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terça-feira, 21 de maio de 2019

Chartres, a catedral renascida das cinzas,
exemplo para Paris

Incêndio da catedral de Chartres em 4 de junho de 1836.  François Alexandre Pernot (1793-1865). Musée des Beaux-Arts de Chartres.
Incêndio da catedral de Chartres em 4 de junho de 1836.
François Alexandre Pernot (1793-1865). Musée des Beaux-Arts de Chartres.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Deus costuma escrever certo por linhas tortas — é o que a sabedoria popular ensina aos nossos atribulados dias.

E na História, mestra da vida, os exemplos são incontáveis: muitas enfermidades levaram pecadores a abandonar seus pecados; insensatos recuperaram o juízo, ante os desastres que provocaram; catástrofes foram anunciadas por Nossa Senhora em Fátima, no final das quais os homens abandonariam os maus costumes; mais próximo de nós, o incêndio que devorou o telhado da catedral de Notre Dame de Paris já inspira reações benéficas em não poucos.

Em que sentido?

Lendo o historiador da arte Émile Mâle (1862-1954) — membro da elite suprema da intelectualidade universal, que é a Académie Française — uma pergunta me ficou na cabeça, e seguramente se apresenta na de muitos católicos: por que a Providência teria permitido que um fogo com furor infernal devorasse o teto de um símbolo tão sublime da Igreja Católica?


Incêndio que afervora católicos tíbios

Aquele ditado da sabedoria popular tem uma confirmação nos escritos, visões e ensinamentos de uma das maiores místicas da França, Marie des Vallées (1590-1656), que foram anotados por São João Eudes e adotados por São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande mestre da devoção a Nossa Senhora.

São Luís Maria Grignion de Montfort: “Ah!, permiti-me bradar por toda parte:
fogo, fogo, fogo! Socorro, socorro, socorro!
Fogo na casa de Deus, fogo nas almas, fogo até no santuário!”
Ela ardia de zelo pela causa de Deus, e clamava para que fossem expulsos da Terra os demônios e seus sequazes mais próximos (sem meios termos, ela os denominava bruxos).

Renovando fervorosamente esse pedido à Santíssima Trindade e a Nossa Senhora, a resposta negativa de Deus Pai foi simplesmente: “NÃO!”.

Isto me deixou pasmo, pois os raciocínios humanos são pobres, sobretudo quando desamparados pela perspectiva histórica com que Deus conduz os eventos humanos.

O próprio São João Eudes não conteve a sua admiração, e concluiu: “Pelo seu poder admirável, e por uma bondade incomparável, Deus forçará os nossos inimigos a contribuir para a nossa salvação”.

Os inimigos a que se referia São João Eudes são os demônios e seus asseclas, e ele pensava no abalo universal que Deus previa para salvar os bons desanimados, desconhecedores do satânico processo revolucionário que naquela época já corroía ativamente até os melhores, mas ainda de maneira secreta.

Olhando as imagens do incêndio de Notre Dame, notadamente a queda de sua simbólica agulha, podia-se imaginar demônios soprando as chamas e atiçando-as contra a casa de Nossa Senhora (ainda se discute se houve participação humana, da qual há indícios, talvez de alguns muçulmanos suspeitos mas não identificados).

Marie des Vallées ouviu também Deus Pai dando ordens aos diabos: “Ide! Eu vos envio como trombetas para acordar os meus filhos que estão adormecidos na sombra da morte” (isto é, do pecado).

As outras pessoas da Santíssima Trindade, e também Maria Santíssima, falaram no mesmo sentido, e ao final foi dada uma ordem aos demônios: “Ide, como soldados encolerizados, prender aqueles que não quererão se converter”.

São João Eudes acrescenta que os diabos saíram para cumprir essa missão na Terra.

Chartres restaurada identica ao modelo queimado.
Chartres restaurada identica ao modelo queimado.
Mas, assim agindo, farão os homens ruins ou relaxados “sofrer tantos tormentos, que se sentirão como se estivessem obrigados a fazer penitência”. Lembremos que penitência foi o grande pedido de Nossa Senhora em Fátima!

Algo disso não explicaria as tragédias e as dores que sofremos coletivamente? E não se daria o mesmo na nossa vida individual?

Reconstrução de Chartres – exemplo de fé

Meditando nisso, voltei ao erudito livro Notre Dame de Chartres, e Émile Mâle.

A atual catedral é um dos mais imponentes edifícios góticos da Europa, e é consagrada a Nossa Senhora.

Foi reconstruída sete vezes, cada vez maior, mais bela e mais sacral.

Conduzido por um guia, pode-se ver até os fundamentos da primeira humilde catedral.

A atual surgiu sobre as ruínas da sexta reedificação.

Essa havia sido levantada pelo bispo D. Fulberto (970-1028), no início do século XI, e foi restaurada por Santo Ivo (1040-1115).

Pouco antes da metade do século XII, foi feito um campanário separado da igreja, correspondendo à atual torre norte, em estilo românico, completada no século XVI por uma flecha gótica.

Segundo Émile Mâle, as gerações que fizeram as cruzadas tinham amor à grandeza, e o senso da simetria os levou a erguer, do lado sul, um campanário similar.

Decidiu-se que as duas torres não ficariam isoladas, e que a catedral seria ampliada até incluí-las.

Chartres, catedral atual restaurada identica após numerosos incendios
Chartres, catedral atual restaurada idêntica após numerosos incendios
A nova fachada seria ainda mais magnífica, com esculturas que a tornariam deveras digna de Nossa Senhora.

A fachada antiga foi desmontada pedra por pedra, e refeita unindo as duas torres, ampliando assim a catedral.

Essas altas torres em louvor à Santa Mãe de Deus suscitaram até na Inglaterra um entusiasmo atestado por muitos relatos da época.

Notre Dame de Chartres era o maior santuário mariano da Cristandade, cujo maior tesouro é o véu de Nossa Senhora, uma relíquia venerada até hoje.

De modo similar, Notre Dame de Paris conservou a Coroa de Espinhos desde que a Revolução Francesa depredou a Sainte Chapelle, construída para guardar essa santa relíquia.

Em 11 de junho de 1194, um pavoroso incêndio consumiu o teto de Chartres, que era feito em madeira como o de Notre Dame de Paris.

O velho edifício ardeu durante três dias, sendo comparativamente bem maior que o de Paris.

Em 1506, mais um fogo violento chegou a derreter até os sinos.

O telhado de Chartres voltou a ser abrasado em 4 de junho de 1836, quando as chamas atingiram 15 metros de altura.

Mas os bombeiros conseguiram salvá-lo, e dois anos depois ele estava refeito; contrariando o “desejo” da imprensa, que havia declarado a destruição “irreparável”. Houve ainda tempestades de raios que atingiram a torre sul em 1539, 1573 e 1589; e contra a agulha, como agora em Paris, em 1701 e 1740.

O incêndio de 1194 foi furiosamente impiedoso.

O véu de Nossa Senhora sai da catedral em procissão.
O véu de Nossa Senhora sai da catedral em procissão.
Só poupou a fachada ainda descolada da nave, e devorou boa parte da cidade (até hoje, em lojas e casas, há restos subterrâneos da velha cidade salvos do fogo).

Mas Émile Mâle narra que a sofrida população não se angustiou tanto com suas perdas.

Apinhada diante da catedral fumegante, e com lágrimas nos olhos, o que todos queriam saber era como se encontrava o véu de Nossa Senhora, mas não era ainda possível ingressar no recinto.

De repente, como numa visão sobrenatural, viram sair uma procissão de dentro do amontoado de pedras calcinadas.

Eram sacerdotes levando nos ombros o grande relicário, com o véu surpreendentemente preservado.

Os clérigos de Chartres haviam corrido para salvar a relíquia, mas ficaram envoltos pelo fogo e se refugiaram na cripta inferior, até que pudessem sair.

A alegria foi imensa.

No momento, o bispo, os cônegos e os homens ricos da região engajaram parte de suas fortunas e proventos para erigir uma nova catedral, ainda mais admirável.

O mesmo gesto de generosidade que se repetiu agora, por numerosos milionários, empresas e particulares do mundo todo, em favor da restauração da catedral parisiense.


Continua no próximo post: Chartres e a reconstrução prodigiosa filha da graça da penitência




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terça-feira, 7 de maio de 2019

Heroico sacerdote entre as chamas de Notre Dame

O Pe. Jean-Marc Fournier resgatou a Santa Coroa de espinhos de Jesus Cristo © Etienne Loraillère-KTOTV
O Pe. Jean-Marc Fournier resgatou a Santa Coroa de espinhos de Jesus Cristo
© Etienne Loraillère-KTOTV
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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O Pe. Jean Marc Fournier é capelão-chefe dos bombeiros de Paris. Ele foi formado na Fraternidade Sacerdotal São Pedro e também foi capelão das tropas francesas em ação no Afeganistão.

Os bombeiros na Franca estão na área militar e por isso quando passou a se desempenhar como capelão deles, também passou canonicamente da Fraternidade São Pedro à jurisdição militar.

Ele se encontrava de plantão no momento que estourou a alarme pelo incêndio de Notre Dame e acorreu com os bombeiros para cumprir seus deveres sacerdotais para com os socorristas e eventuais vítimas.

Mas ele discernia que a principal vítima do fogo poderia ser o próprio Jesus Cristo presente verdadeiramente no Ssmo Sacramento. E, em graus diversos menores nas preciosas relíquias custodiadas na catedral de Paris.

Nesta nossa época de tanto indiferentismo e relativismo, e até ateísmo, a Divina Vítima corria o risco de ser esquecida até pelos seus custódios naturais que são as autoridades eclesiásticas da catedral presididas pelo Cardeal arcebispo de Paris.

Ninguém tinha feito qualquer coisa por Ele.

O que fazer à vista da ferocidade do incêndio? O Pe. Fournier revelou uma coragem inspirada pela Fé que superou todos seus atos sacerdotais no Afeganistão entre as tropas que combatiam os fanáticos islâmicos.

Ele contou tudo à TV católica francesa KTO. Ouçamos seu próprio relato:

“Eu era o capelão de plantão esse 15 de abril quando um incêndio extraordinário aconteceu em Notre Dame, a catedral de Paris (...) eu fui convocado.

“Logo que eu cheguei, me pareceu que devia cumprir duas coisas essenciais.

“A primeira era salvar esse tesouro inestimável que é a Coroa de Espinhos e, imediatamente, com certeza, Jesus presente no Santíssimo Sacramento.

“Entrando na catedral, verificamos que havia sido pouco invadida pela fumaça e não estava quente.

“Logo tivemos uma espécie de visão do que pode ser o inferno. Quer dizer cascatas de fogo que caiam precisamente das aberturas provocadas pela queda da agulha e também por diferentes buracos no coro dos cônegos”.

“Fui acompanhado por um oficial graduado. A dificuldade para nós foi encontrar o responsável pelo código para abrir a caixa forte onde está a santa relíquia.

“Isso levou um certo tempo e durante a procura do código, uma equipe de bombeiros começou a trabalhar visando salvar a relíquia.

“Quer dizer, foram por cima do cofre pulverizando-o.

“Voltamos assim que achamos as chaves, mas quando chegamos quase simultaneamente os bombeiros já haviam tirando a relíquia e a tinham resguardado e entregue à proteção dos responsáveis, quer dizer, da polícia.

“Todo mundo compreende bem que a Santa Coroa é uma relíquia absolutamente única e extraordinária.

“E, o Santíssimo Sacramento é Nosso Senhor presente realmente em Corpo, Alma, Humanidade e Divindade.

“O Sr compreende que é delicado ver morrer nas chamas alguém que a gente ama.

“Acompanhando frequentemente os bombeiros eu vejo muito as vítimas dos incêndios e eu conheço os efeitos.

“Eis porque eu queria preservar absolutamente Nosso Senhor Jesus Cristo presente realmente. (...)

“Os bombeiros estavam presentes com 18 carros lançadores atacando o fogo. Nós chegamos a ser 600 bombeiros (...) para acabar com esse fogo que alguns não hesitam em qualificar de ‘incêndio do século’. (...)

“Eu tirei o Ssmo Sacramento no momento em que o fogo ia pegar na Torre Norte ameaçando arruiná-lo.

“Eu não queria tirar sem solenidade o Ssmo. Sacramento. Então, eu aproveitei para fazer uma bênção do Ssmo. Sacramento.

“Nessa hora eu estava sozinho na catedral nesse ambiente de chamas, de fogo, de coisas que caiam desde o forro.

“Fazendo essa bênção eu implorei a Jesus que nos ajude a preservar sua residência.

“Eu acredito que Ele me ouviu e a manobra do general [chefe de operações dos bombeiros] foi tão brilhante, que pelas duas coisas deu-se não só que o fogo se deteve, mas que a Torre Norte foi preservada.

“E preservando a Torre Norte foi também salva a Torre Sul.

“Nós iniciamos a Quaresma impondo as Cinzas e dizendo “Lembra-te, ó homem, que tu és pó e em pó hás de tornar”.

“Pois bem, foi uma Quaresma em miniatura, a catedral estava no ponto de voltar a ser pó não para desaparecer completamente.

“Mas, para voltar e renascer mais bela e mais forte após a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, da mesma maneira que os cristãos”.

Vídeo: fala sacerdote herói entre as chamas de Notre Dame (francês)






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terça-feira, 23 de abril de 2019

Se a catedral de Notre Dame falasse, o quê diria?


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Como seria a catedral de Notre Dame se ela pudesse ter sentimentos e falar?

Ela sem dúvida não seria do tipo de pessoa que ri a toda hora.

Mas seria do tipo de homem que tem dentro da alma, uma forma de grandeza e de bem-estar que pode coexistir com os maiores tormentos e as maiores angústias.

É um estado de elevação, de sublimidade, de afabilidade, de benignidade. Com esse estado ele se sente capaz de todas as grandezas; desde as maiores até as menores.

Contra o mal, o feio e o ruim ele se sente capaz de todas as intransigências; das maiores às mais miúdas.

Mas, também, de todas as paciências, bondades, flexibilidades, adaptabilidades ao que não é mal.

Porque, ao mal, ele resiste sempre, luta sempre, não dá nem tréguas nem quartel.

Mas é capaz de todas as formas de afabilidade, de transigência, de bondade muda, para aquele que não é mau.

Por detrás desse estado de espírito encontra-se a verdadeira alegria. Que não é a vontade de rir, mas é sentir-se em harmonia com Deus Nosso Senhor.

Sentir-se na estatura própria à sua alma, e na realização da tarefa própria à sua alma.

Notre Dame é feita de seriedade, gravidade, afabilidade e serenidade. Ela sorri, mas sorri pouco. Choura, mas, também, chora pouco. Ela tem a estabilidade da alma verdadeiramente católica.

Esse estado de espírito só a visão sobrenatural dá. Ele transforma a alma num verdadeiro sacrário.

Esse estado de espírito atrai veneração e ternura. Ele enleva os homens.

Mas é, precisamente, esse estado de espírito que o mundo revolucionário e igualitário contemporâneo abomina. Ele odeia, evita a companhia de quem é assim, se desagrada em olhar quem é assim.

Porque ele deve prefere uma desordem permanente. Ele quer qualquer coisa menos isso.

Se for para ser chorão, ele chora; se for para ser mole, ele é mole.

Se for para ser violento, ele é violento; se for ser palhaço, ele é.

Moles, chorões, violentos, palhaços, por mais diferentes que sejam, acabam se adaptando entre si.

Se a Catedral de Notre Dame tivesse pensamento e pudesse pensar e sentir por si própria, ela sentiria seu ambiente todo recolhido, sobrenatural, com aquela luz matizada por vitrais, com aquela sacralidade entre as várias naves que sobem, com aquela retidão, aquela esguia que vai para cima, com a força daquelas colunas, com a resistência daquele granito.

Aquela catedral sentiria, em si, esse bem-estar.

É porque habita nela um espírito temperante. Quer dizer, a súmula de tudo quanto é de bom espírito.

Isso dá uma estabilidade altaneira, mas tranquila, que não tem medo das convulsões e que é toda voltada para a eternidade.

Esse é o perfil moral e psicológico da catedral de Notre Dame.

E esse perfil moral é imortal, aconteça o que acontecer, queime o que queimar.



(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 20/6/67. Sem revisão do autor.)



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terça-feira, 16 de abril de 2019

O rosto de Jesus Cristo impresso em Notre Dame

A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
Luis Dufaur
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“Eu não posso me esquecer que uma das viagens que eu fiz a Paris, eu cheguei à noitinha. Jantei, e fui imediatamente ver a Catedral de Notre-Dame.

Era uma noite de verão, não extraordinariamente bonita, comum.

A Catedral estava iluminada, e o automóvel em que eu vinha passava da rive gauche para a ilha, e eu via a Catedral assim de lado, e numa focalização completamente fortuita.

Ela me pareceu desde logo, naquele ângulo tomado assim, se acaso existisse ‒ em algum sentido existe ‒ eu diria que é tomado ao acaso, eu olhei e achei tão belo que eu fiquei com vontade de dizer ao automóvel:

terça-feira, 9 de abril de 2019

Do alto da catedral: o sorriso e a benção de Nossa Senhora para a Cristandade medieval


Luis Dufaur
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Em Notre Dame é muito agradável, ao menos para os meus olhos, o contraste entre a altura da Catedral e a largura.

Ela é esguia, muito mais alta do que larga. De maneira que tendo uma boa largura — não pode de nenhum modo ser chamada de um edifício frágil — ela é graciosa, leve, mas tem um quê de fortaleza que é absolutamente incontestável.

Ela nos fala da plenitude do espírito da Idade Média.

Espírito hierático, sacral, hierárquico, ordenado, todo voltado para o que há de mais alto, em que a maior seriedade se combina bem com a graça mais leve e com a delicadeza mais extrema.

Os mais belos aspectos da alma católica aparecem a todo propósito em todos os ângulos da Catedral.

Essa é a Catedral de Notre Dame.

É ou não é verdade que se tem a impressão que cenas desenroladas nessa Catedral ainda estão vivas?

terça-feira, 26 de março de 2019

Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 2

Sala dos Lords, trono da rainha, Pugin
Sala dos Lords, trono da rainha, Pugin
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 1





Pugin levou seu combate para o coração das cidades industriais de Birmingham e Sheffield, as quais achava “minas inesgotáveis de mau gosto”, infestadas de “edifícios gregos, chaminés fumegantes, agitadores radicais e dissidentes”.

A igreja de São Chad, que Pugin construiu em Birmingham no meio da sujeira do bairro dos fabricantes de armas, tornou-se a primeira catedral inglesa construída após a de Saint Paul.

Politicamente, Pugin poderia ser definido como um radical conservador.

Ele queria reformar a sociedade levando-a de volta a uma hierarquia benigna, a um medievalismo romântico.

Nessa nova ordem medieval cada classe poderia olhar para aquela que lhe era superior e dela receber apoio, enquanto os de cima aceitavam a responsabilidade de proteger os que estavam embaixo.

Em 1841, ele publicou a segunda edição do Contrastes, acrescentando todo um panorama moral.

A cidade medieval, com seus capiteis graciosos e suas sólidas muralhas, era confrontada com o seu equivalente moderno de muros em cacos, capiteis em ruínas e o horizonte dominado por olarias e fábricas.

terça-feira, 12 de março de 2019

Gótico: estilo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 1

Big Ben, obra mais famosa de Pugin, simbolo da Inglaterra
Big Ben, obra mais famosa de Pugin, simbolo da Inglaterra.
Todas as fotos deste post são de obras de Pugin
Luis Dufaur
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O estilo de uma época pode ser um fator de regeneração social, cultural, moral e religiosa? Evidentemente, depende do estilo.

Mas, em concreto, o estilo gótico poderia ser – e segundo veremos abaixo, historicamente o foi – um fator poderoso para a recuperação social e moral de um país.

E, em concreto, para a Gra-Bretanha do século XIX, segundo o mais famoso arquiteto inglês dessa época A. W. N. Pugin.

Pugin é o criador do famoso Big Ben, hoje símbolo de Londres e da Inglaterra.

Augustus Welby Northmore Pugin, nascido em Londres em 1º de Março de 1812, tinha apenas 24 anos quando publicou o livro Contrastes.

O autor ofereceu nele todo um programa que redefiniu a arquitetura como uma força moral, imbuída de significado político e religioso. Foi um primeiro ensaio sobre os problemas da cidade moderna.

Uma década depois, aconteceram os primeiros surtos de cólera e alguns dos piores episódios de agitação civil na história britânica.

Em Bristol o Palácio do Bispo foi queimado pelos manifestantes, e em Nottingham o castelo foi destruído.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Capela de Karlstein: vocação do mundo germânico e eslavo, degustação do Céu

Na Grande Torre do castelo de Karlstein, a capela da Santa Cruz.
Na Grande Torre do castelo de Karlstein, a capela da Santa Cruz.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A capela da Santa Cruz, no castelo de Karlstein, hoje na República Checa é uma lição viva de muitas grandes e nobres realidades.

Veja também o post anterior: Karlstein: a capela nobre que encarna a gravidade com o ornato

Toda incrustada de pedrarias, é uma amostra do que deveria ter sido o mundo teutônico imperial.

O mundo germânico tem a vocação de evangelizar o mundo oriental, aliás dominado pela Rússia cismática.

Ele não deveria ter se engajado nas devastadoras guerras contra a Europa Ocidental, notadamente contra a França sua vizinha.

Deveria ter voltado suas extraordinárias energias para converter e civilizar a Rússia. Teria assim levado a Religião Católica até as praias do oceano Pacífico.

Em alguma medida isso foi feito pelos gloriosos e míticos cavaleiros da Ordem Teutônica.