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Rosácea de Chartres, França |
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Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs |
Imaginemos um vitral em forma circular, ou seja, uma rosácea. Um mundo de cores diferentes.
Cada uma daquelas cores é uma amostra de um firmamento daquela cor no qual gostaríamos de nos perder.
Começo, então, dentro dele, um passeio diferente: ora entro no céu de anil, ora no dourado absoluto, depois no verde total ou no vermelho rubro.
Meus olhos distraídos entram naqueles pedacinhos de céu, olham daqui, de lá e de acolá.
Em determinado momento, me vem a maior alegria: a visão do conjunto.
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Rosácea lateral, Chartres |
Ao cabo de algum tempo, não sou mais eu que estou olhando para o vitral, mas o vitral é que está olhando para mim.
Um imenso olhar de “alguém” que contém todos os estados de espírito correlatos com aquelas várias cores e que no seu conjunto me analisa.
Analisa a mim como um todo feito de proporções desiguais e irrepetíveis.
Nunca houve antes, nem haverá depois, um outro igual a cada um de nós.
Quando se sente certa solidão, o vitral preenche o vazio.
Aquele conjunto maravilhoso de cores nos interpreta e nós temos vontade de dizer:
– “Sim, oh vitral! Como teu olhar é inteligente!
“Como és compreensivo e abarcativo.
“Como soubeste entender-me e como tu és parecido comigo”.
Se eu olho em torno de mim e vejo outras pessoas contemplando o vitral, noto como elas são diferentes de mim e que para cada uma delas o vitral diz coisas diferentes.
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Nossa Senhora "de la Belle Verrière", Chartres |
Percebo a variedade inesgotável de interpretações que a alma humana, olhando para o vitral, pode dar, a ponto de se sentir compreendida pelo vitral.
Então, essas fotografias de vitrais medievais não dão o melhor do vitral.
Porque o melhor do vitral é quando a rosácea inteira deu a sua luz para nós.
Por quê?
Por causa da natureza da alma humana. Nós podemos ter aspectos de alma lindos.
Mas, o mais bonito é contemplar a alma enquanto criatura em que Deus imprimiu uma imagem d’Ele.
Desde o primeiro homem até o último, cada um ocupa um lugar sem o qual a coleção ficaria incompleta.
Se faltasse, seria como um vitral que tomou uma pedrada e nesse ponto apareceu um buraco.
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Agradeço de coração amo este site é lindo
ResponderExcluirSe faltasse seria como um vitral
ResponderExcluirDesde o primeiro homem ate o último cada um ocupa
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