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terça-feira, 1 de setembro de 2026

O ódio ao gótico é ódio à Igreja Católica

Catedral de Bourges, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









A civilização medieval foi um todo orgânico e coeso, em suas partes. E seus inimigos não deixam de proclamá-los ao reconhecer essa identidade de espírito que uniu o gótico à escolástica.

Quando não vão frontalmente contra a Igreja, que foi a verdadeira criadora dessa civilização, investem ora contra a escolástica, ora contra o gótico, mas sabem que, atacando um, atingiram também os outros.

A revolução religiosa, política e social dos Tempos Modernos teve como uma de suas primeiras brigadas de choque o humanismo renascentista, que atuou sobretudo no campo estético.

E vem da Renascença a palavra “gótico”, tomada em sentido pejorativo, para designar algo de bárbaro, de grosseiro, que cumpria substituir pelas belezas do classicismo neopagão.

Semelhante ódio a essa expressão estética da civilização católica aparece, através dos séculos, junto a outras formas de destruição revolucionária.

Assim é que na Revolução Francesa são arrasados os últimos resquícios do mundo gótico e feudal, ou da Cristandade como expressão política. E a fúria do barrete frigio se exerceu não somente contra as instituições, mas também contra os castelos, contra os conventos, contra as abadias, contra as catedrais.

Catedral de Troyes, Champagne, França
Até hoje são visíveis as cicatrizes e as ruínas que assinalaram a passagem dessa horda de vândalos.

Em 1793, por exemplo, Saint-Just e La Bas ordenaram a destruição das imagens da catedral de Strasburg para transformar esse esplendido exemplo do alto gótico em “templo da razão”.

Alguém sabendo do que ia acontecer, apressadamente e às escondidas removeu para sua própria casa e instalou em seu jardim duas estatuas, verdadeiras obras primas que simbolizam a Igreja e a Sinagoga.

Mas ainda, para salvar da sanha revolucionaria os altos-relevos do “tímpano” da entrada principal, ocultou-os sob um grosseiro painel de tabuas, no qual fez escrever as palavras mágicas: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”...

Da parte dos inimigos da Cidade de Deus, convenhamos que esse ódio ao gótico é logicamente fundamentado. Para demonstrá-lo basta que atentemos para a história desse estilo.

A arquitetura gótica não teve inicio na decadência de um estilo, mas é produto de uma nova civilização que então se estruturava e que criou novos padrões estéticos, os quais progressivamente foram se impondo a todo o mundo cristão.

Justamente o contrario da arquitetura românica, que se originou do esforço dos monges e do povo por continuar a fazer algo parecido com os edifícios romanos, cujas ruínas se espalhavam um pouco por toda parte.



(Fonte: Catolicismo, Junho de 1960, Nº 114)


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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

BOURGES: uma das catedrais mais belas do mundo

Bourges: a catedral de Santo Estêvão obra prima do gótico.
Bourges: a catedral de Santo Estêvão obra prima do gótico.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Na fachada da catedral de Bourges, no centro da França, se destacam cinco grandes póritcos que dão acesso à catedral.

A porta central fica no fundo de uma série de arcos. Ela é feita de um triângulo cheio de imagens entalhadas em pedra e encimadas por outra principal.

Depois há uma rosácea preenchida por um vitral. De um lado e doutro da rosácea há dois nichos com imagens.

No triângulo há uma porção de arcos góticos dentro da espessura da parede que tendem ao arredondado.

Estão cobertos de pequenas imagens. Depois vem a porta propriamente dita.

No tímpano da porta há uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo vitorioso, triunfante. E depois novas figuras.

Afinal, em baixo estão as portas de madeira todas trabalhadas, encimadas por sua vez, por rosáceas.

A estrutura das portas laterais é a mesma, apenas menos rica. Elas fazem um acompanhamento da porta central como as damas de honor acompanhavam a rainha.

A porta é construída como uma saliência na fachada. Nos dias de chuva ou de sol muito forte, as pessoas podem ficar um pouco protegidas.

Nas construções modernas, mesmo as mais modestas, há uma preocupação análoga de colocar alguma coisa na entrada que proteja a pessoa que vai entrar.

Bourges: uma Bíblia e um catecismo em pedra que todos apreendiam a ler.
Bourges: uma Bíblia e um catecismo em pedra que todos apreendiam a ler.
De maneira que enquanto ela tira a chave para abrir a porta, ou enquanto espera que atendam a campainha, ela não fique sujeita à chuva. Isso, na expressão mais simples, consiste numa chapa de vidro perpendicular à parede.

Aqui, para chegar a esse resultado, vejam a magnificência de bom gosto e de beleza artística que a arte gótica empregou.

Porque tudo tem a finalidade de ornar, mas é um ornato com utilidade.

De cada lado da porta central, há mais duas. São cinco portas.

Tudo isso foi esculpido na pedra. As esculturas são numerosas e muitas delas são verdadeiras obras de arte.

Os medievais não se incomodavam de gastar mão-de-obra nem de terminar logo. Nada aí está feito ao galope para fazer logo.

Bourges: a catedral de Santo Estêvão uma das mais belas do mundo.
Bourges: a catedral de Santo Estêvão uma das mais belas do mundo.
As coisas não eram marcadas com data ficassem feias ou bonitas. O homem medieval não era escravo do tempo como é - e acha bonito ser - o pobre homem moderno.

Essas catedrais podiam levar cem, duzentos anos, para serem construídas. E as gerações que contribuíam para que essa catedral fosse construída, morriam em paz sabendo que não veriam a catedral pronta.

Mas eram gerações de fé, e sabiam que quando elas chegassem ao Céu, elas teriam diante de si uma visão incomparavelmente mais bela do que a catedral.

E esta visão seria a recompensa da paz com que elas adormeciam em Deus.

Seus corpos eram inumados na catedral ou nas cercanias, com as mãos postas esperando a misericórdia e o juízo de Deus.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira. Texto sem revisão do autor.)

Bourges: os mais belos vitrais tornavam fáceis as mais altas verdades da Fé Vitral do Apocalipse
Bourges: os mais belos vitrais tornavam fáceis as mais altas verdades da Fé.
Vitral do Apocalipse


Bourges, a catedral de Santo Estêvão: uma das mais belas do mundo

A catedral de Bourges dedicada a Santo Estêvao – Cathédrale Saint-Étienne, em francês – fica no centro da França.

É uma obra-prima de arquitetura gótica e sua fachada, de 40 metros da largura é a maior deste tipo. Em 1992 foi inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO

A construção da catedral iniciou-se em 1195, praticamente ao mesmo tempo com a Catedral de Chartres.

O coro foi construído em 1214, a nave em 1225 e a fachada foi terminada em 1250. O conjunto do templo do bispo de Bourges foi consagrado em 13 de maio de 1324.

Os reis Luis XI, em 1423 e Luís II de Bourbon-Condé em 1621 foram batizados na catedral.

A construção começou em 1195 e em 1214 perto da metade já estava pronta. Foi completada entre 1225 e 1230.

Foi saqueada pela Revolução Francesa que instalou dentro um Templo da Unidade em 10 de dezembro de 1793.

Bourges: nave central.
Bourges: nave central.
No século XIX teve início a restauração após o bárbaro crime e as obras continuam até o presente.

As catedrais eram concebidas como uma representação da Jerusalém celeste.

As dimensões exteriores são: 125 metros de comprimento, 55 metros de largura. A altura interior na nave central é de 37,15 metros.

A torre norte chamada “de Beurre” tem uma altura de 65 metros e a torre sul dita “a surda” 53 metros. A superfície total é de 5.900 m2.

A planta da catedral possui uma abside circular e sem transepto.

A fachada tem 5 grandes portais de acesso, um para cada nave.

Mais outros dois portais de acesso também ricamente adornados de esculturas simbólicas encontram-se na metade da nave mais externa.

Cada porta é ornamentada por esculturas notáveis, sendo a mais famosa a que ilustra o juízo final. Todas elas têm um alto conteúdo simbólico.

Nas esculturas e vitrais da catedral os fiéis podem ler as grandes verdades da Fé, o Antigo e Novo Testamento e a vida dos santos.

Para conferir estabilidade à estrutura gótica sempre mais arrojada e surpreendente foram utilizados contrafortes potentes, conhecidos como arcobotantes.

Com exceção dos vitrais da capela, quase todos da zona absideal são os originais do século XIII e são considerados uma das obras primas dessa arte.

A riqueza das cores, a distribuição harmoniosa das figuras e o requinte do conjunto faz dos vitrais de Bourges um doss conjuntos em que o fiel pode dizer que está vendo a Deus.

Os vitrais de Bourges são frequentemente comparados aos de Chartres considerados o auge da expressão luminosa da fé católica.

O mundo sobrenatural que transparece nas figuras representadas nos vitrais é insólita. Seu simbolismo transforma as mais altas e complicadas verdades teológicas em mensagens simples facilmente acessíveis inclusive para o analfabeto.

Exemplos vivos disso são os eventos do Antigo Testamento, episódios sobre a vida de Jesus Cristo e outros sobre o Apocalipse e o Fim do Mundo.




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terça-feira, 23 de maio de 2023

A catedral, poderosa nave da Salvação

Luis Dufaur
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O artista medieval não era nem um rebelde, nem um “filósofo”, nem um precursor da Revolução.

É suficiente apresentá-lo como ele realmente era: simples, modesto e sincero.

Ele era um dócil intérprete das grandes idéias que para conseguir representar, ele engajava todo seu engenho. Era-lhe concedida pouca margem para a invenção.

A Igreja confiava à fantasia individual do artista apenas pequenas peças puramente decorativas.

Mas, ele tinha jogo livre para aplicar sua força criativa e tecer grinaldas com todas as coisas vivas para adornar a casa de Deus.

Plantas, animais, todas essas belas criaturas que suscitam curiosidade e ternura na alma da criança e do simples tomavam forma em seus dedos.

Por obra dele a catedral transformava-se numa coisa viva, uma gigantesca árvore transbordante de pássaros e flores, menos parecida a uma obra humana do que à natureza.

A convicção e a fé perpassavam a catedral de ponta a ponta. Até o homem moderno fica profundamente impressionado pela serenidade desde que queria em alguma medida se submeter à sua influência.

Ali as dúvidas e teorias humanas devem ser esquecidas por um certo tempo.

Vista de longe, a catedral com seus transeptos, agulhas e torres parece uma nave poderosa prestes a partir para uma longa viagem.

E toda uma cidade pode embarcar cheia de confiança em seus imensos conveses.

Quando o viajante se aproxima dela a primeira coisa com que se depara é a figura de Cristo, da mesma maneira que todo homem nascido neste mundo O encontra através de sua viagem pela vida.

Ele é a chave do enigma da vida.

Juízo Final, detalhe. Abadia de Saint-Foy, Conques, França.
Juízo Final, detalhe. Abadia de Saint-Foy, Conques, França.
Em torno d’Ele está escrita a resposta a todas as interrogações do homem.

O cristão apreende como o mundo começou e como vai acabar.

E as estátuas que simbolizam as diferentes idades do mundo lhe instruem sobre sua duração.

Diante de seus olhos estão todos os homens cuja história teve importância e que ele deve conhecer.

Trata-se daqueles que sob a Antiga ou a Nova Lei foram tipos de Cristo, por quem só vale a pena viver posto que participam da natureza do Salvador.



(Autor: Émile Mâle, “A arte religiosa na França no século XIII”, apud “The Dawson Newsletter", Summer 1993).




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terça-feira, 21 de março de 2023

Catedral de BOURGES:
força, seriedade, recolhimento, luz

Luis Dufaur
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O gótico é forte. E porque é forte, ele tende ao perene.

Ele tem um visível desejo de durar sempre, de ser uma coisa que nunca mais será substituída.

Há uma seriedade no interior de todo edifício gótico. Há um recolhimento e uma compostura própria só a quem é muito sério.

A luz que entra dentro deles é tamisada por um colorido muito bonito.

Nos vitrais da catedral de Bourges, a luz do dia que entra não tem a cor comum do dia.

É um dia diferente, meio idealizado. É um dia ideal, que faz pensar num sonho que filtra através das janelas.

É um sonho? Não é.

A alma, à força de desejar o Céu, conjetura tanto quanto ela pode, como seria o Céu.

E uma igreja toda ela feita de vitrais da Idade Média, nos dá a impressão de entrar no Céu.

A colunata interna da catedral de Bourges merece ser aclamada. Aquela colunata simboliza um caminho alto, estreito, mas que conduz a uma grande solução.

É o caminho do Céu.

O caminho do Céu não é largo, folgado, espaçoso, agradável.

Ele é apertado, difícil. Ele está sempre a dois passos de precipícios, de problemas.

Os vitrais de Bourges são dos mais belos do mundo
A colunata representa uma coisa grandiosa, metódica, mas da qual não se pode afastar um passo, porque se perde de vista a meta, e se transvia.

Isto é a idéia que nós temos da nossa própria vida enquanto vivida à luz dos Mandamentos.

A Catedral de Bourges está dedicada a Santo Estevão, o primeiro mártir católico. Ela fica na região do Berry, no centro da França.

É considerada uma obra-prima de arquitetura gótica. Sua fachada, de 40 metros da largura é a maior do estilo gótico.

A construção iniciou-se em 1195, praticamente ao mesmo tempo com a Catedral de Chartres.

O coro de Bourges foi construído em 1214, a nave em 1225 e a fachada foi terminada em 1250. A catedral foi consagrada em 13 de maio de 1324.

O rei Luis XI, em 1423 e e o príncipe Luís II de Bourbon-Condé em 1621 foram batizados na catedral.

A planta da catedral possui uma abside circular e sem transepto.

Na fachada há 5 pórticos de acesso, um para cada nave, e outros dois encontram-se aos lados na metade das naves externas. Cada pórtico é ornamentado por esculturas notáveis, sendo a mais famosa a que ilustra o juízo final.

Para conferir estabilidade à estrutura foram utilizados contrafortes potentes – os arcobotantes – , mas como esta técnica era muito inovadora para a época, as paredes da catedral são muito mais espessas do que as catedrais que usavam o mesmo sistema.

Com exceção dos vitrais da capela, quase todos da zona absidal são os originais do século XIII e são considerados dos mais bonitos do mundo.

A iconografia que transparece das figuras representadas nos vitrais é insólita: pois seu simbolismo é portador de mensagens teológicas com uma finalidade catequética.

De fato o catecismo na Idade Média era ensinado explicando as estátuas e os vitrais. Dessa maneira os fiéis podiam a toda hora conferir suas crenças e desenvolviam um requintado senso estético, outrora exclusivo dos mestres e grandes teólogos que com a catedral ficavam ao alcance de todos.

Por isso as catedrais eram também chamadas de “Bíblias de Pedra”.

Por exemplo, os fiéis encontram os grandes eventos do Antigo Testamento e os episódios essenciais da vida de Jesus Cristo, e ainda outros sobre a vida dos santos, dos Atos dos Apóstolos e do Apocalipse ou do Evangelho.

Os medievais dominavam assim a linguagem simbólica sem necessidade de lerem densos tratados, deixando como analfabetos a muitos e muitos cidadãos modernos alfabetizados, mas desprovidos do senso dos valores e princípios transcendentais da cultura e da ordem do universo.



GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
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