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terça-feira, 19 de maio de 2020

Catedral: casa de Deus, lar dos fiéis, imagem da Jerusalém celeste, o Céu

Amalfi, catedral Santo Andre, catedrais medievais
Amalfi, Itália. Catedral Santo André
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Na Idade Média, construía-se a casa de Deus como imagem da Jerusalém Celeste.

Quer dizer a cidade ideal do Céu empíreo onde moramm as almas que se salvam.

É a admirável casa de Deus, o lugar do culto e a casa materna do povo.

A legislação eclesiástica fazia diferença entre o santuário — onde o povo não entrava — e o resto da superfície da catedral. Essa distinção era necessária.

O santuário era o local reservado para o culto, a missa, os ofícios, etc. Ocupava em geral a parte posterior a onde hoje está o altar mor, separado por véus.

Na nave central e nas laterais se faziam muitas coisas que as pessoas queriam que ficassem como embebidas de espírito religioso, sem serem atos religiosos.



Canterbury, catedrais medievais
Catedral de Canterbury, Inglaterra
O espírito do século XX ficaria chocado pela animação e as atividades que podiam se desenrolar antigamente no interior das igrejas.

Ali se dormia, se comia, se podia falar sem necessidade de cochichos.

Ali se circulava muito mais livremente do que hoje, porque não havia bancos.

Ali as pessoas se encontravam, para discutir coisas que muitas vezes não eram diretamente religiosas.

Era lá também que os representantes da comuna reuniam-se para falar dos negócios da cidade.

Cracovia, Mariacka, catedrais medievais
Basílica de Nossa Senhora, Cracóvia, Polônia, dita Mariacka
Pode-se notar que, em certas cidades que tinham comunas, e onde foram erigidas grandes catedrais, os burgueses não construíam prefeituras.

Conhece-se um texto eclesiástico interditando uma certa comuna de se servir da catedral como sala de reuniões.

Tal interdição prova que isso era fato corrente. Não era, evidentemente, um direito, mas uma tolerância da Igreja.

Em Marselha, as reuniões dos conselheiros, cônsules e dirigentes de negócios tinham lugar regularmente na Igreja de "Major".

Para se entender isso tudo, é necessário compreender que os homens viviam em contato diário com o divino.

Era-se muito mais íntimo com Nosso Senhor do que os fiéis de hoje, que, o mais das vezes, só estão com Deus Domingo de manhã, em sua igreja paroquial.



(Fonte: Jean Gimpel, "Les bâtisseurs des cathédrales", Éditions du Seuil, Paris, p. 43)




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3 comentários:

  1. Boa tarde!
    Eu adoro receber seus e-mails acho lindo a história a cultura , gostaria de uma ajuda uma vez minha professora de francês me contou uma história sobre um artista que fez um vitral em uma igreja creio que seja na frança, ele fez a mistura de cores que seria um azul único gostaria tanto de um dia, que vcs me enviasse alguma coisa sobre isso.

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    Respostas
    1. +
      IHS

      Boa tarde!
      Não saberia dizer o nome do artista, creio até que geralmente, se houve um, ficou ignoto. Foi toda uma escola que produziu cores que depois nunca ninguém conseguiu reproduzir.
      Salvo engano meu, sua professora se refere ao "azul de Chartres", aliás famosíssimo.
      No nosso blog há algumas imagens desses vitrais onde o azul aparece. Clicando em http://catedraismedievais.blogspot.com.br/search/label/Chartres, aparecem alguns posts com fotos deles. Tal vez o mais ilustrado é este: http://catedraismedievais.blogspot.com.br/2008/04/vitrais-da-catedral-de-chartres.html.
      Na coluna da direita está Nossa Senhora do belo vitral que é uma imagem muito venerada em Chartres e na realidade é algo imenso de grande.

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  2. José Juarez Batista Leite7 de maio de 2012 01:40

    Muito curioso esse contato do povo com as igrejas na Idade Média.Dá até para entender porque alguns historiadores modernos criticam tanto a Idade Média como sendo um período de trevas.Na verdade,a luz da Religião era e é ainda tão intensa que acaba ofuscando os olhares puramente mundanos.O que está aí posto sobre as catedrais, desfaz o equívoco de uma religiosidade artificial e mecânica pintada por alguns críticos da Igreja,mostrando justamente que não havia ruptura entre a vida e a prática religiosa,como pode ser percebido muito claramente nos dias de hoje.

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