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terça-feira, 27 de junho de 2023

ROCAMADOUR: gruta do judeu penitente
e santuário de Nossa Senhora

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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No sudoeste da França, fica o santuário de Rocamadour. O nome significa “amante das rochas” (“roc amator”) e foi um dos grandes pontos de peregrinação na era medieval.



Segundo a tradição, o velho sininho que lá existe punha-se a tinir sozinho quando um navio estava em perigo, ou quando algum fiel em situação desesperada encomendava-se a Nossa Senhora de Rocamadour.

As ocorrências eram zelosamente anotadas e quando os beneficiados iam a Rocamadour ‒ que fica a um bom bocado de caminho de qualquer porto ‒ para pagar a promessa, conferia-se a data e a hora do voto e o tinir do sino.

A origem do mosteiro é não menos maravilhosa.


Lá viveu e morreu como eremita o judeu Zaqueu de Jericó, morto por volta de 70 d.C.

Ele amava as rochas, e cavou um eremitério numa delas para ficar longe do mundo.

Teria sido ele quem trouxe para Rocamadour a primeira estátua de Nossa Senhora.

A atual, conhecida como Virgem Negra, é milenar pois data do século IX.

Zaqueu morreu com fama de santidade.

Depois de sua morte foram reportados inúmeros milagres atribuídos a seu túmulo e ao santuário da Virgem.

Muitos peregrinos famosos estiveram em Rocamadour, entre eles: São Bernardo e São Domingos.

Carlos Magno teria visitado o santuário quando foi a lutar contra os mouros na Espanha.

Conserva-se, aliás, um fragmento de Durendal a espada de Rolando que foi com Carlos Magno na expedição e morreu epicamente na batalha de Roncesvalles.

Também as rainhas Leonor da Aquitânia e Branca de Castela; e os reis Henrique II da Inglaterra; São Luís IX, Carlos IV e Luís XI da França. Além de incontáveis outras personalidades.

Ainda hoje é muito visitado, e é uma parada altamente recomendável num desvio da auto-estrada que leva de Paris a Lourdes.



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terça-feira, 20 de junho de 2023

BURGOS, catedral espanhola: majestade, sobriedade e esplendor

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Todas as coisas que são harmônicas devem ser dominadas por um ponto central.

Vejam como essa imagem domina absolutamente, na sua simplicidade, todo esse ambiente. Tudo é feito para olhar para ela.

Ela está num muro completamente liso. Em torno dela não há floreios, não há nada: é de uma austeridade enorme.

Mas a moldura é riquíssima.

As molduras de cada uma dessas ogivas, que verdadeira beleza!

Na galeria que talvez dê para o claustro, o teto é muito simples, mas as nervuras são lindas.

O teto deve ser simples para se notarem as nervuras. A luz -- é uma coisa tão banal a luz do dia, não é? -- se torna nobre e mística passando por essas janelas!


Dentro da sobriedade espanhola cabe o esplendor.

Nas estalas do coro o cabido recita Ofício. Em cada um desses bancos senta-se um cônego. Em geral nas salas de cabido da Idade Média se realizavam fatos históricos.

O trabalho de escultura em madeira é simplesmente maravilhoso! O corrimão, que beleza!

Eu chamo a atenção para as colunas repletas de imagens de Santos, com dosséis todos ricamente esculpidos. Não há o que dizer.

A famosa escadaria da catedral, a meu ver, é a mais bonita escada do mundo. Vejam que categoria!

Como escada não é possível ser mais bonita.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 2.9.72. Sem revisão do autor.)




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terça-feira, 13 de junho de 2023

Catedral de AACHEN (Aquisgrão):
“nossa conversação está no Céu”

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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O que dizer dessa catedral?

O melhor comentário é: Oh!

O que significa esse oh!?

Significa: Oh!, preciosidade! Oh!, tesouro!

Oh!, símbolo de alguma coisa que eleva minha alma para os mais altos píncaros!

Oh!, catedral!

Analisando-a, parece ela um amontoado de torres, de capelas e de cúpulas, colocadas mais ou menos sem reflexão.

Mas de seu conjunto se desprende uma tal harmonia, que fico verdadeiramente maravilhado!

Harmonia que tem isto de curioso: tudo aponta para cima. Dir-se-ia que a catedral exclama: "Conversatio nostra in cœlo est" (Nossa conversação está no Céu).

Aponta para cima a torre, como que erguendo os braços a Deus.

Aponta para cima a cúpula, que, não satisfeita de se elevar com toda sua massa rumo ao alto, ainda ostenta uma cupulazinha, que é uma espécie de tentativa de alcançar com a ponta do dedo aquilo que a palma da mão não consegue tocar.

Aponta para cima a forma ogival das janelas que estão encrustradas na torre, e cuja extremidade parece refletir a tendência para subir, para subir...

Cada um dos torreõezinhos embaixo lembra-me aquelas palavras da Missa:  

"Sursum corda! Habemus ad Dominum" (Elevai vossos corações ao alto. A resposta é: "Nós os temos voltados para o Senhor").

Veja vídeo
Vídeo:
a catedral imperial
de Carlos Magno

Todo O conjunto é um imenso, um maravilhoso sursum corda!

* * *

Entretanto, como pode uma pessoa, hoje em dia, possuir uma alma tão dura ou tão vil, que não se comova e não se entusiasme olhando essa catedral?

Imaginemos que se interrompesse uma novela pornográfica de televisão para se exibir, de repente, um filme sobre essa catedral.

Não haveria uma série de pessoas que ficariam com mau humor? E que prefeririam a pornografia a isso?

Que alma é essa de alguém rejeitante de tal maravilha, e que prefere a pornografia?

Entretanto, a alma humana foi criada para tais elevações e tal dignidade.

E que o primeiro movimento de uma alma visando ausentar-se desses panoramas já a coloca à beira do abismo em que cairá!


(Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 22-2-1986. Sem revisão do autor.)



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terça-feira, 6 de junho de 2023

Nossa Senhora da Penha e São Miguel:
rumo ao sublime em LE PUY EN VELAY

Le Puy-en-Velay:  capela de São Miguel da Agulha
Le Puy-en-Velay:
capela de São Miguel da Agulha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na França, tão rica em lugares extraordinários, Le Puy-en-Velay é um dos mais impressionantes, sem ser dos mais conhecidos.

A pequena cidade de 20 mil habitantes está situada numa bacia povoada de rochedos de origem vulcânica.

Ela fica no extremo sudeste da região do Auvergne, e é marcada pela fé, pela História e pela beleza natural.

Ela tira seu nome de uma montanha, penha (este é o significado de “puy”) – o Puy d’Anis, hoje conhecido como Rochedo Corneille – em cujo pico os católicos erigiram gigantesca estátua de Nossa Senhora da França, dominando toda a cidade.

Na Idade Média, Le Puy-en-Velay chamava-se Le Puy Notre-Dame ou Puy Sainte-Marie.

Juntamente com Chartres, Le Puy-en-Velay abriga um dos mais antigos santuários votados ao culto marial na Gália celto-romana.

Aparições da Virgem Santíssima e curas miraculosas fizeram do lugar um centro de peregrinação.

Nossa Senhora do Puy, ou Nossa Senhora da Penha,  também conhecida como a Virgem Negra
Nossa Senhora do Puy, ou Nossa Senhora da Penha,
também conhecida como a Virgem Negra.
Na catedral de Le-Puy-du Velay.
Já no século III seus habitantes abraçavam a fé cristã, e o Anuário Pontifício registra a presença ali de uma diocese desde essa remota época.

Na Idade Média, tornou-se um dos principais pontos de partida do “caminho de Santiago”, para os peregrinos que iam a Santiago de Compostela.

>O mais célebre bispo de Puy foi certamente Adhemar de Monteil, nomeado em 1087.

Ardoroso adepto da reforma da Igreja, empreendida por São Gregório VII, ele desempenhou papel essencial na preparação da primeira Cruzada.

Essa primeira Cruzada foi convocada pelo Papa Urbano II em Clermont, capital do Auvergne (na mesma região onde fica o santuário de Nossa Senhora do Puy), em 1095.

Conhecedor da Terra Santa, que visitara como peregrino, Adhemar de Monteil foi escolhido pelo Papa como seu legado na direção da Cruzada.

O comando militar foi confiado ao Conde de Toulouse, Raymond de Saint-Gilles.

Le Puy-en-Velay: Nossa Senhora da França
Le Puy-en-Velay: Nossa Senhora da França
no alto de um pináculo vulcânico
Quando as divergências se manifestaram entre os barões que chefiavam os principais exércitos, o legado pontifício foi a única autoridade capaz de impor-se a todos, por sua virtude e sua habilidade diplomática.

Morreu em 1098, durante o cerco de Antioquia.

* * *

Almas com sensibilidade notam ainda hoje em Puy –– nesta França infelizmente cada vez mais laica e distante da Religião de seus maiores –– os sinais de predileção providencial e de proteção particular de Maria Santíssima.

Às vezes parece notar-se a bênção divina na própria paisagem.

A primeira impressão religiosa é realçada pela própria configuração topográfica, que o senso católico dos habitantes transformou em homenagem a seus padroeiros celestes.

A catedral de Le Puy-en-Velay,
fica no topo de outro pináculo vulcânico

À distância, o olhar distingue três pináculos que falam por si.

Primeiro, a imensa estátua de Nossa Senhora de França, que mede 16 metros de altura e pesa 110 toneladas.

Fundida em 1860 com o bronze de 213 canhões conquistados como troféus na tomada de Sebastopol, durante a guerra da Crimeia, ela figura como símbolo apropriado da realeza de Maria sobre a cidade.

O segundo pináculo corresponde ao campanário da bela catedral, que abriga a Virgem Negra do Puy, trazida do Oriente por Luís VII ou São Luís IX.

Edificada em austero e recolhido estilo românico, ela revela influência bizantina e oriental.

O afluxo de fiéis e de peregrinos exigiu sua ampliação no século XII, e no século XIX foi objeto de importantes restaurações.

Seu rico tesouro abriga preciosas jóias e obras de arte.

Le Puy en Velay: capela de São Miguel Arcanjo
Le Puy en Velay:
capela de São Miguel Arcanjo
Finalmente o menos alto, mas não menos sublime, Rochedo de São Miguel ou St-Michel d'Aiguille, coroado por uma encantadora e secular capela votiva em homenagem ao Arcanjo, patrono da França.

* * *

A milenar chaminé de pedra bruta, originária das fúrias de um antigo vulcão, brota da planície e sobe de um só lance a uma altura de 82 metros, para servir de pedestal à secular capela românica ali construída, não se sabe como, em honra de São Miguel.

A ela pode-se subir através de 268 degraus. Jóia de arquitetura, revela o gênio de arquitetos que souberam aproveitar todos os espaços de uma simples ponta de rochedo para ali erigir e combinar com maestria a arte e a técnica.

Le Puy-en-Velay, capela de São Miguel da Agulha, catedrais medievais
Le Puy-en-Velay: capela de São Miguel da Agulha
Os especialistas ressaltam seu portal oriental, sua graciosa decoração de arabescos, seus mosaicos de pedras negras, cinzentas e brancas, seu complicado sistema de abóbadas.

Tudo tão original e tão belo, que se diria inspirado. Em todo caso, fruto do espírito autenticamente cristão.

O edifício atual remonta ao século XI, mas o perfume sobrenatural que em seu interior se respira parece transportar-nos ao ambiente de uma gruta dos primeiros ermitãos do Cristianismo.

O silêncio e o isolamento que ali imperam convidam o visitante ao convívio com o Arcanjo ou com o próprio Deus.

* * *

Le Puy-en-Velay, panorámica, catedrais medievais
Panorâmica do conjunto
Tais maravilhas falam de homens profundamente imbuídos de espírito católico, de almas que praticavam a virtude, e por isso transmitiam o espírito de Cristo em todas as suas obras, dando um sentido sobrenatural à vida humana.

O panorama que descrevemos muito sumariamente fala de hierarquia, de um lado; de uma procura do sublime e do Céu, de outro.

No mais alto está o reinado dos Corações de Jesus e de Maria, simbolizado pela estátua de Nossa Senhora com o Menino Jesus.

Le Puy-en-Velay, capela de São Miguel no anoitecer, catedrais medievais
Em segundo lugar a Igreja, que representa a autoridade de Cristo na Terra.

Em terceiro lugar, um Arcanjo celeste, que representa também os santos, nossos intercessores junto a Deus, nossos aliados nas batalhas da vida terrena, difícil e incerta.

Todos os píncaros apontam para o céu, mas o Rochedo de São Miguel o faz com particular audácia.

Aí se conjugam a força da pedra e a leveza da arte.

A linda capela no alto bem simboliza a Jerusalém celeste, de beleza atraente e sublime, que devemos atingir galgando escarpados caminhos.

É o convite para a luta, para as santas ousadias, para o heroísmo, a fim de alcançar o tão elevado prêmio da felicidade eterna, prometido a todos que combaterem o bom combate.


Autor: Wilson Gabriel da Silva



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