Outras formas de visualizar o blog:

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

As catedrais, verdadeira glória da Idade Média cristã

Poitiers, França
Nas catequeses das semanas passadas apresentei alguns aspectos da teologia medieval. Mas a fé cristã, profundamente arraigada nos homens e nas mulheres destes séculos, não deu origem somente a obras-primas da literatura teológica, do pensamento e da fé.

Ela inspirou também uma das criações artísticas mais elevadas da civilização universal: as catedrais, verdadeira glória da Idade Média cristã.

Com efeito, durante cerca de três séculos, a partir do início do século XI, assistiu-se na Europa a um ardor artístico extraordinário. Um antigo cronista descreve assim o entusiasmo e a laboriosidade daquela época:

“Verificou-se que no mundo inteiro, mas especialmente na Itália e nas Gálias, se começou a reconstruir as igrejas, embora muitas, por estar ainda em boas condições, não tivessem necessidade de tal restauro.

“Era como uma competição entre um povo e outro; acreditava-se que o mundo, libertando-se dos velhos trapos, queria revestir-se em toda a parte com a veste branca de novas igrejas.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Aos pés da catedral-mãe, a alegria das feiras de Natal

Nuremberg
Longe da banalidade comercial de hoje, o sorriso sobrenatural do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo enchia de alegria suave e de aconchego as praças de cidades e aldeias, de palácios e choupanas da Idade Média.

A tradição, embora deformada, pervive até hoje.

Trata-se das feiras de Natal que ainda dominam em cidades alemãs, austríacas, alsacianas, etc., na Europa.

Elas constituem um eco saudoso, requintado em épocas posteriores, do Natal medieval.

Cheiro de ervas, amêndoas torradas, vinho, cravo, canela, incenso e resina de pinheiro.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A catedral e “a arquitetura da felicidade” (2)

Continuação do post anterior



“O ruído contínuo de fora dava lugar ao silêncio e à emoção inspirada pelo sublime.

As crianças permaneciam coladas aos pais e olhavam em volta com ar de encantada reverência.

“Os visitantes instintivamente falavam baixo como se estivessem coletivamente imersos num sonho do qual não gostariam de sair.

O anonimato reinante na rua era aqui assumido por uma peculiar espécie de intimidade.



“Tudo o que é sério na natureza humana parecia chamado à superfície: pensamentos sobre a limitação e o infinitamente grande, sobre contingência e sublimidade.


“Uma escultura em pedra punha em relevo tudo o que desaparecia e destinado à insensibilidade e reacendia na alma o desejo de viver de acordo com essas perfeições.

“Após alguns minutos na catedral, toda uma série de idéias que, lá fora seriam inconcebíveis, assumia ares de razoabilidade.

“Sob a influência dos mármores, dos mosaicos, da obscuridade e do incenso, parecia inteiramente provável que Jesus fosse o Filho de Deus e que tivesse andado sobre o mar da Galiléia.

“Em presença de imagens de alabastro da Virgem Maria postas diante de um encadeamento rítmico de mármores vermelhos, verdes e azuis, já não era mais surpreendente que um anjo pudesse a qualquer instante descer através das camadas densas dos cúmulos londrinos, entrar por uma das janelas da nave, soar um trompete dourado e anunciar, em latim, um próximo acontecimento celeste.

“Conceitos que pareceriam próprios a um demente a 40 m de distância daquele local, em companhia de um grupo de adolescentes finlandeses e cubas espumantes de óleo de fritura – esses conceitos agora adquiriam, em virtude de um trabalho de arquitetura – um sentido supremo e majestoso”.

(Fonte: Alain de Botton, “The Architecture of Happiness”, Pantheon Books, New York, 2006, 280 p., p. 108 ss.)

Desejaria receber as novas postagens de 'Catedrais Medievais' em meu Email gratuitamente

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A catedral e “a arquitetura da felicidade” (1)

O escritor contemporâneo Alain de Botton deixou no seu livro premiado “The Architecture of Happiness” (“A arquitetura da felicidade”) uma admirável descrição do bem que faz às almas a nobreza de uma grande catedral.

O fato que lhe aconteceu deu-se em Londres, na catedral católica de Westminster.

O testemunho é particularmente expressivo pelo fato do autor ser um ateu militante:


“Há alguns anos, apanhado por forte chuva, tendo que matar o tempo destinado a um almoço com um amigo que não aparecera, estando na Victoria Street, refugiei-me num bloco de granito, com vidros esfumaçados, onde se acha a sucursal do McDonald’s, no bairro de Westminster.

“O ambiente no interior do restaurante era tristonho e pesado. Os fregueses comiam sós, lendo jornais ou fitando os azulejos azuis, mastigando inexoravelmente, sem elegância, dando a impressão de que ao lado desse modo de comer a atmosfera de um estábulo pareceria tratável e de boas maneiras.

“O ambiente tornava aos poucos absurdas idéias tais como: as pessoas podem ser às vezes generosas sem esperança de retribuição; as relações pessoais podem, talvez, ser sinceras; talvez a vida valha a pena de ser vivida...

“O verdadeiro talento do McDonald’s consiste em gerar ansiedade. A forte iluminação, o ruído intermitente do despejar de batatas congeladas em óleo fervente e o trabalho frenético dos balconistas eram um convite a pensamentos de solidão e de falta de sentido da existência posta num universo caótico e violento. A única solução era continuar comendo na esperança de compensar o desconforto causado pelo local no qual se estava.

“Entretanto minha refeição foi perturbada pela entrada de mais ou menos trinta jovens finlandeses, de uma altura não plausível.

“O choque causado neles pelo fato de estarem tão ao Sul, trocando as neves glaciais por uma simples chuva os deixava eufóricos. Exprimiam essa euforia retirando do invólucro quantidades de canudinhos, cantando em voz alta, montando nas costas uns dos outros, para confusão dos empregados, hesitantes entre proibir esse comportamento ou respeitá-lo, caso fosse promissor de apetite voraz.

“Incitado pelos finlandeses a dar à minha refeição um fim precipitado, deixei minha mesa dirigindo-me à praça adjacente onde notei, pela primeira vez, as linhas bizantinas, incongruentes, mas imponentes, da Catedral de Westminster com seu campanário de tijolos vermelhos e brancos, elevando-se a 87 m adentro do espesso nevoeiro de Londres.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

REIMS: catedral da França monárquica para coroar o representante temporal de Deus na Terra





Após os horrores revolucionários da Revolução Francesa e as não menos revolucionárias nem menos sangüentas guerras de Napoleão, os príncipes legítimos da casa de Bourbon, retornaram a Paris.

O primeiro em entrar na antiga capital do reino, foi o Conde de Artois ‒ futuro Carlos X ‒ irmão caçula do decapitado rei Luis XVI.

A entrada do Conde de Artois em Paris foi um episódio de fábula.

Se não fosse o caráter pagão das “Mil e uma Noites”, a gente diria uma fábula das “Mil e uma Noites”.

Ele era um príncipe feito mais de cristal do que de carne, tendo todas as graças e os charmes da delicadeza francesa, tendo todas as finuras, os raffinements, as cortesias da elegância francesa.

Tendo, ao mesmo tempo, uma atitude paternalíssima em relação ao povo.

Entrada do conde de Artois em Paris
E o povo notou essa paternalidade e ficou encantado, chegou a abraçar os cavalos dele, não sem algum perigo do cavalo de repente dar um coice.

E o Conde de Artois avançava sem se perturbar, enquanto o povo abria caminho.

O povo da Áustria fica simplesmente derretido e emocionado quando um arquiduque da casa imperial volta, depois de uma longa perseguição. É a volta de um pai inocente.

No caso da França não. O príncipe é o sonho que todo o mundo gostaria de ter, que gostaria de viver, com o qual se pensava quando os canhões brutais soavam perto de Paris anunciando as violentas vitórias de Napoleão.

No fundo os corações do povo de Paris pensavam no toque dos sinos da Catedral de Reims quando era coroado um rei da França.
Nossa Senhora, Reims

Eles batiam pensando na cerimônia da coroação, uma das mais belas cerimônias da Cristandade.

A catedral de Reims é a catedral feita pela França monárquica para prestar culto ao representante temporal de Deus na Terra.



(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 31/3/95. Sem revisão do autor)


Desejaria receber as novas postagens de 'Catedrais Medievais' em meu Email gratuitamente

quarta-feira, 30 de junho de 2010

As curas de REIMS: sinal do aprazimento de Deus com a monarquia francesa

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









O primeiro rei da França foi Clóvis, rei dos francos e esposo da princesa da Burgúndia, Santa Clotilde. São Remígio, bispo de Reims, celebrou missa com a catedral toda ornada.

Muito bonita para os gostos talvez um pouco bárbaros do tempo mas, enfim, a catedral estava toda ornada.

Quando o bispo entrou com o rei, Clóvis achou a igreja tão bonita que perguntou a São Remígio: “Meu pai, este é o reino dos céus?”

Conta a tradição que enquanto São Remígio sagrava Clóvis, apareceu uma pomba trazendo no bico um frasco de cristal com o óleo com o qual Clóvis deveria ser ungido.

Desde então, sistematicamente, todos os reis da França até Carlos X foram ungidos com esse óleo.

Foi um milagre de Deus fazendo uma pomba romper o “muro” invisível que separa a esfera sobrenatural da natural, e receber de um anjo esse frasco. 

E vir para que um santo, São Remígio, fizesse a sagração do primeiro rei.

A ideia é de conferir algo de sagrado ao pináculo da ordem temporal que é o rei. De maneira que as duas ordens ‒ a espiritual e a temporal ‒ se tocam sem se confundirem nem se nivelarem.

A ordem temporal quando ela se põe no ápice de si mesma ela toca com o dedo no teto que é a ordem espiritual. E forma a bela continuidade das obras de Deus.

A unção conferida aos reis da França pelo bispo de Reims, sucessores de São Remígio, era um sacramental que dava aos reis da França uma qualidade participativa da ordem espiritual.

Havia antigamente uma doença da pele chamada escrofulose. É um nome horrendo para um mal horrendo também que produz na pele umas úlceras purulentas chamadas de escrófulas.

Essa doença era muito freqüente antigamente pela falta de remédios.

Até a queda da monarquia, quando terminava a coroação dentro da catedral com esplendor magnífico, com a flor da nobreza e todo o episcopado presente, os sinos da catedral de Reims revoavam fazendo ouvir em todos as redondezas a alegria da Igreja e da nação porque lhe tinha sido dado um novo rei.

Do lado de fora da igreja, um espetáculo doloroso e aflitivo se acumulava: eram os escrufulosos da França inteira que tinham ouvido falar que iria ser coroado um novo rei.

E acreditava-se pela tradição que quando o rei saísse da igreja de dentro daquele esplendor supremo e tocasse um por um os doentes dizendo: “Le roi te touche, Dieu te guérisse” (“o rei toca em ti e Deus te cure”, ele operava numerosas curas.

Podemos imaginar os pobres coitados que ficavam livres da doença como ficariam alegres. 

Era uma cena que quase repetia a alegria daqueles que foram curados por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Assim eram os lampejos de aparentes contradições formosíssimas em que se compraz a Igreja e o espírito católico.

“O rei toca em ti e Deus te cure”
De um lado esplendor, riqueza, luxo e poder difíceis de imaginar. 

Do lado de fora, colada na porta, uma miséria de fazer a gente chorar.

Mas, entre uma coisa e outra não há a infame luta de classes imaginada por Marx. 

Na ordem católica há colaboração das classes.

O rei é o pai dos pobres e por causa disso ele sai e com sua mão que acaba de ser ungida, ele toca a escrófula asquerosa de cada doente, e diz a fórmula: “o rei toca em ti ‒ ele não dizia que o rei te cura, mas ‒ Deus te cure.”

Como é bonito ver a majestade real curvar-se com afeto sobre cada filho escrufuloso e obter do Céu que pelo intermédio dessa mão que acaba de ser sagrada, a graça de Deus cure aquele pobre coitado.

Pobres e ricos, grandes e pequenos, ficavam unidos sem serem confundidos numa cerimônia dessa natureza.


(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 5/10/94. Sem revisão do autor)




GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

quarta-feira, 23 de junho de 2010

“Le roi te touche, Dieu te guerisse”
‒ “O rei te toca, Deus te cure”

Catedral de Reims, nave central
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A catedral de Nossa Senhora de Reims ergue-se no lugar onde Clóvis, rei pagão dos francos, se fez batizar.

Por causa disto, os reis posteriores se faziam coroar na lindíssima catedral da capital de Champagne.

O prédio atual foi construído posteriormente no auge do gótico.

Na coroação do rei fazia-se uma cerimônia religiosa durante uma missa em que estava presente todo o episcopado, muitos dignitários eclesiásticos, o representante do Papa, todos os representantes da nobreza e do povo.

Todos estavam representados dentro da Catedral de Reims e outros fora, porque não cabiam todos dentro.

Em determinado momento, o rei era ungido com o óleo com que São Remígio tinha ungido Clóvis por ocasião do batismo.

Ampola contendo o óleo para a unção dos reis da França
O arcebispo que coroava o rei ungia o monarca como tenente de Deus na Terra, para governar o doce reino da França em nome de Deus.

E depois, ele punha a coroa na cabeça do rei e o sentava num trono num lugar eminente.

No momento da coroação soltavam, dentro da Catedral, um grande número de pombos.

Eles significavam a alegria da pomba que tinha trazido no bico a Santa Ampola com o óleo com que Clóvis e seus sucessores foram ungidos.

Roupas dos arautos na coroação
Essa ampola conteve o mesmo óleo até o tempo de Luís XVI.

Esse óleo serviu para a coroação dos reis até Carlos X, o último monarca da França já no século XIX.

Os sinos tocavam com todo o vôo, abriam-se as portas, a multidão entrava e era uma alegria geral.

Réplica da coroa de Carlos X
O rei depois saia em procissão da Catedral e na praça pública estavam alinhados os doentes que sofriam de um mal especial chamado escrofulose.

E o rei curava-os em virtude de um carisma que recebia na unção e na coroação.

Chegavam, às vezes, a mil e muitos doentes alinhados ali, com doenças repugnantes.

São Luis toca os doentes
O rei tocava no doente fazendo uma cruzinha e dizia:

“Le roi te touche, Dieu te guérisse” ‒ “O rei te toca, Deus te cure.”


E eram numerosos os escrofulosos que se curavam.

Isso aumentava a alegria geral e era uma festa enorme que repercutia pela Europa inteira.

Assim era a coroação de um rei da França na catedral de Nossa Senhora de Reims.



(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 14/7/90. Sem revisão do autor)





GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A SAINTE CHAPELLE de PARIS e o sonho da catedral de cristal

Em algumas construções góticas começa a despontar um sonho.

É o sonho é de abolir o granito e transformar tudo em cristal.

Esse sonho germina na Sainte-Chapelle de Paris.

A Sainte-Chapelle conserva de pedra apenas o necessário para suportar o teto e servir de encaixe para os vitrais.

O espírito que concebeu a Sainte-Chapelle se pudesse fazer um edifício todo de cristal, sentir-se-ia realizado.

A alma do homem medieval era como uma arca com uma porção de tesouros.

Eles iam tirando tesouro por tesouro.

Os medievais tinham muitos tesouros e riquezas na sua alma profundamente católica.

Isso lhes vinha da devoção filial, enlevada e varonil a Nossa Senhora.

E por meio da Mãe de Deus subiam como um jato para Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.

Eles foram lentamente manifestando essas riquezas.

Até que chegaram por fim ao gótico.

O que mais faltava?

Eles atingiram uma perfeição de alma profunda e verdadeiramente católica.

Se seu email não visualiza corretamente o vídeo embaixo CLIQUE AQUI