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quarta-feira, 9 de julho de 2014

AACHEN: catedral intimamente ligada a Carlos Magno e ao Sacro Império


Uma cidade fundada pelos romanos no século I em virtude das águas termais do local haveria de se transformar numa das capitais mais célebres da Europa, hoje em território da Alemanha próxima à fronteira da Bélgica e dos Países Baixos.

Os romanos a batizaram de Aquae-Grani (de que derivou Aquisgrano ou Aquisgrão em português; Aachen em alemão e Aix-la-Chapelle em francês), porque os romanos tinham a superstição de que o deus Apolo Grano protegia os banhos.

Pepino o Breve, rei dos francos, gostava muito da cidade e erigiu nela uma capela para custodiar preciosas relíquias.

Seu filho Carlos Magno – que provavelmente nasceu em Aachen no ano 742 e que nela veio a falecer em 28 de Janeiro de 814 – fez dela a capital do Sacro Império Romano-Germânico.


O prestígio de Carlos Magno é tão grande, que sua catedral virou a sede da coroação dos imperadores. A eleição era feita em Frankfurt, mas a coroação devia acontecer em Aachen como sinal da continuidade com o grande Carlos. No total, 32 imperadores foram coroados na catedral até o século XVII.

Torre de entrada da catedral de Aachen
Torre de entrada da catedral de Aachen
Na época carolíngia as únicas cidades que competiam com Aachen eram Roma – pela sua importância religiosa e política – e Ravenna pelos seus tesouros arquitetônicos, artísticos e históricos.

Aachen foi, de todas as cidades da Europa, a mais habitada e visitada por imperadores, reis e estadistas.

Nela foram realizados, igualmente, vários concílios, sínodos e dietas, e solucionaram-se diversas questões políticas.

A Catedral está ligada indissociavelmente a Carlos Magno primeiro imperador do Sacro Império Romano Alemão instituído pelo Papa Leão III durante a missa de Natal em Roma, em 25 de dezembro de 800.

Carlos Magno ordenou a construção da catedral no local da antiga capela por volta de 790 e foi nela sepultado em 814.

A catedral é hoje o resultado de acréscimos e modificações feitas ao longo dos séculos.

É a mais antiga catedral do norte da Europa e além de ter sido, na sua fase inicial, e durante séculos, o edifício mais alto a norte dos Alpes.

A capela original, de influência bizantina e germânica, pertencia ao palácio, sendo conhecida como capela palatina.

Os elementos góticos e posteriores deram numa fusão de estilos da arquitetura cristã.

Na época de Pepino o Breve e Carlos Magno era comum a existência de diversas residências reais. O rei ou imperador se deslocava pelo território para garantir a autoridade, ter encontros com os grandes senhores e bispos, etc.

Carlos Magno mandou erigir um palácio para usar nas suas estadias, mas o seu gosto pela região, a grande extensão de florestas, a caça abundante e as águas termais, levaram ele a estabelecer sua residência permanente.

Aachen virou assim o centro cultural e religioso do Império.

As dependências do palácio foram construídas em madeira, como era costume nos primórdios da Idade Média e não sobreviveram até nossos dias.

Mas Carlos Magno substituiu a capela para relíquias de Pepino pela capela palatina em pedra que é atualmente o corpo central da catedral.

Cúpula da catedral octogonal. As colunas pertencem ao segundo andar.
Cúpula da catedral octogonal. As colunas pertencem ao segundo andar.
O modelo foi a Basílica de São Vital em Ravenna.

Materiais como os mármores para as colunas e os bronzes para as grades no seu interior foram importados de Itália, seguindo as instruções de Carlos Magno que queria civilizar seus povos.

A capela, mandada erigir pelo pai de Carlos Magno custodiava uma relíquia da capa de São Martinho de Tours, tal vez o santo mais venerado naqueles remotos séculos. Da palavra capa provém o termo capela.

Para os construtores escolhidos pelo imperador, a nova capela deveria ser a imagem da Nova Jerusalém, onde reina Carlos Magno o representante de Deus na Terra, e Aquisgrão devia ser um reflexo de Roma na ordem temporal. O mestre de obras foi Otão de Metz.

A planta tem oito lados porque o número oito simboliza o poder celestial na Terra, o dia após o sétimo dia da criação, a ressurreição de Cristo e o começo da perfeição.

O octógono já era símbolo da perfeição na Antiguidade, e simboliza a fusão entre o infinito, o céu (círculo) e a área delimitada, os quatro pontos cardeais terrenos (quadrado).

Posteriormente foi adicionado no lado ocidental um conjunto conhecido por Westwerk, no então novo estilo gótico com duas torres.

No século XIV foi edificada a atual torre principal, com capelas laterais góticas na zona alta para albergar relíquias.

Continua no próximo post


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3 comentários:

  1. Maria Clara Mirante10 de julho de 2014 09:48

    Muito boa informação
    Obrigada

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  2. Olá, como historiadora e estudiosa de Carlos Magno não posso deixar de citar alguns erros neste texto!
    Primeiramente, devo dizer que Carlos Magno não fundou o Sacro Império. Ele não foi ao menos contemporâneo a ele, visto que morreu em 814 e o SIRG é tem seu início no século X com Otão I. Após a morte de Carlos Magno, o império Carolíngio continua a existir, tendo por imperador Luís, o piedoso, filho de Carlos.
    Em segundo lugar, aponto o problema em se falar "Sacro Império Romano Alemão", o correto é se falar "germânico" ao invés de "alemão", visto que esse conceito se liga com uma ideia de nação alemã, que como sabemos, só surgirá séculos a frente, enquanto que germânico é mais adequado pois se refere aos povos germânicos, ideia presente nos tempos de Carlos Magno.
    A última coisa que desejo apontar é o problema em se falar que Carlos desejava "civilizar". Este conceito não existe para Carlos Magno, aliás, ele só surge no século XIX. Carlos Magno tinha sim intenções evangelizadoras para com os povos que conquistava, em especial os Saxões.
    É isso, espero ter contribuido.
    Abraços

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  3. De fato um texto cheio de anacronismos, muito bem apontados pela colega

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