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terça-feira, 23 de abril de 2019

Se a catedral de Notre Dame falasse, o quê diria?


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Como seria a catedral de Notre Dame se ela pudesse ter sentimentos e falar?

Ela sem dúvida não seria do tipo de pessoa que ri a toda hora.

Mas seria do tipo de homem que tem dentro da alma, uma forma de grandeza e de bem-estar que pode coexistir com os maiores tormentos e as maiores angústias.

É um estado de elevação, de sublimidade, de afabilidade, de benignidade. Com esse estado ele se sente capaz de todas as grandezas; desde as maiores até as menores.

Contra o mal, o feio e o ruim ele se sente capaz de todas as intransigências; das maiores às mais miúdas.

Mas, também, de todas as paciências, bondades, flexibilidades, adaptabilidades ao que não é mal.

Porque, ao mal, ele resiste sempre, luta sempre, não dá nem tréguas nem quartel.

Mas é capaz de todas as formas de afabilidade, de transigência, de bondade muda, para aquele que não é mau.

Por detrás desse estado de espírito encontra-se a verdadeira alegria. Que não é a vontade de rir, mas é sentir-se em harmonia com Deus Nosso Senhor.

Sentir-se na estatura própria à sua alma, e na realização da tarefa própria à sua alma.

Notre Dame é feita de seriedade, gravidade, afabilidade e serenidade. Ela sorri, mas sorri pouco. Choura, mas, também, chora pouco. Ela tem a estabilidade da alma verdadeiramente católica.

Esse estado de espírito só a visão sobrenatural dá. Ele transforma a alma num verdadeiro sacrário.

Esse estado de espírito atrai veneração e ternura. Ele enleva os homens.

Mas é, precisamente, esse estado de espírito que o mundo revolucionário e igualitário contemporâneo abomina. Ele odeia, evita a companhia de quem é assim, se desagrada em olhar quem é assim.

Porque ele deve prefere uma desordem permanente. Ele quer qualquer coisa menos isso.

Se for para ser chorão, ele chora; se for para ser mole, ele é mole.

Se for para ser violento, ele é violento; se for ser palhaço, ele é.

Moles, chorões, violentos, palhaços, por mais diferentes que sejam, acabam se adaptando entre si.

Se a Catedral de Notre Dame tivesse pensamento e pudesse pensar e sentir por si própria, ela sentiria seu ambiente todo recolhido, sobrenatural, com aquela luz matizada por vitrais, com aquela sacralidade entre as várias naves que sobem, com aquela retidão, aquela esguia que vai para cima, com a força daquelas colunas, com a resistência daquele granito.

Aquela catedral sentiria, em si, esse bem-estar.

É porque habita nela um espírito temperante. Quer dizer, a súmula de tudo quanto é de bom espírito.

Isso dá uma estabilidade altaneira, mas tranquila, que não tem medo das convulsões e que é toda voltada para a eternidade.

Esse é o perfil moral e psicológico da catedral de Notre Dame.

E esse perfil moral é imortal, aconteça o que acontecer, queime o que queimar.



(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 20/6/67. Sem revisão do autor.)



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terça-feira, 16 de abril de 2019

O rosto de Jesus Cristo impresso em Notre Dame

A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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“Eu não posso me esquecer que uma das viagens que eu fiz a Paris, eu cheguei à noitinha. Jantei, e fui imediatamente ver a Catedral de Notre-Dame.

Era uma noite de verão, não extraordinariamente bonita, comum.

A Catedral estava iluminada, e o automóvel em que eu vinha passava da rive gauche para a ilha, e eu via a Catedral assim de lado, e numa focalização completamente fortuita.

Ela me pareceu desde logo, naquele ângulo tomado assim, se acaso existisse ‒ em algum sentido existe ‒ eu diria que é tomado ao acaso, eu olhei e achei tão belo que eu fiquei com vontade de dizer ao automóvel:

terça-feira, 9 de abril de 2019

Do alto da catedral: o sorriso e a benção de Nossa Senhora para a Cristandade medieval


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Em Notre Dame é muito agradável, ao menos para os meus olhos, o contraste entre a altura da Catedral e a largura.

Ela é esguia, muito mais alta do que larga. De maneira que tendo uma boa largura — não pode de nenhum modo ser chamada de um edifício frágil — ela é graciosa, leve, mas tem um quê de fortaleza que é absolutamente incontestável.

Ela nos fala da plenitude do espírito da Idade Média.

Espírito hierático, sacral, hierárquico, ordenado, todo voltado para o que há de mais alto, em que a maior seriedade se combina bem com a graça mais leve e com a delicadeza mais extrema.

Os mais belos aspectos da alma católica aparecem a todo propósito em todos os ângulos da Catedral.

Essa é a Catedral de Notre Dame.

É ou não é verdade que se tem a impressão que cenas desenroladas nessa Catedral ainda estão vivas?