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terça-feira, 30 de junho de 2020

Ruínas da abadia de Beauport evocam as Lamentações do profeta Jeremias

Luis Dufaur
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A abadia de Beauport está situada em Kérity, Paimpol, na antiga Bretanha, França.

Ela foi fundada em 1202 pelo conde de Penthièvre e de Goëlo, Alain I d’Avaugour.

O conde chamou aos cônegos regulares premonstratenses da abadia da Santíssima Trindade da Lucerna, na vizinha Normandia.

terça-feira, 16 de junho de 2020

A Catedral de AQUISGRÃO:
reflexo da grandeza carolíngea

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A Catedral de Aix-la-Chapelle, a capital do Império de Carlos Magno, é assim chamada em francês.

Também é conhecida como Aachen, segundo a designação alemã, ou Aquisgrão em português.

Ela é toda de pedra, e distinguem-se três elementos arquitetônicos: o Dom, ou catedral, propriamente dito, que é a cúpula central encimada por outra pequena cúpula, no alto da qual está implantada uma cruz.

À direita, uma alta torre; à esquerda, o corpo do prédio, que contém a continuação da igreja.

Tudo isso comunica-se por dentro e constitui um só edifício.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Orvieto: o gótico colorido

Orvieto: catedral gótica colorida com mosaicos e mármore
Orvieto: catedral gótica colorida com mosaicos e mármore
Luis Dufaur
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Uma das mais belas catedrais existentes na Itália é uma basílica gótica toda colorida em mosaico do lado de fora.

É um dos edifícios góticos mais belos do mundo.

É a Catedral de Orvieto.

Sobre uma fachada estritamente gótica podemos ver uma feeria de cores.

Não há aí o que não seja gótico, inclusive a rosácea. Ela fica dentro de um quadrado que tem qualquer coisa de clássico. Mas que se encaixa tão perfeitamente que não há o que dizer.

A cor escolhida é a mais esplendorosa das cores: o ouro. Toda a fachada é sobre fundo dourado. E esse fundo é feito com um método nobre: o do mosaico.

Trata-se de um mosaico de alta qualidade, tão rutilante, tão magnífico que, sendo esta fachada do século XIV, ela dá a impressão de terminada ontem.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Catedral: casa de Deus, lar dos fiéis, imagem da Jerusalém celeste, o Céu

Amalfi, catedral Santo Andre, catedrais medievais
Amalfi, Itália. Catedral Santo André
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Na Idade Média, construía-se a casa de Deus como imagem da Jerusalém Celeste.

Quer dizer a cidade ideal do Céu empíreo onde moramm as almas que se salvam.

É a admirável casa de Deus, o lugar do culto e a casa materna do povo.

A legislação eclesiástica fazia diferença entre o santuário — onde o povo não entrava — e o resto da superfície da catedral. Essa distinção era necessária.

O santuário era o local reservado para o culto, a missa, os ofícios, etc. Ocupava em geral a parte posterior a onde hoje está o altar mor, separado por véus.

Na nave central e nas laterais se faziam muitas coisas que as pessoas queriam que ficassem como embebidas de espírito religioso, sem serem atos religiosos.

terça-feira, 5 de maio de 2020

As catedrais de Notre-Dame e São Pedro comparadas por uma grã-duquesa russa

Notre-Dame, nave central

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No século XVIII, a grã-duquesa da Rússia Maria Feodorovna fez sua viagem de bodas na Europa Ocidental com seu esposo, o futuro imperador Paulo I da Rússia.

O casal viajava de “incógnito” ‒ quer dizer, não oficialmente ‒ e usava os nomes de Conde e Condessa du Nord. A baronesa de Oberkirch, nobre francesa que escreveu Memórias famosas, ia junto como dama de companhia.

A grã-duquesa russa ‒ que era cismática ‒ comparou a Basílica de São Pedro e a catedral de Notre-Dame. A baronesa de Oberkirch recolheu o comentário:
“Em São Pedro de Roma, dizia a grã-duquesa, é-se esmagado pela beleza, pela elevação e pela majestade da nave da igreja.

“Parece que não se ousa rezar ao Ser Todo Poderoso ao qual os homens levantaram um templo de tão alta categoria. Deus aparece aí alto demais e longínquo demais.

terça-feira, 21 de abril de 2020

O gótico é fruto de séculos de pregação dos santos

Asís

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Quando há uma sociedade que vive em uníssono, e que deseja muito uma mesma coisa, aparecem os artistas que, imbuídos do mesmo desejo, fazem o que a sociedade quer.

A obra de arte é uma consonância de um homem, ou de alguns homens, dotados de um talento especial para fazer o que a sociedade deseja.

Então, quem fez o gótico?

A prática da religião assídua, séria, reta, por séculos, levou as almas a desejarem o gótico.

Em certo momento, quando o artista primeiro, que não se sabe qual é, começou a desenhar o gótico, todo o mundo disse: “É mesmo!”

terça-feira, 7 de abril de 2020

O segredo das catedrais

Colônia, Alemanha
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O enigma profundo das catedrais e dos homens que as conceberam e realizaram em tão grande número e variedade nos conduz a considerações que superam a própria ciência e à própria técnica.

A primeira e mais imediata consideração é sobre a sabedoria dos construtores.

Monges, teólogos, arquitetos, artistas, simples pedreiros, neles parecia habitar uma sabedoria que ia muito além de suas naturezas humanas, por vezes rudes e imperfeitas.

Pelos frutos se conhece a árvore. Pela catedral se conhece a alma dos construtores.

Como foi possível tal afloração simultânea de homens com almas sólidas e plácidas, fortes e delicadas, lógicas e jeitosas, como as que fizeram essas Bíblias de pedra?

Homens que foram a encarnação da virtude da sabedoria. Da sabedoria sobrenatural que só a graça divina dispensa às suas almas mais amadas.

E essa é uma segunda consideração de natureza espiritual.

Foi essa sabedoria sobrenatural, de que a Igreja Católica é a tesoureira, que gerou aqueles homens e suas catedrais.

Longe da Igreja, o homem do terceiro milênio sente-se apequenado, tristonho e cheio de incertezas.

terça-feira, 24 de março de 2020

As torres inconclusas de Notre Dame


Luis Dufaur
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Por mais que se tente completar as torres de Notre-Dame — talvez um grande arquiteto consiga — não se chega a nenhuma solução satisfatória.

Isso quer dizer que, à maneira de negação, tem-se uma certa noção da torre que se poria lá.

Mas não é nenhuma das que cogitamos.

O que tem a catedral de Notre-Dame que a mim me delicia, me subjuga e me assume, é que aquilo, como está, é tão bonito, que se diria que não se pode pôr nada mais além daquilo.

Ora, era para pôr! Logo, o acréscimo tem que ser um bonito na linha gótica.

terça-feira, 10 de março de 2020

O espírito que deu alma às catedrais medievais

Beauvais, catedral São Pedro

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O espírito épico é como um prisma que permite interpretar a Idade Média.

Os historiadores hodiernos, entretanto não sabem discerni-lo. E nos seus relatos esse espírito épico está volatilizado.

Entretanto, este é verdadeiramente o prisma para estudar a Idade Média.

Cada vez mais nós estamos caindo em estudos de caráter puramente historicista, e econômico, e político. Mas desprovidos de alma.

O resultado é que o aluno sente confusamente que o historiador no pegou o fundo da coisa, não entendeu a alma da Idade Média. Então, o estudo fica cassetérrimo.

Os medievais trabalhavam com espírito épico. Esse espírito está presente até na hora de fazer um campanário ou uma catedral.

Eles, então, faziam uma obra para lá de arrojada em relação aos meios do tempo.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Abadia milenar de Solesmes, uma arca de salvação

A vida na solidão acompanhado por Deus
A vida na solidão acompanhado por Deus
Luis Dufaur
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Às cinco da manhã ainda está escuro no verão e no inverno faz muito frio.

A cidade toda de Solesmes dorme bem arroupada enquanto o velho sininho da abadia se põe a repicar com sua milenar nota.

Os monges estão sendo convocados a cantar a primeira Hora do dia.

Silhuetas silenciosas se encaminham para a igreja fazendo deslizar seus hábitos pretos sobre o chão de pedra.

De ali a pouco suas vozes entoam as antífonas, leituras e salmos à glória dAquele que os convocou ali.

“Qui bene cantat, bis orat” (“Quem canta bem, reza duas vezes”) ensinou Santo Agostinho.

Em Solesmes os monges cantam sete vezes por dia, trinta e cinco horas por semana, explica o Pe. Paul-Alain.

No brilho do olhar dos monges percebe-se a plenitude do gáudio sobrenatural que enche suas almas.

O costume se repete há mil e quinhentos anos na abadia de Saint Pierre de Solesmes, na região da Sarthe, França, num antegosto terrestre da vida eterna.

Não foi um milênio e meio fácil.

O inferno se abateu sobre Solesmes que foi preciso reconstruir em 1869.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

York: a poesia das flechas inexistentes,
mas imagináveis

York: a poesia das flechas inexistentes
York: a poesia das flechas inexistentes
Luis Dufaur
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A catedral gótica de York, na Inglaterra, apresenta algumas características que à primeira vista impressionam pouco, mas cuja beleza é preciso saber saborear.

O gosto pelo princípio de unidade e transcendência nos levaria a desejar que as torres terminassem bem mais altas, por uma série de lances menores e com uma ponta altiva e elegante.

Pois não é propriamente segundo o espírito contra-revolucionário uma torre sem ponta, sem uma flecha.

As duas torres do fundo não têm pontas, mas os ângulos estão flanqueados por alguns florões que causam à primeira vista a impressão de torreões.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Notre-Dame será reconstruída tal como era

Notre Dame de Paris.
Fundo: Grande Cruz das Três Ordens Militares (Cristo, Santiago, Avis)
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A “Bíblia de Pedra” que é a catedral de Notre-Dame de Paris, durante oito séculos resistiu a toda espécie de guerras, revoluções e intempéries.

Mas esteve a ponto de ruir no incêndio do telhado e da agulha em 15 de abril de 2019, deixando o mundo estupefato.

A catástrofe simbolizou a grave crise que devora a própria Igreja Católica que essa legendária catedral representa.

O resgate quase milagroso do Santíssimo Sacramento e das mais preciosas relíquias da catedral, como a Coroa de Espinhos e a túnica de São Luís, soou como uma promessa da restauração católica depois da infernal “penetração da fumaça de Satanás no templo”, tantas vezes rememorada.

Mas as ruínas fumegantes da catedral foram alvo de polêmica.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O simbolismo divino na arte e na natureza
visto pela Idade Média

Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
com Cristo Rei no centro.
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continuação do post anterior: A catedral: resumo da ordem sublime de Deus impressa no Universo


A terceira característica da arte medieval reside no fato de que ela é um código simbólico.

Desde o tempo das catacumbas [nos dias da perseguição romana], a arte cristã falava por meio de figuras, ensinando os homens a verem por detrás de uma imagem uma outra coisa superior.

O artista, segundo o imaginavam os Doutores da Igreja, deve imitar a Deus, que sob a letra da Escritura escondeu um profundo significado, e que queria que a natureza também servisse de lição para o homem.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

A catedral: resumo da ordem sublime de Deus
impressa no Universo

Coroação de Nossa Senhora, fachada da catedral de Reims.
Os anjos fazem de assistentes da cerimônia.
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Primeiramente, a Idade Média tinha paixão pela ordem.

Os medievais organizaram a arte como tinham organizado o dogma, o aprendizado temporal e a sociedade.

A representação artística de temas sagrados era uma ciência regida por leis fixas, que não podia ser quebrada pelos ditames da imaginação individual.

A arte da Idade Média é uma escritura sagrada, cujos caracteres todo artista deve aprender.

Ele deve saber que a auréola circular colocada por trás da cabeça serve para expressar a santidade, enquanto a aureola com uma cruz é o sinal da divindade e sempre usada para pintar qualquer uma das três Pessoas da Santíssima Trindade.

A segunda característica da iconografia medieval é a obediência às regras de uma espécie de matemática sagrada. Posição, agrupamento, simetria e número são de extraordinária importância.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Vitrais da catedral de REIMS:
Luz que convida à contemplação

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Chamamos as obras do engenho humano de “netas” de Deus porque, sendo a alma humana filha de Deus, aquilo que o espírito humano engendra é “neto” de Deus.

Engendrando os “netos” de Deus, que são as verdadeiras obras de arte, o homem prepara-se para, quando comparecer diante do eterno Juiz, eterna Verdade e eterna Beleza, voar de entusiasmo rumo a Ele.

Não vou elogiar aquilo que salta aos olhos: a harmonia magnífica dessa esplêndida “neta” de Deus, que é a catedral de Reims, onde se coroavam os reis de França.

No interior desse templo religioso podemos admirar rosáceas tão bonitas, que dir-se-ia ter sido o prédio construído para dar sustentação à beleza delas.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

A Sainte-Chapelle: arca cheia de tesouros

Sainte Chapelle: capela inferior para os domésticos do Palacio real.
Sainte Chapelle: capela inferior para os domésticos do Palácio real.
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A Sainte-Chapelle é uma capela gótica situada na Ilha de la Cité em Paris.

Iniciada em 1246, foi consagrada em abril de 1248.

Foi construída no século XIII por São Luís IX. O patrono foi esse santo rei francês.

Ele a destinou para capela do palácio real.

Ela foi feita para ser um imenso relicário: o da coroa de espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Nossa Senhora de Las Lajas:
um santuário neomedieval fora da Idade Média!

Nossa Senhora de Las Lajas, Ipiales, Colômbia
Nossa Senhora de Las Lajas, Ipiales, Colômbia
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A história que vamos reproduzir embaixo não é da Idade Média, mas bem poderia sê-lo. Pois, a Idade Média não é apenas uma era histórica, mas também uma categoria moral, religiosa, social, cultural e de devoção a Nossa Senhora!

Las Lajas quer dizer, em português, As Lajes. A pintura ao lado está impressa num rochedo existente numa gruta localizada ao sul do território colombiano, junto à fronteira do Equador.

É como um quadro que tem todas as características de ter sido pintado mediante o concurso de um anjo.

Qual é a beleza da referida pintura?

Devemos distinguir nela dois aspectos: as pessoas de Nossa Senhora e Nosso Senhor, e o colorido.

O colorido todo expressa uma idéia de realeza muito pronunciada. As cores de fundo do quadro são faustosas.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Homens na origem das catedrais: São Lopo, arcebispo de Sens

São Lopo, estátua no pórtico da igreja de Saint-Loup-de-Naud (Seine-et-Marne)
São Lopo, estátua no pórtico da igreja
de Saint-Loup-de-Naud (Seine-et-Marne)
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São Lopo, nasceu em Orléans num berço de sangue real e viveu de 573 até 623 d.C. Resplandeciam nele todas as virtudes quando foi escolhido para arcebispo de Sens.

A catedral de Sens de então era uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora e a São Estevão o primeiro mártir.

Ela havia sido construída por São Saviniano pelo fim do século III.

Depois lhe foram anexadas mais duas capelas. Na origem das colossais catedrais medievais encontramos sempre uma humilde história de pequenas capelas.

Mas nelas residiam homens de almas colossais e cujo exemplo moral acabou inspirando a construção de edifícios religiosos proporcionados a esses gigantes da fé.

Foi o caso de São Lopo na arquidiocese de Sens.

Ele doava quase tudo aos pobres. Um certo dia em que ele tinha convidado muitas pessoas para comerem, no meio da refeição verificou-se que não havia vinho para todos.

Ele disse ao funcionário que lhe avisava da falta:

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Só a arte sacra pode ser cristã? Uma comparação

Mount Stuart, Drawing Room, catedrais medievais
O palácio de Mont Stuart, Escócia tem sacralidade religiosa
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Pelas altas janelas, guarnecidas de vitrais, entra uma luz abundante mas suave, que se reflete no assoalho, no metal polido das armaduras e das panóplias, no bronze e no cristal dos imensos candelabros, e parece atingir a custo as nervuras e pinturas do teto.

As colunas, fortes e delicadas, se abrem ao alto como imensas palmeiras que protegessem a sala com sua ramagem de pedra, de linhas coerentes, nítidas e suaves.

A sala é fortemente impregnada de um ambiente peculiar, que convida a um repouso sem ócio nem dissipação, um repouso todo feito de recolhimento, gravidade, equilíbrio e força.

As armaduras, os veados empalhados, enriquecem este ambiente com o eco das proezas praticadas na caça e na guerra.

O lambris de madeira trabalhada quebra com sua delicadeza e aconchego o que a austeridade da pedra talvez tivesse de excessivo.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

O verdadeiro nome da arquitetura gótica é ‘arquitetura cristã

Catedral de Reims, França
Catedral de Reims, França
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Se houvesse uma qualificação para se dar ao estudo que daremos prosseguimento, poderíamos dizer que ela se relaciona à filosofia da arquitetura.

Daniel Ramée, Viollet-Leduc e alguns outros autores especialistas mostraram como se desanuvia o fim moral e o alcance intelectual dos procedimentos técnicos, que são os meios materiais mais importantes e úteis das artes.

Contudo, ao estudarmos as condições que constituem os méritos do estilo gótico, precisamos ir além da beleza estética.

As descrições entusiásticas de nossos antigos monumentos, das visões engenhosas ou poéticas, a justa admiração das obras-primas do espírito humano são de fundo comum, estão abertas a todos aqueles que pensam, e, mesmo àqueles que se contentam em sentir vagamente tais obras; esta distinção essencial é perfeitamente enunciada na obra de Eugène Loudun:

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Catedrais da cor, focos de sacralidade, palácios d'Aquele que é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (João, XIV, 6)

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Durante séculos de abandono os monumentos medievais foram se cobrindo de poeira, mofo e fuligem de revoluções.

No século XIX, houve literatos que se interessaram por eles e começou um movimento de reabilitação cultural e restauração material.

A tendência cresceu mais ainda no século XX.

terça-feira, 30 de julho de 2019

As almas que fizeram as catedrais.
São Vaast: bispo do fogo sagrado

São Vaast expulsa o lobo da igreja.
São Vaast expulsa o lobo da igreja.
Luis Dufaur
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Quando se fala das catedrais poucas vezes o relato se detém para descrever os homens que as fizeram ou inspiraram.

Entretanto, sempre que se analisa uma obra de arte, um dos primeiros elementos a considerar é o nome do artista, a época em que viveu, os fatos ou estilos que condicionaram suas realizações.

Mas fala-se pouco dos autores ou inspiradores dessas obras supremas da arte que são as catedrais, que de alguma maneira resumem em si todas as outras artes.

Pode se alegar que as catedrais demoravam muito para ser completadas – até algumas ficaram inconclusas – e portanto houve muitos propulsores.

Mas, vasculhando a história é possível identificar almas inspiradoras que pela sua grandeza lançaram os fundamentos de cada catedral e as marcaram para sempre.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Basílica de São Marcos em VENEZA:
jóia do estilo bizantino


Luis Dufaur
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A primeira fotografia apresenta uma visão interna da nave central da célebre Basílica de São Marcos, em Veneza, num horário favorável, em que ela está inteiramente vazia.

É preciso familiarizar-se com o estilo desse templo religioso: o bizantino.

Sua planta tem a forma da chamada cruz grega, isto é, cruz cujas quatro extremidades ou braços têm a mesma extensão.

A ideia da cruz, do sacrifício, da morte, e, portanto da Redenção infinitamente preciosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, fica simbolizada artisticamente de modo muito adequado pela disposição da nave central, das naves laterais e suas respectivas cúpulas.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Restaurador-chefe de Notre-Dame a quer idêntica ao que era

Restaurador-chefe de Notre-Dame a quer idêntica ao que era
Restaurador-chefe de Notre-Dame a quer idêntica ao que era
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O arquiteto chefe da restauração de Notre-Dame de Paris, Philippe Villeneuve, defendeu em entrevista ao quotidiano “Le Figaro” a reconstrução da agulha da catedral “à l'identique” (de modo idêntico ao que era).

Nisso contrariou a vontade do presidente Emmanuel Macron que favorece “uma reconstrução inventiva”, leia-se que deturpe com elementos extravagantes essa relíquia da Cristandade.

“Para min, não somente deve se refazer a agulha, mas é preciso refazê-la idêntica ao que era, justamente para que ela não se relacione com uma data”, declarou o arquiteto chefe dos monumentos históricos, responsável da restauração da catedral desde 2013.

“Além do mais, o Tratado de Veneza nos impõe restaurar os monumentos históricos no último estado em que foi conhecido”, sublinhou o arquiteto se referindo ao tratado internacional de 1964 sobre a restauração de monumentos.

Para Villeneuve, “a grande força da agulha obra mestra de Eugène Viollet-Le-Duc, é que não está relacionada a uma época. Ela se integrava numa obra mestra medieval do século XIII. É isso que nós devemos procurar”.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Chartres e a reconstrução prodigiosa
filha da graça da penitência

Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Chartres, a catedral renascida das cinzas, exemplo para Paris





Entusiasmo, dedicação e penitência


Para restaurar a catedral na Chartres de 1194, um entusiasmo jamais visto se irradiou até os campos, contagiou o país e o outro lado do Canal da Mancha.

O Livre des Miracles de Notre Dame, escrito na época, descreve uma epopeia coletiva, onde multidões vieram oferecer seu trabalho.

Ricos e pobres empurravam carroças carregadas de pedras e material de construção, mas também de vinho, trigo e alimentos para os voluntários engajados no imenso canteiro de obras.

Reviviam-se assim as jornadas de 1144, durante a construção das torres e da fachada.

Robert de Torigni, abade do Monte Saint-Michel, escreve em sua Crônica:

“Viram-se em Chartres fiéis que se atrelavam a carros carregados com pedras, madeira, trigo e tudo o que poderia ser utilizado nos trabalhos da catedral, cujas torres cresciam como por arte de magia.

“O entusiasmo tomou conta da Normandia e da França: em todos os lugares se viam homens e mulheres a arrastar fardos pesados através de pântanos lamacentos; por toda parte se fazia penitência; em todo lugar perdoavam-se os inimigos”.