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terça-feira, 27 de abril de 2021

Esplendor do gótico e glória da Idade Média

Catedral de Burgos, Espanha
Catedral de Burgos, Espanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Gótico! Quanta glória encerra esta expressão!

Quando a Renascença exumou a cultura clássica e rejeitou a civilização medieval, “gótico significava “bárbaro”, grotesco, próprio aos Godos.

Hoje, com o correr dos séculos, a pátina do tempo transformou “gótico” em sinônimo de “glória”.

Glória pelo esplendor da arte que elaborou o arco ogival e rasgou os céus com as torres de catedrais como as de Paris, Chartres e Colônia.

Glória pela civilização que extinguiu a escravidão, converteu os bárbaros, inventou as universidades e construiu os primeiros hospitais.

Catedral de Estrasburgo, França
Catedral de Estrasburgo, França
Glória pela “doce primavera da Fé”, época em que o teólogo e o arquiteto uniram seus talentos para louvar a Deus.

* * *

Se alguém, no entanto, quiser intuir num simples golpe de vista o fulgor dessa glória, basta observar as fotos de nosso post.

O jogo de luzes e sombras realça o imponderável da cena.

Capela de Saint Hubert, no castelo de Amboise, Loire, França
Capela de Santo Huberto, no castelo de Amboise, Loire, França
Do belo edifício gótico aparecem apenas algumas partes, iluminadas por intensa luz dourada.

As muralhas e as ogivas imergem no mistério.

* * *

Construída sobre rocha escarpada às margens do Loire, no jardim da França.

A capela de Santo Huberto lembra o apogeu da Idade Média, embora o castelo a que pertença, Amboise, tenha sido edificado em estilo renascentista.

Apogeu que infelizmente teve breve duração, mas que iluminou o firmamento da História assim como um corisco ilumina a abóbada celeste.

Fixa nesse instante de glória, a capela de Santo Huberto irradia ao longo dos séculos o esplendor da arte gótica!


Vídeo: Viagem real e virtual ao futuro da catedral de Notre Dame restaurada
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terça-feira, 20 de abril de 2021

A graça mística que agiu
nos construtores das catedrais medievais

A construção de uma cidade, templos religiosos e prédios públicos e privados
A construção de uma cidade, templos religiosos
e prédios públicos e privados
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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No homem medieval é preciso distinguir três categorias sociais essenciais:

1) o homem de oração e de estudo que é o clérigo.

2) o homem de luta e de ideal que é o guerreiro.

3) o homem de trabalho, na cidade ou no campo, que corresponde à plebe.

O próprio ao clérigo é um modo de considerar a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, não como um qualquer considera, mas com uma espécie de enlevo apaixonado.

Esse é o caso do bom clérigo, evidentemente. Há também o mau clérigo, ao qual esse elogio não pode caber.

Então, o que caracteriza o bom clérigo é uma espécie de paixão por Nosso Senhor Jesus Cristo por onde, por exemplo, se ele considera a Paixão e Morte de Nosso Senhor, é propenso a se compenetrar de tal modo que até chora.

Se considera a Anunciação, ou os mistérios gozosos, ele é propenso a fazer quadros como os de Fra Angélico.

E ele assim age quando considera Nosso Senhor no Templo e em todos os episódios narrados nos Evangelhos.

Em todas essas considerações o bom clérigo é profundamente refletido, medita muito, e a meditação atinge até o fundo de sua sensibilidade.

Isto o leva, portanto, aos maiores sacrifícios e às maiores renúncias, e daí o grande número de santos entre o clero da Idade Média.

Também se nota isso na escultura e na pintura medievais. Pintura sobre tela, sobre qualquer outro material, pintura em cristal: os vitrais.

O Beau Dieu de Amiens, no pórtico central da catedral.
O Beau Dieu de Amiens, no pórtico central da catedral.
A gente vê isso na estátua do Beau Dieu de Amiens.

Amiens é uma cidade no norte da França em cujo pórtico há uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nessa imagem Ele de fato está para lá de bonito; não no nosso sentido comum da palavra bonito.

Mas nessa estátua está a alma d’Ele, o espírito d’Ele, está Ele.

Se a gente procurar quem esculpiu essa estátua, vai encontrar um homem que conhece Nosso Senhor, que pensou em Nosso Senhor, que tem Nosso Senhor na alma dele.

Quer dizer, é um homem de Deus que fez aquilo. De onde aconteceu de aquela estátua sair tão bem.

Isso vale para os vitrais, tapeçarias e tudo mais que a gente possa imaginar.

Agora, como é que uma pessoa que não viu Nosso Senhor adquire a possibilidade de representar tão bem a alma d’Ele?

Como é possível que homens como nós, que vemos essa representação séculos depois, cheguemos ao ponto de nos comovermos quase como os antigos diante daquela expressão, que há pelo menos quinhentos anos um homem pôde imaginar e representar?

Como pode ele imaginar Nosso Senhor?

Como pode representá-lo daquele jeito?

Só por meio de uma graça. Evidentemente, por meio de uma graça.

E essa graça traz como consequência o quê?

Catedral de Amiens
Catedral de Amiens

É que o escultor, sem ter tido necessariamente uma visão mística extraordinária, ele teve uma intuição de Nosso Senhor Jesus Cristo por onde algo na sensibilidade dele o levou a representar uma figura parecida com a de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O que se passou nele de sobrenatural que o tornou capaz de representar o Homem-Deus encarnado que ele nunca viu?

O que houve no ponto de partida que ele de algum modo “viu” — não é por uma visão — mas viu a Deus e isto é um fenômeno místico?

Por isso são tão extraordinariamente comovedoras no seu conjunto as catedrais da Idade Média. É que todo aquele conjunto nos fala de Deus.

A fachada da igreja de Orvieto na Itália é muito bonita.

Mas ela não tem a expressão mística das outras coisas da Idade Média.

Aquela igreja de Orvieto é célebre. A alguma distância dela há a catedral de Orvieto, que é bem bonita também, mas não tem o esplendor do gênero do Beau Dieu de Amiens, que tem qualquer coisa de místico.

O que é? A gente não sabe.

A graça de Deus, quando é correspondida, não só faz funcionar bem a sociedade, mas faz a pessoa funcionar internamente bem.

Nossa Senhora de Amiens, no interior da catedral
Nossa Senhora de Amiens, no interior da catedral
A inteligência, a vontade e a sensibilidade funcionam bem, e a pessoa fica em condições ideais para a produção daquilo que ela pode produzir.

Por exemplo, um artista que tem dotes de escultor. Se ele utilizar adequadamente sua capacidade escultórica sai um escultor tão bom quanto o talento dele permite.

Então, um grande escultor recebendo a graça, atinge um nível que nenhum escultor conseguiria se não for animado pela graça.

Há obras-primas que podem ter sido feitas por um homem que está em estado de pecado mortal e que, portanto, não está animado pela graça.

Mas que adquiriu hábitos artísticos num ambiente onde há ou houve muita gente cheia da graça de Deus, e esse ambiente obriga o artista a fazer o bem.

Até o artista ordinário, pela ação da graça é levado a fazer coisa boa.

Essa é a razão pela qual em Veneza, mesmo nos recantos mais populares, se encontram realizações exímias de artesanato popular. Diante dessas coisas a gente não pode deixar de louvar a Deus porque fez os populares realizarem coisas que envolvem até aspectos de dimensão religiosa.

Essa consideração é profundamente diferente de certas manifestações limitadas de piedade, inclusive entre as pessoas piedosas hoje em dia.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 28/2/91. Sem revisão do autor)


Vídeo: A graça mística nos construtores das catedrais: o exemplo de Notre Dame
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terça-feira, 6 de abril de 2021

Arundel: catedral da fidelidade ao catolicismo

Arundel catedral-santuário de um duque mártir
Arundel catedral-santuário de um duque mártir
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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A Igreja Catedral de Nossa Senhora e São Filipe Howard é uma catedral católica na cidade de Arundel (West Sussex), Grã Bretanha, com uma história única.

Ela foi construída em 1873 como igreja paroquial, mas o esplêndido templo se tornou catedral em 1965 com a fundação da diocese de Arundel-Brighton.

A construção da catedral se deve à família Howard, Duques de Norfolk e Condes de Arundel, uma das famílias católicas mais proeminentes da aristocracia inglesa, instalada no Castelo de Arundel desde 1102 até hoje.

O duque de Norfolk é, por direito histórico reconhecido pela monarquia protestante inglesa, Primeiro Duque dos Pares de Inglaterra, membro hereditário da Câmara dos Lordes, Marechal Hereditário da Inglaterra.

Enquanto conde de Arundel também é Primeiro Conde do Reino inglês. Os Condes de Arundel têm também os títulos de Duque de Norfolk e outros subsidiários.

Catedral neogótica de Arundel.
Catedral neogótica de Arundel.
Todos os antigos e atuais duques descendem do rei Eduardo I da Inglaterra (1239 –1307). O Duque de Norfolk é o encarregado de receber na porta do Parlamento à rainha quando vai pronunciar seu famoso discurso de abertura dos trabalhos anuais.

O Duque age como representante de toda a classe dos Lordes.

Historicamente, pertencem às primeiras famílias aristocráticas da Inglaterra. Toda a família é tradicionalmente católica e principal representante do recusacionismo inglês.

O recusacionismo é o nome erudito dado aos nobres que se recusaram a acompanhar a apostasia e heresia protestante iniciada pelo rei Henrique VIII.

Muitos deles foram mártires como este duque de Arundel São Felipe Howard. Muitos outros continuaram professando o catolicismo num regime catacumbal em seus castelos.

São Felipe Howard, vitral de Santa Maria e santos mártires
São Felipe Howard, XX Conde de Arundel.
Vitral de Santa Maria e santos mártires
Em 1664 o catolicismo foi suprimido de vez na Inglaterra, passando todas as igrejas e catedrais do país a pertencerem à Igreja Anglicana.

Somente em 1829, por meio da lei de emancipação católica, paróquias foram novamente abertas ao culto católico e ainda assim sob suspeitas.

Recomendamos a nossos leitores, os posts publicados sobre os grandes santos que na Europa sofreram, rezaram e realizaram proezas para restaurar o catolicismo na Inglaterra:

Conversão dos anglicanos I: Don Bosco e São Domingos Savio

Conversão dos anglicanos II: Santo Eduardo Rei e São Paulo da Cruz, fundador

Conversão dos anglicanos III: o santo cura de Ars e o Servo de Deus Bartolomeu Holzhauser
Com a relativização da perseguição protestante, em 1868, o 15º Duque de Norfolk, Henry Fitzalan-Howard, contratou o arquiteto Joseph Hansom para erigir um templo católico em Arundel.

Esse deveria seguir o estilo do imponente castelo em que a família ducal reside.

Hansom projetou uma grande igreja de inspiração gótica francesa construída com pedras das pedreiras de Bath.

Nisso acompanhava o renascimento do gótico que teve no arquiteto católico inglês Augustus Welby Pugin (1812–1852) o seu máximo representante, famoso pelo Big Ben entre outras realizações.

Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 1

Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 2

Catedral de Arunde, nave central
Catedral de Arundel, nave central
A catedral foi dedicada a São Filipe Neri, mas foi mudada após a canonização em 1970 de São Filipe Howard, XX Conde de Arundel.

Ele foi um dos Quarenta mártires da Inglaterra e País de Gales, leigos e religiosos, homens e mulheres, que foram mortos por sua fé durante o reinado da rainha Elizabeth I.

Os Quarenta Mártires foram canonizados em 25 de outubro de 1970.

Eles se destacaram entre os cerca de trezentos que foram executados entre 1535 e 1679, pelos reis protestantes da Inglaterra e Gales revoltados contra o papado. Cfr. Quarenta Mártires da Inglaterra e País de Gales 

São Felipe Howard foi o XX Conde de Arundel, batizado no Palácio de Whitehall, apadrinhado pelo Rei Felipe II da Espanha.

A rainha Elizabeth I da Inglaterra, cruel protestante, prendeu seu pai em Norfolk, em 1569, pela tentativa de casamento com a católica Maria I Stuart, Rainha da Escócia e legitima herdeira ao trono inglês.

Após o duque tentar com o auxílio do rei Felipe II da Espanha colocar Maria Stuart no trono inglês e restaurar o catolicismo na Inglaterra, Elizabeth mandou executá-lo na Torre de Londres.

Seu filho São Philip Howard e grande parte de sua família desafiou a sanguinária rainha Elizabeth da qual era primo em segundo grau.

Túmulo de São Filipe Howard
Túmulo de São Filipe Howard

Com falsas acusações de alta traição, a rainha prendeu São Felipe Howard na Torre de Londres em 25 de abril de 1585, até sua morte por disenteria aos 38 anos de idade, dez anos depois.

No leito de morte pediu à rainha ver sua esposa e seu filho que havia nascido depois de sua prisão. 

A rainha respondeu que só autorizaria se prevaricasse ao protestantismo. Ele se recusou e morreu sozinho, sendo imediatamente reconhecido como mártir católico.

A família defendeu o condado de Arundel e o possui até agora.

O corpo do grande conde de Arundel São Felipe Howard foi jogado sob o chão da igreja de San Pedro ad Vincula, dentro da torre.

Vinte e nove anos depois, sua viúva e filho obtiveram permissão do rei Jaime I para mover seus restos mortais para a Capela FitzAlan, perto do Castelo de Arundel.

Seu túmulo foi transferido para a atual catedral católica de Arundel em 1971 onde hoje é um local de peregrinação.



Vídeo: Voo de um anjo na catedral de Arundel
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