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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Le Corbusier cria igrejas-máquina, ou de pesadelo. “Feias como o pecado” X antecâmaras do Céu – 3

Nave central da catedral de Amiens, França

continuação do post anterior

O arquiteto suíço Le Corbusier criou dois exemplos típicos da nova arquitetura em sintonia com a nova teologia.

Convento de la Tourette, França
“Sua Notre Dame du Haut (1950-1954) em Ronchamp, França, é talvez o epítome de uma igreja desenhada como uma escultura abstrata. O mosteiro dominicano de La Tourette (1951), [...] com seus espaços áridos e opressivos, foi um fracasso monumental” (T, 101-102).(3) 

Le Corbusier sustentava que a casa é uma “máquina para morar”.

Portanto, máquina, e não a figura humana, seria o paradigma para a arquitetura.



Igreja do Jubileu 2000, paróquia de Tor Tre Teste, Roma
Este critério insano “foi aplicado na arquitetura eclesiástica católica dos anos 60, enquanto que a Igreja, desorientada como foi pelo novo movimento litúrgico, sucumbiu à idéia de que a arquitetura da nova igreja deveria explorar os materiais e os métodos modernos.

Então, a maioria das obras desta época foram efetuadas com aço, vidro e concreto, desenhadas como grosseiras massas, obedecendo à forma de conchas, navios, arcas e outros temas náuticos; ziggurats, naves espaciais, colméias, toldos de índio, artefatos para pouso lunar, e vários tipos de origami” (T, 102).(4)

Entre esses templos revolucionários, Dr. Rose cita a catedral do Rio de Janeiro. Igreja cônica, algo sem precedentes no catolicismo, lembra ela os templos babilônicos, dos quais o maior foi a Torre de Babel (T, 100).

O autor alude também à catedral de Brasília — que compara a uma torre para esfriar água — e à de Maringá, cuja forma cônica reporta-se ao satélite soviético Sputnik, lançado em 1957.

Protótipos para o século XXI causam horror

O desconcerto e o mal-estar cresciam. Mas o pior estava por vir.

No ano 2000, segundo o arquiteto americano, três projetos visaram marcar a arquitetura do novo milênio. O primeiro foi a Igreja do Jubileu 2000, na paróquia romana em Tor Tre Teste, construída pelo arquiteto Richard Meier.(acima)

Catedral de Los Angeles, Califórnia
Dela “se diz que foi concebida pela diocese de Roma como um protótipo para o III Milênio”.

Reúne uma “série de paredes de concreto retilíneas e curvilíneas recheadas com vidro, todas num plano horizontal, como se o prédio pudesse ser arrancado qualquer dia e transportado a alguma outra superfície” (T, 104).

Para os críticos, evoca mais a Opera de Sydney ou uma sala protestante perfeitamente puritana.

O segundo foi a catedral de Nossa Senhora, de Los Angeles, EUA.

Teve-se em vista uma catedral que “com o seu aspecto grosseiramente volumoso, contrastes agudos, estrutura assimétrica desprovida de ângulos retos, rompesse deliberadamente com a continuidade histórica de dois milênios de arquitetura católica para as igrejas.

Mas paga tributo aos últimos cinqüenta anos de estruturas para escritório, banais e sem inspiração, que têm poluído a paisagem do centro de Los Angeles e da maioria das outras cidades americanas” (T, 105).
Catedral Christ the Light, em Oakland, Califórnia

A terceira grande experiência foi a Catedral Christ the Light, em Oakland, Califórnia.

O projeto vencedor, de Santiago Calatrava, propôs “uma concha gigante semi-aberta, uma caixa torácica ou pança de uma baleia.

Foi a primeira catedral que iria ter um teto retráctil. [...] “The San Francisco Chronicle” descreveu a proposta como 'uma estrutura de costelas de aço pintado, vidro e concreto, que parece tão futurista como os restos de um esqueleto de uma criatura pré-histórica corcunda’” (T, 106-107).

Após descrever a divergência existente nas origens das duas tendências, o autor desce aos pormenores das oposições.

Notre Dame de Paris, arquétipo de catedral católica

A arquitetura eclesiástica católica bem sucedida é uma corporificação material das doutrinas da fé.

Dr. Rose exemplifica isso com a catedral Notre Dame de Paris. Ela é a jóia-da-coroa da Cidade Luz, o verdadeiro epicentro, a alma da capital francesa.

Notre Dame, catedral de Paris
Solene e maternal, ela irradia sua influência a partir da Île de la Cité, como uma grande dama a partir do palácio, no centro do seu feudo.

Ela é a representação do Cristianismo na sua totalidade: desde o império universal de Nosso Senhor Jesus Cristo até os sofrimentos dos precitos no inferno.

Nela, o peregrino percebe a luta entre o bem e o mal, entre o sagrado e o profano, entre o eterno e o passageiro.

Notre Dame, ele insiste, é arte no sentido mais nobre do termo, é arquitetura da mais alta classe, um “lugar sagrado” que espelha as realidades eternas. Ela é, antes de tudo, a casa onde Deus habita na Terra.

continua no próximo post

Notas: 
3. Nesse mosteiro acabou se suicidando o dominicano frei Tito de Alencar, religioso envolvido com a guerrilha no Brasil. 
4. Origami: arte milenar japonesa, que consiste em dobrar papel a fim de formar objetos sem o auxílio de tesoura ou cola.



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