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terça-feira, 13 de agosto de 2019

O verdadeiro nome da arquitetura gótica é ‘arquitetura cristã

Catedral de Reims, França
Catedral de Reims, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Se houvesse uma qualificação para se dar ao estudo que daremos prosseguimento, poderíamos dizer que ela se relaciona à filosofia da arquitetura.

Daniel Ramée, Viollet-Leduc e alguns outros autores especialistas mostraram como se desanuvia o fim moral e o alcance intelectual dos procedimentos técnicos, que são os meios materiais mais importantes e úteis das artes.

Contudo, ao estudarmos as condições que constituem os méritos do estilo gótico, precisamos ir além da beleza estética.

As descrições entusiásticas de nossos antigos monumentos, das visões engenhosas ou poéticas, a justa admiração das obras-primas do espírito humano são de fundo comum, estão abertas a todos aqueles que pensam, e, mesmo àqueles que se contentam em sentir vagamente tais obras; esta distinção essencial é perfeitamente enunciada na obra de Eugène Loudun:
Catedral de Aachen, Alemanha
Catedral de Aachen, Alemanha
“Há duas admirações: aquela do grande público, e aquela do homem instruído. O homem instruído vê as qualidades de uma obra-prima e as explica.

“O grande público, o vulgar, também admira ... ele não saberia dizer por que ele admira, mas ele sente que o que ele tem diante dos olhos é admirável. Um camponês não exclamará: é belo!

Catedral Notre Dame de Paris

“Mas ele levará consigo uma imagem do que viu, e, em algum momento, lhe virá uma lembrança que lhe fará levantar a cabeça, como que para vê-la novamente [Eugène Loudun, L'Italie moderne, p.27 - Paris, Rétaux-Bray, 1886, in Revue du monde catholique, 1e novembre 1886].”

Capela de Assis, Itália
Capela de Assis, Itália
Esse sentimento de entusiasmo, quer ele seja mudo ou ruidoso, o estilo gótico inspira ao mais alto grau, e, mais do que em qualquer outro sistema da arquitetura.

Contudo, é preciso dizer que, entre a maior parte dos escritores, os motivos da admiração de tal estilo estão sempre do lado das causas reais: a ornamentação, os pequenos detalhes sobre os quais se insiste são, sobretudo, somente acessórios, cuja supressão não mudaria nada e nem destruiria o mérito essencial da obra.

Esse mérito, que trataremos em expor: é a fonte do sentimento religioso por trás de tal sistema, de onde, por seu alcance real, constataremos sua superioridade intelectual e moral, e, pelos quais, tal sistema é capaz de nos impressionar de uma forma tão intima, profunda e durável.

Catedral de Laon, França
Catedral de Laon, França
Não podemos nos deter nos louvores da ogiva ou nos méritos do arco duplo, nem muito menos nas maravilhosas rosáceas e nos vitrais, nas esculturas sobre a pedra e sobre a madeira, nem nos detalhes secundários, comuns aos diversos estilos, ou que qualquer outro estilo pode se apoderar.

É preciso demonstrar que o estilo gótico é independente de todas essas minúcias, e que ele encerra em si mesmo os princípios que lhe são próprios, a mais alta expressão da arte jamais atingida.



(Autor: Alphonse Castaing, “Le style gothique, ses origines, sa supériorité matérielle et morale”, Revue du monde catholique, 1er novembre 1886. Apud Annales Historiae)




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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Catedrais da cor, focos de sacralidade, palácios d'Aquele que é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (João, XIV, 6)

Luis Dufaur
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Durante séculos de abandono os monumentos medievais foram se cobrindo de poeira, mofo e fuligem de revoluções.

No século XIX, houve literatos que se interessaram por eles e começou um movimento de reabilitação cultural e restauração material.

A tendência cresceu mais ainda no século XX.

Hoje diante de uma fachada de catedral de pedra reluzente como a de Notre Dame de Paris, as multidões param, contemplam, admiram.

Porém falta algo...

Sim! A cor! Ela foi toda pintada, até folhada a ouro em certas partes.

A catedral de Orvieto, recoberta de mosaicos mantém a cor e nos fornece uma ideia.

Em Notre Dame de Paris a fúria igualitária arrancou a Galeria dos Reis da fachada e a decapitou!

Os revolucionários de 1789 e seus êmulos acham que foi um triunfo da democracia...

As estátuas decapitadas foram enterradas e redescobertas no século XX durante escavações para ampliar um prédio.

Elas podem ser vistas hoje no Musée de Cluny, Paris.

Nelas ainda há restos de pintura e pode se adivinhar as cores originais.

Mas, como era a catedral pintada nos seus dias de fé e esplendor? É difícil imaginar.

Mas, na catedral de Amiens foi feito um aproveitamento genial da tecnologia que nos elucida.

Todas as noites de verão projetores digitais “pintam” a fachada reproduzindo as cores originais com incrível pormenor.

As fotos que vão junto foram ali tiradas.

As cores dão uma dimensão da vida que anima a Cristandade e seus monumentos.

Vida que emana larga, generosa, bondosa do Espírito Santo e translucida em tudo o que é fruto do espírito de fé.

Esse resplendor de vida sobrenatural nas coisas criadas por católicos deveras chama-se sacralidade.

E a sacralidade é a que irradia o charme misterioso e luminoso, grandioso e íntimo, lógico e sorridente da Idade Média.




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terça-feira, 30 de julho de 2019

As almas que fizeram as catedrais.
São Vaast: bispo do fogo sagrado

São Vaast expulsa o lobo da igreja.
São Vaast expulsa o lobo da igreja.
Luis Dufaur
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Quando se fala das catedrais poucas vezes o relato se detém para descrever os homens que as fizeram ou inspiraram.

Entretanto, sempre que se analisa uma obra de arte, um dos primeiros elementos a considerar é o nome do artista, a época em que viveu, os fatos ou estilos que condicionaram suas realizações.

Mas fala-se pouco dos autores ou inspiradores dessas obras supremas da arte que são as catedrais, que de alguma maneira resumem em si todas as outras artes.

Pode se alegar que as catedrais demoravam muito para ser completadas – até algumas ficaram inconclusas – e portanto houve muitos propulsores.

Mas, vasculhando a história é possível identificar almas inspiradoras que pela sua grandeza lançaram os fundamentos de cada catedral e as marcaram para sempre.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Basílica de São Marcos em VENEZA:
jóia do estilo bizantino


Luis Dufaur
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A primeira fotografia apresenta uma visão interna da nave central da célebre Basílica de São Marcos, em Veneza, num horário favorável, em que ela está inteiramente vazia.

É preciso familiarizar-se com o estilo desse templo religioso: o bizantino.

Sua planta tem a forma da chamada cruz grega, isto é, cruz cujas quatro extremidades ou braços têm a mesma extensão.

A ideia da cruz, do sacrifício, da morte, e, portanto da Redenção infinitamente preciosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, fica simbolizada artisticamente de modo muito adequado pela disposição da nave central, das naves laterais e suas respectivas cúpulas.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Restaurador-chefe de Notre-Dame a quer idêntica ao que era

Restaurador-chefe de Notre-Dame a quer idêntica ao que era
Restaurador-chefe de Notre-Dame a quer idêntica ao que era
Luis Dufaur
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O arquiteto chefe da restauração de Notre-Dame de Paris, Philippe Villeneuve, defendeu em entrevista ao quotidiano “Le Figaro” a reconstrução da agulha da catedral “à l'identique” (de modo idêntico ao que era).

Nisso contrariou a vontade do presidente Emmanuel Macron que favorece “uma reconstrução inventiva”, leia-se que deturpe com elementos extravagantes essa relíquia da Cristandade.

“Para min, não somente deve se refazer a agulha, mas é preciso refazê-la idêntica ao que era, justamente para que ela não se relacione com uma data”, declarou o arquiteto chefe dos monumentos históricos, responsável da restauração da catedral desde 2013.

“Além do mais, o Tratado de Veneza nos impõe restaurar os monumentos históricos no último estado em que foi conhecido”, sublinhou o arquiteto se referindo ao tratado internacional de 1964 sobre a restauração de monumentos.

Para Villeneuve, “a grande força da agulha obra mestra de Eugène Viollet-Le-Duc, é que não está relacionada a uma época. Ela se integrava numa obra mestra medieval do século XIII. É isso que nós devemos procurar”.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Chartres e a reconstrução prodigiosa
filha da graça da penitência

Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Chartres, a catedral renascida das cinzas, exemplo para Paris





Entusiasmo, dedicação e penitência


Para restaurar a catedral na Chartres de 1194, um entusiasmo jamais visto se irradiou até os campos, contagiou o país e o outro lado do Canal da Mancha.

O Livre des Miracles de Notre Dame, escrito na época, descreve uma epopeia coletiva, onde multidões vieram oferecer seu trabalho.

Ricos e pobres empurravam carroças carregadas de pedras e material de construção, mas também de vinho, trigo e alimentos para os voluntários engajados no imenso canteiro de obras.

Reviviam-se assim as jornadas de 1144, durante a construção das torres e da fachada.

Robert de Torigni, abade do Monte Saint-Michel, escreve em sua Crônica:

“Viram-se em Chartres fiéis que se atrelavam a carros carregados com pedras, madeira, trigo e tudo o que poderia ser utilizado nos trabalhos da catedral, cujas torres cresciam como por arte de magia.

“O entusiasmo tomou conta da Normandia e da França: em todos os lugares se viam homens e mulheres a arrastar fardos pesados através de pântanos lamacentos; por toda parte se fazia penitência; em todo lugar perdoavam-se os inimigos”.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Chartres, a catedral renascida das cinzas,
exemplo para Paris

Incêndio da catedral de Chartres em 4 de junho de 1836.  François Alexandre Pernot (1793-1865). Musée des Beaux-Arts de Chartres.
Incêndio da catedral de Chartres em 4 de junho de 1836.
François Alexandre Pernot (1793-1865). Musée des Beaux-Arts de Chartres.
Luis Dufaur
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Deus costuma escrever certo por linhas tortas — é o que a sabedoria popular ensina aos nossos atribulados dias.

E na História, mestra da vida, os exemplos são incontáveis: muitas enfermidades levaram pecadores a abandonar seus pecados; insensatos recuperaram o juízo, ante os desastres que provocaram; catástrofes foram anunciadas por Nossa Senhora em Fátima, no final das quais os homens abandonariam os maus costumes; mais próximo de nós, o incêndio que devorou o telhado da catedral de Notre Dame de Paris já inspira reações benéficas em não poucos.

Em que sentido?

Lendo o historiador da arte Émile Mâle (1862-1954) — membro da elite suprema da intelectualidade universal, que é a Académie Française — uma pergunta me ficou na cabeça, e seguramente se apresenta na de muitos católicos: por que a Providência teria permitido que um fogo com furor infernal devorasse o teto de um símbolo tão sublime da Igreja Católica?


Incêndio que afervora católicos tíbios

Aquele ditado da sabedoria popular tem uma confirmação nos escritos, visões e ensinamentos de uma das maiores místicas da França, Marie des Vallées (1590-1656), que foram anotados por São João Eudes e adotados por São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande mestre da devoção a Nossa Senhora.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Heroico sacerdote entre as chamas de Notre Dame

O Pe. Jean-Marc Fournier resgatou a Santa Coroa de espinhos de Jesus Cristo © Etienne Loraillère-KTOTV
O Pe. Jean-Marc Fournier resgatou a Santa Coroa de espinhos de Jesus Cristo
© Etienne Loraillère-KTOTV
Luis Dufaur
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O Pe. Jean Marc Fournier é capelão-chefe dos bombeiros de Paris. Ele foi formado na Fraternidade Sacerdotal São Pedro e também foi capelão das tropas francesas em ação no Afeganistão.

Os bombeiros na Franca estão na área militar e por isso quando passou a se desempenhar como capelão deles, também passou canonicamente da Fraternidade São Pedro à jurisdição militar.

Ele se encontrava de plantão no momento que estourou a alarme pelo incêndio de Notre Dame e acorreu com os bombeiros para cumprir seus deveres sacerdotais para com os socorristas e eventuais vítimas.

Mas ele discernia que a principal vítima do fogo poderia ser o próprio Jesus Cristo presente verdadeiramente no Ssmo Sacramento. E, em graus diversos menores nas preciosas relíquias custodiadas na catedral de Paris.

Nesta nossa época de tanto indiferentismo e relativismo, e até ateísmo, a Divina Vítima corria o risco de ser esquecida até pelos seus custódios naturais que são as autoridades eclesiásticas da catedral presididas pelo Cardeal arcebispo de Paris.

Ninguém tinha feito qualquer coisa por Ele.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Se a catedral de Notre Dame falasse, o quê diria?


Luis Dufaur
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Como seria a catedral de Notre Dame se ela pudesse ter sentimentos e falar?

Ela sem dúvida não seria do tipo de pessoa que ri a toda hora.

Mas seria do tipo de homem que tem dentro da alma, uma forma de grandeza e de bem-estar que pode coexistir com os maiores tormentos e as maiores angústias.

É um estado de elevação, de sublimidade, de afabilidade, de benignidade. Com esse estado ele se sente capaz de todas as grandezas; desde as maiores até as menores.

Contra o mal, o feio e o ruim ele se sente capaz de todas as intransigências; das maiores às mais miúdas.

Mas, também, de todas as paciências, bondades, flexibilidades, adaptabilidades ao que não é mal.

Porque, ao mal, ele resiste sempre, luta sempre, não dá nem tréguas nem quartel.

Mas é capaz de todas as formas de afabilidade, de transigência, de bondade muda, para aquele que não é mau.

Por detrás desse estado de espírito encontra-se a verdadeira alegria. Que não é a vontade de rir, mas é sentir-se em harmonia com Deus Nosso Senhor.

terça-feira, 16 de abril de 2019

O rosto de Jesus Cristo impresso em Notre Dame

A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
Luis Dufaur
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“Eu não posso me esquecer que uma das viagens que eu fiz a Paris, eu cheguei à noitinha. Jantei, e fui imediatamente ver a Catedral de Notre-Dame.

Era uma noite de verão, não extraordinariamente bonita, comum.

A Catedral estava iluminada, e o automóvel em que eu vinha passava da rive gauche para a ilha, e eu via a Catedral assim de lado, e numa focalização completamente fortuita.

Ela me pareceu desde logo, naquele ângulo tomado assim, se acaso existisse ‒ em algum sentido existe ‒ eu diria que é tomado ao acaso, eu olhei e achei tão belo que eu fiquei com vontade de dizer ao automóvel:

terça-feira, 9 de abril de 2019

Do alto da catedral: o sorriso e a benção de Nossa Senhora para a Cristandade medieval


Luis Dufaur
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Em Notre Dame é muito agradável, ao menos para os meus olhos, o contraste entre a altura da Catedral e a largura.

Ela é esguia, muito mais alta do que larga. De maneira que tendo uma boa largura — não pode de nenhum modo ser chamada de um edifício frágil — ela é graciosa, leve, mas tem um quê de fortaleza que é absolutamente incontestável.

Ela nos fala da plenitude do espírito da Idade Média.

Espírito hierático, sacral, hierárquico, ordenado, todo voltado para o que há de mais alto, em que a maior seriedade se combina bem com a graça mais leve e com a delicadeza mais extrema.

Os mais belos aspectos da alma católica aparecem a todo propósito em todos os ângulos da Catedral.

Essa é a Catedral de Notre Dame.

É ou não é verdade que se tem a impressão que cenas desenroladas nessa Catedral ainda estão vivas?

terça-feira, 26 de março de 2019

Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 2

Sala dos Lords, trono da rainha, Pugin
Sala dos Lords, trono da rainha, Pugin
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 1





Pugin levou seu combate para o coração das cidades industriais de Birmingham e Sheffield, as quais achava “minas inesgotáveis de mau gosto”, infestadas de “edifícios gregos, chaminés fumegantes, agitadores radicais e dissidentes”.

A igreja de São Chad, que Pugin construiu em Birmingham no meio da sujeira do bairro dos fabricantes de armas, tornou-se a primeira catedral inglesa construída após a de Saint Paul.

Politicamente, Pugin poderia ser definido como um radical conservador.

Ele queria reformar a sociedade levando-a de volta a uma hierarquia benigna, a um medievalismo romântico.

Nessa nova ordem medieval cada classe poderia olhar para aquela que lhe era superior e dela receber apoio, enquanto os de cima aceitavam a responsabilidade de proteger os que estavam embaixo.

Em 1841, ele publicou a segunda edição do Contrastes, acrescentando todo um panorama moral.

A cidade medieval, com seus capiteis graciosos e suas sólidas muralhas, era confrontada com o seu equivalente moderno de muros em cacos, capiteis em ruínas e o horizonte dominado por olarias e fábricas.

terça-feira, 12 de março de 2019

Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 1

Big Ben, obra mais famosa de Pugin, simbolo da Inglaterra
Big Ben, obra mais famosa de Pugin, simbolo da Inglaterra.
Todas as fotos deste post são de obras de Pugin
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O estilo de uma época pode ser um fator de regeneração social, cultural, moral e religiosa? Evidentemente, depende do estilo.

Mas, em concreto, o estilo gótico poderia ser – e segundo veremos abaixo, historicamente o foi – um fator poderoso para a recuperação social e moral de um país.

E, em concreto, para a Gra-Bretanha do século XIX, segundo o mais famoso arquiteto inglês dessa época A. W. N. Pugin.

Pugin é o criador do famoso Big Ben, hoje símbolo de Londres e da Inglaterra.