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terça-feira, 18 de junho de 2019

Restaurador-chefe de Notre-Dame a quer idêntica ao que era

Restaurador-chefe de Notre-Dame a quer idêntica ao que era
Restaurador-chefe de Notre-Dame a quer idêntica ao que era
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O arquiteto chefe da restauração de Notre-Dame de Paris, Philippe Villeneuve, defendeu em entrevista ao quotidiano “Le Figaro” a reconstrução da agulha da catedral “à l'identique” (de modo idêntico ao que era).

Nisso contrariou a vontade do presidente Emmanuel Macron que favorece “uma reconstrução inventiva”, leia-se que deturpe com elementos extravagantes essa relíquia da Cristandade.

“Para min, não somente deve se refazer a agulha, mas é preciso refazê-la idêntica ao que era, justamente para que ela não se relacione com uma data”, declarou o arquiteto chefe dos monumentos históricos, responsável da restauração da catedral desde 2013.

“Além do mais, o Tratado de Veneza nos impõe restaurar os monumentos históricos no último estado em que foi conhecido”, sublinhou o arquiteto se referindo ao tratado internacional de 1964 sobre a restauração de monumentos.

Para Villeneuve, “a grande força da agulha obra mestra de Eugène Viollet-Le-Duc, é que não está relacionada a uma época. Ela se integrava numa obra mestra medieval do século XIII. É isso que nós devemos procurar”.

Philippe Villeneuve salvando o galo-relicário da agulha de Notre Dame
Philippe Villeneuve salvando o galo-relicário da agulha de Notre Dame
“Olhai para a agulha da catedral de Colônia na Alemanha é uma implantação de 1950 num prédio antigo”, comparou.

E sublinhou que quando “Viollet-Le-Duc refez a agulha, ele não tinha senão três gravuras sumárias da antiga que havia desaparecido”.

“Mas não é o caso de hoje. Sua obra ficou muito bem documentada, e nos conservamos todos os planos”, acrescentou.

Um inquérito da empresa YouGov publicado em fim de abril apontou 54% dos franceses anseia uma reconstrução “à l'identique“.

Apenas 25% é favorável a um “gesto arquitetônico” contemporâneo, como deseja o presidente francês.


O ministro da Cultura Franck Riester, prometeu no canal BFMTV que será feita uma “grande consulta” pública e que o governo ouvirá o desejo dos especialistas e do povo e restaurará “à l'identique” a agulha de Viollet-Le-Duc, ou incluirá algum elemento novo.

Após os trabalhos fundamentais de consolidação da catedral foi feita uma missa para “um número restrito de pessoas” presidida pelo arcebispo de Paris, na festa conhecida como “de la Dédicace” que comemora a consagração do altar-mor da catedral, noticiou “L’Express”.

Os novos sinos da catedral não foram atingidos pelo incêndio
Os novos sinos da catedral não foram atingidos pelo incêndio

Por razões de segurança, a missa foi simples, o público muito limitado e usou capacetes por prudência, na capela da Coroa de Espinhos na extremidade leste da catedral, a menos atingida.

O ato, embora restrito, sugere que os danos não são tão graves quanto se podia supor pelas fotos do incêndio, a ponto de em tão pouco tempo poder se fazer uma cerimônia com público.




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terça-feira, 4 de junho de 2019

Chartres e a reconstrução prodigiosa
filha da graça da penitência

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Continuação do post anterior: Chartres, a catedral renascida das cinzas, exemplo para Paris





Entusiasmo, dedicação e penitência


Para restaurar a catedral na Chartres de 1194, um entusiasmo jamais visto se irradiou até os campos, contagiou o país e o outro lado do Canal da Mancha.

O Livre des Miracles de Notre Dame, escrito na época, descreve uma epopeia coletiva, onde multidões vieram oferecer seu trabalho.

Ricos e pobres empurravam carroças carregadas de pedras e material de construção, mas também de vinho, trigo e alimentos para os voluntários engajados no imenso canteiro de obras.

Reviviam-se assim as jornadas de 1144, durante a construção das torres e da fachada.

Robert de Torigni, abade do Monte Saint-Michel, escreve em sua Crônica:

“Viram-se em Chartres fiéis que se atrelavam a carros carregados com pedras, madeira, trigo e tudo o que poderia ser utilizado nos trabalhos da catedral, cujas torres cresciam como por arte de magia.

“O entusiasmo tomou conta da Normandia e da França: em todos os lugares se viam homens e mulheres a arrastar fardos pesados através de pântanos lamacentos; por toda parte se fazia penitência; em todo lugar perdoavam-se os inimigos”.