhia de pessoas agradáveis, e dali se podia ver a parte anterior de um convento e a torre [da catedral de Estrasburgo] que sobressaía majestosamente.

Alguém comentou: “Pena que não está tudo terminado e que só tenhamos a torre para ver!”

Eu, porém, disse: “Também me causa pena que não se possa apreciar essa torre inteiramente; pois as quatro volutas são muito desajeitadas e melhor seria que houvesse, no lugar delas, quatro torrezinhas esguias, bem como uma mais alta no meio, onde está aquela cruz pesadona”.

Quando fiz esse comentário com minha costumeira simplicidade, um homenzinho vivaz se voltou para mim e disse:

‒ “Quem lhe disse isso?”

Respondi: “A própria torre! Eu a tenho contemplado tantas vezes, com tanta atenção, e lhe tenho demonstrado tanta veneração, que ela um dia me confessou esse segredo evidente”.

Então, aquele homenzinho me replicou:

‒ “Ela o informou com toda a exatidão! Eu sei isso muito bem, pois sou o encarregado da construção do edifício. Tenho em meus arquivos a planta original e esta confirma o que o senhor diz, e posso mostrar-lhe”.

Por causa da minha viagem, pedi que ele fizesse aquela amabilidade a todo vapor.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Rocamadour, santuário símbolo de fé
encravado na rocha – 2

Continuação do post anterior

O fato é que, 400 anos depois da sua descoberta, o corpo continuava intacto, como testemunha uma paroquiana falecida em 1632, que viu o corpo glorioso de santo Amadour “todo inteiro, em pele e osso, como no dia em que ele morreu”.

Essa piedosa centenária também foi testemunha da tentativa frustrada dos protestantes huguenotes, que queriam fazer uma grande fogueira para queimar o corpo do santo. “Mas Deus não o permitiu”. Entretanto, eles fizeram em pedaços a urna de prata e roubaram o precioso tesouro.

No espírito das pessoas do povo, o fiel servidor de Maria Santíssima esperava assim o dia da ressurreição dos mortos. E se voltavam para a Virgem Negra, que realizava tantos milagres. Ela é apresentada como o Trono da Sabedoria encarnada, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, que Ela tem sobre seus joelhos.

Um livro do santuário contém 126 relatos de milagres atribuídos a Nossa Senhora de Rocamadour, delicadamente ilustrados com desenhos representando as cenas de tais milagres.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Rocamadour, santuário símbolo de fé
encravado na rocha – 1

Wilson Gabriel da Silva

Pouco mais que uma aldeia, Rocamadour surge como um sonho das neblinas do vale. Se o célebre Monte de São Miguel – le Mont St-Michel, diz-se na França – aparece como uma montanha sagrada apontando para as nuvens, Rocamadour brota das entranhas da terra e das próprias pedras em busca do céu. Não é sem razão que Rocamadour significa “o rochedo de Amadour”.

Mas, quem foi Amadour, aliás, Santo Amadour?

Segundo a tradição ou a legenda (pois os documentos são escassos), Amadour não foi outro senão Zaqueu, o publicano do Evangelho.

Se a antiga Gália, depois reino de França, tornou-se a filha primogênita da Igreja, não foi sem razão. Para o seu território migraram vários discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo, entre eles Lázaro, o ressuscitado, e suas irmãs Marta e Maria, a Madalena, os quais desembarcaram em Saintes-Maries-de-la-Mer, antigo porto perto de Marselha.

O evangelho de São Lucas é bastante claro: Zaqueu era rico, o que não o torna simpático aos demagogos da pobreza, tão em voga em nossos dias…

Depois da Paixão e Morte de Nosso Senhor, ele teria servido a Nossa Senhora. E, aconselhado por Ela, tomado o destino de outros emigrantes da Terra Santa, indo buscar refúgio na Gália.

Uma legenda diz que Zaqueu teria-se casado com a Verônica, que enxugou a Sagrada Face de Jesus durante a Paixão. E que, após a morte da esposa, teria procurado a solidão para viver como eremita em alguma caverna a meia altura das paredes rochosas de um desfiladeiro, em cujo leito corre um pequeno riacho.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

AACHEN 2: catedral de insignes relíquias e do trono de Carlos Magno


Continuação do post anterior


Carlos Magno enriqueceu a catedral de Aachen com relíquias extraordinárias.

Na urna da Santíssima Virgem Maria (Marienschrein) se encontram a túnica que Nossa Senhora usou no Natal, os panos com que envolveu o Menino Jesus, o tecido menor que Cristo usou durante a Crucifixão, e o tecido em que foi envolvida a cabeça de São João Batista após sua decapitação.

Numa outra urna (Karlsschrein) igualmente rica e de análogo estilo se conservam os ossos do próprio Carlos Magno. Esses ossos foram objeto de uma longa e severa análise que confirmou sua autenticidade.

Veja mais em: Reconhecidos os ossos do “Pai da Europa”: Carlos Magno

quarta-feira, 9 de julho de 2014

AACHEN: catedral intimamente ligada a Carlos Magno e ao Sacro Império


Uma cidade fundada pelos romanos no século I em virtude das águas termais do local haveria de se transformar numa das capitais mais célebres da Europa, hoje em território da Alemanha próxima à fronteira da Bélgica e dos Países Baixos.

Os romanos a batizaram de Aquae-Grani (de que derivou Aquisgrano ou Aquisgrão em português; Aachen em alemão e Aix-la-Chapelle em francês), porque os romanos tinham a superstição de que o deus Apolo Grano protegia os banhos.

Pepino o Breve, rei dos francos, gostava muito da cidade e erigiu nela uma capela para custodiar preciosas relíquias.

Seu filho Carlos Magno – que provavelmente nasceu em Aachen no ano 742 e que nela veio a falecer em 28 de Janeiro de 814 – fez dela a capital do Sacro Império Romano-Germânico.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Catedral de AACHEN (Aquisgrão):
“nossa conversação está no Céu”


O que dizer dessa catedral?

O melhor comentário é: Oh!

O que significa esse oh!?

Significa: Oh!, preciosidade! Oh!, tesouro!

Oh!, símbolo de alguma coisa que eleva minha alma para os mais altos píncaros!

Oh!, catedral!

Analisando-a, parece ela um amontoado de torres, de capelas e de cúpulas, colocadas mais ou menos sem reflexão.

Mas de seu conjunto se desprende uma tal harmonia, que fico verdadeiramente maravilhado!

Harmonia que tem isto de curioso: tudo aponta para cima. Dir-se-ia que a catedral exclama: "Conversatio nostra in cœlo est" (Nossa conversação está no Céu).

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Como foram os monges
que habitaram o Monte Saint-Michel?

Vista aérea da abadia e do vilarejo do Mont Saint-Michel, Normandia, França

O Monte Saint Michel impressiona antes de tudo pelo efeito natural que produz sua figura.

Mas há outro fator que não é natural e que é indizível.

Este fator se soma ao lado natural e dá o melhor do Monte de São Miguel Arcanjo. É a graça divina.

E essa graça toca o fundo das almas que se deixam influenciar por ela.

Esse fator sobrenatural está ligado aos monges que ali viveram, à intenção do fundador que construiu aquilo, enfim, a uma série de movimentos de alma muito bons que convergiram para que o Monte Saint-Michel fosse como é.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Rochedos de Nossa Senhora e São Miguel:
escalada rumo ao sublime. Le Puy en Velay

Le Puy-en-Velay:  capela de São Miguel da Agulha
Le Puy-en-Velay:
capela de São Miguel da Agulha

Na França, tão rica em lugares extraordinários, Le Puy-en-Velay é um dos mais impressionantes, sem ser dos mais conhecidos.

A pequena cidade de 20 mil habitantes, situada numa bacia povoada de rochedos de origem vulcânica.

Ela fica no extremo sudeste da região do Auvergne, é marcada pela fé, pela História e pela beleza natural.

Ela tira seu nome de uma montanha, penha (este é o significado de “puy”) –– o Puy d’Anis, hoje conhecido como Rochedo Corneille — em cujo pico os católicos erigiram gigantesca estátua de Nossa Senhora da França, dominando toda a cidade.

Na Idade Média, Le Puy-en-Velay chamou-se Le Puy Notre-Dame ou Puy Sainte-Marie.

Juntamente com Chartres, Le Puy-en-Velay abriga um dos mais antigos santuários votados ao culto marial na Gália celto-romana.

Aparições da Virgem Santíssima e curas miraculosas fizeram do lugar um centro de peregrinação.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A força e o sorriso nas colunas góticas

Catedral de Exeter, Inglaterra
Catedral de Exeter, Inglaterra

O gótico é ao mesmo tempo forte e delicado. Por exemplo, suas formidáveis colunas !

Os medievais arranjaram um jeito de trabalhá-las de maneira a atenuar o que poderia haver de impressão de força quase brutal nelas.

O modo de atenuar foi esculpir a coluna dando a impressão que ela é um feixe de coluninhas que se amarram umas as outras para suportar.

E assim a pesadíssima coluna gótica deixa de ser pesada.

Ela sustenta o teto com muita firmeza, mas dá a impressão de leveza por causa das pseudo-coluninhas em que se decompõe.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Catedral de OURENSE: o Pórtico do Paraíso

Pórtico del Paraiso da catedral de Ourense
Pórtico del Paraiso da catedral de Ourense
Segundo uma antiga lenda, a catedral de Ourense foi mandada construir por um rei suevo, povo que ocupava o norte da península ibérica.

O nome do rei era Carriarico, quem, tendo enfermado seu filho, pediu a intercessão de São Martinho de Tours e foi ouvido. SOBRE SÃO MARTINHO DE TOURS VEJA MAIS CLICANDO AQUI

Em agradecimento, o rei mandou construir um templo no lugar onde se encontra agora a catedral.

Séculos depois vieram os muçulmanos que em alguma de suas incursões destruíram o velho e venerado templo.

Em substituição se decidiu levantar a atual catedral em estilo românico, cuja construção se estendeu durante os séculos XII e XIII. A planta da catedral desenha uma cruz latina com três naves.

A construção começou em 1160 e em 1188 foi consagrado o altar- mor, retomando-se as Missas. A catedral foi terminada no século XIII.

A entrada da catedral se faz pelo Pórtico do Paraíso, o qual lembra o Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela, também na Galícia.

Este Pórtico, ricamente colorido, nos recorda que a catedral é a porta do Céu, ao qual nos conduz se formos sensíveis aos apelos da graça divina que batem em nossas almas.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A SAINTE CHAPELLE de PARIS
e o sonho da catedral de cristal


Em algumas construções góticas começa a aparecer um sonho.

É o sonho é de abolir o granito e transformar tudo em cristal.

Esse sonho germina na Sainte-Chapelle de Paris.

A Sainte-Chapelle conserva de pedra apenas o necessário para suportar o teto e servir de encaixe para os vitrais.

Mas o espírito que concebeu a Sainte Chapelle se pudesse fazer um edifício todo de cristal, sentir-se-ia realizado.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Peregrinando dentro de um vitral

Rosácea lateral da catedral de Chartres, França
Imaginemos um vitral em forma circular, ou seja, uma rosácea. Um mundo de cores diferentes.

Dentro do conjunto de cores, poder-se-ia fazer um passeio: ora “entrar” no céu cor de anil, ora no dourado absoluto, depois no verde total ou no vermelho bem rubro.

Os olhos “entram” em vários pedacinhos de céu, olham daqui, de lá e de acolá.

Em determinado momento, surge a maior alegria: a visão do conjunto.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Charme e grandeza da basílica de São Marcos em VENEZA

A fachada foi construída com simplicidade de linhas.

São cinco arcos, dois iguais de cada lado e um no meio, um tanto maior.

O arco maior interrompe um pouco o curso do corrimão de um terraço que está em cima.

Mais para cima se encontram ogivas muito abertas, mas que conservam seu parentesco com a ogiva gótica comum pelo fato de terminarem naquela ponta.

A ponta reúne harmonicamente dois extremos de um movimento que tem um resto de ogival.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Catedral de BOURGES:
força, seriedade, recolhimento, luz

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O gótico é forte. E porque é forte, ele tende ao perene.

Ele tem um visível desejo de durar sempre, de ser uma coisa que nunca mais será substituída.

Há uma seriedade no interior de todo edifício gótico. Há um recolhimento e uma compostura própria só a quem é muito sério.

A luz que entra dentro deles é tamisada por um colorido muito bonito.

Nos vitrais da catedral de Bourges, a luz do dia que entra não tem a cor comum do dia.

É um dia diferente, meio idealizado. É um dia ideal, que faz pensar num sonho que filtra através das janelas.

É um sonho? Não é.

A alma, à força de desejar o Céu, conjetura tanto quanto ela pode, como seria o Céu.

E uma igreja toda ela feita de vitrais da Idade Média, nos dá a impressão de entrar no Céu.

A colunata interna da catedral de Bourges merece ser aclamada. Aquela colunata simboliza um caminho alto, estreito, mas que conduz a uma grande solução.

É o caminho do Céu.

O caminho do Céu não é largo, folgado, espaçoso, agradável.

Ele é apertado, difícil. Ele está sempre a dois passos de precipícios, de problemas.

Os vitrais de Bourges são dos mais belos do mundo
A colunata representa uma coisa grandiosa, metódica, mas da qual não se pode afastar um passo, porque se perde de vista a meta, e se transvia.

Isto é a idéia que nós temos da nossa própria vida enquanto vivida à luz dos Mandamentos.

A Catedral de Bourges está dedicada a Santo Estevão, o primeiro mártir católico. Ela fica na região do Berry, no centro da França.

É considerada uma obra-prima de arquitetura gótica. Sua fachada, de 40 metros da largura é a maior do estilo gótico.

A construção iniciou-se em 1195, praticamente ao mesmo tempo com a Catedral de Chartres.

O coro de Bourges foi construído em 1214, a nave em 1225 e a fachada foi terminada em 1250. A catedral foi consagrada em 13 de maio de 1324.

O rei Luis XI, em 1423 e e o príncipe Luís II de Bourbon-Condé em 1621 foram batizados na catedral.

A planta da catedral possui uma abside circular e sem transepto.

Na fachada há 5 pórticos de acesso, um para cada nave, e outros dois encontram-se aos lados na metade das naves externas. Cada pórtico é ornamentado por esculturas notáveis, sendo a mais famosa a que ilustra o juízo final.

Para conferir estabilidade à estrutura foram utilizados contrafortes potentes – os arcobotantes – , mas como esta técnica era muito inovadora para a época, as paredes da catedral são muito mais espessas do que as catedrais que usavam o mesmo sistema.

Com exceção dos vitrais da capela, quase todos da zona absidal são os originais do século XIII e são considerados dos mais bonitos do mundo.

A iconografia que transparece das figuras representadas nos vitrais é insólita: pois seu simbolismo é portador de mensagens teológicas com uma finalidade catequética.

De fato o catecismo na Idade Média era ensinado explicando as estátuas e os vitrais. Dessa maneira os fiéis podiam a toda hora conferir suas crenças e desenvolviam um requintado senso estético, outrora exclusivo dos mestres e grandes teólogos que com a catedral ficavam ao alcance de todos.

Por isso as catedrais eram também chamadas de “Bíblias de Pedra”.

Por exemplo, os fiéis encontram os grandes eventos do Antigo Testamento e os episódios essenciais da vida de Jesus Cristo, e ainda outros sobre a vida dos santos, dos Atos dos Apóstolos e do Apocalipse ou do Evangelho.

Os medievais dominavam assim a linguagem simbólica sem necessidade de lerem densos tratados, deixando como analfabetos a muitos e muitos cidadãos modernos alfabetizados, mas desprovidos do senso dos valores e princípios transcendentais da cultura e da ordem do universo.



GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS