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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

'Catedral' de Ulm, igreja mais alta do mundo: lições para o presente e o futuro

Na cidade alemã de Ulm, a igreja mais alta do mundo sobe vertiginosamente aos céus.

Embora não seja sede de bispado, ela é chamada de “catedral” pelas suas dimensões: a torre atinge 161,53 m de altura.

Também é chamada de "Ulmer Munster" título que lhe concedia privilegios abaciais

É um exemplo típico da arquitetura eclesiástica gótica.

O nome catedral vem de “cátedra” ou trono do bispo, mas Ulm não tem bispo.

A história desta “catedral” foi muito perturbada.

Os cidadãos de Ulm desejavam uma igreja grandiosa, porém mais acessível, no centro da cidade, e encomendaram esta.

Sua pedra fundamental foi depositada no ano de 1377, e as obras partiram em bom ritmo.

Em 1392, Ulrich Ensingen, um dos arquitetos da catedral de Estrasburgo, foi feito chefe da confraria de construtores. A “catedral” foi consagrada em 1405.

Porém, por um senso de alteridade mal entendido, os habitantes de Ulm decidiram não completar a torre, contrariamente ao que faziam as cidades vizinhas que estavam construindo suas catedrais.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Apologia da catedral de Notre Dame feita por um ateu



[A restauração da Catedral de Notre-Dame foi feita por Vioilet-le-Duc no século XIX. Um dos fatos que mais contribuiu para que se empreendesse tal restauração foi o romance de Victor Hugo, “Notre-Dame de Paris”. E, neste, especialmente o trecho que transcrevemos abaixo.]

Sem dúvida é ainda hoje um majestoso e sublime edifício a igreja de Notre-Dame de Paris.

Mas, por mais bela que tenha se conservado ao envelhecer, é difícil não lamentar, não se indignar ante as degradações, as mutilações sem nome que simultaneamente o tempo e os homens infligiram no venerável monumento, sem respeito por Carlos Magno que pôs a primeira pedra, por Felipe Augusto que pôr a última.

Sobre a face desta velha rainha de nossas catedrais, ao lado de uma ruga acha-se sempre uma cicatriz. “Tempus edax, homo edacier” (O tempo é voraz; o homem, ainda mais). O que eu traduziria, sem hesitação, assim: “o tempo é cego; o homem, estúpido”.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Riquezas Góticas

Catedral de Bamberg, Alemanha
Catedral de Bamberg, Alemanha

A Idade Média foi época de profundo movimento intelectual.

Gigantes do espírito como São Gregório VII e os cluniacenses pugnavam para alcançar os mais elevados fins.

Na contenda entre a Igreja e o Estado cada qual se preocupava pelas questões mais transcendentes.

Ainda que não possuíssemos nenhuma obra histórica que nos falasse da vida intelectual daquela época, os edifícios nos falariam dela, como letras impressas na vida dos povos.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Igreja de Combray


[Em suas recordações de infância, Proust descreve a igreja de Saint Hilaire, em Combray, cidade na qual sua família costumava passar férias.]

Combray, de longe, a dez léguas em volta, vista da estrada de ferro quando lá chegávamos na última semana antes da Páscoa, não era senão uma igreja resumindo a cidade, representando-a, falando dela e por ela aos distantes.

E, de perto, mantendo apertados em torno de sua alta manta sombria, em pleno campo, como uma pastora protegendo do vento suas ovelhas, os dorsos lanudos e acinzentados das casas ajuntadas, que um resto de muralhas da Idade Média cercava aqui e acolá com um traço tão perfeitamente circular quanto uma cidadezinha num quadro de pintor medieval.

Como eu a amava, como eu me recordo bem de nossa igreja. Seu velho pórtico pelo qual entrávamos, negro, esburacado como uma escumadeira, era irregular e profundamente gasto nos ângulos (da mesma maneira que a pia de água benta à qual ele nos conduzia) como se o doce roçar das mantas das camponesas entrando na igreja e de seus dedos tímidos tomando água benta pudesse, repetido durante séculos, adquirir uma força destrutiva, infletir a pedra e entalhar sulcos como traça a roda das carroças no marco contra o qual ela se choca todo dia.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Catedral de Orvieto, síntese entre a beleza das formas e das cores

Orvieto: triunfo da sintese da cor e da forma

Analisando as fachadas de catedrais tão diversas como as de Orvieto ou de Florença, podemos nos perguntar: o que apresenta mais esplendor, a forma ou a cor?

Por extensão, podemos perguntar: num quadro, o que é mais notável, o desenho ou o colorido?

A escola florentina é pobre intencionalmente em colorido, para que o desenho ressalte.

A escola veneziana é magnífica em coloridos, tendo apenas o desenho necessário para dar pretexto para as cores se mostrarem.

Mas há uma magnífica síntese das duas escolas na Catedral de Orvieto.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Orvieto: o gótico colorido

Orvieto: catedral gótica colorida com mosaicos e mármore
Orvieto: catedral gótica colorida com mosaicos e mármore
Uma das mais belas catedrais existentes na Itália é uma basílica gótica toda colorida em mosaico do lado de fora.

É um dos edifícios góticos mais belos do mundo.

É a Catedral de Orvieto.

Sobre uma fachada estritamente gótica podemos ver uma feeria de cores.

Não há aí o que não seja gótico, inclusive a rosácea. Ela fica dentro de um quadrado que tem qualquer coisa de clássico. Mas que se encaixa tão perfeitamente que não há o que dizer.

A cor escolhida é a mais esplendorosa das cores: o ouro. Toda a fachada é sobre fundo dourado. E esse fundo é feito com um método nobre: o do mosaico.

Trata-se de um mosaico de alta qualidade, tão rutilante, tão magnífico que, sendo esta fachada do século XIV, ela dá a impressão de terminada ontem.

domingo, 30 de setembro de 2012

O Retábulo de Ouro: portento da arte medieval

Retábulo de Ouro, catedral de Veneza. Catedrais medievais
A preciosa obra artística denominada Retábulo de Ouro (*), está colocada atrás do altar-mor da célebre Basílica de São Marcos, em Veneza.

Cada um dos esmaltes que ela contém é uma verdadeira maravilha.

No detalhe (à direita), vê-se um esmalte representando a majestade de Nosso Senhor Jesus Cristo, apresentado com as características de um Imperador bizantino, rodeado dos quatro Evangelistas (em destaque, na foto à direita). Em cima, à esquerda, São Marcos, e à direita São João; embaixo, à esquerda, São Mateus, e à direita, São Lucas.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Notre-Dame de Paris: colorida na Era da Luz

Galeria dos Reis, restaurada em Notre Dame de Paris
Galeria dos Reis, restaurada em Notre Dame de Paris

Na Idade Média, a catedral Notre-Dame de Paris estava também toda pintada como a sua homônima de Amiens.

Em 1977, no subsolo do hôtel Moreau (20 de la rue de la Chaussée-d'Antin, Paris), foram encontradas as cabeças dos reis que ficavam na Galeria dos Reis, na fachada de Notre-Dame.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A capela para a Coroa de Espinhos: um relicário de luz

Sainte-Chapelle: capela baixa era para os domésticos
Sainte-Chapelle: capela baixa era para os domésticos

A Sainte-Chapelle eleva a Deus num voo de espírito extraordinário. Entende-se, porque é uma capela onde há uma porção de elementos explicitamente religiosos.

Muita igreja construída depois fala de religião, mas nada eleva dessa forma ao Céu.

O que a Sainte-Chapelle deixa transparecer é o desejo de haver um lugar onde os homens pudessem morar dentro da luz e do cristal. E, portanto, dentro do sonho.

Esta é a chave de interpretação da Sainte-Chapelle.

Se a arte de fazer cristais tivesse levado a fazer palácios de cristal para morar, que luzes e que coisas nós não tiraríamos daí?

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Catedral de Amiens: a pedra cinza outrora resplandecente de cores

Chartres ostenta a beleza da pedra pura
Chartres ostenta a beleza da pedra pura
Quem admira os monumentos góticos se compraz em ver não só suas linhas, sua altaneria, etc., mas a pedra com que são feitos.

Em geral são de granito cinzento, ou de uma cor meio indefinida, constituindo massas enormes que parecem sair da terra à maneira de um chafariz imenso que jorrasse granitos da pré-história.

Assim nós temos as catedrais, os castelos, as torres que emergem do chão e que impressionam a quem olha as coisas da Idade Média.

Se há uma cor que parece com a não-cor é o cinza. Contudo, o granito cinzento tem uma beleza própria. É uma maravilha, não há que discutir.

Mas poder-se-ia perguntar se numa catedral são cabíveis outras formas de beleza. E, admitindo que sim, poder-se-ia perguntar qual das formas de beleza é maior.

Pessoas de meia cultura e de gosto mediano, fanáticas do purismo gótico, mas que entendem pouco desse estilo, acham que pintar uma catedral seria uma blasfêmia! “Deve ser de pedra e não pode ser de uma outra coisa!”.

A pedra nua tem uma forma de beleza tal que não haveria lágrimas suficientes para chorar o seu desaparecimento.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sainte-Chapelle: delicadeza sobrenatural que eleva a Deus num voo só

Saintee-Chapelle: sob esta cúpula era exposta a Coroa de Espinhos

A Sainte-Chapelle leva o charme e a distinção a um ponto tal que parece ficar trêmula de tanta delicadeza.

Porém, ao mesmo tempo, destaca-se pelo equilíbrio e pela ascese.

Ela é o receptáculo tão perfeito quanto o homem conseguiu excogitar da suprema Coroa: a Coroa de Espinhos.

São Luiz, Rei de França, fez a Sainte-Chapelle para abrigar essa Coroa. Ele construiu assim um dos mais belos monumentos da arte medieval e, portanto, de toda a História!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

RAVENNA: a pompa hierática da Igreja

Sant'Apollinare in Classe, Ravenna, Itália
A Santa Cruz e o Bom Pastor. Sant'Apollinare in Classe, Ravenna, Itália
Nas basílicas de Ravenna vê-se propriamente o que é a pompa hierática e valor do hieratismo na Igreja.

Ravenna foi a terceira capital do Império Romano do Ocidente (402-476), depois de Roma e de Milão (286-402).

Aí o último imperador romano, Rômulo Augusto foi destronado por Odoacro.

Teodorico o Grande, rei bárbaro, a elegeu como sua capital, embelezando-a com elementos arquitetônicos bizantinos e elevando-a à outrora grandeza imperial no século V, pleno início da Idade Média.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Amiens e a nobreza absoluta de Deus

Amiens: penumbras que falam da ordem sobrenatural do universo
Amiens: penumbras que falam da ordem sobrenatural do universo
  Na catedral estão como que contidas todas as qualidades das igrejas da diocese, ou arquidiocese.

Por exemplo, o lado mimoso da Sainte Chapelle aflora na flecha da catedral Notre Dame de Paris.

Porque a Sainte Chapelle, de algum modo, está contida na catedral. A catedral é sempre o padrão global, glorioso, total, talvez único das igrejas.

Nas penumbras criadas pelos vitrais da catedral de Amiens, em certos modos de ser das ogivas internas das colunas dentro dela, em algum toque do órgão, entram imponderáveis da concepção sobrenatural do universo.


Ela é a mais ampla da França (200.000 m3) e junto com as catedrais também dedicadas a Nossa Senhora em Chartres e Reims, e a de Santo Estêvão em Bourges, formam o arquétipo do gótico clássico com elementos do gótico rayonnant.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Catedral de BOURGES: hierarquia e beleza duma Bíblia em pedra e cristal

Bourges, espessura paredes

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Meçam a espessura da parede!

Quantos santos ou anjos há em pé! É extraordinário!

Entretanto, não são mais que alguns pormenores da catedral de Bourges, na França.

Essa catedral está dedicada a Santo Estêvão, o primeiro mártir cristão, e por isso conhecido também como protomártir.

Bourges, fachadaA catedral de Bourges é considerada uma obra-prima da arquitetura gótica. Sua fachada tem 40 metros da largura sendo a maior nesse estilo.

A construção iniciou-se em 1195, praticamente ao mesmo tempo com a catedral de Chartres

O coro (parte atrás do altar mor), foi completado em 1214; a nave (que é a parte maior) em 1225.

A fachada, mais rica e complicada foi terminada em 1250. O todo, que inclui torres e anexos, foi consagrado em 13 de maio de 1324.

A parte que toca no chão são coluninhas vazadas, muito delicadas, que foram por sua vez esculpidas.

É quase que uma orgia de trabalho, de dedicação, uma extraordinária manifestação de fé.

No centro da fachada, sem considerar as portas, o grande ponto de convergência da decoração é a rosácea grande em cima.

Depois há um espaço liso, e depois para baixo começam ogivas. Espaço livre é quase nenhum.

Todas essa partes laterais estão para a rosácea, como as portas laterais estão para as portas do centro.

A rosácea é a rainha com suas damas.

A catedral de Bourges é a expressão arquitetônica do espírito hierárquico de sua época.

Bourges, portaTudo nela é hierarquia, classe, categoria.

É o espírito da Idade Média.

As catedrais eram feitas para conter a população inteira da cidade. A cidade inteira era católica.

A igreja é o palácio de Deus, e no palácio de Deus deve haver um lugar de destaque para o rei, ou para o senhor feudal, para as autoridades municipais, sobretudo para as autoridades eclesiásticas, mas deveria caber o povinho de Deus inteiro.

Será que esta catedral se enche hoje como se enchia outrora? Eu temo que não.

* * *

Dividindo as portas há um símbolo muito bonito.

Os medievais poderiam ter feito um portal só mas eles fizeram duas portas.

Separando as duas portas há uma colunazinha com uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, e um dossel sobre a imagem dEle.

Bourges, botareusA ideia era apontar aos que entravam Cristo como divisor dos caminhos.

* * *

Esses são chamados botaréus, do lado de fora da igreja.

Os medievais não conheciam bem os cálculos necessários para garantir a estabilidade do edifício.

Do lado de fora punham esses arcos para evitar que o edifício ruísse.

São verdadeiras escoras colocadas de encontro à cúpula central da catedral.

Mas as escoras são tão bonitas, elegantes e leves, que se pensasse em tirá-las, os artistas do mundo inteiro protestariam.

De fato, esses botaréus resultam de um desconhecimento de certas regras de cálculo. Mas quando se tem uma grande alma até o não-conhecer leva ao belo.


* * *

Os vitrais de Bourges são verdadeiros vitrais. Não é vitralzinho marca zero. Aquilo é mesmo vitral! É de se ficar maravilhado.

Formam verdadeiras rendas de vidro. Neles há um porção de figurinhas que se movem, falam, gesticulam.

Em geral são episódios do Antigo e do Novo Testamentos mais alguns episódios históricos da Cristandade e da vida dos santos.


Na última divisão há um tampo de uma sepultura que está abrindo, e os mortos estão saindo por ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo para o Juízo Final.

A cruz está presente em tudo. Cada divisão é dominada por uma cruz.

Notem aquele azul. Um azul profundo! Lindíssimo! Lembra o azul de certas asas de borboletas do Brasil.

No centro do vitral da rosácea há uma figura: é o Cristo gladífero de que nos fala o Apocalipse.

A combinação de côres maravilhosa encanta a gente!

Dentro desses virais tem lições para quem?

Para os analfabetos! Os que não sabiam ler e escrever tinha uma verdadeira Bíblia nos vitrais.





GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

A Sainte-Chapelle: arca cheia de tesouros

Sainte Chapelle construída no século XIII por São Luís IX.
Sainte Chapelle construída no século XIII por São Luís IX.

A Sainte-Chapelle é uma capela gótica situada na Ilha de la Cité em Paris.

Iniciada em 1246, foi consagrada em abril de 1248.

Foi construída no século XIII por São Luís IX. O patrono foi esse santo rei francês.


Veja vídeo
Sainte Chapelle:
imenso relicário
feito de vitrais

Ele a destinou para capela do palácio real.

Ela foi feita para ser um imenso relicário: o da coroa de espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

São Luís fez vir a Coroa com enorme despesa.

O rei santo assumiu as dívidas de Bizâncio por 135.000 libras, mas a construção da capela custou “só” 45.000.

Hoje a Coroa de espinhos está na catedral Notre-Dame.

A Sainte-Chapelle está encravada no Palácio da Justiça e se compõe de duas capelas sobrepostas.

A inferior era destinada aos domésticos e funcionários do palácio.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Notre-Dame e Colônia duas catedrais co-irmãs como um par de asas

Notre-Dame no outono
Notre Dame de Paris, catedral da simetria e da proporção
A Igreja, sempre sábia e sempre única no supra-sumo de sua sabedoria, proíbe de se fazer comparação de santo com santo. Porque todo santo é incomparável.

Por razões análogas, é um pouco impróprio comparar certos monumentos góticos uns com os outros.

E, portanto, comparar Notre-Dame com a catedral de Colônia.

É a Cristandade que fez essas catedrais. O que inspirou aqueles monumentos foi o Sangue que Cristo Nosso Senhor derramou na Cruz, e as lágrimas que Maria chorou. Isto é que de fato produziu as catedrais e a outras maravilhas. O resto são pormenores.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

BURGOS, catedral espanhola: majestade, sobriedade e esplendor


Que ordem, que linha!

Todas as coisas que são harmônicas devem ser dominadas por um ponto central.

Vejam como essa imagem domina absolutamente, na sua simplicidade, todo esse ambiente. Tudo é feito para olhar para ela.

Ela está num muro completamente liso. Em torno dela não há floreios, não há nada: é de uma austeridade enorme.

Mas a moldura é riquíssima.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Catedral: casa de Deus, imagem da Jerusalém celeste

Amalfi, catedral Santo Andre, catedrais medievaisNa Idade Média, construía-se a casa de Deus como imagem da Jerusalém Celeste, e essa casa de Deus era admirável. Ela era o lugar do culto e a casa do povo.

A legislação eclesiástica fazia diferença entre o santuário — onde o povo não entrava — e o resto da superfície da catedral. Essa distinção era necessária.

O espírito do século XX ficaria chocado pela animação e as atividades que podiam se desenrolar antigamente no interior das igrejas.

Ali se dormia, se comia, se podia falar sem necessidade de cochichos.

Ali se circulava muito mais livremente do que hoje, porque não havia bancos.

Ali as pessoas se encontravam, para discutir coisas que muitas vezes não eram diretamente religiosas.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 2

Sala dos Lords, trono da rainha, Pugin
Sala dos Lords, trono da rainha, Pugin
Continuação do post anterior

Pugin levou seu combate para o coração das cidades industriais de Birmingham e Sheffield, as quais achava “minas inesgotáveis de mau gosto”, infestadas de “edifícios gregos, chaminés fumegantes, agitadores radicais e dissidentes”.

A igreja de São Chad, que Pugin construiu em Birmingham no meio da sujeira do bairro dos fabricantes de armas, tornou-se a primeira catedral inglesa construída após a de Saint Paul.

Politicamente, Pugin poderia ser definido como um radical conservador.

Ele queria reformar a sociedade levando-a de volta a uma hierarquia benigna, a um medievalismo romântico no qual cada classe poderia olhar para a que lhe era superior e dela receber apoio, enquanto os de cima aceitavam a responsabilidade de proteger os que estavam embaixo.

Em 1841, ele publicou a segunda edição do Contrastes, acrescentando todo um panorama moral.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 1

Big Ben, obra mais famosa de Pugin, simbolo da Inglaterra
Big Ben, obra mais famosa de Pugin, simbolo da Inglaterra.
Todas as fotos deste post são de obras de Pugin
O estilo de uma época pode ser um fator de regeneração social, cultural, moral e religiosa? Evidentemente, depende do estilo.

Mas, em concreto, o estilo gótico poderia ser – e segundo veremos abaixo, historicamente o foi – um fator poderoso para a recuperação social e moral de um país. E, em concreto, para a Gra-Bretanha do século XIX, segundo o mais famoso arquiteto inglês dessa época A. W. N. Pugin.

Pugin é o criador do famoso Big Ben, hoje símbolo de Londres e da Inglaterra.

Augustus Welby Northmore Pugin, nascido em Londres em 1º de Março de 1812, tinha apenas 24 anos quando publicou o livro Contrastes.

O autor ofereceu nele todo um programa que redefiniu a arquitetura como uma força moral, imbuída de significado político e religioso. Foi um primeiro ensaio sobre os problemas da cidade moderna.

quarta-feira, 21 de março de 2012

A Catedral de AQUISGRÃO: reflexo da grandeza carolíngea

A Catedral de Aix-la-Chapelle, a capital do Império de Carlos Magno, é assim chamada em francês. Também é conhecida como Aachen, segundo a designação alemã, ou Aquisgrão em português.

Ela é toda de pedra, e distinguem-se três elementos arquitetônicos: o Dom propriamente dito, que é a cúpula central encimada por outra pequena cúpula, no alto da qual está implantada uma cruz; à direita, uma alta torre; à esquerda, o corpo do prédio, que contém a continuação da igreja. Tudo isso comunica-se por dentro e constitui um só edifício.

A cor da pedra é realmente a que se vê na ilustração.

Há no templo religioso uma fusão de estilos.

A cúpula é românica, portanto com influência romana, mas notam-se nela triângulos com inspiração ogival, ornando-a do lado de fora.

Nesses triângulos há qualquer coisa que já prenuncia o estilo gótico.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Os três Reis Magos e Catedral de COLÔNIA




Belíssima e imponente catedral, a mais alta do mundo, escrínio para os preciosos restos mortais dos primeiros reis que adoraram, nesta Terra, o Rei dos Reis, o Senhor dos Senhores

Renato Murta de Vasconcelos

Fotos ou quadros da Catedral de Colônia tornaram-se conhecidíssimos em todo o mundo. Imponente, com suas duas torres elevando-se a quase 160 m do solo, ela é uma jóia da arte gótica medieval às margens do Reno.

Oppidum Ubiorum: Esse era o nome do florescente núcleo urbano estabelecido pelos romanos, no ano 38 a.C., ao norte das fronteiras de seu Império em terras germânicas.

Quase um século mais tarde, em 50 d.C., o núcleo tomou o nome de Colônia Agripina, em homenagem à esposa do Imperador Cláudio, mãe de Nero.

Com a conversão dos bárbaros ao cristianismo, surgiram nessa cidade, ao longo dos séculos, grandes varões reputados por sua ciência ou santidade de vida, a ponto de Colônia haver sido qualificada de a cidade santa junto ao Reno, ou a Roma do Norte, devido ao grande número de suas igrejas.

Por sua importância, tornou-se sede episcopal e, séculos mais tarde, seus Arcebispos tornaram-se Príncipes-Eleitores do Sacro Império Romano Alemão.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O segredo das catedrais

Colônia, Alemanha

O enigma profundo das catedrais e dos homens que as conceberam e realizaram em tão grande número e variedade nos conduz a considerações que superam a própria ciência e à própria técnica.

A primeira e mais imediata consideração é sobre a sabedoria dos construtores. Monges, teólogos, arquitetos, artistas, simples pedreiros, neles parecia habitar uma sabedoria que ia muito além de suas naturezas humanas, por vezes rudes e imperfeitas.

Pelos frutos se conhece a árvore. Pela catedral se conhece a alma dos construtores.

Como foi possível tal afloração simultânea de homens com almas sólidas e plácidas, fortes e delicadas, lógicas e jeitosas, como as que fizeram essas Bíblias de pedra?

Homens que foram a encarnação da virtude da sabedoria. Da sabedoria sobrenatural que só a graça divina dispensa às suas almas mais amadas.

E essa é uma segunda consideração de natureza espiritual.

Foi essa sabedoria sobrenatural, de que a Igreja Católica é a tesoureira, que gerou aqueles homens e suas catedrais.

Longe da Igreja, o homem do terceiro milênio sente-se apequenado, tristonho e cheio de incertezas.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Catedrais góticas: mistério mais grandioso que o das pirâmides do Egito

Amiens, França


A técnica é definida pela Escolástica, da mesma forma que as artes, como “recta ratio factibilium”.

Quer dizer, a reta ordenação do trabalho, ou também, a ciência de trabalhar bem.

Hoje, o mal uso da técnica, a empurra para produzir para além do que é bom, e espalhar instrumentos que afligem a vida dos homens.

Nos tempos em que o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições, a técnica produziu frutos que vão além do tudo o que a Humanidade conheceu previamente.

Um desses frutos inigualados foi ‒ e continuam sendo ‒ as catedrais medievais.

Até hoje especialistas tentam decifrar como fizeram os arquitetos da Idade Média para, com tão pobres instrumentos, criar obras colossais que “humilham” as técnicas modernas mais avançadas.

Os técnicos das mais variegadas especialidades da construção e também da física, da química e das matemáticas se debruçam para tentar descobrir como os medievais erigiram esses portentos arquitetônicos.

Mergulham eles nos “mistérios das catedrais”.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Aquisgrão: onde o imperador em lugar do cetro adotou um Crucifixo

Aquisgrão: interior da catedral

No ano de 1273, o arcebispo de Colônia sagrava na catedral de Aquisgrão (Aix-la-Chapelle em francês ou Aachen em alemão) o imperador Rodolfo de Habsburgo.

Terminada a cerimônia, o imperador, de cetro em punho, devia dar aos príncipes a investidura de seus domínios.

Como não foi possível encontrar logo o cetro, Rodolfo, tomando o crucifixo de prata do altar, disse:

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Catedral de Sevilha: uma fortaleza meio eclesiástica e uma igreja meio fortaleza



Estas fotografias evocam um antigo provérbio português: “Quem não viu Sevilha, não viu maravilha”.

Chamam a atenção na Catedral de Sevilha as duas torres laterais muito ornadas.

Entre elas, nota-se um espaço com fundo claro e um gradeado muito bonito de ogivas e rosáceas que estabelecem o contraste do muito simples com o muito ordenado.

Uma grande travessa com imagens de santos, com dosséis no alto, também muito ornada.