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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Capela de Karlstein: vocação do mundo germânico e eslavo, degustação do Céu

Na Grande Torre do castelo de Karlstein, a capela da Santa Cruz.
Na Grande Torre do castelo de Karlstein, a capela da Santa Cruz.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A capela da Santa Cruz, no castelo de Karlstein, hoje na República Checa é uma lição viva de muitas grandes e nobres realidades.

Veja também o post anterior: Karlstein: a capela nobre que encarna a gravidade com o ornato

Toda incrustada de pedrarias, é uma amostra do que deveria ter sido o mundo teutônico imperial.

O mundo germânico tem a vocação de evangelizar o mundo oriental, aliás dominado pela Rússia cismática.

Ele não deveria ter se engajado nas devastadoras guerras contra a Europa Ocidental, notadamente contra a França sua vizinha.

Deveria ter voltado suas extraordinárias energias para converter e civilizar a Rússia. Teria assim levado a Religião Católica até as praias do oceano Pacífico.

Em alguma medida isso foi feito pelos gloriosos e míticos cavaleiros da Ordem Teutônica.


Esplendor com nota eslava na capela da Santa Cruz de Karlstein.
Esplendor com nota eslava na capela da Santa Cruz de Karlstein.
Seguindo o rumo oposto, a França, a Espanha e o Portugal deviam dominar o Norte da África e o Oriente Próximo para ali expandir a Fé.

E, coisa nada pequena, partir para a conquista de América e do Oriente para instaurar o reinado de Jesus Cristo.

Cavaleiro na capela de Karlstein, Maestro Teodorico de Praga, 1536
Cavaleiro na capela de Karlstein,
Maestro Teodorico de Praga, 1536
Isso em parte foi felizmente realizado. Assim nasceu a América Latina, o Canadá católico e até as Filipinas!

À Áustria correspondia evangelizar os povos da Europa Central e dos Bálcãs. Entre essa miríada de povos muito difíceis de conciliar entre si, estão os tchecos.

Com eles convertidos, a Áustria daria origem a uma civilização de fábula do qual a capela de Karlstein é um modelo acabado.

Os ícones incrustados nas paredes e pintados entre pedras semipreciosas estão cheios de vida e combatividade.

No todo da capela há uma certa participação do espírito eslavo que já toca no mundo russo.

Evoca, ainda que em pequena medida, os esplendores deslumbrantes do antigo Kremlin dos czares.

A capela tem mistério, mas não insinua nada de conspiração malévola.

Coroa imperial, dita de Carlos Magno, feita de pedras não lapidadas
Coroa imperial, dita de Carlos Magno,
feita de pedras não lapidadas
Enquanto que no Kremlin russo, nascido e desenvolvido no cisma rompido com o catolicismo, tudo fala de crime, de conspiração malévola.

De personagens meio demoníacos como Rasputin que dão vontade de sair de dentro.

Mas em Karlstein não há nada à la Rasputin, porque tem a bênção da Igreja.

Há mistério, mas é o mistério do sobrenatural banhado pela graça de Deus.

A capela da Santa Cruz foi feita por um povo militar e militante que deveria ter conquistado as estepes para a Igreja.

As pedras não são lapidadas porque tal vez eles não sabiam lapidar. Mas é um não lapidado mais bonito que muitas pedras lapidadas.

A mesma beleza rude e deslumbrante encontramos na coroa imperial de Carlos Magno.

Há, portanto, alguma coisa de primitivo, que remonta ao tempo da invasão dos bárbaros, mas com um sinal positivo cheio de vida.

A capela fica no alto da torre mais larga coroada com uma Cruz
A capela fica no alto da torre mais larga coroada com uma Cruz
A capela é como uma bênção dada por Nossa Senhora àqueles que nela ingressam.

Quem entra pode se considerar abençoado por Nossa Senhora. Como se Ela dissesse: “Meu filho, o que tu procuravas, aqui está. Olhe agora!”

Sem dúvida, ela é meio capela e meio salão temporal.

É meio uma sala de armas onde também se poderia perfeitamente cantar gregoriano ou rezar o Ofício.

Essa capela não foi única no estilo. Houve um espírito geral difuso na Europa medieval, que gerou mil capelas, igrejas, catedrais, salas, salões e castelos que participavam do mesmo estado de alma.

A Sainte-Chapelle, por exemplo, em Paris, mandada fazer por São Luis rei da França, está penetrada desse espírito.

Nelas, as pessoas viviam e rezavam dentro do fabuloso. Se preparando para o fabuloso eterno que é a contemplação de Deus no Céu empíreo por toda a eternidade.





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Um comentário:

  1. Gosto muito do seu trabalho. Continue. Parabéns. António Marquês Seixal Portugal

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