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terça-feira, 25 de março de 2025

NOTRE DAME puxa o crescente fascínio pela Idade Média

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Na sessão oficial de reabertura, Macron disse que na surpreendente restauração, milhares de artistas e artesãos “estabeleceram a continuidade com uma corrente que os precedia no tempo havia mais de oito séculos: a que vem da Idade Média com sua paixão pelo belo e pela coisa bem feita” .

E lhes agradeceu por terem ensinado aos contemporâneos a elevarem os olhares para o Céu que a agulha de Notre-Dame aponta, para “redescobrir nossa catedral interior”.

O presidente — ou o autor de seu discurso — aludia à lenda bretã da “catedral submersa”, acima mencionada, que o literato anticlerical Ernest Renan dizia emergir de vez em quando na sua alma comparável a um mar tenebroso.

Os sons emitidos pela “catedral submersa” parecem ter-se feito ouvir por incontáveis almas que assistiram atônitas à queda da flecha de Notre-Dame em chamas, enquanto outras viam o ponto de não retorno de uma era vilipendiada.

Emergia nelas “o fascínio e um interminável interesse pela Idade Média”, a qual adquiriu uma atualidade insuperável, ultrapassando por muito a dimensão religiosa da catedral, escreveu Guillermo Altares no jornal socialista espanhol “El País” .

O próprio presidente laicista glorificou a Idade Média no dia da reconsagração ao falar de São Luís IX, que trouxe a Coroa de Espinhos; do voto de Luís XIII de honrar a Virgem Maria se tivesse um filho; da conversão do poeta Paul Claudel,“que recuperou a esperança aos pés de um pilar, numa noite de dezembro de 1886”; dos jovens que foram rezar aos pés de Notre-Dame quando ardia o incêndio; da “providência” que protegeu a Virgem, cuja imagem ficou intocada, próxima em centímetros do amontoado de pedras e carvões ardentes que caíam do teto.

Vitória de Nossa Senhora


Sim, a Virgem é intocável e Ela, a Imaculada, foi a grande vencedora sobre o fogo revolucionário e luciferino.

“Será que Macron, o homem que fez que o direito ao aborto fosse consagrado na Constituição francesa percebeu a verdade dessas palavras?” —perguntou a jornalista Jeanne Smits, acrescentando que ele descreveu Nossa Senhora tal como Ela é.

Qualquer que tenha sido a sua intenção, em mais de uma ocasião o próprio demônio reconheceu o poder e a majestade da Virgem que o esmaga e o força a confessar a verdade, a grandeza d´Ela.

A catedral que demorou dois séculos para ser construída foi refeita como uma joia em pouco mais de cinco anos com tecnologias medievais!

“As catedrais góticas, tão diferentes em todos os aspectos das modernas igrejas tipo garagem” , escreveu o Prof. Manuel Alejandro Rodríguez de la Peña, catedrático de História Medieval em Madrid.

Esta espécie de ressurreição alimentou a esperança de que talvez a ordem medieval possa inspirar a fórmula para um mundo que desaba catastroficamente.

O lenhador Édouard Cortès vibrou com a ideia de que homens com machados medievais refizessem um teto do século XII em plena época do vazio e do virtual.

Precisava-se de “almas antes que robôs” , intuiu, e entrou voluntário para o “projeto louco” da restauração junto com um punhado de mestres carpinteiros vindos até dos EUA e da Argentina.

Esses corações indomáveis, diz ele, preferiam ser “lobos a cachorrinhos civilizados levados pela coleira”.

Autointitulavam-se “a horda” e no trabalho insano descobriram que não eram eles que restauravam a catedral, mas era Nossa Senhora que os estava modelando.

A tropa de elite Légion Étrangère brada em suas paradas militares “Legio Patria Nostra” (“A Legião é nossa Pátria”), enquanto eles sussurravam “Maria Patria Nostra” (“Maria é nossa Pátria”).

E quando uma inspetora do trabalho foi lhes perguntar por que faziam isso, a resposta brotou impetuosa: “Por Nossa Senhora. Só por Ela”.

Aqueles homens rústicos queimavam suas energias para devolver seu lar à Coroa de Espinhos e para que “a Santa Liturgia lavasse com o Sangue e com a Água consagrados a infame parodia da Última Ceia com que foram abertos os Jogos Olímpicos”.

“O verdadeiro milagre de Notre-Dame foi que o incêndio iluminou nossa cegueira, descongelou nossa memória e nos tocou com um fogo sagrado”, completou o lenhador.

Por sua vez, o arquiteto-chefe da restauração, Philippe Villeneuve, revelou: “tenho uma devoção particular à Virgem Maria. Nunca deixei de sentir o apoio d’Ela [...]. Acredito que este projeto não teria sido possível de outra forma” .

Mudança no mundo


Eles não foram os únicos que reagiram assim. Essa inesperada conversão moral deu-se em outras nações, como no Chile, com o já citado jornalista sobre a restauração de Notre-Dame representando o toque de finados para uma época que renegou o espírito e a beleza.

O jornalista chileno lembrou que as igrejas no mundo ex-cristão estão cada vez mais abandonadas, porém quando o telhado de Notre-Dame começou a arder, pequenas multidões saíram as ruas, pararam nas esquinas a fim de chorar, rezar, pedir perdão pelos crimes históricos que atraíram tão formidável punição.

Embora tenhamos abandonado e renegado Nossa Senhora mais de três vezes como Pedro a seu Mestre, prosseguiu o jornalista, uma mãe como Ela recolhe seus filhos nas ruas, acoberta esses seduzidos pelos deuses digitais, deslumbrados por uma luz que não é luz, um poder que não é poder, para que voltem a acariciar as velhas colunas que são mais firmes que as promessas do mundo.

O Chile, onde se queimaram igrejas que ficam sem restauração, abandonadas à própria sorte, olha envergonhado para a França que restaurou sua principal catedral.

E disse a verdade. Notre-Dame empolga e pede a cada um de nós para cultivar um fundo de alma como a sua fachada: grande, lógica, forte, séria, materna, misericordiosa, estável.

Qualidades simbolizadas em sua fachada com uma fidelidade de embevecer, e que devem estar no fundo de cada filho fiel da Igreja Católica Apostólica Romana, como comentou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira .



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terça-feira, 18 de março de 2025

NOTRE DAME de Paris: catedral flagelada como Cristo na Paixão

Parecia o golpe final para uma catedral profanada em séculos de Revolução
Parecia o golpe final para uma catedral
profanada em séculos de Revolução
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Séculos de Revoluções igualitárias e anticristãs maltrataram de todas as formas a catedral, relegando-a a mero objeto de visita e lucro de turistas estrangeiros.

Se ela tivesse voz e fosse prantear esses atentados, como Jó em suas lamentações, teria derramado bramidos de dor pela crise que consome a Santa Igreja Católica Romana nestas últimas seis décadas, atiçada pela “fumaça de Satanás”.

Esse fumo satânico progressista rumava para removê-la com o ódio participativo da crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo no alto do Calvário.

O diretor da série “Figaro Hors-Série”, Michel De Jaeghere, registrou em suas páginas a surpreendente contradição: o incêndio, que foi de molde a ser o tiro final na venerável estrutura gótica, “nos fez amá-la como nunca [...] teve um impacto que surpreendeu até mesmo seus admiradores mais fervorosos. A emoção pareceu dominar o mundo inteiro” .

O efeito da sua tragédia foi tal, que um artigo publicado nos Emirados Árabes chegou a confessar entre os vapores tóxicos do Islã que “Notre-Dame representa uma realidade mais profunda além do borrão de nossas vidas” .

O mesmo De Jaeghere condensou os atrozes crimes contra Notre-Dame, símbolo acabado da Igreja, e a civilização cristã que ela inspira.

Crimes históricos religiosos e temporais praticados na mais vil indiferença daqueles que deveriam custodiá-la.

Os governos monárquicos de Luís XV e Luís XVI aprovaram projetos para a demolição da catedral a fim de, na melhor das hipóteses, substituí-la por um templo de estilo grego.

A Revolução — que acabou travando o projeto dos reis — destruiu a Bastilha, continua De Jaeghere, desmantelou igrejas e conventos veneráveis para entronizar uma megera seminua como “deusa Razão” na catedral bendita.

A catástrofe tocou os corações e os mudou
A catástrofe tocou os corações e os mudou
Arrasou o palácio do Templo onde Luís XVI, Maria Antonieta e seus filhos se prepararam para o cadafalso ou para o pior dos destinos; Haussmann destruiu a Paris da Idade Média (16 igrejas demolidas só na Île-de-la-Cité) para construir bulevares; a Terceira República arrasou o palácio real das Tulherias.

Ainda hoje, observa ainda De Jaeghere, tudo se faz na França — e, no mundo por imitação — para apagar nossas raízes cristãs, repudiar a moral da Igreja, chegando a incluir o aborto como direito humano na Constituição.

Fato, aliás, comemorado pelo presidente Emmanuel Macron em discurso no templo do Grande Oriente da França.

Apenas 6,6% dos fiéis frequentam todo domingo as cerimônias para que foi feita Notre-Dame, 2% na mais recente enquete.

E menos de 25% dos bebês recém-nascidos são batizados, enquanto as ruas se enchem de adeptos do Islã rezando o Corão, que manda massacrar ou escravizar os cristãos.

Notre-Dame, símbolo da França cristã, tinha virado o santuário de uma religião abandonada, tolerado como prédio pelo retorno que deixavam os 13 milhões de turistas que a visitavam por ano.

A França oficial agia como se seu passado católico não valesse mais e o culto dos Direitos Humanos fosse a última palavra.

A União Europeia lhe garantia viver em função do estômago, satisfazendo apenas volúpias e instintos primitivos.

O palácio real de Versalhes virou museu, os castelos dos príncipes foram confiscados para deleite dos passeios turísticos, e os franceses desfrutavam visitando castelos transformados em monumentos nacionais, completa De Jaeghere.

Misteriosa mudança


Mudou o modo de respeitar a herança católica medieval.
Mudou o modo de respeitar a herança católica medieval.
Entretanto, o colapso de Notre-Dame foi ocasião de uma inversão tendencial profunda.

Como numa espécie de Juízo Particular, o incêndio fez aparecer diante da França e do mundo, numa só imagem, a imensidade de todas essas negações revolucionárias e a dureza de coração de séculos de indiferença. Essa imagem “de repente nos horrorizou”, disse De Jaeghere.

Seus restos ainda fumegavam quando se manifestou uma “paixão” pela ressurreição da catedral-mãe, que foi um antídoto contra os venenos que desumanizam as nossas sociedades, escreveu o diretor do “Figaro Hors Série”.

A indiferença “foi substituída por um respeito amoroso pelo passado”, choveram as doações de dinheiro, sem que ninguém reclamasse um tostão do Estado.

Até os que não ligavam para ela, se interessaram por ela
Até os que não ligavam para ela, se interessaram por ela
O presidente Macron, no discurso do 7 de dezembro, falou em 340 mil doadores voluntários de 150 países, com destaque para os EUA, desde aquele que contribuiu com uma moeda até os mecenas franceses que ofereceram milhões de euros.

O presidente francês, continuador dos crimes históricos acima mencionados, confessou que o mundo reconheceu que Notre-Dame, prodígio arquitetônico da Santa Igreja, era a alma da França e da civilização ex-cristã.

“Ela é maior do que nós”, concluiu.


Aplicou-se o dito do famoso e controvertido escritor Antoine de Saint-Exupéry: “Qualquer pessoa cujo coração esteja voltado para a construção de uma catedral já é um vencedor”, a França católica começou ganhando.



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terça-feira, 11 de março de 2025

Restauração de NOTRE DAME, prefigura do Reino de Maria

Inauguração de Notre Dame restaurada
Inauguração de Notre Dame restaurada
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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No dia 8 de dezembro de 2024, festa da Imaculada Conceição, a catedral de Notre-Dame foi consagrada novamente após a sua restauração, conforme ordena o Direito Canônico, e reabriu suas portas aos fiéis.

No dia anterior, entre 40 e 50 chefes de Estado e de governo, bem como quase 2.000 convidados especiais — bombeiros e agentes públicos que extinguiram o incêndio que quase arruinou a catedral, artistas e artesões que trabalharam na sua restauração — compareceram a um ato de reabertura promovido pelo governo francês.

Notre-Dame, iniciada em 1163, apresenta-se em 2025 renascida com o viço de sua primeira mocidade.

Como uma rainha que carregou durante quase mil anos um precioso manto cheio de história e que depois de um assalto do fogo infernal recebeu de Deus um novo manto com adornos e esplendores ainda mais rutilantes do que aquele que ostentou na História na sua mais fiel continuidade.

Efeito espiritual Mundial


O mundo ficou maravilhado com a restauração da catedral da Cidade Luz, a capital da França, nação que mereceu o título de “filha primogênita da Igreja”.

Lenda da catedral submersa
Lenda da catedral submersa
Uma velha lenda dos marinheiros da Bretanha, no extremo oeste da França, costa batida por mares furiosos e semeada de recifes perigosos, conta que por vezes se ouvem sinos reboar e das agitadas ondas emergir uma catedral arrebatadora de uma cidade mítica de nome Ys, que o oceano havia tragado em tempos remotos.

O escritor radicalmente anticristão Ernest Renan contou, numa nota autobiográfica, que na sua alma por vezes emergia com toda a sua sedução uma “cathédrale engloutie” (“catedral submersa”), em alusão à revivescência da inocência primaveril dos primeiros anos em que fora católico.

Notre-Dame de Paris renasceu das labaredas em seu máximo esplendor como essa mítica catedral de sonho, mas de um modo muito concreto.

E, eis o que vem mais ao caso, esse seu ressurgir se deu no fundo de incontáveis almas, inclusive não cristãs, afundadas numa narcose religiosa.

Espiritualmente, a imagem da Igreja purificada da “fumaça de Satanás” hodierna e das sujeiras depositadas por séculos de Revolução anticristã se mostrou numa explosão de beleza por obra da exímia restauração.

A Notre-Dame brilhante de sua luz sobrenatural medieval fez ressoar nas almas o anúncio da próxima vinda de uma era histórica esplendorosa que grandes santos anteviram como sendo o Reino de Maria.

Sua restauração em tempo recorde, num padrão artístico inigualável, mais próprio de uma joia incomparável, financiada por doações privadas imediatas e muito generosas, deixou o mundo atônito e, num sentido muito especial, envergonhado por ter tratado tão mal ao longo da História esta obra-prima da Igreja que nos vem desde o mais alto da Idade Média!

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira gostava de repetir, parafraseando o profeta Jeremias aludindo à Jerusalém amada por Deus: “Igreja de uma beleza perfeita, alegria do mundo inteiro”.

“Antena que nos abre a porta do Empíreo, fonte inesgotável de maravilhamento, escada que nos leva ao Céu, beleza da nossa natureza terrena que reflete a beleza da eternidade. Mãe que nos fala profundamente ao coração”, assim tentou descrever a catedral a historiadora de arte Paule Amblard .
“Nada te pode dobrar — escreveu um âncora de televisão chileno numa ‘Carta a Notre-Dame’ —, nem revoluções nem a indiferença, nem nossa época relativista e secularizada que está afundando enquanto se aproxima uma nova Idade Média, em que voltaremos a levantar catedrais, a rezar e cantar ao Céu, porque vagamos nas trevas como órfãos sem pai nem mãe. Mas Tu, Mãe de Paris, voltas a abrir teus braços nos dizendo: ‘vinde mais uma vez a mim, filhos perdidos, a encontrar em Mim a luz’” .

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terça-feira, 4 de março de 2025

Abadia de JUMIÈGES: onde os monges conquistavam o perdão de Deus para os pecadores

Jumièges, na Normandia, França
Jumièges, na Normandia, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: Abadia de Jumièges: em pé atraia as bênçãos de Deus. Hoje em ruínas, quem reza por nós?



À margem da história da abadia, ocorreu a história da Normandia. Em 1066, Guilherme, chamado o bastardo, conquistou a Inglaterra.

Por isso é conhecido como Guilherme, o Conquistador, tendo grande parte da nobreza inglesa origem normanda. Mais tarde alguns de seus descendentes se ilustrariam nas Cruzadas, como Ricardo Coração de Leão.

Outro normando igualmente conquistador foi Roberto de Hauteville, dito Roberto Guiscard, que organizou uma expedição à Itália meridional para arrebatar todo o sul da península aos bizantinos e a Sicília aos sarracenos.

Assim, as espadas de antigos bárbaros serviram à Cristandade contra os infiéis.

"Deus escreve direito por linhas tortas”, diz um ditado brasileiro. É bem o caso. Um povo bárbaro se civilizou e tornou-se ilustre.

A milenar abadia de Nossa Senhora de Jumièges só foi destruída em 1790, mais de mil anos depois de sua fundação, pelo ódio dos asseclas da Revolução Francesa.

Suas pedras foram colocadas à venda, como se tratasse de uma pedreira. Visitando em 1835 o que restou desse augusto monumento, Victor Hugo ficou impressionado por sua beleza.

Por sua vez, o historiador Robert de Lasteyrie du Saillant considerou-a uma das mais admiráveis ruínas existentes na França. Ainda em nossos dias, elas atraem visitantes aos milhares.

Como pode uma ruína causar tanta impressão nos espíritos?

Monges cartuxos rezam o Ofício Divino, no mosteiro da Grande Chartreuse, nos Alpes
Monges cartuxos rezam o Ofício Divino,
no mosteiro da Grande Chartreuse, nos Alpes
Em Jumièges viveram almas que abraçaram o sofrimento e o anonimato por amor de Deus. Ali praticaram a humildade na oração, no estudo e no trabalho.

A Regra de São Bento considera o ócio como inimigo da alma. Por isso ela estabelece que os monges devem alternar, em horas fixas, oração, leitura espiritual e trabalhos manuais. “Ora et labora” é a divisa da Ordem.

Assim, além do canto do Ofício e outras orações em comum, uma parte do dia beneditino é consagrada ao trabalho manual — sem o qual a comunidade não poderia subsistir.

E cada mosteiro deve bastar-se a si mesmo, a fim de conservar a liberdade na prática da Regra e da virtude.

Também o indispensável trabalho intelectual, sem o qual os monges não poderiam cultivar a própria alma. Por isso, muitos deles passavam grande parte do seu tempo a ler e copiar manuscritos.

Isso explica por que os mosteiros se tornaram centros de vida intelectual e focos de santidade, além de formar verdadeiros artistas na cópia e iluminura de manuscritos.

O Inimigo por excelência de toda ordem, de todo esplendor, de toda hierarquia, de toda harmonia, de toda desigualdade, e, em consequência, de toda variedade entre os seres da Criação, é o que Prof. Plinio Corrêa de Oliveira designou de Revolução.(Revolução e Contra Revolução, Catolicismo nº100, abril/1951)

Onde há amor às desigualdades harmônicas e proporcionadas, há ordem. Onde existe ordem, há amor de Deus, porque Ele é o Autor de todas as desigualdades proporcionadas e retas.

Ruínas da abadia de Jumiège na Normandia
Ruínas da abadia de Jumiège na Normandia
Os normandos amaram as desigualdades e a ordem nascida da Europa medieval, por isso compreenderam a grandeza da Religião cristã, ou seja, católica, apostólica romana.

Também por isso a Revolução Francesa, em todas as suas fases e formas, foi o inimigo mais daninho à Cristandade no tocante à ordem temporal.

Como o é em nossos dias em relação à verdadeira Religião católica o chamado progressismo, inimigo de todas as sãs desigualdades e, portanto, do próprio Deus.

E quando se ama a Deus de espada em punho como o fêz Santa Joana d'Arc, ou de terço na mão como tantos santos, compreende-se o valor da luta.

Quando se ama a Deus a ponto de dar a vida por Ele, a alma emite, por assim dizer, um perfume próprio que a todos conquista.

Só uma alma que soube lutar e sofrer, como a de Santa Teresinha, pode conquistar outras almas para a verdadeira Igreja, hoje devastada pelos mais abomináveis inimigos internos de todos os tempos.

No contexto da França – e mesmo da França revolucionária de hoje –, a Normandia é um jardim, no qual se destaca uma flor: Santa Teresinha do Menino Jesus…

Representando o papel de Santa Joana d'Arc, ela foi uma insigne batalhadora de espada na mão contra os infiéis. Mas, sobretudo, foi a continuadora dos contemplativos de Jumièges, conquistadores de almas e de heróis!


(Autor: Gabriel J. Wilson, in “Catolicismo”, junho de 2016).


Quando a abadia de Jumièges não estava em ruínas, França



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